Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Exposições, debates e oficinas tratam da imagem em processos analógicos


Nahima Maciel 

Publicação: 19/08/2010 07:00 Atualização: 19/08/2010 10:45
Mirsolav Tichý - Projeção - (Arquivo pessoal)
Mirsolav Tichý - Projeção.
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A fotografia analógica vai tomar conta do Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul, a partir de hoje. É com homenagem à técnica cada vez menos praticada que o Fotoclube f/508 dá início à 1º Semana f/508 de Fotografia — I love film. Até o final do mês, o espaço recebe quatro exposições, ciclo de debates e oficinas focadas na prática da imagem concebida unicamente em processos analógicos. “Vamos discutir a preservação da cópia, as tendências e as linguagens do analógico”, avisa Humberto Lemos, um dos idealizadores do evento. “É um suporte que atrai muito a meninada, o pessoal jovem. No Rio de Janeiro houve até um crescimento de 20% na revelação de filmes.”

A facilidade e o custo da tecnologia digital baratearam o processo fotográfico e tomou conta do mercado nos últimos 10 anos. A foto em filme negativo perdeu espaço e ficou cara, mas a surpresa de não saber imediatamente o resultado de uma imagem ainda seduz os praticantes. “O analógico tem a ansiedade. Tenho um problema com o digital: demoro para passar para o computador porque o prazer de ver a foto já passou. Na foto analógica, além do prazer de pensar o resultado, tem essa ansiedade para ver como ficou”, explica Janaína Miranda, 22 anos, integrante do f/508.

Alessandra Araújo - Estética do acaso - (Alessandra Araújo/Divulgação)
Alessandra Araújo - Estética do acaso
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Além das exposições e oficinas, a semana da 508 traz ainda uma homenagem ao tcheco Mirsolav Tíchy, especialista em construir suas próprias câmeras desde a década de 1960. Na noite do lambe-lambe, evento em que o f/508 realiza projeções, as imagens de Tíchy serão exibidas em telão, assim como um filme em stop motion com fotografias pinhole realizado pelo fotógrafo Dirceu Maués e imagens do grupo Low-Fi, que trabalha com fotografias realizadas com tecnologias alternativas. Veja ao lado as exposições e oficinas programadas para o evento do f/508.

Estética do acaso
Janaína Miranda - Estética do acaso - (Janaina Miranda/Divulgação)
Janaína Miranda - Estética do acaso
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» A falta de controle sobre os erros ou acertos é o que atrai os seis fotógrafos da exposição, todos integrantes do fotoclube f/508. Com máquinas Lomo ou aparelhos classificados como de ``baixa tecnologia``, eles se expõem ao acaso para captar imagens nas quais a falta de controle se torna parte de uma linguagem.

Fotografia pinhole
» Pinhole é qualquer aparelho fotográfico construído de forma precária, com caixas ou latas transformadas em câmeras escuras prontas para receber a luz através de um orifício. A engenhoca pode ou não ter lente e o resultado é altamente empírico. O acaso tem papel importante na prática. Humberto Lemos, Thiago Barros e Beth Coutinho assinam as imagens desta exposição. ``Você não tem controle nenhum sobre o resultado e a técnica não é importante aqui. O pinhole não tem definição de ótica e dá um quê de sonho na imagem``, escreve Barros.

Processos históricos

» No século 19, quando a fotografia começou a ser popularizada, os meios de reprodução passavam longe dos processos industriais dos tempos modernos. Para reproduzir uma imagem era preciso dominar práticas artesanais, preparar o papel e ampliar imagem por imagem. Cianótipo, papel albuminado e papel salgado eram os processos mais frequentes. Alunos e integrantes do f/508 fizeram cursos para produzir o material da exposição ampliado com métodos artesanais na mostra que reúne nove fotógrafos e 25 obras.

Em busca do paraíso perdido
» O curitibano Angelo José da Silva transpõe para serigrafias as imagens de arte urbana — especialmente grafites — coletadas nas ruas das grandes cidades com uma câmera Rolleiflex e filme em preto e branco. O trabalho rendeu livro artesanal, costurado à mão e lançado em Brasília no início do mês. Na 508, Silva apresenta quatro imagens do livro ampliadas em 70 x 70cm.

Oficinas
Alessandra Araújo - Estética do acaso - (Alessandra Araújo/Divulgação)
Alessandra Araújo - Estética do acaso
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» Quatro oficinas estão programadas até o final do mês. Em Daguerreotipia os inscritos poderão aprender com Francisco Moreira da Costa a confeccionar daguerreótipos, placas de vidro nas quais a imagem era impressa nos primeiros tempos da fotografia. O coletivo Garapa, de São Paulo, será o único a abordar tecnologias contemporâneas com a oficina Experiência multimídia. As vagas estão esgotadas para os dois cursos, mas quem estiver interessado ainda pode se inscrever nas aulas de pinhole e processos históricos. Na primeira os alunos vão aprender a construir câmeras artesanais com o fotógrafo Dirceu Maués e na segunda, Luís Gustavo Prado ensina a manipular químicas para fixar fotos em papéis alternativos. Todas as oficinas são gratuitas e acontecem no Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul).

PROCESSOS ALTERNATIVOS
Com Luís Gustavo Prado. De 28/8 a 9/10
Sábado das 9h30 às 12h30. R$ 400 R$ 25 para o material
CONSTRUÇÃO DE CÂMERAS ARTESANAIS
Com Dirceu Maués. Sábados e domingos
Dias 21, 22, 28 e 29 de agosto, das 9h30 às 12h30 Preço: R$ 360

SEMANA F/508 DE FOTOGRAFIA — I LOVE FILM
Até 29 de agosto no endereço SCLN 413, Bloco D, sala 113

Para saber mais
Quadro de palestras com entrada franca
  • Preservação da cópia e do original — 23/08, às 19h30, Thiago Barros
  • O analógico e a mídia contemporânea — 24/08, às 19h30, com Gabriela Freitas
  • A fotografia intuitiva de Miroslav Tichý — 25/08, às 19h30, com Janaína Miranda
  • Wim Wenders e a fotografia on the road — 26/08, às 19h30, com Rose May Carneiro
  • Fotografia low-fi e a estética do acaso — 27/08, às 19h30, com Rafael Dourado
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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Curitiba será retratada através de uma lata neste domingo

Fotos

É a quarta edição do Curitiba na Latinha, que vai reunir 140 crianças da rede pública de ensino 
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  20/05/10 às 14:44  |  Redação Bem Paraná
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Como tirar fotos e registrar os melhores momentos sem máquina fotográfica ou celular? Que tal usar apenas uma lata de leite ou de achocolatado e um pedaço de fita adesiva? É assim que o “Curitiba na Latinha” pretende ensinar crianças da rede pública de ensino a retratar a cidade em que vivem, e guardarem os melhores momentos deste dia inesquecível. 

Neste domingo, dia 23 de maio, será realizado a quarta edição do “Curitiba na Latinha”, projeto que ensina crianças a divertida arte de fotografar do PinHole, produzir fotos com apenas uma lata ou caixa de papelão com um pequeno furo em um dos lados. O evento realizado pelo Rotaract Club de Curitiba Bom Retiro acontecerá no Parque São Lourenço a partir das 8h30 e no Jardim Botânico no período da tarde, e contará com cerca de 140 crianças entre 8 e 10 anos da rede pública de ensino.

O projeto faz parte do evento internacional do Dia Mundial do Pinhole, que acontece simultaneamente em várias cidades do mundo, o objetivo é promover esta arte de fotografar e divulgar esta técnica simples e de baixo custo. Mas, para os participantes do evento em Curitiba esta é uma oportunidade de realizar o resgate social de crianças de baixa renda através da arte, ainda mais esta, que parece tão inusitada para eles.

O evento é promovido pelo Rotaract Club de Curitiba Bom Retiro deste de 2007, quando reuniram cerca de 100 crianças e 92 voluntários para fotografar o parque Tanguá, desde então o projeto se tornou permanente e já atendeu mais de 300 crianças de Curitiba.

O “Curitiba na Latinha” deste ano conta com o apoio da Fundação Cultural de Curitiba, Projeto Sociedade Escola, Secretaria de Educação, Centro de Criatividade de Curitiba, Solar do Barão, Espaço Cultural Franz Kreisberg e Corinfo Soluções WEB.
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http://www.bemparana.com.br/index.php?n=145246&t=curitiba-sera-retratada-atraves-de-uma-lata-neste-domingo
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domingo, 22 de novembro de 2009

Encontro Internacional de Fotografia Fotograma 09

Diário do Pará - Sexta-feira, 20/11/2009, 09:24h                     
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Pará é destaque em evento de fotografia no Uruguai
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Fotógrafos paraenses estão em Montevidéu, no Uruguai, participando do Encontro Internacional de Fotografia Fotograma 09, que foi aberto no último dia 6. Miguel Chikaoka e Alberto Bitar foram convidados para ministrar oficinas para o público uruguaio e Mariano Klautau Filho apresenta lá a exposição “Finisterra” e a conferência “Miguel Rio Branco e As Tensões da Imagem”.
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Já a fotógrafa Claudia Leão participará da comunicação “Nossas Memórias e Esquecimentos”, onde fará uma análise sobre a presença das imagens de família a partir dos estudos sobre memória e identidade.
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Na segunda edição do evento, mais de 150 mostras fotográficas estão expostas desde outubro e ficarão até dezembro. Participam mais 500 expositores, de 15 países.
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Chikaoka levou a tradicional Pinhole,no formato Pin Lux – feita com caixa de fósforos. Fundamental para entender os fundamentos básicos da fotografia, é por meio da maneira artesanal de capturar a imagem que o fotógrafo foi responsável, aqui em Belém, pela formação de diversos outros fotógrafos.É ele também quem coordena desde 2002, em Belém, o Pinhole Day, que reúne várias pessoas na Praça das Mercês.
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“Esta oficina é uma oportunidade para compartilhar olhares e sentimentos sobre a importância do ‘fazer com as próprias mãos’ na construção e expressão do conhecimento em diferentes contextos sociais e culturais”, diz o fotógrafo.
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Alberto Bitar aborda o processo de construção de vídeos feitos a partir de fotografias. Ele fala sobre o processo base de produção do vídeo “Quase Todos os Dias...Belém” e “Quase Todos os Dias... São Paulo”, realizados a partir de fotografias captadas por diversos fotógrafos e que têm como tema central o cotidiano urbano.
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“Quase todos os dias...São Paulo” passou com destaque por festivais do ano passado, como o 31º Guarnicê, em São Luís e o 3º Cinema e Cidade, em Porto Alegre, quando foi escolhido Melhor Filme pelo júri técnico.
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Os vídeos da oficina serão feitos com montagem fotográfica por meio da técnica “Time laps”, que possibilita criar de lapsos de tempo entre uma fotografia e outra e, assim, a sensação de movimento e aceleração.
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O conteúdo da oficina prevê desde a exibição de filmes com temática urbana, discussão de locações, pautas e procedimentos para fotografar, até a captação de imagens que serão utilizadas no vídeo produzido pelos participantes.
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FINISTERRA
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O fotógrafo Mariano Klautau Filho mostra em Montevidéu a exposição “Finisterra”, que ele já expôs na capital paraense no ano passado. A exposição abre no próximo dia 21 e fica até 30 de dezembro, no Foto Club Uruguaio. São fotografias de trabalhos realizados entre 2002 e 2007, das séries “Matéria Memória”e “Hoppe”. O primeiro revela fotografias dípticas – conjunto de duas obras do mesmo gênero, que se completam–em cor, que pretendem mostrar a dinâmica entre paisagem exterior e interior.As imagens foram feitas como se fossem diários virtuais, captadas em lugares e tempos diferentes, a partir de uma construção. A série “Hoppe” é uma referência direta a Edward Hopper – pintor norte-americano lembrado por suas misteriosas representações realistas da solidão na contemporaneidade. Nas imagens da série, os personagens começam a aparecer e, assim como nos quadros de Hooper, é possível notar o caráter narrativo das fotografias, o que confere uma atmosfera ficcional à série e uma inter-relação entre linguagens.
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Participação paraense no Fotograma 09
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Oficinas:
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“Montevideo: casi todos los días”, com Alberto Bitar.
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“Fototaxia”, com Miguel Chikaoka.
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Conferência:
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“Miguel Rio Branco e As Tensões da Imagem” com Mariano Klautau Filho.
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Comunicação:
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“Nossas Memórias e Esquecimentos”, com Claudia Leão.
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Exposição:
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“Finisterra” - individual de Mariano Klautau Filho, no Foto Club Uruguayo, até dia 30 de dezembro, em Montevidéu. (Diário do Pará)
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