Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

Mostrar mensagens com a etiqueta Diário do Nordeste. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Diário do Nordeste. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Um dia de se escrever com luz



fotografia


Publicado em 19 de agosto de 2011 

  

Clique para Ampliar

Trabalhos inscritos na exposição "De olho na rua": imagens de fotógrafos cearenses serão projetadas na rua Sabino Pires
Clique para Ampliar


Clique para Ampliar

Há 172 anos, 19 de agosto se tornava uma data a ser celebrada: no Dia Mundial da Fotografia, a arte de escrever com luz é homenageada com festas e exposições em Fortaleza

Santo Daguerre para uns, maldito francês para outros. Já não importa. O fato é que a invenção do físico Louis Jacques Daguerre invadiu as famílias, as rodas de amigos; enfeitou, a princípio, as mesinhas de centro das casas e, agora, está nos celulares, suspensas nas tramas da internet.

Falo da fotografia. No dia 19 de agosto de 1839, a Academia de Ciências e Artes de Paris anunciava à França que a mágica de fazer o mundo fixar-se em uma superfície era agora de domínio público. Logicamente, antes de doar seu invento ao país, patenteou-o nas Ilhas Britânicas e nos Estados Unidos. Desde então, o tal "daguerreótipo", criado, na verdade em 1835, protagonizou algumas senhoras polêmicas, entrando para o hall das muitas confusões que deram corpo ao que chamamos de história mundial.

"É a morte da pintura!", dizia Delaroche. "A fotografia é o refúgio dos pintores frustrados!", conclamava Baudelaire, negando publicamente a fotografia como expressão artística. "O homem não pode fixar a imagem que Deus criou!", pregavam os jornais alemães daquela semana de 39. Mas o daguerreótipo não foi impedido por tais obstáculos. Na década de 1870, finalmente, a geringonça francesa começaria a ganhar traços do que, um século depois, estaria nas gavetas de nossas casas. Em 1877, George Eastman popularizava o bom e velho rolo de filme. O "American Film", como ficou conhecido, permitia 100 fotos por rolo, uma evolução!

E, um século depois, em 1970, quando o mundo já se divertia inclusive com as "Polaroids", desenvolvia-se nos QGs da Guerra Fria um protótipo de câmera digital. A primeira delas, elaborada pela Kodak, pesava quatro quilos e gravava as imagens em uma fita cassete! Hoje, graças à andante tecnologia, cá estão elas, leves e delgadas em nossas mãos. Suas fotos mal enfeitam nossas mesas, muitas apenas em porta retratos digitais; estão mesmo em pen drives, sites de armazenamento, perfis no Orkut (pra quem ainda os tem) e lógico: no Facebook.

Comemoração

Por causa daquele célebre 19 de agosto, a data tornou-se o Dia Mundial da Fotografia, comemorado, no Ceará, com exposições, fóruns e muita festa. Hoje à noite, a foto toma conta de seu habitat natural: a rua. Na festa "No Olho da Rua", promovida por um grupo de fotógrafos cearenses, toda a Rua Sabino Pires, paralela à Norvinda Pires, do Fafi Bar, será palco de música, dança e muita imagem.

Quatro projetores exibirão nas paredes das casas cerca de mil fotos recebidas ao longo dos últimos dias pela organização. Quem quiser expor suas fotos na hora, também vai poder: basta levá-las reveladas e pendurar nos varais distribuídos de uma ponta a outra do lugar.

Exposição

No Sobrado Dr. José Lourenço, uma coletiva com 60 fotógrafos cearenses ou residentes no Ceará também comemora a efeméride. A exposição "Tudo é Fotografia" reúne fotos selecionadas durante o evento "Encontros de Agosto 2011" que ocorre por todo o mês. Desde o dia 10, exposições têm ocorrido. Entre os dias 16 e 20, acontecerão palestras e seminários. O tema deste encontro é "Fotografia Contemporânea - linguagem e pensamento" e busca refletir sobre a inserção da fotografia no campo das artes. Amanhã, além da coletiva, outras mostras vão ocupar diversos espaços de Fortaleza e permanecerão abertas para visitação também em setembro. A programação das exposições está disponível no site encontrosdeagosto.net.

MAIS INFORMAÇÕES:Comemorações do Dia Mundial da Fotografia: "No Olho da Rua", na R. Sabino Pires, na Aldeota. A partir das 19h. Grátis. Contato: (85) 88789259. "Tudo é Fotografia", coletiva com 60 fotógrafos cearenses. Grátis. No Sobrado Dr. José Lourenço (R. Major Facundo, 154), às 19h. Contato: (85) 3101.8826

MAYARA DE ARAÚJO
REPÓRTER
.
.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Arte e fotografia - da 8ª arte

ARTE E FOTOGRAFIA (31/12/2010)

Da oitava arte

Foto da matéria

Clique para Ampliar
.
Os fotógrafos Hellen Van Meene (autora das duas primeiras imagens, na sequência) e Jeff Wall são alguns dos nomes estudados por Charlotte Cotton em sua mais recente publicação
FOTO: REPRODUÇÃO
.
Clique para Ampliar
Clique para Ampliar
.
31/12/2010
A curadora inglesa Charlotte Cotton mostra, em seu novo livro, as diversas maneiras pelas quais os criadores contem- porâneos recorrem às técnicas fotográficas para elaborar suas poéticas artísticas
.

Na história da fotografia, sempre houveram aqueles que a consideraram uma forma de arte, da mesma forma que expressões da pintura e da escultura. Essa perspectiva, portanto, nunca foi tão defendida quanto no tempo presente. Momento em que a aspiração de muitos fotógrafos consiste em identificar a arte como território preferencial de suas imagens.

Com o objetivo discutir a gama de possibilidades pelas quais os artistas contemporâneos revisitam a fotografia para compor sua arte, a curadora e diretora de criação do Museu Nacional da Mídia do Reino Unido, Charlotte Cotton, publicou o livro “A fotografia como arte contemporânea”. Publicado originalmente, em inglês, em 2005, a obra acaba de ganhar edição brasileira pela WMF Martins Fontes.

A autora desenvolve uma atualização da história da fotografia artística atual, apresentando diferentes questões, como o caso de artistas que enfatizam as propriedades físicas e materiais da fotografia, utilizando-a apenas como um componente de sua atividade “pan-midiática” ou que fazem experimentos com novos modos de propagação de trabalhos. Incluindo nomes consagrados, como Isa Genzken e Sherrie Levine, ao lado de uma geração mais jovem que conta com Florian Maier-Aichen, Anne Collier e Walead Beshty.

O livro também sinaliza a durabilidade, a diversidade e a força que a fotografia de arte vem conquistando no século XXI. Para Charlotte Cotton, o foco dos capítulos consiste em agrupar aqueles fotógrafos que têm a mesma base em termos de motivação e de método de trabalho. “Essa estrutura prioriza as ideias que alicerçam a fotografia artística contemporânea antes de partir para a consideração do resultado visual em si”, acredita a curadora.

Questões
A fotografia contemporânea é um dos assuntos tratados na publicação. De acordo com Cotton, ela é derivada em parte das fotos documentais de performances de arte conceitual, comuns nos anos 60 e 70.

A autora se concentra, ainda, nas narrativas de histórias dentro da fotografia de arte, com atenção ao predomínio da fotografia do tipo “quadro-vivo” (às vezes descritas como fotografia “construída” ou “encenada” porque os elementos reproduzidos são montados antecipadamente e reunidos para expressar uma ideia já elaborada para criar a imagem); nas fotos contemporâneas: trabalhos em que a narrativa foi destilada até render uma única imagem.

Outra questão discutida é o conceito de uma estética fotográfica a partir das ditas fotos “inexpressivas”, que se referem a um tipo de fotografia artística marcada pela ausência de dramaticidade. Essas imagens parecem resultar de uma mirada objetiva em que prevalece o objeto e não a perspectiva que dele tem o fotógrafo.

Há um capítulo, chamado de “Vida íntima” que se concentra nas relações psicológicas e pessoais, como num tipo de diário da intimidade humana, por meio de fotos com um estilo evidentemente informal e amador, que fazem pensar nos instantâneos de família obtidos com câmeras “Instamatic” e a conhecida coloração das ampliações feitas em máquinas expressas.

Cotton, no entanto, ressalta: “os fotógrafos contemporâneos agregam a esse estilo expressivo, como sua construção de sequências dinâmicas e seu foco em momentos inesperados da vida cotidiana, eventos que são claramente diferentes daqueles que o leigo seria capaz de capturar normalmente”.

Novos tempos
A autora busca dá destaque ao uso da capacidade documental da fotografia na arte. Numa época em que, segundo ela, minguou o apoio a projetos de documentação intensiva destina às páginas editoriais de revistas e jornais, a galeria vem se tornando a vitrine para essas documentações da vida humana. Além disso, a pesquisadora traz vários trabalhos em que tanto a temática como a abordagem fotográfica se contrapõem ou desafiam nossa percepção dos limites das convenções fotográficas clássicas nos documentários.

O leitor vai se deparar também com uma série de métodos recentes, centrados em nosso conhecimento prévio de imagens, incluindo a releitura de fotografias conhecidas e a imitação de tipos genéricos de imagens, como as de núncios publicitários.
.
Por fim, Charlotte Cotton apresenta uma análise interessante sobre a fotografia em que a própria natureza do meio faz parte da narrativa da peça.

“Com a presença maciça da fotografia digital como elemento da vida cotidiana, vários fotógrafos artísticos atuais tomaram a decisão consciente de salientar as propriedades físicas e materiais da fotografia, reagindo aos novos modos de disseminação fotográfica. As fotos ilustradas nesse capítulo chamam a atenção para as muitas escolhas que um fotógrafo deve fazer quando cria uma obra de arte”, conclui.

Fique por dentro
Perfil da autora

Charlotte Cotton é diretora de criação do Museu Nacional da Mídia do Reino Unido. Anteriormente, foi chefe do Departamento Wallis Annenberg de Fotografia do Museu de Arte do Condado de Los Angeles, diretora de programação da Galeria dos Fotógrafos de Londres e curadora de fotografia do "Museu Victoria & Albert de Londres". Além de curadora de várias exposições de fotografia, ela é autora e organizadora de publicações como "Imperfect Beauty" (Beleza imperfeita), "Then Things Went Quiet" (Então as coisas ficaram quietas) e "Guy Bourdin".

Ensaio
A fotografia como arte contemporâneaCharlotte Cotton

WMF Martins Fontes
2010
248 páginas
R$ 59

Tradução: Maria Silvia Mourão Netto

ANA CECÍLIA SOARESREPÓRTER
.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=911005
.
.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A fotografia de Alex Costa


Foto da matéria

Clique para Ampliar
O trabalho fotográfico de Alex Costa é o destaque desta terça no projeto "Mercearia da Foto"
FOTO: ALEX COSTA
19/10/2010
.
Na solidão de captar o instante único, o olhar pujante do profissional em ação. Para mostrar um fragmento do trabalho que o repórter-fotográfico brasiliense Alex Costa vem registrando Ceará afora, o Instituto da Fotografia apresenta hoje, às 19h, dentro do "Projeto Mercearia da Foto", no Mercearia dos Pinhões Bar e Restaurante (Praça Visconde de Pelotas, 41, Centro), como é possível fazer fotojornalismo com arte.

"Estava numa pauta na divisa do Ceará com Pernambuco, trabalhando uma reportagem especial sobre a Transnordestina e paramos num boteco para beber água", conta o fotógrafo. "Quando surgiu um senhor vindo de bicicleta, logo desenhei a imagem na cabeça. Tratei de mudar rapidamente a lente de grande angular para uma teleobjetiva, e fiz essa imagem que considero um símbolo do sertão", recorda. "Digo que Deus manda imagens de belezas ímpares, que congelamos nas câmeras, divulgando um laço de identificação positiva com o outro", diz o repórter do Diário do Nordeste, dando uma palhinha do que virá logo mais. O "Mercearia da Foto" promove, uma terça-feira a cada mês, um encontro de fotógrafos e interessados no tema, através de projeções e exposições.

NATERCIA ROCHA
REPÓRTER
.
.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=869856
.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

História da fotografia segundo a filosofia

LANÇAMENTO (30/8/2010)

Foto da matéria

Clique para Ampliar
.
Trabalho fotográfico de Marcos Guilherme: discussões filosóficas contribuem para a prática do estudioso de Benjamin
.
30/8/2010
.
Fechando a programação de agosto do Ifoto, Marcos Guilherme apresenta trabalhos e discute trabalhos de Walter Benjamin sobre a fotografia

Desde quando a Academia de Ciências da França anunciou, oficialmente, a invenção da fotografia, em 19 de agosto de 1839, muita coisa mudou. Das câmeras escuras que demoravam até 30 minutos para formar uma imagem, até as modernas digitais, já se vão 171 anos.

Para comemorar a data, durante todo o mês de agosto, o Instituto de Fotografia (Ifoto) dedicou sua programação a esse marco histórico para o universo das imagens. E o encerramento das atividades acontece amanhã, às 19 horas, com apresentação do Projeto Fotobiografia que, mensalmente, discute o trabalho de fotógrafos do mundo inteiro.

Como a ocasião é especial, o que será apresentado pelo fotógrafo Marcos Guilherme é uma discussão filosófica sobre a história de fotografia, escrita, na década de 30, por Walter Benjamin (1892-1940).

"A ideia é pensar a fotografia como biografada, a partir do texto ´Pequena História da Fotografia´, de Benjamin, mostrando uma série de imagens citadas no enredo, numa linha de tempo que começa com Nicéphore Niépce (1765-1833), e segue até o pai da fotografia documental, Eugène Atget (1857-1927)", diz o fotógrafo, concludente do curso de Filosofia da UFC.

O estudo a respeito das ideias de Walter Benjamin prevê a remontagem das origens da fotografia, compreendendo, segundo o filósofo, o apogeu, declínio e diálogo entre fotografia e as artes plásticas. "A ´Pequena História da Fotografia´ nos possibilita uma análise histórica e filosófica, propiciando as primeiras aproximações instrumentais de compreensão macro desse fenômeno que o francês André Rouillé, e outros autores, estudam atualmente a partir da fotografia-documento".

Outro ensaio do filósofo Walter Benjamin, "A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica", e o texto "O Realismo Fotográfico", escrito pelo professor-doutor em Estética, Dilmar Miranda, da Universidade Federal do Ceará (UFC), também estarão em debate.

"Precisamos pensar a fotografia atual, e a filosofia é um campo propício para isso. Estamos todos sempre estudando, por isso nem é preciso concordar, mas é fundamental saber como ele pensou esse processo naquele contexto histórico. É um filósofo que falou de fotografia, cinema, artes, brinquedos infantis e muitos outros assuntos. É muito rico", diz Marcos.

Mais informações
Fotobiografia - projeto do Instituto da Fotografia, discute o pensamento do filósofo Walter Benjamin, apresentado pelo fotógrafo Marcos Guilherme, em comemoração aos 171 da invenção da câmera fotográfica. Amanhã, às 19 horas, na Rua Gonçalves Ledo,307, próximo ao Mercado dos Pinhões. Entrada franca. Contato: (85) 3254.6385

NATERCIA ROCHAREPÓRTER
.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=842352
.
.

sábado, 28 de agosto de 2010

A luz de Chico

Edição de 28 de Agosto de 2010

~FOTOGRAFIA (27/8/2010) 

Foto da matéria

Clique para Ampliar
Fotografia do livro "Mucuripe", de Chico Albuquerque, realizada em meados da década de 40. Esta e outras 24 imagens fazem parte da exposição que fica em cartaz até 21 de outubro
.
27/8/2010
.
Um recorte da obra do lendário fotógrafo cearense Francisco Afonso de Albuquerque (1917-2000), mais conhecido como seu Chico Albuquerque, pode ser visto a partir de amanhã, no Sobrado José Lourenço

Serão 25 fotografias, ampliadas em papel algodão, expostas em tamanho 50x60cm, pertencentes ao acervo do Instituto Cultural Chico Albuquerque (ICCA), em parceria com o Instituto Viva Brasil.

"Acompanhei Chico Albuquerque durante 15 anos, de 1985 a 2000. Nos aproximamos porque ele ficou amigo de Gentil Barreira, meu marido. Nesse tempo, realizamos exposições, editamos livros e organizamos o acervo", diz Patrícia Veloso, responsável pela Editora Terra da Luz.

Na abertura da exposição, além de Patrícia, o presidente do ICCA, Ricardo Albuquerque (filho de Chico Albuquerque), e o fotógrafo Silas de Paula, participarão de mesa redonda para discutir o trabalho do artista cearense. "Em 1989, editamos o primeiro livro dele, ´Mucuripe´. Dez anos depois, em 1999, montamos uma exposição com a retrospectiva dos 65 anos de sua obra. No início deste ano, foi editado o livro ´Chico Albuquerque Fotografias´", acrescenta a curadora da mostra.

A exposição que entra em cartaz este sábado, intitulada "Chico Albuquerque Fotografias", e que faz parte da publicação homônima, é a retrospectiva de quatro séries do fotógrafo: "Ensaios" (com fotos de 1930 a 1960); "Mucuripe" (1942 a 1952); "Frutas" (1978) e "Jericoacoara" (1985).

"Chico Albuquerque é um dos maiores nomes da fotografia do País. Era conhecido por sua perspectiva criativa, pelo olhar instigante. Ele era um virtuose da técnica fotográfica", ressalta Patrícia.

Além de ter inovado a fotografia publicitária no Brasil, assinando campanhas nas áreas de moda, culinária, arquitetura e automobilismo, Albuquerque produziu célebres ensaios autorais, como os "portraits" de Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, Burle Marx, Aldemir Martins, Cacilda Becker, dentre outras personalidades.

Outro legado deixado por Chico foi o impulso à valorização e formação de novos fotógrafos em Fortaleza. "Quando ele voltou de São Paulo, em 1975, já era respeitado no mercado. Se hoje a fotografia do Ceará conquistou reconhecimento nacional e internacional, deve muito a ele", diz Patrícia Veloso.

Além do Instituto Cultural Chico Albuquerque, criado em 2003 para difundir a obra do fotógrafo e a de seu pai, Adhemar Bezerra de Albuquerque, foi firmado convênio entre o Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS-SP) e o Instituto Moreira Sales (IMS), para preservação e catalogação dos trabalhos. Atualmente, o IMS é responsável pelo acervo com 60 mil arquivos.

FIQUE POR DENTRO
Chico Albuquerque
FRANCISCO AFONSO de Albuquerque nasceu em Fortaleza, em 25 de abril de 1917. Iniciou na fotografia profissionalmente aos 17 anos e, em 1947, mudou-se para São Paulo, onde viveu até 1975. Nome consagrado na fotografia publicitária, foi responsável por grande transformação no mercado fotográfico cearense. Foi diretor do Foto Cine Clube Bandeirante e recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais. Entre eles, Salão Internacional de Frankfurt (Alemanha/1953), Focus Salon Amsterdã (Holanda/1954) e Prêmio Nacional de Fotografia da Funarte (1998).

MAIS INFORMAÇÕES:
CHICO ALBUQUERQUE FOTOGRAFIAS. Exposição será aberta amanhã, às 9h, no Sobrado José Lourenço (R. Major Facundo, 154, Centro). Segunda a sexta das 9h às 19h. Sábado: 10h às 19h. Domingo: das 10h às 14h. Contatos: 3101-8826.


NATERCIA ROCHAREPÓRTER
.
.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

FOTOGRAFIA Cidade em flagrantes

Edição de 09 de Agosto de 2010

Clique para Ampliar
No período das chuvas, Thiago Gaspar destaca a importância de conseguir um bom ponto de onde fotografar. Abaixo, o momento de dor da mãe que perdeu o filho por causa das drogas
THIAGO GASPAR
Clique para Ampliar
9/8/2010
.
O repórter fotográfico Thiago Gaspar, do Diário do Nordeste, é o único representante do Ceará na edição 2010 do livro "O melhor do fotojornalismo brasileiro"

Entre tantos retratos da realidade, o fotojornalismo documenta um presente vivo da história. Nesse resumo, quem não aparece na foto, porque está por trás das câmeras pronto para registrar, convive com as angústias e as alegrias dos fatos. É o que vivem diariamente profissionais como Thiago Gaspar, repórter fotográfico do Diário do Nordeste, autor de duas fotos incluídas na edição 2010 do livro "O melhor do fotojornalismo brasileiro".

Ao todo, 90 profissionais integram a publicação, que reúne imagens do que foi noticiado em alguns dos principais jornais e revistas brasileiros ao longo de 2009. Entre imagens produzidas, que exigem criatividade do fotógrafo, e outras que revelam a agilidade do profissional, Thiago optou por enviar um material mais próximo do cotidiano. "Procurei mostrar o flagrante, uma realidade mais nua e crua. Com a prática, o raciocínio fica mais rápido. Não dá tempo de se preparar, então a gente procura se antecipar ao que vai acontecer", explica. Para fazer os flagrantes, Thiago utiliza a lente teleobjetiva para achatar mais os planos e valorizar as emoções dos rostos dos fotografados.

Controle emocional

Em uma das imagens, o desespero de uma mãe, que se joga ao lado do corpo do filho morto, no Conjunto São Miguel, em Messejana. Na outra, a feição de pavor de uma senhora dentro de um carro, que estava sendo engolido por um buraco na avenida Heráclito Graça, em dia de fortes chuvas na capital.

"Temos de ter muito controle emocional pra poder mostrar o que se passa. No caso da mãe, tive o cuidado de entrar um pouco, mas sem invadir o momento. A gente não pode absorver tudo disso, mas dá pra refletir o tipo de sociedade em que a gente vive. O crack, por exemplo, pra mim é o maior câncer da sociedade", avalia.

Já com relação ao registro das chuvas, o profissional teve de lidar tanto com a questão das escolhas do local mais rico em imagens como com o cuidado em não danificar o equipamento. "Nesse dia, acertei o ponto alagado. Preferi mandar só a foto que resume tudo, mas tenho a sequência completa".

Para Thiago, no fotojornalismo tudo depende das decisões. "Não adianta: somos parciais, não pode haver hipocrisia. É importante conhecer o trabalho do profissional pra saber se ele não fica brincando com uma verdade pessoal dele". Na seleção do livro, de acordo com o repórter fotográfico, o factual foi valorizado, aproximando-se do fotojornalismo clássico, no sentido de sintetizar um acontecimento numa imagem.

Trajetória

Thiago Gaspar dos Santos nasceu em 1977, em Florianópolis (SC). Começou na fotografia aos 14 anos. Ingressou no fotojornalismo aos 21 anos e trabalhou nos jornais catarinenses A Notícia, O Estado, Jornal do Dia e Tribuna Do Dia. Há 10 anos no Ceará, trabalha no Diário do Nordeste. Já foi homenageado no Prêmio Nikon Contest 2007 (Talentos Emergentes), com a foto premiada exposta no stand da Nikon, além de ter obtido o segundo lugar no VII Concurso Nacional de Fotografia da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, em 2009.

FOTOGRAFIA
"O melhor do fotojornalismo brasileiro"
R$ 69,90
200 páginas
2010
Europa

SÍRIA MAPURUNGA
REPÓRTER
.
.

domingo, 1 de agosto de 2010

Impulso para a fotografia


IMAGEM

Impulso para a fotografia

Foto da matéria

Clique para Ampliar
.
Tiago Santana, autor de "Benditos": importantes livros de fotografia foram viabilizados através da lei de renúncia fiscal
.
Clique para Ampliar
1/8/2010
A lei de incentivo possibilitou a fotógrafos como Celso Oliveira, Tibico Brasil e Tiago Santana o lançamento de livros registrando sua produção

A criação da Lei Estadual de Incentivo à Cultura deu uma reviravolta na vida dos artistas das mais diversas áreas. Considero o que de mais importante aconteceu nos últimos anos no Ceará. Até então, quase não havia publicação de livros de fotografia, nem aqui, nem no Brasil". As palavras do fotógrafo carioca Celso Oliveira, que adotou o Ceará para morar e trabalhar há mais de 30 anos e vem fazendo um precioso registro artístico das manifestações culturais e festas populares do povo nordestino, traduzem a importância da lei para os fotógrafos locais.

Quinze anos depois da publicação do belíssimo "Mar de Luz", que reuniu imagens feitas por mais de 30 profissionais que tinham na gaveta registros de um Ceará pouco conhecido, o cenário é outro. "Para nós, poder contar com incentivos fiscais da classe empresarial foi determinante. Tiramos da gaveta 20, 30 anos de filmes. Ainda era tudo analógico", recorda Celso. "Participamos diretamente dos debates, das reuniões. Toda a classe artística foi convidada a dar sugestões. Tinha muito quebra-pau, porque cada um queria fazer valer suas ideias. Mas, se cometemos erros, foi por descuido, não por intenção".

Em 1996, os amigos Tibico Brasil e Tiago Santana, além do próprio Celso Oliveira, que já tocavam o foto-arquivo "Tempo de Imagem", transformaram a empresa na editora pioneira no setor no Ceará. "Lembro do José Guedes, Roberto Galvão, Gentil Barreira, Augusto Pontes, Francis Vale, Glauber Filho, Rosemberg Cariry, José Albano, Márcio Figueiredo, e muitos outros, buscando fazer valer essa possibilidade de realizar projetos. Tínhamos poucas referências".

O "Mar de Luz" trouxe consigo, literalmente, uma grande exposição no então recém-criado Instituto Dragão do Mar, com as paisagens das praias e falésias do interior do Ceará, ampliadas em imagens de 2m x 3m. A mostra percorreu, além de diversas cidades cearenses, lugares como Inglaterra, Nova Zelândia e Estados Unidos.

Difícil prestação de contas

"Realizar o sonho de publicar o litoral cearense foi o primeiro passo. E foi relativamente fácil, porque o conteúdo estava pronto, o trabalho foi somente selecionar o material de cada um. Na verdade, no início, praticamente todos os projetos eram aprovados pela lei", lembra Celso. "Nunca tivemos dificuldade para que as empresas cedessem parte do ICMS, a isenção fiscal exigida pela Lei 12.464. O problema mesmo veio depois, na prestação de contas. Quase nenhum artista estava preparado para fazer isso. Foi nossa maior dificuldade".

Outro livro de muito sucesso publicado através do Fundo Estadual da Cultura, foi "Visões", resultado da parceria entre a escritora Rachel de Queiroz e o fotógrafo Maurício Albano. A união dessas duas personalidades abriu caminho para muitos trabalhos. "O livro ´O Olhar de Cada Um - Unidades de Conservação do Ceará´, por exemplo, foi 80% patrocinado pela lei. Esse trabalho, que pretendemos relançar durante a ECO 2012, no Rio de Janeiro, dificilmente teria sido possível se não fosse esse caminho", destaca Celso.

10 anos de Benditos

Em 2010, o fotógrafo Tiago Santana comemora 10 anos de sua primeira publicação individual, "Benditos", viabilizada através da Lei Jereissati. De acordo com o artista, o incentivo estadual possibilitou a realização de projetos que, normalmente, não teriam espaço através de editoras do circuito comercial.

"Começamos a perceber que o cinema brasileiro, por exemplo, era todo financiado pelas leis de incentivo. Se o cinema, que era uma coisa caríssima, conseguia se viabilizar, por que a fotografia não?", resgata. "Até a regulamentação da lei, praticamente não havia publicações de autor, porque esses projetos não são meramente comerciais. São livros de arte, bens culturais, caros e de retorno a longo prazo. Sem esse mecanismo, talvez o ´Benditos´ não existisse. Claro que houve problemas, mas questões pontuais não podem colocar abaixo o que esse mecanismo tem possibilitado nos últimos 15 anos", avalia.

Hoje o Brasil e o mundo conhecem, além de "Benditos", o outro legado solo de Tiago Santana, intitulado "O chão de Graciliano". "Me dediquei muito. Nesses últimos 15 anos, publicamos, pelo menos, 25 livros, tudo através da lei, realizados em parceria com muitos profissionais, inclusive de outros estados. É um número bastante considerável, se levarmos em contar que, até então, não existia quase nada de produção desse gênero no Brasil".

NATERCIA ROCHARepórter
.
.

sábado, 22 de agosto de 2009

Volta ao passado da fotografia - Alan Bastos

HISTÓRIA DA IMAGEM (19/8/2009)

Volta ao passado da fotografia

.

Galeria

Clique para Ampliar

.
Hoje é o Dia da Fotografia. Em uma volta ao passado, o fotógrafo Alan Bastos criou câmera de caixa de fósforo

.
Crato. Comemora-se hoje, 19 de agosto, o Dia da Fotografia. Com a popularização da máquina digital, as imagens invadiram ocotidiano. A cada dia, o mundo passa por inúmeras mudanças. A natureza muda, os hábitos, a tecnologia, tudo o que ontem era novo hoje já é velho. A fotografia acompanhou o ritmo das mudanças. E com o surgimento das câmeras digitais, a imagem invadiu também o sertão. É comum ver as festas de casamento, batizados e aniversários sendo documentadas nos pequenos vilarejos. A mão que "derriba" o touro brabo dentro da mata fechada é a mesma que maneja uma máquina fotográfica.
.
No caminho inverso dessa evolução, o fotógrafo Alan Bastos seguiu a estrada de volta ao princípio da fotografia. Com uma câmera feita de caixa de fósforos e dois rolos de filmes, Alan deu um mergulho de quase 300 anos no túnel do tempo, quando o americano George Eastman (1854-1932) inventou o filme de rolo, que deu origem à película cinematográfica. Desde então, o homem passou a registrar as imagens do mundo com mais facilidade.
.
A volta ao passado vai mais além. Com uma câmera feita de uma lata de leite em pó, Alan repete a experiência feita pelo físico francês Joseph Nicéphore Niepce, em 1826, com uma técnica que ele denominou de heliografia. Era a primeira imagem fotográfica obtida com sucesso de uma paisagem vista da janela do seu local de trabalho. Com equipamentos rudimentares, ele, que é professor da Universidade do Cariri (Urca), pretende mostrar aos alunos a origem da fotografia.
.
De volta de uma viagem ao Peru, onde colheu fotos de pontos turísticos, Alan pretende estender a arte fotográfica às comunidades de menor poder aquisitivo. Ele argumenta que, nem sempre uma boa imagem depende da máquina, mas da sensibilidade do fotógrafo.
.
A idéia do fotógrafo cratense é ministrar oficinas de fotografias nas escolas públicas da região do Cariri mostrando os princípios da máquina fotográfica. Ele adverte que fotografar não é somente apertar o botão. A arte vai além do clique. O fotógrafo deve conhecer, antes de tudo, o segredo da luz. "A iluminação correta é o primeiro passo para se conseguir imagens em alta definição", ensina o fotógrafo, justificando a necessidade do amador começar do zero, conhecendo a origem da máquina fotográfica.
.
A comunidade do Gesso, onde funcionou o baixo meretrício do Crato, já foi o cenário e oficina de um curso de fotografia, que teve como monitor o fotógrafo, jornalista, curador e produtor cultural Ricardo Peixoto. O artista ministrou a oficina "Caixa Mágica" com abordagens dos princípios da fotografia e um exercício sensorial.
.
A proposta do projeto, segundo Alexandre Lucas, diretor do Coletivo Camaradas, é levar a imagem com seu contexto histórico, técnicas e resultados para comunidades que nunca tiveram contato com a fotografia. "Mágico é fazer com que as pessoas vivenciem o real à sua volta, a imagem é real", afirma. A oficina foi realizada no Projeto Nova Vida, uma Organização Não Governamental (ONG) que tem o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável de pessoas em situação de risco que residem no Gesso.
.
Um dos fatores que motivou o artista foi o interesse em conhecer a realidade da antiga zona de prostituição do Crato. Ele tomou conhecimento do ambiente por meio da exposição "Cabaré" que foi realizada no Centro Cultural do BNB. Coincidentemente, Peixoto realizava, em João Pessoa, o Dia Internacional da Prostituta, juntamente com a Associação das Profissionais do Sexo da Paraíba.
.
Para Ricardo Peixoto, que tem um trabalho ligado aos grupos excluídos e marginalizados, "o artista não pode ficar fazendo arte pela arte". Ele acredita que o artista pode e deve contribuir socialmente com o seu fazer artístico. Peixoto é um dos fundadores do Grupo Traficantes de Imagens na década de 90 na Paraíba.
.
O evento colocou em pauta o atual momento dessa linguagem, proporcionando reflexões. Nesse sentido, o evento reuniu fotógrafos profissionais, amadores, artistas visuais, além do público em geral.
.
Mais informações
Universidade Regional do Cariri
Urca - Crato
(88) 3102.1202
www.urca.br
.
ANTÔNIO VICELMO
REPÓRTER
.
.
.
.