Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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sexta-feira, 21 de novembro de 2025

(38) SIPA - Moinhos de Maré em Portugal

 


Capitania do Porto de Aveiro / Casa dos Arcos

IPA.00000606

Portugal, Aveiro, Aveiro, União das freguesias de Glória e Vera Cruz

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Antigo moinho de Maré posteriomente ampliando a unidade de moagem industrial, com decoração Arte Nova. As diferentes utilizações foram alterando o seu perfil original, culminando na estrutura actual, onde as referências neoclássicas e Arte Nova são visíveis nas modinaturas e frontões de remate. O enquadramento e o sistema estrutural, arcos sobre estacas, fazem deste imóvel um dos mais importantes da cidade.            

 

Moinho das Doze Pedras, na Quinta do Canal

IPA.00002644

Portugal, Coimbra, Figueira da Foz, Alqueidão

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Moinho de maré oitocentista, de planta retangular e volumetria horizontal, desenvolvido em dois pisos separados por sobrado. Moinho de maré com moendas e engenhos, armazém de grão ou farinha.      

 

Moinho de Maré Asneira / Moinho de Maré do Freixial

IPA.00014246

Portugal, Beja, Odemira, Vila Nova de Milfontes

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Arquitectura agrícola, popular, vernácula. Moinho de maré, onde é bem visível a austeridade e funcionalidade que caracterizam a arquitectura popular do Alentejo, despojada de qualquer elemento decorativo sobressai a força do volume caiado, rigorosamente pontuado pelos vãos e alicerçado fortemente no sapal com três sólidos contrafortes.        

 

Moinho de Maré da Forca

IPA.00016289

Portugal, Faro, Tavira, União das freguesias de Tavira (Santa Maria e Santiago)

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Moinho de maré de quatro moendas, provavelmente construído na viragem para o séc. 16, com ampla caldeira delimitada por muros de pedra bem aparelhada.      

 

Moinho de Maré da Lançada

IPA.00009792

Portugal, Setúbal, Moita, União das freguesias de Gaio-Rosário e Sarilhos Pequenos

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Moinho de maré que segue a tipologia do estilo "chão" vernacular do séc.17, identificada na sua volumetria alongada e maciça e na planimetria longitudinal, na simplicidade e clareza de linhas bem proporcionadas, no despojamento de decoração e no remate à face por empenas simples e caiadas. Peça de arquitectura tradicional, testemunho do uso da energia renovável, com perfeita integração na paisagem, situado na margem S. do rio Tejo, hoje desactivado e em desuso.     

 

Moinho de Maré da Mourisca

IPA.00009793

Portugal, Setúbal, Setúbal, Sado

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Arquitectura agrícola. Moinho de maré, com funcionamento na vazante. Testemunho do uso da energia renovável das marés, pertencente à categoria de moinho de roda horizontal, construído junto a uma represa, tira partido da diferença de nível entre a preia-mar e a baixa-mar. Apresenta volumetria alongada e planimetria longitudinal, com simplicidade e clareza de linhas bem proporcionadas, no despojamento de decoração em volumes maciços, rematados à face por empenas simples rebocadas e caiadas, sendo o branco sublinhado pela cor azul na moldura dos vãos e na cor das portadas e cuja cobertura consiste numa estrutura de madeira, apresentando telhado de duas águas em telha de canudo.            

 

Moinho de Maré da Passagem

IPA.00032862

Portugal, Setúbal, Seixal, Amora

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Arquitectura agrícola, quinhentista e setecentista. Moinho de maré de planta retangular composta por dois corpos, construídos no leito do rio sobre embasamento de cantaria, com vãos retilíneos onde giram os rodízios horizontais e paralelos às mós, e com fachada principal comunicando com um pequeno cais a eixo da construção. Os moinhos de maré do concelho do Seixal constituem o mais antigo núcleo ainda existente característico de uma região onde se ergueram muitos moinhos desde o séc. 14, tendo atingido o número de 60 unidades moagem no séc. 16. O curto tempo de moagem diária, cerca de 4 horas por maré, era compensado pelo elevado número de casais de mós. 

 

Moinho de Maré da Quinta da Palmeira

IPA.00032867

Portugal, Setúbal, Seixal, União das freguesias do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires

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Arquitectura agrícola, quinhentista e setecentista. Moinho de maré de planta retangular composta por vários corpos, construídos no leito do rio sobre embasamento de cantaria, com arcadas onde giram os rodízios horizontais e paralelos às mós, e com fachada principal, terminada em empena, comunicando com um pequeno cais a eixo da construção. Os moinhos de maré do concelho do Seixal constituem o mais antigo núcleo ainda existente característico de uma região onde se ergueram muitos moinhos desde o séc. 14, tendo atingido o número de 60 unidades moagem no séc. 16. O curto tempo de moagem diária, cerca de 4 horas por maré, era compensado pelo elevado número de casais de mós.        

 

Moinho de Maré da Torre

IPA.00032863

Portugal, Setúbal, Seixal, Amora

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Arquitectura agrícola, quinhentista e setecentista. Moinho de maré de planta retangular composta por dois corpos, construídos no leito do rio sobre embasamento de cantaria, com arcadas onde giram os rodízios horizontais e paralelos às mós, e com fachada principal, terminada em empena, comunicando com um pequeno cais a eixo da construção. Os moinhos de maré do concelho do Seixal constituem o mais antigo núcleo ainda existente característico de uma região onde se ergueram muitos moinhos desde o séc. 14, tendo atingido o número de 60 unidades moagem no séc. 16. O curto tempo de moagem diária, cerca de 4 horas por maré, era compensado pelo elevado número de casais de mós.

               

Moinho de Maré de Corroios / Núcleo do Moinho de Maré de Corroios do Ecomuseu do Seixal

IPA.00032849

Portugal, Setúbal, Seixal, Corroios

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Arquitetura agrícola, quinhentista e setecentista. Moinho de maré de planta retangular composta por dois corpos, um de dois pisos e o posterior de apenas um, construído no leito do rio sobre embasamento de cantaria, com arcadas onde giram os rodízios horizontais e paralelos às mós, e com fachada principal, terminada em empena, comunicando com um pequeno cais a eixo da construção. O moinho é constituído pelas seguintes partes: caldeira, comporta, edifício de moagem, celeiros, habitação do moleiro e cais para acostagem dos barcos. Os moinhos de maré do concelho do Seixal constituem o mais antigo núcleo ainda existente característico de uma região onde se ergueram muitos moinhos desde o séc. 14, tendo atingido o número de 60 unidades moagem no séc. 16. Constitui o moinho mais antigo subsistente da região, construído no séc. 15 por D. Nuno Álvares Pereira, e apresentando porta com maior cuidado decorativo, tendo sido resultado de uma reforma do séc. 18. O reduzido tempo de trabalho (c. de 4 horas por maré) era compensado pelo elevado número de casais de mós. O moinho de Corroios é dos poucos moinhos de maré, existentes no mundo, que se encontra a funcionar.   

 

Moinho de Maré de Palhais

IPA.00004677

Portugal, Setúbal, Barreiro, União das freguesias de Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena

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Arquitectura agrícola, chã, vernacular, popular. Moinho de maré edificado junto a curso de água que é desviado para golas. Segue tipologia de arquitectura cha, vernacular, identificadas na planimetria longitudinal, na simplicidade e clareza de linhas, nos volumes maciços, com remates à face por empenas simples e caiadas.

 

Moinho de Maré de São Roque / Moinho Pequeno / Moinho de São Roque

IPA.00011812

Portugal, Setúbal, Barreiro, União das freguesias de Barreiro e Lavradio

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Arquitectura agrícola, vernacular. Moinho de maré, com funcionamento na vazante. Segue tipologia vernacular do séc. XVII, identificada na volumetria alongada, em planimetria longitudinal, com simplicidade e clareza de linhas bem proporcionadas, no despojamento de decoração em volumes maciços, rematados á face por empenas simples rebocadas e caiadas, cuja cobertura consiste numa estrutura de madeira, apresentando telhado de duas águas em telha de canudo. Moinho de maré, com perfeita integração na paisagem, situado na margem S. do rio Tejo, por um lado estabelecendo diálogo directo com o rio, por outro em intimidade urbana, pertenceu ao grupo de moendas mistas cuja força motriz foi ora a das águas de rio desviada para golas ora a água das correntes, utilizando com vantagem, para além das águas das marés, as águas salgadas do rio Tejo, funcionando com as marés na enchente e com as águas doces que vinham da linha de água que desaguava naquele local e que accionavam as rodas horizontais.     

 

Moinho de Maré do Breyner

IPA.00006168

Portugal, Setúbal, Seixal, União das freguesias do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires

Edifício e estrutura >> Edifício >> Extração, produção e transformação >> Moagem

Arquitetura agrícola, quinhentista e setecentista. Moinho de maré de planta retangular composta por dois corpos, construídos no leito do rio sobre embasamento de cantaria, com arcadas onde giram os rodízios horizontais e paralelos às mós, e com fachada principal comunicando com um pequeno cais a eixo da construção. Os moinhos de maré do concelho do Seixal constituem o mais antigo núcleo ainda existente característico de uma região onde se ergueram muitos moinhos desde o séc. 14, tendo atingido o número de 60 unidades moagem no séc. 16. O curto tempo de moagem diária, cerca de 4 horas por maré, era compensado pelo elevado número de casais de mós.             

 

Moinho de Maré do Cais das Faluas

IPA.00026707

Portugal, Setúbal, Montijo, União das freguesias de Montijo e Afonsoeiro

Edifício e estrutura >> Edifício >> Cultural e recreativo >> Monumento e museu >> Museu

Arquitectura agrícola, vernacular. Moinho de maré edificado junto a curso de água que é desviado para golas.             

 

Moinho de Maré do Capitão

IPA.00032861

Portugal, Setúbal, Seixal, Amora

Edifício e estrutura >> Edifício >> Extração, produção e transformação >> Moagem

Arquitectura agrícola, quinhentista e setecentista. Moinho de maré de planta retangular simples, construído no leito do rio sobre embasamento de cantaria, com vãos onde giram os rodízios horizontais e paralelos às mós, e com fachada principal, terminada em empena, comunicando com um pequeno cais a eixo da construção. Os moinhos de maré do concelho do Seixal constituem o mais antigo núcleo ainda existente característico de uma região onde se ergueram muitos moinhos desde o séc. 14, tendo atingido o número de 60 unidades moagem no séc. 16. O curto tempo de moagem diária, cerca de 4 horas por maré, era compensado pelo elevado número de casais de mós. 

 

Moinho de Maré do Galvão

IPA.00032859

Portugal, Setúbal, Seixal, Amor

Edifício e estrutura >> Edifício >> Extração, produção e transformação >> Moagem

 Arquitectura agrícola, quinhentista e setecentista. Moinho de maré de planta retangular composta por vários corpos, construídos no leito do rio sobre embasamento de cantaria, com arcadas onde giram os rodízios horizontais e paralelos às mós, e com fachada principal comunicando com um pequeno cais a eixo da construção. Os moinhos de maré do concelho do Seixal constituem o mais antigo núcleo ainda existente característico de uma região onde se ergueram muitos moinhos desde o séc. 14, tendo atingido o número de 60 unidades moagem no séc. 16. O curto tempo de moagem diária, cerca de 4 horas por maré, era compensado pelo elevado número de casais de mós. 

 

Moinho de Maré do Zeimoto / Moinho de Maré do Zemoto

IPA.00032868

Portugal, Setúbal, Seixal, União das freguesias do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires

Edifício e estrutura >> Edifício >> Extração, produção e transformação >> Moagem

Arquitectura agrícola, quinhentista e setecentista. Moinho de maré de planta retangular composta por dois corpos, construídos no leito do rio sobre embasamento de cantaria, com arcadas onde giram os rodízios horizontais e paralelos às mós, e com fachada principal, terminada em empena, comunicando com um pequeno cais a eixo da construção. Os moinhos de maré do concelho do Seixal constituem o mais antigo núcleo ainda existente característico de uma região onde se ergueram muitos moinhos desde o séc. 14, tendo atingido o número de 60 unidades moagem no séc. 16. O curto tempo de moagem diária, cerca de 4 horas por maré, era compensado pelo elevado número de casais de mós.        

 

Moinho de Maré em Alhos Vedros

IPA.00006164

Portugal, Setúbal, Moita, Alhos Vedros

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Componente urbano. Espaço urbano de confluência. Largo. Arquitectura agrícola e industrial, de equipamento, residencial, chã, vernacular, neoclássica. Moinho de água edificado junto a curso de água que é desviada para golas; segue tipologia do estilo chão vernacular do séc. 17, identificada na sua volumetria alongada e em planimetria longitudinal, com simplicidade e clareza de linhas bem proporcionadas, no despojamento de decoração em volume maciço, rematado à face por empenas simples e caiadas. Palacete de estilo chão, de grande sobriedade e clareza de proporções, onde se evidencia o despojamento ornamental e o remate das empenas à face; elementos neoclássicos como a compartimentação por bandas lombardas na fachada simétrica com grande portal; destacam-se ainda elementos de arquitectura vernacular que se identifica na tipologia da construção de 2 pisos corridos e alongados, com 2 corpos em disposição paralela, uso de 4 águas e escada e colunata de alpendre exteriores.            

 

Moinho de Maré em Quelfes

IPA.00030391

Portugal, Faro, Olhão, Quelfes

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Moinho de Maré no Rio Arade

IPA.00024752

Portugal, Faro, Lagoa, União das freguesias de Estômbar e Parchal

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Arquitetura agrícola. Moinho de maré. 

 

Moinho de Maré Novo dos Paulistas

IPA.00032866

Portugal, Setúbal, Seixal, União das freguesias do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires

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Arquitectura agrícola, quinhentista e setecentista. Moinho de maré de planta retangular composta por dois corpos, construídos no leito do rio sobre embasamento de cantaria, com arcadas onde giram os rodízios horizontais e paralelos às mós, e com fachada principal comunicando com um pequeno cais a eixo da construção. Os moinhos de maré do concelho do Seixal constituem o mais antigo núcleo ainda existente característico de uma região onde se ergueram muitos moinhos desde o séc. 14, tendo atingido o número de 60 unidades moagem no séc. 16. O curto tempo de moagem diária, cerca de 4 horas por maré, era compensado pelo elevado número de casais de mós.             

 

Moinho de Maré Velho dos Paulistas

IPA.00032864

Portugal, Setúbal, Seixal, União das freguesias do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires

Edifício e estrutura >> Edifício >> Extração, produção e transformação >> Moagem

Arquitectura agrícola, quinhentista e setecentista. Moinho de maré de planta retangular composta por vários corpos dispostos em eixo, construídos no leito do rio sobre embasamento de cantaria, com arcadas onde giram os rodízios horizontais e paralelos às mós, e com fachada principal comunicando com um pequeno cais a eixo da construção. Os moinhos de maré do concelho do Seixal constituem o mais antigo núcleo ainda existente característico de uma região onde se ergueram muitos moinhos desde o séc. 14, tendo atingido o número de 60 unidades moagem no séc. 16. O curto tempo de moagem diária, cerca de 4 horas por maré, era compensado pelo elevado número de casais de mós.         

 

Piscinas de Marés de Leça da Palmeira

IPA.00020880

Portugal, Porto, Matosinhos, União das freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira

Edifício e estrutura >> Edifício >> Cultural e recreativo >> Piscina >> Piscina de maré

Piscina de água salgada, construída na década de 1960, em linguagem modernista, que se destaca pela integração harmoniosa na paisagem marítima, sem deixar de se afirmar a artificialidade da obra, assumindo frontalmente o carácter artificial, que o rigor das formas geométricas e do betão à vista salientam. Construída sobre as rochas e estruturada ao longo do muro da praia de forma linear, sem criar ruturas volumétricas, a piscina é abastecida pela maré-alta e convida à contemplação da paisagem marítima.             

 

Ruínas do Moinho do Bate-Pé / Ruínas do Moinho do Amieiral

IPA.00014247

Portugal, Beja, Odemira, Vila Nova de Milfontes

Edifício e estrutura >> Edifício >> Extração, produção e transformação >> Moagem

Arquitectura agrícola, popular, vernácula. Moinho de maré de grande simplicidade construtiva, com paredes de alvenaria de xisto argamassada com barro e rebocada com argamassa de cal e areia, posteriormente caiada. Este tipo de alvenaria, em que se recorria predominantemente a materiais recolhidos no próprio local, foi bastante corrente, uma vez que os moinhos de maré do Mira eram frequentemente assolados pelas cheias, permitindo uma fácil reconstrução pelo próprio moleiro, aplicando-se o mesmo princípio ao mecanismo motriz. 

domingo, 28 de março de 2021

os jardins em évoraburgomedieval

* Victor Nogueira

In illo tempore não tinha Évora senão três ou quatro jardins e alguns largos arborizados, como o Largo do Chafariz do Chão das Covas, o Largo 1º de Maio (na época com outra designação), a Praça Joaquim António de Aguiar, o Largo Marquês de Marialva,  o Largo D. Miguel de Portugal e o Largo de S. Mamede, para além do chamado Jardim do Bacalhau, este junto ao Largo da Porta de Moura, e o Rossio de S. Brás.

O Jardim de Diana, circunvizinho do templo romano, ergue-se sobre a muralha romana, com ampla vista para a antiga mouraria e para os arredores da cidade. 

O Jardim Público, antigo Passeio Público da burguesia citadina, com a sua mata, assenta parcialmente num baluarte do século XVII, estendendo-se desde a Porta do Raimundo até à Rua da República. Dentro deste jardim se situa o que resta do Palácio de D. Manuel, para além do coreto e das ruínas encenadas por Cinatti ao gosto romântico e provenientes do paço do bispo D. Afonso de Portugal. O jardim tem acessos pela Rua da República, pela Rua do Raimundo, pelo largo de Mercado, onde se situam a igreja de S. Francisco, com a sua capela dos Ossos, e o Celeiro Público,  e pelo parque infantil, junto à Praça de Touros e perto do Rossio de S. Brás, onde se encontra a ermida homónima , gótico mudejar, e se realiza a feira de S. João. Não  me  lembro de assistir a concertos de música no coreto, o que não significa que os não houvesse. É ornamentado por esculturas  diversas: uma estátua de Vasco da Gama, um busto de Florbela Espanca, dois bustos de carácter alegórico representado a juventude e a velhice, e um outro de Giuseppe Cinatti. A entrada no recinto vedado do parque  infantil era, nesses tempos, paga, como se refere no texto Cenas do Jardim (O miúdo e o carrocel).

Jardim dos Colegiais situava-se fora das muralhas mas adjacente a estas, nele existindo uma porta ou postigo da muralha.  

Nos meus escritos há algumas referências aos jardins eborenses, sobretudo àquele em que mais estacionava, o jardim público para onde ia ler, estudar ou jogar minigolfe. Para lá das cenas descritas em Cenas do Jardim, no fim desta nota reproduzidas, há algumas outras, como a daquela vez em que estando sentado com a namorada num dos bancos, dei-lhe um brevíssimo e "casto" beijo e logo a varinha do guarda bateu-me no ombro avisando que poucas-vergonhas daquelas eram proibidas. Outra cena envolve o então Presidente do Conselho de Ministros, Marcelo Caetano. Descontraído e distraidamente ia a passar junto à entrada do Palácio D. Manuel I, onde se aglomeravam algumas poucas pessoas, quando me apercebi da saída rápida deste, precedido duns três Pides, um dos quais me deu um inesperado e violento empurrão para desimpedir o caminho, num ápice desaparecendo Marcelo da minha vista e dos poucos mirones que o aclamavam à passagem.


1968

Imaginem uma ilha de pedra escura ou casas irritantemente brancas no meio de uma infindável planície. Imaginem umas muralhas que encerrem umas relíquias sagradas, mais intocáveis que os "intocáveis". Imaginem umas igrejas velhas, escuras, uma delas cheia de tíbias e caveiras e dois esqueletos pendurados na parede [Capela dos Ossos na Igreja de S. Francisco] e a encorajadora frase "Homem, lembra-te que és pó e em pó te hás-de tornar". Uma janela manuelina, num canto, num dos muitos cantos escusos, e que foi do Garcia de Resende. Um templo romano, vulgarmente denominado de Diana. Muralhas medievais e seiscentistas. Um aqueduto ou o que dele resta. E casas, muitas casas, dolorosamente caiadas de branco, um branco frequentemente maculado por umas escuras pedras graníticas, restos duma janela, duma porta, duma parede, duma muralha... E ruas estreitas e tortuosas, onde passam pessoas e carros. Évora, ei-la, cidade sem presente nem futuro, com passado, um passado que se pretende preservar a todo o custo. Aqui, se não fossem os automóveis e as antenas de televisão, poder-se-ia dizer que o tempo parou. Algumas décadas ou mesmo séculos atrás. 

Que mais tem ela? Meia dúzia de jardins. As melhores piscinas da Península. Um  Salão Central Eborense. Que dá sessões cinematográficas diariamente (à 6ª feira o filme é português)  Um teatro (o Garcia de Resende) que em dois meses abriu para apresentar um concerto, uma peça de teatro ("D. Quixote", pelo Teatro Experimental de Cascais) e  uma ópera ("Rigoletto", pela Companhia do Trindade). Um espectáculo de cada.

Cinema, café, Praça do Giraldo, casas e pouco mais. O que há para fazer. As perspectivas para as miúdas são mais negras. (JCF - 1968.12.26)

1969

Andei a deambular pelas ruas de Évora armado em explorador. Cruzes em esquinas assinalam o local onde foi assassinado, largos anos atrás, um homem qualquer, ruas desertas, miúdos, roupa estendida nas janelas, um gatito que roça nas minhas botas, o miúdo que me pede dinheiro, já não sei para quê. Por fim o regresso ao Giraldo. Rumo ao Mercado, onde se vendem animais embalsamados, artigos de barro, caça, peixe, brinquedos... esses brinquedos de lata ou de madeira que eu reconheci como já tendo sido meus numa longínqua infância que já não reconheço como minha. Seguiu-se a habitual passagem pelo Jardim Público. Onde está uma oliveira com uma lápide que reza assim: "Oliveira plantada em 14 de Julho de 1919 comemorando a Paz Universal após a Guerra dos Povos Aliados contra a Alemanha" (NSM - 1969.01.26)


Desta janela [da sala de aulas do Instituto em que me encontro] avistam-se telhados sujos, uma chaminé esbranquiçada e, lá ao fundo, muito ao longe, a verde campina alentejana, onde se destacam algumas manchas mais escuras, de oliveiras ou sobreiros. Pela outra janela, à minha esquerda, vêm-se as paredes brancas do edifício do Museu Regional, com as suas sacadas de ferro forjado. Há umas semanas atrás era a moldura dum dos quadros mais belos que tenho visto: os ramos das árvores do largo [Marquês de Marialva], agora descarnados, estavam cobertos de folhagem dourada. Quantas vezes, ao entrar para esta sala, os meus olhos se deliciaram neles. (NSM - 1969.04.09)


Os dias de sol alternam com os de chuva fria. Hoje o céu está azul, quase limpo; andorinhas volteiam pelos ares, o branco das casas fere impiedosamente o olhar, os jardins (Ah! a única coisa aproveitável nesta vilória!) multicoloram-se de flores e as árvores enverdecem. Mas no telhado e junto à minha janela, o musgo secou, deixando apenas manchas escuras. A erva que corria por entre as telhas está castanha e coberta de mini flores brancas. Já não parecem árvores correndo por entre vales e galgando montanhas. (NSM - 1969.06.03)


1973

Não gosto de Évora, porque não se vê o mar, nem a relva, nem as árvores, mas só pedras. Évora é um círculo que nos esmaga e constrange. (...)  Também andam para aí a deitar prédios abaixo que até chateia. Pena não os deitarem todos e plantarem árvores e relvado que não fosse proibido pisar. (MCG - 1973.06.03)



De manhã fui até ao jardim e os meus passos levaram-me até ao campo de mini golfe. (...) Apesar da minha propaganda ainda não arranjei ninguém para jogar comigo. O Carlos e o Camilo só estão bem na poluição do Arcada. Quem lhes tirar a fumarada tira-lhes a vida e o ser!!!  (XXX - 1973.07.03)

(...). Comecei hoje a comer aqui neste café, junto ao jardim infantil, entre a Praça de Touros e o Rossio [de S. Brás]. O almoço estava saboroso. Esperemos que assim continue. Ali numa mesa ao lado um grupo de jovens vê uma colecção de fotografias pornográficas, que de vez em quando mostram a outros noutra mesa, cruzando o meu campo de visão. Entretanto a TV transmite um documentário sobre a guerra israelo-árabe, prendendo a atenção dos clientes. (...) Na televisão sereias soam numa cidade síria, sobrevoada por aviões israelitas que a bombardeiam. Escombros e feridos enchem o ecrã. (MCG - 1973.11.21)

Jardim Público e Mata





Entrada pela Rua da República (1975)
 



(na mata)


Coreto e Comício com Octávio Pato (Eleições Presidenciais 1976)


(foto MENS)


Ruínas Fingidas de Cinatti





Palácio D. Manuel I - Comício (Eleições Legislativas - 1976)


(feira semanal no Rossio de S. Brás)


Visto do Rossio de S. Brás

Parque Infantil


(Foto MENS)








Jardim dos Colegiais






Jardim de Diana


(ao fundo a mancha verde é o Jardim de Diana)



(ao fundo a Torre das 5 Quinas)




(Á esquerda o antigo Convento dos Loios e à direita o zimbório da Sé)


(Á esquerda o antigo Palácio da Inquisição)


O Templo romano, nas cercanias do Jardim de Diana


Manifestação 1976 1º de Maio 


CTT e Rua do Menino Jesus, vistos do Jardim de Diana


 A Mouraria vista do Jardim de Diana. Em 1º plano a Rua do Menino Jesus (1975)


 1976 03 12 Manifestação dos Trabalhadores Rurais


Vista da Mouraria  1976 03 12 Manifestação dos Trabalhadores Rurais



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Largo Miguel de Portugal (1975)


Praça 1º de Maio (1975) - ao fundo o Mercado Municipal


Praça 1º de Maio (á esquerda, o Mercado Municipal)


 Largo do Marquês de Marialva  1976 03 12  Manifestação dos Trabalhadores Rurais


 Largo de S. Mamede 1976 03 12  Manifestação dos Trabalhadores Rurais


 Largo de S. Mamede 1976 03 12  Manifestação dos Trabalhadores Rurais



 Rossio de S Brás 1976 04 11 Festa da Liberdade (PCP)

Mapa do Centro Histórico de Évora. Trabalho de três anos, levantamento no terreno, fotografias e esboços. Desenhado e pintado a aguarela. Terminado em 1991. Publicado no mesmo ano. Há 30 anos.

Cenas do Jardim







1969.02.24