Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Gamma - Ícone da fotografia corre o risco de falência

http://www.dgidc.min-edu.pt/escola_movel/o_farol/forum_direitos_humanos.htmhttp://conceitoeideias.wordpress.com/2009/06/05/imagem-de-sebastiao-salgado/http://www.pdngallery.com/20years/photojournalism/18_sebastiao_salgado.htmlhttp://ouiouioui.wordpress.com/2008/09/18/nossos-franceses-sebastiao-salgado/
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Fotos de João Salgado
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clicar nas fotos para aumentar e saber mais
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_Negócios

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quinta-feira, 6 de agosto de 2009, 09:23 | Online

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Agência Gamma, onde Sebastião Salgado trabalhou, busca investidores

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Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo

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PARIS - Um ícone do fotojornalismo dos anos 70 e 80, a agência francesa Gamma, uma das mais respeitadas do mundo, está enfrentando o risco iminente de falência. A empresa, fundada em 1966 por Raymond Depardon e Jean Lattès, teve a concordata decretada no fim de julho e recebeu um prazo de seis meses do Tribunal de Comércio de Paris para pagar as dívidas e encontrar novos investidores. A crise, segundo seus atuais proprietários, é causada principalmente pela redução do espaço para as grandes reportagens na mídia global.

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Os problemas financeiros foram externados em 30 de julho, quando o Grupo Eyedea Presse, proprietário da agência, fez o pedido de concordata no Tribunal de Comércio de Paris, depois de experimentar perdas de 3 milhões em 2008.

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A Gamma e a Rapho - a mais antiga agência de fotojornalismo da França, propriedade do mesmo grupo - empregam hoje 55 pessoas, dos quais 14 fotógrafos. Junto com o pedido de concordata, a Justiça designou um administrador judiciário, que terá a missão de analisar o plano de recuperação a ser elaborado pela companhia. Um programa de demissões voluntárias está previsto. Caso o esboço não seja aceito pela Justiça, ofertas de aquisição serão consideradas, antes da eventual falência.

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Ao lado das agências Sygma e Sipa, a Gamma passou a ser referência no jornalismo europeu pouco após sua criação. Sua estratégia era investir em fotos de personalidades, ao mesmo tempo em que fazia grandes reportagens, muitas das quais em zonas de conflito em todo o mundo. Além disso, abrigava em seus quadros profissionais que se tornaram referências internacionais, entre os quais o brasileiro Sebastião Salgado, entre 1975 e 1979.

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De acordo com o diretor-presidente de Eyedea, Stéphane Ledoux, parte das dificuldades financeiras está relacionada justamente ao seu modelo de negócios. "A imprensa não se interessa mais pelos temas profundos, cuja produção custa caro e é vendida cada vez mais barata", argumenta.

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A crise também teria se aprofundado a partir de dezembro, quando a imprensa norte-americana, também prejudicada pela crise do setor, reduziu os pedidos de pautas.

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Hugue Vassal, fotógrafo e um dos fundadores da agência, entretanto, tem outra análise para a concordata. Para ele, a mudança na forma de pagamento dos profissionais, que previa a divisão do lucro de uma foto em 50% para a agência e 50% para o fotógrafo - um modelo do qual a Gamma fora uma das pioneiras -, teria diminuído o interesse de grandes fotógrafos, resultando em queda da qualidade.

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Outra razão, segundo Vassal, teria sido o advento da foto digital. "Hoje, em uma guerra ou em um terremoto, teremos a foto de todo modo. Na época, vendíamos uma reportagem por 15 mil. Hoje, vende-se por 3 mil. A época de ouro acabou."

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Mesmo com a turbulência financeira, o destino da Gamma não está selado. Além do prazo de seis meses para buscar novos investidores, a agência deve contar com o suporte do governo francês. O sinal foi dado pelo ministro da Cultura, Frédéric Mitterrand, ao afirmar que está "à escuta dos profissionais nesse momento difícil".

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domingo, 2 de agosto de 2009

Agências Fotográficas - Vida e Morte


Terça-feira, Fevereiro 06, 2007

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* Madalena Lello
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A Agência VIVA

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Ao consultar a programação do Jeu de Paume em Paris, chamou-me a atenção a exposição que inaugurou no passado dia 30 e que estará até ao dia 8 de Abril.
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Tinha lido na internet, há uns dois anos, um artigo, Viva, une alternative à Magnum? publicado na revista Études Photographiques de Novembro 2004, (na altura a revista ainda publicava os textos no site) e esse artigo era o resultado de um trabalho de investigação realizado por Aurore Deligny, (Les années Viva, 2002) que o apresentou como tese de fim de curso na escola ENS Louis –Lumière.
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O Jeu de Paume, sábiamente percebeu a importância do trabalho: tratava-se de dez anos de imagens, 1972-1982, que faziam parte da história do fotojornalismo em França, e que estavam prestes a cair no esquecimento total.
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De louvar esta atitude, em que o projecto da presente exposição assenta no essêncial na tese de Deligny, e que dá vida novamente a uma época, através das fotografias de Viva.
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Para nós em Portugal, Viva talvez não nos diga absolutamente nada, embora alguns dos seus fotógrafos tenham vindo fotografar Portugal.
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No ano da criação de Viva, Fevereiro de 1972, encerravam duas das mais importantes revistas de reportagens fotográficas, a Life (1972) e a Look, esta encerra em 1971.

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Logotipo da VIVA

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Numa época em que a televisão é a verdadeira concorrente, todos os acontecimentos chegavam aos lares de uma forma muito mais rápida, quem eram então estes repórteres corajosos, que criavam mais uma agência?
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A Magnum existia desde 1945, a agência Gamma em 1966, e a Sipa em 1969: Estas últimas, representavam uma nova geração, em que os fotógrafos perdiam os direitos das suas produções, ao contrário da Magnum. Outras a Dalmas e Apis fecham no início de 70.
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Os fotógrafos de Viva, jovens entusiastas, com trabalhos publicados, não conseguiam, no entanto entrar na mítica Magnum. Pertenciam à geração de Maio de 68 e desejavam trabalhar numa estrutura coorporativista, semelhante à Magnum. Entre as notícias da actualidade, grandes reportagens e criatividade, a produção destes fotógrafos resultava normalmente numa pesquisa pessoal.
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Membros da VIVA a trabalharem
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Mas Viva seria uma alternativa à Magnum, como refere o artigo citado?
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Claramente não. O seu desmoronamento acontece precisamente na altura em que a Magnum abre as portas aos mais jovens, e é a debandada. Mas o que ficou de Viva?
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Diferentemente da Magnum, que cobria os aconteceimentos de todo o mundo, os fotógrafos da agência Viva ficaram por França, em parte devido às constantes dificuldades financeiras com que a agência se debatia. Um dos trabalhos que mereçe destaque na exposição é “Familles en France” de 1973, único projecto verdadeiramente comum.
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Esta revista editou "Famille en France"
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"Familles en France" 1973
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Sob o entusiasmo de François Hers, cada um dos fotógrafos partiu à descoberta da verdadeira família francesa, e viveram durante meses em casas de famílias. O que encontraram era muito diferente da família esteriotipada divulgada na imprensa. As fotografias de “Familles en France”, como sucede frequentemente, são apreciadas pelos que estão de fora, porque os franceses não gostaram. Com o intuito de divulgar a agência em França e também no estrangeiro, Viva organizou “Familles en France” numa exposição itinerante acompanhada de catálogo. Das três mil fotografias a preto e branco foram seleccionadas cem para a exposição.
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Quando em França, surgiam as primeiras notícias do “coup d’Etat militaire”, ocorrido em Portugal, foi a concorrência feroz entre as agências. Gamma, Sipa, Sygma criada entretanto em 1973, Magnum, Viva, correram para cá. Na newsletter da exposição, François Hers, um dos fundadores da Viva, é o autor de Lynchage, Braga, Portugal, 1975.
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Lynchage, Braga Portugal, 1975, Francois Hers
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Guy Le Querrec, outro dos fundadores da Viva, quando em 1975 veio a Portugal fotografar a revolução, ainda não pertencia à Magnum, só seria eleito membro em 1977. Recentemente vimos estas fotografias na exposição Espelho Meu, Portugal visto por fotógrafos da Magnum, exposta no verão de 2005 no CCB. Guy Le Querrec fotografa a Aldeia das Pias, no coração do Alentejo, vai a Castro d'Aire afim de registar as imagens de um novo quotidiano, e regressa em 1998 em busca das pessoas que fotografara.
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Em 1975, Guy Le Querrec deixa a Viva, mas “ quitter Viva était une décision difficile car c´etait une étape importante”. Curiosamente, na biografia do catálogo editado na altura da exposição, é omitida a sua ligação à Viva. Esquecimento? É prepositado?, não sei explicar. Na biografia , Viva não existe no percurso deste fotógrafo.
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Mais tarde, outros fotógrafos juntaram-se à Viva. Jacques Minassien, que em 1973 começa um trabalho em Portugal, entra para a agência em 1975 e deixa-a em 1977. Bolseiro em 1977 e 1981 da Fundação Gulbenkien, onde expõe em 1978, 51 das suas fotografias. Em, Novembro de 1982, vem a Portugal quando a galeria Ether – Vale tudo menos tirar olhos, organiza uma retrospectiva do seu trabalho.
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Catálogo desdobrável


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No texto que Gérard Castello Lopes, escreve no cartáz/catálogo da exposição O Fotógrafo sem qualidades, Castello Lopes diz o seguinte em relação às duas fotografias escolhidas para o cartáz:

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“ Cada fotografia de Jacques Minassien (a da marginal em Caxias, a da cortina translúcida sobre uma janela, por exemplo), tenta mostrar o que é e o seu contrário, seleccionar um espaço que sugere que foi excluido, um instante que evoca o que o precede e o que seguirá”.
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A exposição no Jeu de Paume, VIVA, une agence de photographes: 1972-1982, vem repor o que se esqueçeu

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Agência fotográfica Gamma em risco de desaparecer


Foto: Françoise Demulder/ Gamm

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A célebre agência fotográfica francesa Gamma, que garantiu a cobertura de acontecimentos como o Maio de 68 e a guerra do Vietname, vê agora a sua continuidade em causa.

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A empresa tem actualmente 55 trabalhadores, sendo que 14 deles são fotógrafos. Segundo o jornal "El Mundo", apenas o departamento que produz fotografias de celebridades ainda permanece rentável.

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"Só querem manter as secções que não têm custo e geram muito dinheiro. Ter que fazer sempre mais com menos dinheiro é a morte do fotojornalismo", declarou um fotógrafo da agência.

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A Gamma foi fundada em 1966 e nela se destacou uma geração de ouro de fotojornalistas franceses, como Raymond Depardon e Françoise Demulder. As suas imagens, muitas delas distinguidas, foram publicadas meios de todo o Mundo.

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in Jornal de Notícias - 2009.08.02

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