Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

"cidade" chinesa entre o Mindelo e Vila do Conde, ao fim do dia

* Victor Nogueira

Na chamada "recta do Mindelo", entre esta freguesia e Vila do Conde, na EN Porto/Viana do Castelo, existia uma importante fábrica têxtil, onde o meu tio Zé Barroso e muito mais gente iam comprar o vestuário, pois á "porta da fábrica" os produtos nela confeccionados eram mais baratos. Hoje a fábrica está encerrada: depois de ter aberto falência em 1993/94. Em 2005 as instalações foram vendidas em hasta pública (sem que os trabalhadores tenham recebido os salários em atraso e as indemnizações) e tudo tem agora um ar de abandono, depois de aparentemente ter falhado o projecto do "Chinese Trade Center" no "Mindelo Park", anunciado com pompa e circunstância em 2010 (muito se usa e abusa de designações em inglês aqui pelo Norte onde Portugal teria nascido, em oposição à moirama de riba e alem-tejo e algarve)

Nesse tempo, nos anos 60, o "pronto-a-vestir" assentava mal (as camisas de flanela tinham normalmente padrões "feios" e era dificílimo encontrar um que me agradasse) e a roupa de quem tinha posses para tal era executada por medida, em modistas e alfaiates: camisas, calças. fatos ... O "mau-gosto" do pronto-a-vestir assumia assim um caracter discriminatório, indicativo/distintivo da classe social. Mais tarde, em évoraburgomedieval, no isese, nos anos 70, o modo de vestir de certo modo distinguia a origem social dos estudantes: "mal-vestidos" parte da "nata" de Champalimauds e companhia, de fato e gravata a pequena burguesia e sem fato e gravata e de kispo ou apenas casaco e calças  de ganga as chamadas "camadas" intermédias.

Desde crianças as raparigas das classes populares e da pequena burguesia eram instruídas com maior ou menor habilidade nas artes da costura.  As famílias mais remediadas ou de menos posses cerziam e viravam colarinhos, calças e demais roupa.

Em torno da referida fábrica criou a Câmara Vilacondense um parque industrial, o da Varziela, um dos muitos que como cogumelos foram nascendo por esse país fora, funcionando em não poucos casos e com o mínimo de investimento como "depósitos" ou armazéns de comércio por grosso. O de Vila do Conde tem uma característica: está ocupado essencialmente por armazéns chineses. Mesmo que anunciem moda de Itália ou de França, esta é ... "made in China".

De malha ortogonal e alguns becos, a maioria da área ocupada pela "Chinatown" é desarborizada, pejada de automóveis no período de abertura, com um aspecto inóspito e ar de bric-à-brac. O que aliás é característico mesmo da maioria das lojas chinesas de venda a retalho, sucessoras das "lojas dos 300", onde o que se pretende atrair/cativar não é o olhar mas sim a bolsa, por atacado. Na Varziela e para "servir" toda a sua população, um restaurante, um café e um "mini-mercado".

CHINATOWN









FÁBRICA DO MINDELO


foto em https://www.flickr.com/photos/biblarte/5057646592







sobre o Projecto imobiliário Mindelo Park ver https://oditadorliberal.wordpress.com/2010/04/29/mindelo-park-lancamento-primeira-pedra/
e
http://www.jn.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Porto&Concelho=Vila%20do%20Conde&Option=Interior&content_id=1779975

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