Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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sábado, 5 de novembro de 2016

Steve Mccurry e a mulher afegã - em torno dum texto de MEC

* Victor Nogueira

Bem muita gente e povos se recusavam a ser fotografados porque criam que desse modo a "máquina" ou o "fotógrafo" lhes roubavam a alma. Creio que há um "direito à imagem" entre os direitos humanos mas, na verdade, o direito pertencerá a quem a detiver e, neste caso, o fotógrafo (e tb a National Geographic ?) Há paparazzi  e paparazzi, uns de 1ª,, a preto e branco,  outros,cor-de-rosa. O mal não está no fotógrafo mas sim em torno de direito de propriedade. Em que consiste ? Sobre o que incide ? A quem pertence ? Quem dele deve beneficiar ? O artista/retratista/fotógrafo ou ao retratado/fotografado ?

EM TEMPO - Não fosse o fotógrafo, Steve McCurry ou  Nick Ut Lieux ou qualquer outro, muitos arriscando a vida em cenários de guerra, alguém saberia ou se preocuparia com  a existência e problemas de Sharbat Gula ou de  Kim Phuc ? E quem se lembra ou acode ou se preocupa com as restantes largas milhares de vítimas, vivas ou sobreviventes das mesmas guerras ou similares e todas elas devendo merecer igual reparação e memória ?



Steve Mccurry - Afeganistão


Nick Ut  - Vietname 1972


CRÓNICA

Ajudem esta mulher!

Como é que conseguem viver com o olhar dela, três vezes traído?
Sharbat Gula foi deportada depois de 11 dias de prisão. Os paquistaneses tiveram pena dela e, depois do consulado afegão ter pago a multa de 1500 euros, libertaram-na. Voltará para o Afeganistão de onde fugiu com os quatro filhos.
Em 1984, tinha ela 11 ou 12 anos, Steve McCurry fotografou-a para a National Geographic. A fotografia, Afghan girl, tornou-se a mais famosa de toda a história da revista. Toda a gente viu a fotografia – excepto ela.
McCurry, que ficou famoso e rico à custa daquela fotografia, fez várias tentativas para reencontrá-la. Só conseguiu em 2002, quando ela tinha 30 anos. Foi a primeira vez que ela viu a fotografia dela quando era criança.
A nova fotografia de Sharbat Gula – só com 30 anos mas envelhecida por uma vida duríssima – voltou a correr o mundo, para toda a gente ter o prazer de ver como a menina bonita dos olhos verdes tinha desaparecido para o rosto de uma mulher banal.
A National Geographic ainda retribuiu parte do lucro pagando-lhe uma peregrinação a Meca e algumas despesas médicas. Fez também um fundo para educar crianças afegãs. Mas a sádica exploração de Sharbat Gula – indesculpável e abusiva desde o início – continua.
Então e agora? Como é que é, ó abutre McCurry? Como é que ninguém, à excepção de afegãos e paquistaneses, mexeu uma palha para ajudá-la? Ela é viúva e está doente. Porque não lhe compram uma casa e lhe dão dinheiro para viver bem durante o resto da vida? Como é que conseguem viver com o olhar dela, três vezes traído? 
https://www.publico.pt/mundo/noticia/ajudem-esta-mulher-1749999?

domingo, 13 de junho de 2010

Steve McCurry - Maior fotógrafo vivo do planeta fala de sua vida e das imagens que fez -



CADERNO DE DOMINGO - [ 13/06 ]
Gustavo Ferrari - Redação Cruzeiro do Sul
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Notícia publicada na edição de 13/06/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 2 do caderno D - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

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  • Agência Magnum / Divulgação  
  • Steve McCurry é atualmente o principal fotógrafo da Agência Magnum, fundada pelo francês Henry Cartier-Bresson
     
Da janela de seu apartamento, localizado em Manhattan, Nova Iorque, nos Estados Unidos, Steve McCurry presenciou, a três quarteirões de distância, o símbolo do capitalismo norte-americano ruir diante dos próprios olhos. Acostumado a cobrir guerras e catástrofes naturais, o ‘papa’ do fotojornalismo da Revista National Geographic não pensou duas vezes: pegou a sua câmera e registrou o que foi sobrando das torres gêmeas. Era 11 de setembro de 2001. Era o fim do World Trade Center. “Acordei com um telefonema. Confesso que não acreditei no que via. Uma sensação horrível.”
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Membro da elitista Agência Magnum desde 1986, fundada por ninguém menos que o francês Henri Cartier-Bresson, morto em 2004, McCurry estudou cinematografia na Universidade do Estado da Pensilvânia, em 1968. No entanto, acabou se formando em artes cênicas e graduou-se em 1974. Se interessou pela fotografia quando começou a produzir imagens para um jornal de sua universidade, o The Daily Collegian.
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O americano começou a sua carreira de fotojornalista cobrindo a invasão soviética ao Afeganistão. Para isso, utilizou vestimentas típicas para se disfarçar e esconder seu equipamento. Suas imagens estavam entre as primeiras do conflito e por isso foram largamente publicadas. McCurry continuou a fotografar conflitos internacionais no Afeganistão (onde esteve mais de 30 vezes) e em outros países como Camboja, Filipinas, Líbano, além do Irã-Iraque e também no Golfo Pérsico.
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O drama humano - principal marca de seus registros em campo - chama a atenção pelo contraste de cores, ao mesmo tempo em que é carregado de sofrimento, tristeza e emoção. Capturar a essência e a condição do homem é o que McCurry busca nas imagens. Ele observa o fotografado e espera pelo momento em que “a alma da pessoa é revelada”, seja pela expressão, pelo olhar ou pelas ações.
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Além de regiões em conflito, o ‘papa’ do fotojornalismo percorreu e explorou países exóticos, que lhe renderam belas fotos, como Índia (onde esteve 90 vezes), Nepal, Vietnã, Iêmen, Camboja, Paquistão (onde morou por dois anos) e Filipinas. Mas foi com a célebre imagem da menina afegã de olhos verdes Sharbat Gula, então com 13 anos de idade, em 1984, fotografada num acampamento de refugiados em Nasir Bagh, no Paquistão, que McCurry ganhou notoriedade. A foto, capa da National Geographic, publicada em junho de 1985, rendeu-lhe fama, respeito, e mais trabalho.
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Aos 60 anos de idade e com um currículo invejável, que inclui prêmios como a Medalha de Ouro Robert Capa, o Magazine Photographer of the Year, o Oliver Rebbot e o World Press Photo, McCurry esbanja carisma e paixão pelo que faz. Humildade e técnica são duas de suas qualidades. Ele é o único fotógrafo a utilizar a última geração de filmes Kodachrome, produzido apenas no formato fotográfico 35mm, em ISO 64, cuja produção encerra-se em novembro deste ano. Devido à complexidade do processo de revelação, apenas um laboratório no mundo oferece esse tipo de serviço, o Dwayne’s Photo, em Kansas, EUA.
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Minutos antes de palestrar para um respeitável público, formado em sua maioria de fotojornalistas, no projeto Grandes Mestres da Fotografia, que lotou o auditório do Museu da Imagem e do Som (MIS), na nobre avenida Europa, coração do Jardins, São Paulo, em dia 20 de maio, - sua quarta estada em território brasileiro -, McCurry concedeu entrevista ao Cruzeiro do Sul. Assim como na palestra, falou sobre a Índia, seus desafios, sua carreira.
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O início
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“Comecei a minha carreira fotográfica na Filadélfia, Estados Unidos, trabalhando em um empresa na repartição de cartas. Tinha 19 anos e percebi que havia um mundo a ser descoberto. Me inspirei a viver na Europa durante um ano e depois quis continuar viajando. Decidi voltar à escola e fazer fotografia.”
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National Geographic
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“Fui a primeira vez para a Índia, em 1978, e trabalhei mais de 90 vezes lá. A viagem era para durar seis semanas, mas eu me entusiasmei e permaneci por dois anos. De lá fui para o Nepal e Paquistão. Quando retornei aos EUA fui para a National Geographic. Eles me deram um compromisso, pois sou uma pessoa muito insistente. No fundo, penso que ficaram com pena de mim. O meu compromisso com a National era de três meses, mas eu levei sete meses para concluir o trabalho. Foi muito difícil. O pior foi que a história nem chegou a ser publicada. Mesmo assim, o pessoal da revista fez questão de me pagar. Fiquei deprimido. O pagamento foi feito via correio. Quando abri o envelope, com o cheque, vi que havia algo errado. O acerto pelo trabalho era de US$ 3 mil, mas me enviaram US$ 30 mil, mesmo com a história não sendo publicada. Me disseram: ‘Você não quer ir para Bombai (atualmente Mombai), na Índia?’”
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Histórias da Índia
“A foto que mais me marcou foi de uma mãe junto de sua filha pedindo esmola na janela do táxi que estava, em Bombai (Mombai). Essa foi a que liderou minha carreira. Outras foram de templos religiosos. Cheguei a ficar mais de duas horas, estático, para fotografar fiéis orando em uma árvore. Em outra situação, permaneci por quatro dias em uma vila inundada, localizada em uma área suja e nojenta, em um vilarejo. Outra foto marcante foi a de um alfaiate, que voltou para ‘salvar’ a sua máquina na inundação. Ele me viu e sorriu para a câmera. Essa foto foi capa da National Geographic, em dezembro de 1984. Não me cansei de fotografar o Taj Mahal. Sempre busquei registrá-lo sob um ângulo novo, diferente. Queria mostrar como era a vida do indiano em volta do templo. Uma história que me recordo bem foi a viagem de trem atravessando a Índia, Bangladesh e o Paquistão. Queria mostrar como o trem passava rente ao Taj. Consegui enquadrar o trem e o templo no mesmo quadro. Em outra situação, no mesmo trem, consegui pegar uma foto em que a tripulação serve café da manhã pela janela de um vagão ao outro. Fiquei quatro meses nesse trem. Gosto de fotografar as pessoas dormindo em lugares variados. Fiz várias fotos assim em Calcutá. Em março deste ano fotografei um festival na Índia. Foi a maior reunião humana na história do mundo. Reuniu 20 milhões de pessoas, que chegaram durante meses para o evento. O engraçado é fotografar e não compreender os rituais, principalmente porque lá se fuma muito haxixe.”
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Marca do olhar
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"Sharbat Gula era uma menina em que a dor estava visível em seus olhos. Ela estava meio acanhada, tímida, assustada. Resolvi ficar uns cinco minutos fotografando outra refugiada, no acampamento. Fiz isso com outras pessoas. Até que consegui sua confiança. Foram horas tirando fotos naquele local. Consegui pegar a expressão que queria do rosto da jovem. Uma foto inesquecível, que fala por si. Depois que a matéria saiu na National Geographic, recebi milhares de cartas de pessoas que queriam adotá-la. Outras pessoas queriam casar com a menina. Em 2001, voltei ao Afeganistão. Queria encontrá-la novamente. Uma mulher chegou a me convencer de que ela era a pessoa da capa da revista. Depois de muito procurar, apareceu um rapaz que dizia conhecer o irmão dela. Dezessete anos depois, em 2002, finalmente encontrei Sharbat. Estava casada e com filhos. Fiz uma nova foto, que também rendeu capa da National. Uma escola foi construída às pessoas refugiadas, em homenagem a foto. Tenho uma satisfação muito grande por isso."
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Cores
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“Não sou um fotógrafo de cores. O que me interessa é registrar a vida, o drama. Se tirar as cores das minhas fotos (deixá-las preto e branco), mesmo assim elas continuarão vivas, fortes. Não gosto de fotografar em ambientes na contraluz. Gosto de fotografar o ambiente em que as cores revelam uma situação. Muitos fotógrafos trabalham em preto e branco, porque a cor, às vezes, distrai a emoção. Mas é possível fotografar e ter prazer. O fotógrafo não deve explicar a foto. Ela (a foto) deve falar por si. Se você quiser mais explicação, então deve ser escritor, não fotógrafo. Sempre sinto que posso contar a história de uma forma visível. Ninguém que chegou no nível da National Geographic precisa escrever legenda para uma foto.”
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Desafios
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“Todo dia para mim é um novo desafio. Procuro criar algo novo, trabalhar em um nova situação. Uma história tem que vir de dentro; tem que ter um significado para você. Isso é um desafio. A rota da cocaína, na Bolívia, Colômbia, é uma história impossível de ser fotografada. Um amigo tentou fazê-la, mas não conseguiu. Os próprios traficantes não acreditaram que ele era um repórter da National Geographic. Uma foto curiosa que fiz foi de um homem se esquentando do frio com fogo, dentro de um árvore. Já em Mandalay, Mianmar, fiz foto de homens equilibrando uma pedra. Nessa ocasião, chegaram a me oferecer uma cobra como alimento. Mandaram eu ao Paquistão. Lá, cheguei a ser preso duas vezes. Na primeira vez, fiquei cinco dias no cárcere. Colocaram correntes nas minhas pernas. Era proibido fotografar no local em que estava.”
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Tristes lembranças
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“Certa vez fiquei emocionado com uma criança que não conseguia caminhar de forma ereta. Ela me viu e perguntou se eu não queria tomar café na casa dela. Isso serviu de inspiração. Tratava-se de uma pessoa que nunca teve nada na vida, a não ser disposição. Eu acho que cobrir situações de miséria, em lugares onde isso aconteça, como catástrofes, é algo que o fotojornalista deve almejar, sempre. Não posso sofrer com o que vejo. Eu vejo tragédias, dramas, dores envolvendo pessoas, animais... Vejo pessoas tentando entender o que acontece, sendo que nem elas sabem o por que passam por certas situações, situações extremas. No Peru, fiz uma foto de crianças torturando um garotinho. Ele tinha até uma arma de brinquedo. Um dos trabalhos mais importantes que fiz, porém triste, foi a explosão de mais de 600 postos de óleos na Guerra do Golfo, em 1991.”
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Lição
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“Pensei como seria diferente minha vida se tivesse vindo essas vezes ao Brasil (referindo a quantidade de vezes em que esteve na Índia). Conheci o Rio de Janeiro e fiz uma lista de histórias que pretendo registrar no país. É um lugar incrível. Tem muitas paisagens, uma geografia excelente, assim como a cultura. Um lugar único, bem diferente dos outros do mundo. Minha família entende o que faço. Nunca questiona onde e quando vou, nem quando volto. Cresci numa família muito religiosa, mas o budismo me ensinou a ter compaixão, a respeitar as pessoas, a ter paz. Essa é a grande lição que aprendi.” Galerias de fotos do entrevistado podem ser conferidas em www.stevemccurry.com.
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13 de junho de 2010 | N° 16365Alerta 

ENTREVISTA

Retratos da condição humana

Steve McCurry, o fotógrafo que sensibilizou o mundo com a imagem de uma menina afegã, ensina o caminho para uma foto memorável

Em 1985, a revista National Geographic publicou na capa uma foto que mexeu com o mundo: uma refugiada afegã de 13 anos, com os cabelos cobertos por um pano velho, rosto sujo e olhos incrivelmente verdes e expressivos. Considerada uma das imagens mais marcantes do século 20, ela é de autoria do fotógrafo norte-americano Steve McCurry. Nesta entrevista, ele pontua que nem a melhor máquina, nem a melhor luz ou ângulo são suficientes para se fazer uma boa foto. É tudo uma questão de captar a essência do momento, do ser humano, ensina. Entre coberturas incríveis de guerras e prêmios internacionais, McCurry eleva o fotojornalismo à arte em seu mais puro conceito.

Pergunta – Qual é o caminho para uma foto se tornar mundialmente conhecida?

Steve McCurry –
Como em qualquer vocação, você precisa de tenacidade, perseverança e compromisso com o seu trabalho para ser um fotógrafo de sucesso. Eu acho importante a habilidade de ser capaz de isolar e reconhecer uma foto ou uma cena. Nas fotos de pessoas que fotografo, por exemplo, reconheço algo fascinante sobre a aparência daquela pessoa. Sejam seus olhos ou o jeito como está vestida. Eu procuro achar uma espécie de conexão que prenda a minha atenção.

Pergunta – Isso torna a foto especial?

McCurry –
Uma boa foto é aquela que diz algo sobre a pessoa ou a situação. Nós, de alguma forma, nos vemos nas outras pessoas, então um bom retrato também deve dizer algo sobre a condição humana. Nós vemos a emoção da pessoa que podemos relacionar – felicidade, tristeza, sofrimento. Quando o retrato não faz sucesso, é porque você não enxerga nada além dele. Você deve ser levado em alguma direção particular.

Pergunta – Qual foi o seu maior desafio profissional?

McCurry –
Foi durante a Guerra do Golfo, pelo impacto do ambiente. Não tanto pela guerra, mas pelo que sobrou do pós-batalha. Todos os poços de petróleo estavam pegando fogo. Isso era uma experiência absolutamente fora do normal, esteja você em outro planeta, num set de filmagem ou no fim do mundo. Seiscentos poços queimando. Às 11 horas da manhã, era como se fosse noite. Animais vagavam pelos campos perdidos, soldados iraquianos mortos por todos os lados. Era a visão do inferno.

Pergunta – Já passou algum tipo de situação inusitada para tirar uma boa foto?

McCurry –
Eu estava fotografando os efeitos dos foguetes e projéteis de morteiro em Cabul, no Afeganistão. De repente, um monte de foguetes começou a cair na cidade. Eu precisava achar um abrigo. O primeiro refúgio que encontrei foi o que parecia ser uma série de prédios abandonados. Entrei e me escondi. Quando vi, estava dentro de um sanatório abandonado, onde moravam vítimas de mais de uma década de guerra, soldados que perderam a sanidade mental e civis traumatizados pela indelével imagem de horror que presenciaram. Não tinha eletricidade, água potável, enfermeiras nem médicos. A maioria dos homens e mulheres ficava caminhando ou sentado o dia inteiro num estupor catatônico. Eu os fotografei, e eles pareciam completamente alheios à minha presença. Em um certo ponto, olhei para trás e um homem batia com uma pedra na cabeça de outro. Eu apenas lembro de ver uma enorme pedra de cem quilos balançando sobre a cabeça de outro homem. Nós o pegamos com dificuldade e corremos para levá-lo ao hospital.

Pergunta – É mais fácil fazer boas fotos com as câmeras digitais?

McCurry –
Uma das coisas mais interessantes da foto digital é que você é capaz de fotografar com muito pouca luz e, mesmo assim, parar uma ação, quando mesmo os filmes mais rápidos não podiam congelar a imagem tão bem. A velocidade do disparador era muito lenta, e objetos que se movem saíam borrados. Eu sempre fico atônito em poder fotografar com clareza e nitidez em condições extremas de luz baixa.

Pergunta – O que é mais importante para uma boa foto: o momento ou a condição?

McCurry –
Quando a foto é apenas baseada na preocupação da luz e da cor, não acho que vá muito longe. A cor sozinha e a estrutura não são, para mim, o que fazem a foto ser boa. Não penso muito sobre o uso da cor, a não ser quando quero suavizar uma paleta que pode estar distraindo ou chamando atenção. Eu penso que um fotógrafo precisa dizer alguma coisa sobre a pessoa: ou fornecer algum insight. Mostrar como a vida dela é diferente da minha.

Pergunta – Como foi seu primeiro contato com uma câmera fotográfica?

McCurry –
Estudei história e cinema na universidade. Eventualmente, me concentrando em fazer filmes. Durante minha busca por uma carreira no nicho de documentários, fiz aulas de belas artes na fotografia. Ao mesmo tempo, comecei a fotografar para o jornal da universidade. Era como se um novo mundo se abrisse para mim. A fotografia era um trabalho solitário, enquanto os filmes eram um esforço de equipe. Amei a ideia de poder sair por uma porta e começar um trabalho, a fotografar sem um plano particular em mente, apenas pensando e observando a vida ao que ela se revela, desde uma fascinante rachadura numa calçada ou parede a uma fotografia de uma pessoa interessante.
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Divulgação -
MARIA FERNANDA SEIXAS | Correio Braziliense
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domingo, 18 de outubro de 2009

Steve McCurry e Sharbat Gula

 

From Wikipedia, the free encyclopedia


Steve McCurry
SteveMcCurry at KL MY by Ahmed Arup Kamal.jpg
Steve McCurry on "Celebrating Multiculturalism Through Photography", Central Market Annex gallery, Kuala Lumpur, Malaysia
Born Steve McCurry
February 24, 1950 (1950-02-24) (age 59)
Philadelphia, Pennsylvania
Occupation Photojournalism
Other names Steve McCurry
Notable credit(s) Robert Capa Gold Medal for Best Photographic Reporting from Abroad
Steve McCurry (born February 24, 1950) is an American photojournalist best known for his photograph, "Afghan Girl" that originally appeared in National Geographic magazine.

Contents


Early life

McCurry began studying film history cinematography and filmmaking at Penn State in 1968, but ended up getting a degree in theater arts and graduating cum laude in 1974. He became very interested in photography when he started taking pictures for the Penn State newspaper called The Daily Collegian.

Career

His photojournalism career began with his coverage of the Soviet war in Afghanistan. McCurry disguised himself in native dress and hid his film by sewing it into his clothes. His images were among the first of the conflict and were widely published. His coverage won the Robert Capa Gold Medal for Best Photographic Reporting from Abroad.
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McCurry continued to cover international conflicts, including the Iran-Iraq war, Beirut, Cambodia, the Philippines, the Gulf War, and Afghanistan. McCurry's work has been featured world-wide in magazines and he is a frequent contributor to National Geographic. He has been a member of Magnum Photos since 1986.

Recognition

McCurry's most recognized photo is that of "Afghan Girl", a previously unidentified Afghan refugee. The image itself was named as "the most recognized photograph" in the history of the National Geographic magazine and her face became famous as the cover photograph on the June 1985 issue. The photo has also been widely used on Amnesty International brochures, posters, and calendars. The identity of the "Afghan Girl" remained unknown for over 15 years until McCurry and a National Geographic team located the woman, Sharbat Gula, in 2002.
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Although McCurry shoots both in digital and film, his admitted preference is for transparency film. Based in New York, McCurry offers weekend photography workshops, as well as extended 2-week digital photography workshops in Asia (currently scheduled in Nepal, India, and Burma).

External links


O fim da saga do Kodachrome e Sharbat Gula

Resultados de imagens para "Sharbat Gula"

 http://sol.sapo.pt/blogs/anajasmin/archive/2008/07/06/Sharbat-Gula-.aspxhttp://cearensesinternacionais.wordpress.com/2009/03/15/sharbat-gula/http://cafehistoria.ning.com/xn/detail/1980410:Photo:213900?xg_source=activityhttp://codedvariable.com/archives/184http://wallpapers.jurko.net/pic/1113/
 
 
Entre as imagens

O fim da saga do Kodachrome

Hoje
O fim da saga do Kodachrome
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Sharbat Gula é um dos rostos mais conhecidos do fotojornalismo do século XX. Afegã, de origem Pashtun, foi uma das muitas órfãs da guerra com a União Soviética (1979-1989). Na sequência da destruição da sua aldeia pelas tropas soviéticas, foi levada para um campo de refugiados, em Nasir Bagh, no Paquistão. Foi aí que o americano Steve McCurry a fotografou, em 1984, tinha ela 12 anos. Em Junho de 1985, a sua imagem surgiu na capa da National Geographic, transformando-se rapidamente num ícone internacional, a ponto de vir a ser considerada "a fotografia mais conhecida" de toda a história da revista (fundada em 1888).
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Na altura, o nome de Sharbat Gula era desconhecido, surgindo apenas referida como "Rapariga afegã". Ao longo dos anos 90, McCurry tentou reencontrá-la e estabelecer a sua identidade. Os seus esforços apenas teriam sucesso depois da queda do governo taliban, em 2001. Foi em Janeiro de 2002 que uma equipa da revista a localizou numa remota aldeia do Afeganistão, para onde tinha conseguido regressar em 1992: com cerca de 30 anos, casada, mãe de três filhas, Sharbat Gula voltou a ser capa da National Geographic em Abril de 2002.
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Esta é uma admirável história das imagens e dos seus espantosos e variados poderes (vale a pena recordar que o caso levou a National Geographic a patrocinar a criação de um fundo internacional de auxílio às crianças afegãs). Em todo o caso, agora não podemos deixar de notar que, na sua dimensão mais artística, e mais especificamente técnica, esta é uma história que não se repetirá. Porquê? Porque Steve McCurry fotografou Sharbat Gula com Kodachrome, uma película que, este ano, a Kodak deixou de fabricar (quase 75 anos depois da sua criação, em 1935). Como se diz agora na terrível linguagem da gestão empresarial: o produto foi "descontinuado".
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Alguns fotógrafos amadores lembrar-se-ão das emoções próprias dos slides em Kodachrome: era preciso enviá-los para a própria Kodak, para revelação (através de um saco/envelope que vinha na embalagem do rolo), e depois esperar... pela volta do correio. O certo é que, em vários formatos fotográficos e cinematográficos (incluindo os lendários 8 mm e Super 8), o Kodachrome marcou o modo como vimos, reproduzimos ou imaginámos as cores do nosso mundo.
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Escusado será dizer que, para além da concorrência de outras marcas (por exemplo: a Fuji, com a película Velvia), o fim da saga do Kodachrome é inseparável da crescente implantação dos formatos digitais, tanto amadores como profissionais. Está por esclarecer quando (ou se...) o digital alguma vez oferecerá a complexidade e subtileza de algumas películas clássicas. Em todo o caso, o pedido ansioso de Paul Simon foi vencido. Foi em 1973 que ele compôs e cantou uma canção intitulada Kodachrome. Celebrando o seu gosto por tirar fotografias ("I got a Nikon camera"), ele implorava à mãe: "Não me tirem o meu Kodachrome". Pois bem, já aconteceu.
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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Kodachrome - o fim

24 Junho, 2009

Kodachrome - o fim

National Geographic de Junho de 1985 onde foi reproduzida a fotografia de Steve McCurry captada com diapositivos Kodachrome
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O retrato icónico que Steve McCurry captou da afegã Sharbat Gula, em 1984, parece confirmar a descrição que muitos fizeram das cores presentes nas fotografias registadas em rolos Kodachrome - tonalidades “vibrantes, ricas e intensas”. A imagem que correu mundo e que foi capa da National Geographic passará a fazer parte de um memorial muito particular ligado ao suporte com que foi conseguida já que a Eastman Kodak Company anunciou anteontem que deixará de produzir este tipo de película, 74 anos após ter sido colocada à venda.
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Aquele que era o mais antigo rolo a cores do mercado – celebrado também na música por Paul Simon numa canção de 1973 cujo refrão pedia: “Mamã não me tires o Kodachrome” - tinha um processo de fabrico complexo e uma revelação igualmente complicada (em Portugal nunca houve laboratórios a fazê-lo). Nos últimos anos, o aparecimento de rolos com resultados a nível da cor semelhantes e menos dispendiosos, bem como a massificação do suporte digital (o próprio Steve McCurry fotografa preferencialmente em digital) fizeram com que as vendas significassem uma pequena parcela do um por cento de receita que a Kodak tem com as películas. As exigências técnicas da revelação dos Kodachrome transformaram-se também num obstáculo ao ponto de hoje existir apenas um laboratório no mundo (Dwayne`s Photo, Kansas, EUA) capaz de dar vida a este tipo de imagens. A empresa estima que os stocks de diapositivos Kodachrome deverão terminar no início do Outono. Por seu lado, o Dwayne`s Photo anunciou que só revelará os filmes até afinal de 2010. Steve McCurry terá o privilégio de usar os últimos rolos e as fotografias que deles saírem serão entregues ao museu Eastman House, em Rochester (EUA).

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Perante um cenário em que os rolos eram utilizados por um grupo muito restrito de fotógrafos, a empresa americana não precisou de pedir à mãe de ninguém para acabar com o Kodachrome. Ela própria tirou-o do mercado.
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»»O blogue da Kodak apresenta depoimentos de Steve McCurry e de outros fotógrafos que usaram rolos Kodachrome. aqui
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»»Paul Simon cantou Kodachrome assim:
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When I think back on all the crap Ive learned in highschool
Its a wonder I can think at all
Though my lack of education hasnt hurt me much
I can read the writings on the walls
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Kodachrome, they give us those nice bright colours
They give us the greens of summers
Makes you think all the worlds a sunny day, oh yeah
I got a nikon camera, I love to take a photograph
So mama dont take my kodachrome away
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If you took all the girls I knew when I was single
Brought em all together for one night
I know theyd never match my sweet imagination
Everything looks better in black and white
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Mama dont take my kodachrome away, mama dont take my kodachrome away
Mama dont take my kodachrome away
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Mama dont take my kodachrome, mama dont take my kodachrome
Mama dont take my kodachrome away
Mama dont take my kodachrome and leave your boy so far from home
Mama dont take my kodachrome away
Mama dont take my kodachrome, whew whew, mama dont take my kodachrome away

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Kodachrome, 1973
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Post de Sérgio B. Gomes no Blog Arte Photographica