Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Novas tecnologias podem culminar no declínio do fotojornalismo

    sábado, 13 de Novembro de 2010 | 10:58
  


As novas tecnologias e a convergência das redações podem culminar no declínio do fotojornalismo português, com perda de identidade dos diferentes meios de comunicação, concluiu um estudo da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. 
“Em resultado da adoção dos renovados modelos de gestão, é previsível que se acentue a minimização gradual do contributo da fotografia de imprensa na formação da identidade de cada órgão de comunicação”, refere o estudo, uma tese de mestrado em Ciências da Comunicação, a que hoje a Lusa teve acesso. 
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A tese de Luísa Silva acrescenta que, e de uma forma prospetiva, se “poderá registar um declínio no fotojornalismo português, não tanto por causa da diminuição da qualidade do produto dos profissionais, mas sobretudo como efeito das ações e das resoluções tomadas pelos proprietários das empresas mediáticas no novo ecossistema da imprensa em Portugal”. 
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O trabalho, agora apresentado, pretendia realizar um diagnóstico de aproximação ao estado atual do fotojornalismo português e perceber em que medida o fenómeno da convergência (capacidade de diferentes plataformas transportarem diferentes tipos de serviços) tem vindo a afectá-lo. 
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Para o efeito foram feitas entrevistas a 14 personalidades da área (entre fotógrafos, editores de fotografia e diretores) e aplicado um questionário a 25 fotojornalistas. 
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“O impacto da Internet levou a que o modelo dos negócios de média tivesse de ser reformulado”, passando pela “criação de agências partilhadas de fotografias em cada grupo económico”, explicou a investigadora. 
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O estudo refere mesmo que “grupos como a Impala e a Controlinveste já estão a levar a cabo esta experiência e a Impresa já demonstrou vontade de equacionar uma tentativa para a criação das agências”. 
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Se até agora cada órgão de comunicação dispunha de uma equipa de fotojornalistas fixos, com recurso pontual a colaboradores freelancers, com a nova estrutura de agências levantam-se “sérias questões à volta do futuro do fotojornalismo”, especialmente relacionadas com “a coerência e identidade de cada projeto [editorial] e com o possível aumento da precariedade na profissão”.
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 O estudo prevê que nas redações se assista a uma diminuição das equipas fixas de fotojornalistas e um aumento do trabalho em outsorcing. 
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Se as agências de imagens se acabarem por concretizar, a linha editorial e a “força visual própria de cada meio” vão acabar por se perder em consequência da “diversidade de abordagens a nível de fotografia”, sustentou Luísa Silva. 
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“Será uma perda para o jornalismo porque vão ser todos iguais”, frisou. 
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Diário Digital / Lusa
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http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=9&id_news=478494&page=2
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terça-feira, 13 de julho de 2010

Câmeras fotográficas do futuro


Ter, 13 Jul, 11h24
Quais são as próximas tecnologias que surgirão em nossas câmeras?

Um artigo de Mario Amaya,
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editor da revista Digital Photographer Brasil
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Já falamos sobre os planos para o futuro da Sony , maior fornecedora de sensores para câmeras digitais (incluindo as de outras marcas como Nikon e Casio). Agora é hora de conhecer as ideias da Canon. Na exposição mundial de Shanghai, na China, a empresa participou do pavilhão japonês apresentando um conceito de câmera para o mercado consumidor daqui a 20 anos. Além de a companhia exibir o que acredita serem recursos padrão de uma câmera em 2030, também mostrou um protótipo funcionando ao vivo.
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Veja a demonstração da fabulosa câmera neste vídeo da Gizmag no YouTube, pelo atalho tinyurl.com/CanonWonderCam . A apelidada Canon Wonder Camera oferece os seguintes recursos:
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Captura de vídeo e de imagem estática completamente fundidas numa coisa só. Para obter uma imagem estática, é só escolher um frame (quadro) do vídeo e reenquadrar a gosto, na própria câmera.
Resolução tão elevada que permite destacar em close qualquer elemento de qualquer cena (como no filme Blade Runner ou no seriado CSI – só que de verdade!).
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Autofoco instantâneo e profundidade de campo ilimitada, podendo mostrar tudo em foco na cena ao mesmo tempo.
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Estabilização de imagem que elimina completamente a necessidade de tripé, mesmo em zoom ultralongo.
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A câmera-conceito tem uma comprida lente integrada que é acionada por toques na lateral, um display traseiro fundido ao corpo e conexões sem fio. O protótipo demonstrado ao vivo, embora com a mesma aparência, era conectado por fios a uma mochila contendo circuitos adicionais. Para espanto e alegria da plateia, a câmera foi apontada para o público e reconheceu instantaneamente dezenas de rostos, destacando somente as pessoas que sorriam.
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Fotógrafos podem fazer várias objeções ao conceito da Canon. Primeiramente, o consumidor não gosta de câmeras grandes. Naturalmente, pode ser que a câmera do futuro contenha alguma magia que encolha a óptica da lente, o que seria ainda mais revolucionário. Por sua vez, a potente computação visual incorporada na máquina irá detectar e aproveitar informações visuais que atualmente permanecem ocultas na foto.
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Com efeito, um artigo de 2009 na revista de tecnologia do MIT (atalho: tinyurl.com/MITPhotoFuture ) revela que os cientistas do instituto já inventaram soluções para vários dos maiores problemas técnicos da fotografia. Uma delas é a eliminação do borrão de movimento (motion blur). A técnica consiste em mover o sensor muito rapidamente e capturar uma série de imagens em rápida sucessão, em vez de uma única foto; a câmera analisa o resultado, isolando as partes mais nítidas de cada imagem (no caso, as partes cujo movimento coincide com o do sensor no instante da captura), compondo uma imagem artificial em que tudo aparece nítido. Tanto isso é possível que uma versão crua desse conceito acaba de dar as caras nas câmeras Cyber-shot da Sony.
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Outra inovação é a chamada fotografia polidióptrica ou plenóptica (demonstração aqui: tinyurl.com/Stanford-LFCam ), que inclui uma configuração diferente de sensor e lente, produzindo uma imagem “em quatro dimensões”, contendo informação sobre a distância de cada objeto na cena. O processamento da imagem pode depois fazer a reconstrução nítida dos objetos desfocados. Isso quer dizer que dá para escolher qualquer ponto de foco após a tomada da imagem, ou até mesmo múltiplos pontos de foco de uma só vez para a obtenção de uma imagem inteiramente nítida, como se ela tivesse sido feita com uma abertura muito pequena.
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Também é possível o contrário: desfoque deliberado de objetos, simulando o bokeh gerado por uma objetiva com abertura grande, até mesmo numa minúscula câmera de celular. Assim como na eliminação de borrão, o segredo consiste em mover o sensor e capturar várias imagens em rápida sequência para então combiná-las digitalmente.
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Mais ainda: reconhecimento automático de objetos em qualquer imagem, o que poderá permitir a mudança imediada na iluminação de objetos dentro uma cena. Ou então, reenquadrá-la a partir de um ângulo diferente sem tirar a câmera do lugar onde está.
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Todos esses recursos já foram conceitualizados e é simples questão de tempo para que façam parte das nossas queridas câmeras de bolso, simplificando a captura casual por leigos – mas sem necessariamente competir com a fotografia profissional como a entendemos hoje, já que a fotografia envolve muito mais que o equipamento.
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As imagens multifocais com todos os objetos nítidos não são desejáveis em muitos gêneros de fotografia, mas certamente é algo que eliminaria algo que os leigos consideram um estorvo – a necessidade de estabelecer o foco a cada captura. Não esqueçamos que a Canon Wonder Camera é dirigida ao público comum leigo. A Canon sabe que a indústria de câmeras precisa se diferenciar em recursos dos cada vez mais comuns dispositivos dotados de câmeras embutidas, como celulares e computadores, e nada mais útil para isso que uma câmera com capacidade de processamento tão elevada que se possa modificar completamente o escopo de uma imagem a qualquer momento após a captura – sem que isso implique tratamento à mão em um PC.
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Enquanto isso não vira realidade, o que é plausível imaginar são sensores com resolução tão alta e dispositivos de armazenamento com capacidade tão elevada que se possa reenquadrar qualquer imagem após a captura, mesmo que a imagem seja extraída de um frame de vídeo, já que a tendência principal é de fundir imagem estática e vídeo.
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Este artigo foi publicado originalmente no site da revista Digital Photographer Brasil (www.fotografodigital.com.br) e pode ser lido pelo atalho tinyurl.com/35uprau .
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