Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

em Caxinas, terra de pescadores

* Victor Nogueira

Terra de pescadores pobres oriundos da Póvoa de Varzim, terra de mar chão ou encapelado, de alterosoas ondas, com mortes e tragédias no mar alto ou antes dos barcos conseguirem varar no areal, Fixados inicialmente na Poça da Barca a partir da segunda metade do século XIX e durante o século XX. Terra de miséria e de intensa religiosidade como são as comunidades piscatórias, isolada do Mundo, era constituída por dunas e pequenos campos agrícolas. O desenvolvimento urbano de Vila do Conde e da Póvoa de Varzim levou à sua integração num espaço urbano mais vasto, graças também às suas praias. Com efeito  a Praia de Caxinas, não muito grande mas bem abrigada do vento, caracteriza-se por um pequeno areal que divide a zona de rochedos e o mar. 

Na marginal a Igreja do Barco ou de Nosso Senhor dos Navegantes, inaugurada em 1985, desperta a atenção de quem passa por a ter a forma duma embarcação. Defronte um memorial aos "bravos pescadores vilacondenses" um edifício cujas paredes exteriores reproduzem fotos destes e suas mulheres, ao lado outro memorial - aos pescadores desaparecidos no mar. -. inaugurado em Novembro de 2014, da autoria do Arq. Manuel Maia Gomes, é uma estrutura metálica com a forma de um barco, composta por dezenas de cruzes, assente numa base pétrea. Mais para sul, outra homenagem aos pescadores, através de um monumento figurativo, inaugurado em 1994 e efectuado por três artistas locais, todos irmãos: Ramiro, Eduardo e Carlos Bompastor.


foto in http://notciasdabeataalexandrina.blogspot.pt/2010/05/balasar-e-poca-da-barca.html


Já em Vila do Conde, nas margens do Rio Ave e junto dos terrenos onde durante dezenas de anos, funcionou a Seca do Bacalhau está pintado um mural com a legenda "Este foi o mar das mulheres / Aqui se glorificaram / E aqui naufragaram", da autoria do escritor Valter Hugo Mãe. O mural  inaugurado em Agosto de 2016, foi executado nas paredes exteriores do edifício devoluto da antiga Seca do Bacalhau A concepção artística é de Isabel Lhano, artista vilacondense, que executou esta obra com o seu filho e com o Núcleo de Arte Urbana de Vila do Conde. Trata-se duma homenagem ás mulheres vilacondenses que dedicavam anos da sua vida à seca do bacalhau que chegava da faina piscatória dos mares do norte e que aqui via o seu ciclo concluir-se.














(Igreja de Nosso Senhor dos Navegantes)










(Mercado Municipal, mural executado em 2014)



(memorial aos pescadores desaparecidos no mar)















(ciclovia)





(memorial aos pescadores desaparecidos no mar)









(homenagem aos pescadores vilacondenses)





(memorial aos pescadores desaparecidos no mar)

























(monumento aos pescadores)

2106.09.19




(mural de homenagem ás mulheres da seca do bacalhau)

2016.09.20


Sobre monumentos escultóricos na Póvoa de Varzim e Vila do Conde ver "Febre escultórica no litoral" in https://www.publico.pt/local-porto/jornal/febre-escultorica-no-litoral-146373

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