Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

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segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Fotos de capa em setembro 06

 * Victor Nogueira


2021 09 06 PCP 2021 - 100 anos - A imprensa clandestina

Durante os 48 anos do fascismo em Portugal (1926 / 1974) o PCP, recorrendo ás tipografias clandestinas, sem passar pelas Comissões de Censura, de Salazar, ou Exame Prévio, de Marcelo Caetano, editou e distribuiu numerosas publicações, com maior ou menor regularidade ou intermitência, quer direccionadas para os militantes (O Militante, Páginas Vermelhas, Frente Vermelha, 3 Páginas, A Voz das Companheiras ou prisionais), quer para estes e para um público mais vasto (Avante), quer para sectores específicos (O Têxtil, Socorro Vermelho, A Greve, O Jovem, Solidariedade [Secção Portuguesa do Socorro Vermelho Internacional], Portugal-URSS, O Ferroviário Vermelho, União no Andaime, O Trabalho Sindical. O Marinheiro Vermelho, O Soldado Vermelho, O Camponês, O Camponês das Beiras, A Terra, O Lavrador do Norte, A Folha da Pequena Lavoura, Boletim dos Trabalhadores da CUF, Tribuna Militar, Jornal Anti-Colonial. Boletim da Paz, Jornal do Soldado Português • Contra a Guerra Colonial,  entre outros). Ainda conservo o último Avante clandestino, em papel bíblia.

Gravura - Tipografia Clandestina, litografia de José Dias Coelho (1923 / 1961), dirigente do PCP na clandestinidade, assassinado pela PIDE em Lisboa, em 1961.12.19.

José Dias Coelho, artista plástico, foi homenageado em 1972 por José Afonso, com a canção "A morte saiu à rua", uma das faixas do seu LP "Eu vou ser como a toupeira". Na mesma canção se faz referência a Catarina Eufémia (1928 / 1954), assassinada pela GNR em Baleizão, numa manifestação de assalariados agrícolas por melhores condições de vida e de trabalho.

A MORTE SAÍU Á RUA

A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome pra qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue dum peito aberto sai

O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o pintor morreu

Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
À lei assassina à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou

Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada há covas feitas no chão
E em todas florirão rosas duma nação 


2020 09 06 foto victor nogueira - Festa do Avante 2004 - 28ª  - 2 fotos


2020.09.02 foto victor nogueira - Festa do Avante 1977.09.05-06-07 (Quinta da Atalaia . Amora - Seixal)


2019 09 06 Desenho - dia de muito calor


2019 09 06 f019 09 06 foto victor nogueira 2018.07.31 - comboio na passagem pedonal das Fontainhas, em Setúbal, com a passagem rodoviária desnivelada em fundo.

A referido passagem desnivelada levou ao encerramento da passagem de nível, ferroviária, "emparedando" as vistas do Bairro piscatório das Fontainhas.


2018 09 06 2018 09 06 foto jj castro ferreira - Em Carcavelos - ;Maria Emília, Manuel, Celeste, Maria Luísa, Victor, Esperança, Susana e Rui Pedro


2018 09 06 Foto Victor Nogueira - Seixal - Amora - Quinta da Atalaia - Festa do Avante 2012


2016 09 06 foto victor nogueira - Rio Coura em Vilar de Mouros (1998.06.11)

1. -Vilar de Mouros ~Espigueiros. Igreja com  Adão e Eva, em baixo relevo  Bomba de poço. "Alminhas". Portal do cemitério. Nova (?)

Situada na serra de Agra e atravessada pelo rio Coura, aqui proliferam os moinhos, azenhas e açudes, uma ponte medieval ligando as duas margens em que se situa a aldeia, célebre pelos festivais de música, o 1º realizado em 1972, um Woodstock à portuguesa. (Notas de Viagem - 1998.06.11)

2.. - Vilar de Mouros - Passamos apenas por aqui, desta vez. A paisagem é verdejante, arborizada, subindo pelas encostas, com latadas à beira do caminho; a estrada é cheia de curvas. À beira da estrada havia uma ponte da Laje Negra, mas sem pinga de água a correr por baixo dela. Passamos pela Barragem de Covas, onde nada de especial encontramos.Nesta barragem pescam-se a boga, o escalo (também conhecido por robalinho) e a truta.(Notas de Viagem - 1999.08.30)

MAIS INFORMAÇÃO E FOTOS EM   em Vilar de Mouros

2015 09 06 foto victor nogueira - Seixal - Quinta da Atalaia 2012 - Festa do Avante


2013 09 06 Foto Victor Nogueira - Lisboa - nocturno na Praça do Comércio, antigo Terreiro do Paço


2012 09 06  Foto Victor Nogueira -Amora - Quinta da Atalaia - Festa do Avante 1988


2009 09 06 Que o Facebook é mais um cemitério de pessoas que não interagem. Mas isso pouco interessa. É o mesmo em todos os grupos sociais na WEB, parece-me (The Invisible Man) Fotografia de VN - Porto - Cemitério de Agramonte (talhão dos Combatentes da Grande 

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Photographando e Photoandando pela Teia





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Fotografia na Net

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• Victor Nogueira
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A fotografia constitui uma tentativa mais ou menos trabalhada de fixar a realidade ou aquilo que entendemos ser a realidade. Talvez lá em casa ainda existam aquelas fotos em papel cartonado com nome do fotógrafo, normalmente feitas em estúdio e reveladas mais ou menos demoradamente em laboratório escuro. Talvez os mais velhos se lembrem ainda dos fotógrafos de feira, com a máquina montada num tripé e a cabeça coberta por um pano e o clássico «olha o passarinho» no momento do disparo.
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Depois a fotografia popularizou-se com as câmaras Kodak, cada vez mais o filme a cores substituindo o preto e branco, numa processo de revelação industrial e massiva, sujeita à maior ou menor sensibilidade do fotógrafo ou do balconista.
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A digitalização das cópias em papel e o surgimento das câmaras fotográficas digitais permitem uma nova «revolução» qualitativa e a «transformação/elaboração» da realidade captada através da objectiva. Da conjugação da arte e da técnica resultam a maior ou menor qualidade da fotografia.

Em fotopt.net encontram-se on-line um minicurso de fotografia, bem como técnicas de laboratório e conservação de fotos para além de links de fotojornalismo.

Também em mailxmail, na secção Informática, existe um conjunto de cursos em castelhano, gratuitos e acessíveis sobre técnicas fotográficas e tratamento informático de imagem, de que se referem: «El mundo de la fotografia»; «Manual de fotografía fácil»; «Introducción a la fotografía digital»; «Cámaras digitales»; «Fotografía digital»; «Introducción a PhotoShop»; «Restaurar fotografías con Photoshop»; «Retoque fotográfico con Paint Shop Pró»; «Revelado de películas en blanco y negro»; «Aprende Photodraw»; «Presentaciones con Power Point»; «Power point y sus menus» Outro site com dicas on-line sobre fotografia é o Portal Photos.

Portfólios e colecções de fotografias ou fotógrafos encontram-se em magnum photos (fotojornalismo), olhares.com (colecção de fotografias temáticas e comentadas pelos visitantes); photo.net/gallery (idem, mas em inglês), naturfolio (fotografias da natureza: instituições e fotógrafos), masters-of-photography (links para vários fotógrafos e suas obras), allposters (reproduções de fotografias e outras obras de arte).

Uma última referência a dois sites que promovem concursos de fotografias, um de fotojornalismo, worldpressphoto (na secção CONTEST poderá visualizar a galeria dos vencedores desde 1955 bem como a galeria dos concorrentes de 2008), outro aberto a amadores photo.fr (com um concurso anual mundial com publicação das fotos premiadas e seleccionadas bem como vários portfólios).
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1ª publicação no jornal do stal Nº 80 (Dezembro 2005)
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no campo das memórias ou testemunhos ver
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"Conví­vio do Tempo ... (25) - " FOTOGRAFIA À LA MINUTA" - por Belisa
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quinta-feira, 19 de setembro de 2019

o século, modas & bordados, cinéfilo

* Victor Nogueira


foto victor nogueira - Na Canha, onde a Celeste deu aulas, uma colega dela tinha um estabelecimento comercial em cuja fachada estava esta placa, que me ofereceu, a meu pedido. Há muito que haviam deixado de ser publicados os títulos nele referidos.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Setúbal e Azeitão na gravura oitocentista

* Victor Nogueira

A autocaminhada foi até Vila Nogueira de Azeitão, passando por Vila Fresca, mas as fotos foram poucas. Em Vila Nogueira resolvi visitar a Biblioteca Sebastião da Gama, mas o pequeno Museu a ele dedicado já não existe pois será reinstalado num imóvel situado na Rua José Augusto Coelho. Contudo no 1º piso estava uma exposição de 34 gravuras de "Setúbal e Azeitão na gravura oitocentista", cujo interessante e volumoso catálogo estava para consulta mas não para venda.

As gravuras foram publicadas em órgãos de imprensa, entre os quais a Revista 'O Panorama', de que possuo dois volume encadernados, um dos quais contendo uma outra imagem do Convento de Jesus.




Capela no Alto das Necessidades, em cujo interior existe um cruzeiro quinhentista


Forte de S. Filipe, em Setúbal


Forte do Outão na Serra da Arrábida


Palácio da Bacalhoa, em Vila Fresca de Azeitão


Praça de Bocage, em Setúbal



Convento de Jesus, em Setúbal


Convento Novo, na Serra da Arrábida


O Convento de Jesus na Revista "O Panorama"


fotos em 2018.10.16

sábado, 7 de abril de 2012

Sobre uma foto na Revista do Expresso



o tempo das cerejas 2


Sobre uma foto na Revista do Expresso
Melhorando a legenda


Assinalando os 40 anos do jornal, a revista do Expresso é hoje dedicada à década (?) 1973-1982 e inclui naturalmente um vasto conjunto de fotos (quanto aos textos falarei talvez noutra altura) que são de êxito e sensibilidade seguras para uma certa geração. Uma das fotos publicadas é a de presos políticos falando na manhã de dia 26 de Abril em Caxias com um militar. Ora a legenda da foto acima reza o seguinte : «Alguns dos detidos pertenciam à Liga de Unidade e Acção Revolucionária (LUAR), como Hermínio da Palma Inácio (líder da organização, o primeiro à esquerda)- Seguem-se - numa identificação feita por ex-membros da organização - José Casimiro Ribeiro (também da LUAR), Eugénio Manuel Ruivo (PCP), desconhecido, desconhecido (este meio encoberto),  e Ramiro Raimundo (da LUAR, de bigode). A última pessoa identificada é António Vieira Pinto (segundo à direita, da LUAR).».

Tivesse ao menos o Expresso perguntado ao José Pedro Castanheira e poderia então ter dito que o «desconhecido» [que eu assinalo com um quadrado branco] é o meu querido amigo e camarada, o jornalista Fernando Correia (por detrás dele,   ajudou-me o José Araújo, está o também amigo, camarada e jornalista Albano Lima).


P.S: É claro que ninguém é perfeito mas, tendo em conta que o Expresso começou a 6 de Janeiro de 1973, não compreendo que a primeira entrada fotográfica sobre a Oposição Democrática seja a farsa eleitoral de Outubro de 1973, com omissão do 3º Congresso da Oposição Democrática, realizado em Aveiro no início de Abril de 1973. 

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Carteiros mostram a sua arte fotográfica em Santarém


Sociedade
O Mirante - Diário Online


Duzentas fotografias registadas por carteiros foram editadas em livro e deram corpo a exposição apresentados quinta-feira em Santarém.



Edição de 2012-04-05

foto

A exposição fotográfica “Portugal Connosco - O Olhar dos Carteiros” e o livro com o mesmo título, com 200 fotografias eleitas por um júri das cerca de 86 mil tiradas por carteiros de todo o país no seu quotidiano de trabalho, foram apresentados na quinta-feira na estação de Correios de Santarém.

A iniciativa “Portugal Connosco” envolveu seis mil carteiros de todo o país, a quem foi entregue uma máquina fotográfica, com o desafio de durante um mês retratarem o que quisessem. Ao todo, foram entregues 86 mil fotografias, das quais um júri, integrado por uma curadora, um fotógrafo e um elemento dos CTT, escolheu as 200 que estiveram em exposição em Lisboa nos meses de Dezembro e Janeiro. Da região, apenas a fotografia de uma carteira de Almeirim, com o plano de água da albufeira dos Patudos, em Alpiarça, e de um carteiro de Vila Nova da Barquinha, com a paisagem do Tejo e do Castelo de Almourol, foram eleitas para participar na exposição e no livro.

O livro está à venda nas estações dos CTT espalhadas pelo país e custa 25 euros. Ao longo de cerca de 200 páginas, contém imagens diversas das vivências dos carteiros, desde os pontos mais urbanos às paisagens recônditas no meio de montanhas, passando por diferentes imagens de caixas de correio, placas toponímicas e fotografias de outros géneros. Não faltam também fotografias que os carteiros tiraram aos seus maiores “inimigos” - os cães. Como a foto em que se vê uma carteira abraçada a um cão, separados pelo muro que delimita uma casa, em momento amigável.

Os CTT reclamam que esta é a maior recolha de fotografias no género alguma vez feita em Portugal, constituindo um retrato do país a partir das imagens capturadas pela única classe profissional que todos os dias percorre todas as estradas e ruas portuguesas. “A iniciativa “Portugal Connosco - O olhar dos carteiros” constitui uma afirmação da proximidade e presença diária dos CTT - Correios de Portugal em todo o território nacional junto das populações”, pode ler-se na informação.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Tiago Rebelo ~ A fotografia, a rapariga e o fotógrafo


Correio da Manhã

Breves histórias

“Ela vira-se para trás, ele baixa a máquina, encolhe os ombros (...) Não resisti, diz.”
01 Abril 2012 
Por:Tiago Rebelo, Escritor (breveshistorias@hotmail.com)

Ela tira uma foto a uma foto de uma mulher em tamanho natural.

Ele deambula pelos corredores da galeria. Não é dia de vernissage, é somente um dia qualquer e tem de fazer uma reportagem da exposição de fotografia para o jornal onde trabalha.

Nisto, dá com ela à sua frente. Desloca-se no espaço em redor da fotografia que a interessa analisando--lhe os ângulos com uma câmara à frente do rosto. A roupa que ela usa é desportiva, uma saia comprida, ténis. A roupa da mulher do retrato que ela observa é um vestido comprido. A figura física das duas é semelhante, a posição também. Ele pára a observá-las, a mulher real e a foto. Fascinado com as similitudes, levanta a máquina, tira-lhes uma fotografia. Ela vira-se para trás, ele baixa a máquina, encolhe os ombros, faz uma expressão comprometida. Não resisti, diz. Ela ri-se, não faz mal, responde.

No dia seguinte ela sai de casa, passa pelo quiosque, compra o jornal. Dali a pouco senta-se numa esplanada e pede um café, folheia o jornal e, ao virar a página, surpreende-se com uma grande fotografia sua a tirar uma fotografia a uma fotografia. Leva a palma da mão à boca, espantada, olha instintivamente em redor, passa a página depressa quando a empregada se aproxima, embaraçada. Não saberia o que dizer se a mulher a reconhecesse no jornal. A empregada deixa-lhe o café, vai-se embora. Ela volta atrás a página para se ver melhor. Sente-se corar, envergonhando-se sozinha. É tímida, nunca tinha aparecido no jornal, não percebera que era para isso que o fotógrafo desconhecido a retratara.

Passou mais de um ano. Ela volta à galeria e percorre uma exposição de foto-reportagens e, de repente, vê novamente a fotografia do jornal, agora em tamanho natural. Fica ali especada, perplexa, sem palavras. Vê-se que o fotógrafo a achou muito bonita, diz alguém atrás de si. Ela vira-se para ver quem é o desconhecido que fez o comentário. Abana a cabeça a rir-se, desconcertada. Foi um fotógrafo que me apanhou à socapa, diz, nem sei quem é. Mas olhe que ficou muito bem, diz ele, e é uma fotografia premiada. Tem uma máquina na mão direita, segura-a com descontracção, como se estivesse habituado a transportá-la. Não resisto, diz, tenho de lhe tirar uma fotografia a ver a sua própria foto. Posso? Ela solta uma gargalhada fugaz, divertida, encolhe os ombros, por que não? Tire, é mais uma.

Na manhã seguinte, cumpre a sua rotina diária: compra o jornal e vai lê-lo a tomar o café. Vira a página e não quer acreditar no que vê. Lá está ela de novo, fotografada na véspera. Só então percebe que estivera a falar com o autor da primeira fotografia e nem o reconhecera.

domingo, 11 de março de 2012

Quatro fotógrafos estrangeiros revelam a Guimarães "transgénica"




 Exposição

10.03.2012 - 23:32 Por Samuel Silva
 Um símbolo nacional cruzado com a realidade fabril do Vale do Ave
Um símbolo nacional cruzado com a realidade fabril do Vale do Ave (Imagem: Filipe Dujardin)


 A imagem do castelo-fábrica criada por Filipe Dujardin arrisca a tornar-se num dos ícones da Guimarães 2012. O fotógrafo belga olhou para o símbolo da nacionalidade tal como o conhecemos e manipulou-o digitalmente, cruzando-o com as fotografias das unidades industriais da região. Durante o último ano, outros três artistas estiveram no vale do Ave de máquina na mão para retratar a paisagem. O resultado é hoje dado a conhecer na exposição Missão fotográfica: Paisagem transgénica.

Dujardin esteve duas vezes em Guimarães. Viu o castelo, o Paço dos Duques e o centro histórico e lembrou-se de uma máxima que costuma aplicar: "Se é tudo perfeito, eu desconfio". Por isso decidiu desconstruir os monumentos, cruzando-os com aquilo que encontrou na periferia da cidade.

O fotógrafo belga levou a ideia de uma paisagem transgénica ao extremo, fazendo uso da edição digital. Mas este é o conceito-base desta exposição, usando a formulação que o geógrafo Álvaro Domingues aplica ao Vale do Ave. 

Este é um território em que urbano, rural e industrial se cruzam, com fronteiras pouco definidas. De tal modo que Katalin Deér se perdeu e acabou a fotografar Vizela e Santo Tirso.

"Tive que apreender a forma como as coisas se fazem aqui", confessa a fotógrafa norte-americana, radicada na Suíça. A artista fotografou em 35mm: fábricas, casas, torres de quartéis de bombeiros. E escolheu 60 fotografias, que estão dispostas sobre tampos de mesas recuperados da antiga fábrica ASA. 

A estes dois fotógrafos juntam-se ainda o sueco JH Engstrom (que retrata Guimarães em sequências de polaroids danificadas e imagens bucólicas de cores saturadas) e o italiano Guido Guidi (fotografias de médio e grande formato, concentradas em pormenores das construções).

No âmbito do projecto Missão fotográfica: Paisagem transgénica, da Guimarães 2012, os quatro artistas estiveram em residência artística no concelho durante 2011. Nenhum deles tinha trabalhado antes em Portugal e esse "foi um dos critérios de escolha", conta Pedro Bandeira, que partilha com Paulo Catrica a curadoria do projecto, de modo a garantir um olhar descomprometido. A encomenda aos fotógrafos partia da arquitectura, mas não de um ponto de vista "erudito". "Queríamos um olhar muito honesto em relação ao que existe, transmitindo a ideia de um território que não é só construído por arquitectos", conta Bandeira.

A exposição é inaugurada às 18h, no Centro Cultural Vila Flor, onde fica até 19 de Maio. O dia de hoje na Capital da Cultura vai ainda ficar marcado pela abertura da antiga fábrica têxtil ASA, reconvertida em espaço cultural. Nas áreas expositivas serão inauguradas duas mostras do programa de Arte e Arquitectura - O ser urbano: Nos caminhos de Nuno Portas; e Collecting, collections and concepts, com obras de empresas e fundações portuguesas.

segunda-feira, 5 de março de 2012

David Clifford: ”O bizarro e o surreal no quotidiano”

. .# A fotografia com o iPhone trouxe a alegria de fotografar de volta a David Clifford (Canadá, 1974), sobretudo "numa altura em que o trabalho fotográfico dito sério escasseia". Clifford (@dkoder no Instagram) foi fotojornalista do PÚBLICO durante uma década e agora trabalha como "freelancer". Vê na "iPhoneography" uma força expressiva enorme, ao ponto de a actividade ter conquistado um nome próprio (reparem, diz Clifford, como ela reconciliou muitos com a clássica "street photography", atraindo outros tantos adeptos). É desse pulsar urbano que é feita muita da "iPhoneography" de Clifford, que a pratica "sem grande planeamento e de forma espontânea" sempre que se depara com "o bizarro e o surreal no quotidiano", ou ainda com "o espaço urbano visto como palco vivo". Interessam-lhe "padrões, texturas e espaços que, com a luz certa, ganham outra interpretação"








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http://p3.publico.pt/cultura/exposicoes/2342/david-clifford-o-bizarro-e-o-surreal-no-quotidiano

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Coleção Pirelli/Masp completa 21 anos como a maior do País Simonetta Persichetti Coleção Pirelli/Masp completa 21 anos como a maior do País Simonetta Persichetti

odiario.com

Simonetta Persichetti

A Coleção Pirelli/Masp completa este ano a sua maioridade. Chega aos 21 anos e podemos dizer que é o acervo mais longevo do Brasil, no que diz respeito à parceria entre um museu e uma empresa patrocinadora. Para comemorar, o conselho de consultores resolveu fazer um retrospectiva que será inaugurada hoje para convidados e começa amanhã no Museu de Arte de São Paulo (Masp), na capital paulista.



Uma maneira de pensar e de alguma maneira revisitar toda a coleção que conta com 300 artistas e quase 1.100 imagens: "O resultado foi, então, fazer uma espécie de arqueologia de nós mesmos e, ao olhar para a própria coleção, decidimos romper com a tradição e assumir indistintamente os dez artistas que foram influentes e decisivos na criação das tendências que nortearam a fotografia moderna e contemporânea brasileira", escreve no texto de apresentação Rubens Fernandes Junior, pesquisador e integrante do conselho curador da Pirelli/Masp.

Fotos: Divulgação


Alécio de Andrade: "Grand Palais" (Paris), 1975: obra integra o acervo de 1.100 imagens que ganha retrospectiva a partir de hoje no Masp, em São Paulo

E é assim que encontramos as fotos de rua, de cotidiano de Alécio de Andrade, os retratos de Otto Stupakoff, as imagens intrigantes de Miguel Rio Branco e o incrível trabalho de Claudia Andujar, as fotografias documentais de Pierre Verger e Marcel Gautherot, o jornalismo do pioneiro do fotojornalismo no Brasil, José Medeiros, a ruptura do pictorialismo para a modernidade de Geraldo de Barros, os experimentalismos de Rosangela Rennó, ela mais artista plástica do que fotógrafa, a excelência de Mario Cravo Neto. São 100 imagens, 30 inéditas e 70 que já faziam parte do acervo.





Eixo curatorial

"Lord of the Head", Mário Cravo Neto , 1988
Se não é fácil manter uma coleção desse porte com a obrigatoriedade de a cada ano apresentar novos profissionais com escolhas nem sempre felizes ou significativas, esta pausa de reflexão é ótima oportunidade para repensar o eixo curatorial. Como diz Fernandes Junior: "Neste momento, nos colocamos uma série de perguntas para avaliar erros e acertos". Momento também de perdas para o conselho, com a morte de Luiz Hossaka e Thomaz Farkas, que desde o início ajudaram na formação estética da coleção.
O projeto teve início em 1990 sob a coordenação de Fernando Magalhães, na época conservador chefe do Museu de Arte de São Paulo; e Piero della Serra, diretor superintendente da Pirelli no Brasil, mas somente em 1991 foi apresentada a primeira mostra.
"Homem com Peixe", de Marcel Gautherot, 1945
A ideia era percorrer o País e formar uma coleção da produção brasileira. Fernandes Junior, no texto de apresentação desta edição, nos lembra que Boris Kossoy, ao apresentar a primeira edição destacava no catálogo que a iniciativa é "um passo importante para que se possa, aos poucos, obter um mosaico coerente da fotografia contemporânea. (...)O mais importante ainda está por conta do futuro, a esperança de que o projeto tenha a sua devida continuidade, pois só ao longo do tempo a coleção irá amadurecendo e tomando forma, estabelecendo, enfim, uma identidade própria.

Assim nasce uma coleção representativa e digna. Valorizar e reunir criteriosa e sistematicamente a obra dos autores de reconhecido mérito, como também daqueles que ainda devemos descobrir, é a meta a ser alcançada".
NÚMEROS

300
artistas e quase 

1.100
imagens compõem a 
Coleção Pirelli/Masp
Parece que tem dado certo. Só nos resta esperar agora um nova leva de jovens profissionais que, cada vez mais, tem ajudado a repensar a fotografia brasileira e, a partir dos destaques apresentados agora, superem os mestres e nos apresentem novos olhares, novas possibilidades imagéticas.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Gastão de Brito e Silva ~ O romantismo de cada ruína

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O romantismo de cada ruína

autoria Gastão de Brito e Silva
 
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Gastão de Brito e Silva foi, nos últimos três anos, jornalista, fotógrafo, historiador, turista, orador, "empresário", curioso, e algo mais. Nesses três anos, reuniu uma colecção de mais de 1800 imagens e cerca de sete centenas de edifícios retratados, um espólio que constitui várias colecções temáticas e que pode ser separado por zonas geográficas, estilos e épocas, arqueologia industrial, clerical, palaciana, rural, urbana, etc. Qual é o fio condutor? A ruína. Sim, isso mesmo. O trabalho de Gastão de Brito e Silva, a atracção pelo romantismo de cada ruína, está exposto no Espaço Sarmento e no Museu do Teatro Romano, em Lisboa.