Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

Mostrar mensagens com a etiqueta Agência Magnum. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Agência Magnum. Mostrar todas as mensagens

domingo, 13 de junho de 2010

Steve McCurry - Maior fotógrafo vivo do planeta fala de sua vida e das imagens que fez -



CADERNO DE DOMINGO - [ 13/06 ]
Gustavo Ferrari - Redação Cruzeiro do Sul
.
Notícia publicada na edição de 13/06/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 2 do caderno D - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

  .
.
     
     
  •  
  • Agência Magnum / Divulgação  
  • Steve McCurry é atualmente o principal fotógrafo da Agência Magnum, fundada pelo francês Henry Cartier-Bresson
     
Da janela de seu apartamento, localizado em Manhattan, Nova Iorque, nos Estados Unidos, Steve McCurry presenciou, a três quarteirões de distância, o símbolo do capitalismo norte-americano ruir diante dos próprios olhos. Acostumado a cobrir guerras e catástrofes naturais, o ‘papa’ do fotojornalismo da Revista National Geographic não pensou duas vezes: pegou a sua câmera e registrou o que foi sobrando das torres gêmeas. Era 11 de setembro de 2001. Era o fim do World Trade Center. “Acordei com um telefonema. Confesso que não acreditei no que via. Uma sensação horrível.”
.
Membro da elitista Agência Magnum desde 1986, fundada por ninguém menos que o francês Henri Cartier-Bresson, morto em 2004, McCurry estudou cinematografia na Universidade do Estado da Pensilvânia, em 1968. No entanto, acabou se formando em artes cênicas e graduou-se em 1974. Se interessou pela fotografia quando começou a produzir imagens para um jornal de sua universidade, o The Daily Collegian.
.
O americano começou a sua carreira de fotojornalista cobrindo a invasão soviética ao Afeganistão. Para isso, utilizou vestimentas típicas para se disfarçar e esconder seu equipamento. Suas imagens estavam entre as primeiras do conflito e por isso foram largamente publicadas. McCurry continuou a fotografar conflitos internacionais no Afeganistão (onde esteve mais de 30 vezes) e em outros países como Camboja, Filipinas, Líbano, além do Irã-Iraque e também no Golfo Pérsico.
.
O drama humano - principal marca de seus registros em campo - chama a atenção pelo contraste de cores, ao mesmo tempo em que é carregado de sofrimento, tristeza e emoção. Capturar a essência e a condição do homem é o que McCurry busca nas imagens. Ele observa o fotografado e espera pelo momento em que “a alma da pessoa é revelada”, seja pela expressão, pelo olhar ou pelas ações.
.
Além de regiões em conflito, o ‘papa’ do fotojornalismo percorreu e explorou países exóticos, que lhe renderam belas fotos, como Índia (onde esteve 90 vezes), Nepal, Vietnã, Iêmen, Camboja, Paquistão (onde morou por dois anos) e Filipinas. Mas foi com a célebre imagem da menina afegã de olhos verdes Sharbat Gula, então com 13 anos de idade, em 1984, fotografada num acampamento de refugiados em Nasir Bagh, no Paquistão, que McCurry ganhou notoriedade. A foto, capa da National Geographic, publicada em junho de 1985, rendeu-lhe fama, respeito, e mais trabalho.
.
Aos 60 anos de idade e com um currículo invejável, que inclui prêmios como a Medalha de Ouro Robert Capa, o Magazine Photographer of the Year, o Oliver Rebbot e o World Press Photo, McCurry esbanja carisma e paixão pelo que faz. Humildade e técnica são duas de suas qualidades. Ele é o único fotógrafo a utilizar a última geração de filmes Kodachrome, produzido apenas no formato fotográfico 35mm, em ISO 64, cuja produção encerra-se em novembro deste ano. Devido à complexidade do processo de revelação, apenas um laboratório no mundo oferece esse tipo de serviço, o Dwayne’s Photo, em Kansas, EUA.
.
Minutos antes de palestrar para um respeitável público, formado em sua maioria de fotojornalistas, no projeto Grandes Mestres da Fotografia, que lotou o auditório do Museu da Imagem e do Som (MIS), na nobre avenida Europa, coração do Jardins, São Paulo, em dia 20 de maio, - sua quarta estada em território brasileiro -, McCurry concedeu entrevista ao Cruzeiro do Sul. Assim como na palestra, falou sobre a Índia, seus desafios, sua carreira.
.
O início
.
“Comecei a minha carreira fotográfica na Filadélfia, Estados Unidos, trabalhando em um empresa na repartição de cartas. Tinha 19 anos e percebi que havia um mundo a ser descoberto. Me inspirei a viver na Europa durante um ano e depois quis continuar viajando. Decidi voltar à escola e fazer fotografia.”
.
National Geographic
.
“Fui a primeira vez para a Índia, em 1978, e trabalhei mais de 90 vezes lá. A viagem era para durar seis semanas, mas eu me entusiasmei e permaneci por dois anos. De lá fui para o Nepal e Paquistão. Quando retornei aos EUA fui para a National Geographic. Eles me deram um compromisso, pois sou uma pessoa muito insistente. No fundo, penso que ficaram com pena de mim. O meu compromisso com a National era de três meses, mas eu levei sete meses para concluir o trabalho. Foi muito difícil. O pior foi que a história nem chegou a ser publicada. Mesmo assim, o pessoal da revista fez questão de me pagar. Fiquei deprimido. O pagamento foi feito via correio. Quando abri o envelope, com o cheque, vi que havia algo errado. O acerto pelo trabalho era de US$ 3 mil, mas me enviaram US$ 30 mil, mesmo com a história não sendo publicada. Me disseram: ‘Você não quer ir para Bombai (atualmente Mombai), na Índia?’”
.
Histórias da Índia
“A foto que mais me marcou foi de uma mãe junto de sua filha pedindo esmola na janela do táxi que estava, em Bombai (Mombai). Essa foi a que liderou minha carreira. Outras foram de templos religiosos. Cheguei a ficar mais de duas horas, estático, para fotografar fiéis orando em uma árvore. Em outra situação, permaneci por quatro dias em uma vila inundada, localizada em uma área suja e nojenta, em um vilarejo. Outra foto marcante foi a de um alfaiate, que voltou para ‘salvar’ a sua máquina na inundação. Ele me viu e sorriu para a câmera. Essa foto foi capa da National Geographic, em dezembro de 1984. Não me cansei de fotografar o Taj Mahal. Sempre busquei registrá-lo sob um ângulo novo, diferente. Queria mostrar como era a vida do indiano em volta do templo. Uma história que me recordo bem foi a viagem de trem atravessando a Índia, Bangladesh e o Paquistão. Queria mostrar como o trem passava rente ao Taj. Consegui enquadrar o trem e o templo no mesmo quadro. Em outra situação, no mesmo trem, consegui pegar uma foto em que a tripulação serve café da manhã pela janela de um vagão ao outro. Fiquei quatro meses nesse trem. Gosto de fotografar as pessoas dormindo em lugares variados. Fiz várias fotos assim em Calcutá. Em março deste ano fotografei um festival na Índia. Foi a maior reunião humana na história do mundo. Reuniu 20 milhões de pessoas, que chegaram durante meses para o evento. O engraçado é fotografar e não compreender os rituais, principalmente porque lá se fuma muito haxixe.”
.
Marca do olhar
.
"Sharbat Gula era uma menina em que a dor estava visível em seus olhos. Ela estava meio acanhada, tímida, assustada. Resolvi ficar uns cinco minutos fotografando outra refugiada, no acampamento. Fiz isso com outras pessoas. Até que consegui sua confiança. Foram horas tirando fotos naquele local. Consegui pegar a expressão que queria do rosto da jovem. Uma foto inesquecível, que fala por si. Depois que a matéria saiu na National Geographic, recebi milhares de cartas de pessoas que queriam adotá-la. Outras pessoas queriam casar com a menina. Em 2001, voltei ao Afeganistão. Queria encontrá-la novamente. Uma mulher chegou a me convencer de que ela era a pessoa da capa da revista. Depois de muito procurar, apareceu um rapaz que dizia conhecer o irmão dela. Dezessete anos depois, em 2002, finalmente encontrei Sharbat. Estava casada e com filhos. Fiz uma nova foto, que também rendeu capa da National. Uma escola foi construída às pessoas refugiadas, em homenagem a foto. Tenho uma satisfação muito grande por isso."
.
Cores
.
“Não sou um fotógrafo de cores. O que me interessa é registrar a vida, o drama. Se tirar as cores das minhas fotos (deixá-las preto e branco), mesmo assim elas continuarão vivas, fortes. Não gosto de fotografar em ambientes na contraluz. Gosto de fotografar o ambiente em que as cores revelam uma situação. Muitos fotógrafos trabalham em preto e branco, porque a cor, às vezes, distrai a emoção. Mas é possível fotografar e ter prazer. O fotógrafo não deve explicar a foto. Ela (a foto) deve falar por si. Se você quiser mais explicação, então deve ser escritor, não fotógrafo. Sempre sinto que posso contar a história de uma forma visível. Ninguém que chegou no nível da National Geographic precisa escrever legenda para uma foto.”
.
Desafios
.
“Todo dia para mim é um novo desafio. Procuro criar algo novo, trabalhar em um nova situação. Uma história tem que vir de dentro; tem que ter um significado para você. Isso é um desafio. A rota da cocaína, na Bolívia, Colômbia, é uma história impossível de ser fotografada. Um amigo tentou fazê-la, mas não conseguiu. Os próprios traficantes não acreditaram que ele era um repórter da National Geographic. Uma foto curiosa que fiz foi de um homem se esquentando do frio com fogo, dentro de um árvore. Já em Mandalay, Mianmar, fiz foto de homens equilibrando uma pedra. Nessa ocasião, chegaram a me oferecer uma cobra como alimento. Mandaram eu ao Paquistão. Lá, cheguei a ser preso duas vezes. Na primeira vez, fiquei cinco dias no cárcere. Colocaram correntes nas minhas pernas. Era proibido fotografar no local em que estava.”
.
Tristes lembranças
.
“Certa vez fiquei emocionado com uma criança que não conseguia caminhar de forma ereta. Ela me viu e perguntou se eu não queria tomar café na casa dela. Isso serviu de inspiração. Tratava-se de uma pessoa que nunca teve nada na vida, a não ser disposição. Eu acho que cobrir situações de miséria, em lugares onde isso aconteça, como catástrofes, é algo que o fotojornalista deve almejar, sempre. Não posso sofrer com o que vejo. Eu vejo tragédias, dramas, dores envolvendo pessoas, animais... Vejo pessoas tentando entender o que acontece, sendo que nem elas sabem o por que passam por certas situações, situações extremas. No Peru, fiz uma foto de crianças torturando um garotinho. Ele tinha até uma arma de brinquedo. Um dos trabalhos mais importantes que fiz, porém triste, foi a explosão de mais de 600 postos de óleos na Guerra do Golfo, em 1991.”
.
Lição
.
“Pensei como seria diferente minha vida se tivesse vindo essas vezes ao Brasil (referindo a quantidade de vezes em que esteve na Índia). Conheci o Rio de Janeiro e fiz uma lista de histórias que pretendo registrar no país. É um lugar incrível. Tem muitas paisagens, uma geografia excelente, assim como a cultura. Um lugar único, bem diferente dos outros do mundo. Minha família entende o que faço. Nunca questiona onde e quando vou, nem quando volto. Cresci numa família muito religiosa, mas o budismo me ensinou a ter compaixão, a respeitar as pessoas, a ter paz. Essa é a grande lição que aprendi.” Galerias de fotos do entrevistado podem ser conferidas em www.stevemccurry.com.
.
.
_____
.
13 de junho de 2010 | N° 16365Alerta 

ENTREVISTA

Retratos da condição humana

Steve McCurry, o fotógrafo que sensibilizou o mundo com a imagem de uma menina afegã, ensina o caminho para uma foto memorável

Em 1985, a revista National Geographic publicou na capa uma foto que mexeu com o mundo: uma refugiada afegã de 13 anos, com os cabelos cobertos por um pano velho, rosto sujo e olhos incrivelmente verdes e expressivos. Considerada uma das imagens mais marcantes do século 20, ela é de autoria do fotógrafo norte-americano Steve McCurry. Nesta entrevista, ele pontua que nem a melhor máquina, nem a melhor luz ou ângulo são suficientes para se fazer uma boa foto. É tudo uma questão de captar a essência do momento, do ser humano, ensina. Entre coberturas incríveis de guerras e prêmios internacionais, McCurry eleva o fotojornalismo à arte em seu mais puro conceito.

Pergunta – Qual é o caminho para uma foto se tornar mundialmente conhecida?

Steve McCurry –
Como em qualquer vocação, você precisa de tenacidade, perseverança e compromisso com o seu trabalho para ser um fotógrafo de sucesso. Eu acho importante a habilidade de ser capaz de isolar e reconhecer uma foto ou uma cena. Nas fotos de pessoas que fotografo, por exemplo, reconheço algo fascinante sobre a aparência daquela pessoa. Sejam seus olhos ou o jeito como está vestida. Eu procuro achar uma espécie de conexão que prenda a minha atenção.

Pergunta – Isso torna a foto especial?

McCurry –
Uma boa foto é aquela que diz algo sobre a pessoa ou a situação. Nós, de alguma forma, nos vemos nas outras pessoas, então um bom retrato também deve dizer algo sobre a condição humana. Nós vemos a emoção da pessoa que podemos relacionar – felicidade, tristeza, sofrimento. Quando o retrato não faz sucesso, é porque você não enxerga nada além dele. Você deve ser levado em alguma direção particular.

Pergunta – Qual foi o seu maior desafio profissional?

McCurry –
Foi durante a Guerra do Golfo, pelo impacto do ambiente. Não tanto pela guerra, mas pelo que sobrou do pós-batalha. Todos os poços de petróleo estavam pegando fogo. Isso era uma experiência absolutamente fora do normal, esteja você em outro planeta, num set de filmagem ou no fim do mundo. Seiscentos poços queimando. Às 11 horas da manhã, era como se fosse noite. Animais vagavam pelos campos perdidos, soldados iraquianos mortos por todos os lados. Era a visão do inferno.

Pergunta – Já passou algum tipo de situação inusitada para tirar uma boa foto?

McCurry –
Eu estava fotografando os efeitos dos foguetes e projéteis de morteiro em Cabul, no Afeganistão. De repente, um monte de foguetes começou a cair na cidade. Eu precisava achar um abrigo. O primeiro refúgio que encontrei foi o que parecia ser uma série de prédios abandonados. Entrei e me escondi. Quando vi, estava dentro de um sanatório abandonado, onde moravam vítimas de mais de uma década de guerra, soldados que perderam a sanidade mental e civis traumatizados pela indelével imagem de horror que presenciaram. Não tinha eletricidade, água potável, enfermeiras nem médicos. A maioria dos homens e mulheres ficava caminhando ou sentado o dia inteiro num estupor catatônico. Eu os fotografei, e eles pareciam completamente alheios à minha presença. Em um certo ponto, olhei para trás e um homem batia com uma pedra na cabeça de outro. Eu apenas lembro de ver uma enorme pedra de cem quilos balançando sobre a cabeça de outro homem. Nós o pegamos com dificuldade e corremos para levá-lo ao hospital.

Pergunta – É mais fácil fazer boas fotos com as câmeras digitais?

McCurry –
Uma das coisas mais interessantes da foto digital é que você é capaz de fotografar com muito pouca luz e, mesmo assim, parar uma ação, quando mesmo os filmes mais rápidos não podiam congelar a imagem tão bem. A velocidade do disparador era muito lenta, e objetos que se movem saíam borrados. Eu sempre fico atônito em poder fotografar com clareza e nitidez em condições extremas de luz baixa.

Pergunta – O que é mais importante para uma boa foto: o momento ou a condição?

McCurry –
Quando a foto é apenas baseada na preocupação da luz e da cor, não acho que vá muito longe. A cor sozinha e a estrutura não são, para mim, o que fazem a foto ser boa. Não penso muito sobre o uso da cor, a não ser quando quero suavizar uma paleta que pode estar distraindo ou chamando atenção. Eu penso que um fotógrafo precisa dizer alguma coisa sobre a pessoa: ou fornecer algum insight. Mostrar como a vida dela é diferente da minha.

Pergunta – Como foi seu primeiro contato com uma câmera fotográfica?

McCurry –
Estudei história e cinema na universidade. Eventualmente, me concentrando em fazer filmes. Durante minha busca por uma carreira no nicho de documentários, fiz aulas de belas artes na fotografia. Ao mesmo tempo, comecei a fotografar para o jornal da universidade. Era como se um novo mundo se abrisse para mim. A fotografia era um trabalho solitário, enquanto os filmes eram um esforço de equipe. Amei a ideia de poder sair por uma porta e começar um trabalho, a fotografar sem um plano particular em mente, apenas pensando e observando a vida ao que ela se revela, desde uma fascinante rachadura numa calçada ou parede a uma fotografia de uma pessoa interessante.
.
Divulgação -
MARIA FERNANDA SEIXAS | Correio Braziliense
.

sábado, 12 de junho de 2010

Henri Cartier-Bresson: o espelho do mundo

MoMA
09.06.2010 - Francisco Valente, em Nova Iorque
Henri Cartier-Bresson, um dos pais da fotografia moderna, como já não se via há três décadas em solo americano: retrospectiva no MoMA, em Nova Iorque, até ao final do mês. Mais do que uma obra, é todo um século que está em revista
.
Nascido em 1908, desaparecido 96 anos mais tarde, Henri Cartier-Bresson foi das poucas pessoas que puderam testemunhar a passagem de um dos séculos mais importantes da História. Mas não fosse ele um dos chamados "pais" da fotografia moderna e talvez esse facto tivesse sido pouco relevante. "Henri Cartier-Bresson: The Modern Century", a retrospectiva que o Museum of Modern Art (MoMA), de Nova Iorque, acolhe até ao próximo dia 28, omostra justamente como os dois, Cartier-Bresson e o século XX, caminharam lado a lado.
.
Vindo de uma família burguesa parisiense cuja fortuna assentara numa fábrica têxtil, Henri Cartier-Bresson mostrou cedo o seu desconforto relativamente aos modos de vida, ainda que seguros, do seu círculo de sangue mais próximo. Recusando um futuro numa empresa familiar, encontraria um estímulo nos circuitos intelectuais de Paris, onde travou conhecimento com as ambições artísticas e políticas das sensibilidades intelectuais da cidade. Estamos nos anos 20 e 30 da Europa pré-guerra: vive-se um ambiente fervilhante na arte europeia, assim como tempos revolucionários na sua sociedade industrial.
.
É então que se aproxima dos surrealistas. Conhece Max Ernst e Julien Levy (que viria a mostrar o seu trabalho mais tarde), entre outros que, como acontecerá com grande parte dos seus encontros na vida, permanecerão sempre seus amigos (e de quem mais tarde fará retratos). As origens do surrealismo viriam a dar-lhe o estímulo que procurava fora do seu meio: uma fuga da moral burguesa e um refúgio na vanguarda. Sendo esse, antes de mais, um movimento baseado no amor, Cartier-Bresson aprendeu a abrir a sua mente às sensibilidades emocionais e intelectuais de um outro mundo. As suas origens encontravam-se para além de uma cidade - um mundo de novas formas cubistas cuja inspiração caía na arte africana, que se revia na exaltação romântica de Rimbaud, nas possibilidades narrativas de Joyce, na justiça e no idealismo de Hegel. Será a influência deste grupo que o fará ver a paridade entre ideias e culturas, a existência de um mundo sem hegemonias explícitas.
.
Peter Galassi, curador da exposição agora patente no MoMA - a primeira retrospectiva do fotógrafo em solo americano em três décadas, numa altura em que merece, depois da sua morte em 2004, um novo tratamento e uma reapreciação institucional - sublinha a sensibilidade do fotógrafo: "Tinha uma inteligência muito grande e precoce. Tinha uma cultura muito rica, uma bagagem que levava com ele quando se escapava para tirar fotografias pelo mundo. Era um rebelde, mas ao mesmo tempo não deixou de ser um 'grande burguês'. No entanto, as suas fotografias eram óptimas, porque em qualquer situação em que se encontrasse, em qualquer patamar da escala social, conseguia adaptar-se a ela e percebê-la. E isso reflecte-se muito no seu trabalho".
.
O momento decisivo
.
Com a Europa ainda (mas cada vez menos) em paz, Cartier-Bresson explora as suas motivações criativas, sem sucesso, na pintura. Será na fotografia que virá a formar o seu caminho: uma estrada onde travará conhecimento com as civilizações e as culturas que rodeiam a europeia, então ainda o centro do planeta.
.
Numa primeira fase, vira-se para o cenário da rua e para as suas personagens, um palco que irá definir as suas primeiras fotografias conhecidas: o momento mágico em que o fotógrafo captura o acto de vida e o preserva na possibilidade fotográfica de parar o tempo. É o seu "momento decisivo", aquele que define algumas das suas imagens mais emblemáticas, mostrando o cenário essencial e despido do tempo. Daqui sairá a fotografia moderna, a captação do movimento da vida como tema fotográfico. Cartier-Bresson acrescentar-lhe-ia o seu instinto gráfico: um corpo que nunca irá tocar no chão alagado das traseiras da estação de Saint-Lazare, ou jovens crianças que se multiplicam geometricamente nas janelas e nos destroços de uma paisagem que parece não existir.
.
Em 1939, a Europa entra em guerra e o fotógrafo é chamado. Com a rendição francesa, torna-se prisioneiro de guerra, condição da qual conseguirá sair após fugir do seu campo de detenção. Será depois do fim do conflito, com um continente devastado e traumatizado, que decide ir ao encontro do mundo. Um outro colega e amigo, Robert Capa, convence-o a enveredar pelo fotojornalismo. Juntos, estão na origem da criação da agência Magnum, que se irá tornar num dos mais fortes espelhos da realidade humana, e Cartier-Bresson, talvez o único fotógrafo do grupo que conseguiu sempre estar entre a função do jornalista e a visão criativa de um artista, fará do mundo uma plataforma para o seu trabalho. A dualidade de espírito entre a fotografia como arte e como profissão acabaria por marcar a sua carreira, criando, segundo Peter Galassi, uma tensão positiva, e abrindo o caminho para a descoberta e a assimilação de outras culturas: "A sua opção pelo fotojornalismo enriqueceu muitíssimo o seu trabalho", afirma o curador. A profissão de fotojornalista, tal como ela se reconfiguraria depois da guerra, era um veículo perfeito para um olhar independente. "É essa a importância da Magnum: permitir aos fotógrafos trabalhar para as publicações sem serem empregados delas. [A agência] dava uma forma ao desejo de Cartier-Bresson de encontrar o mundo e tentar apreendê-lo."
.
Estudar o mundo
.
A partir de 1947, Cartier-Bresson deu sequência às suas primeiras viagens de antes da guerra, tornando-se num "funcionário artista" em permanente deslocação. A fotografia era o seu modo de viagem e a viagem era o seu modo de vida; como objecto, interessava-lhe o Homem e a sua intervenção na paisagem. Uma atitude original dentro de um mundo ainda colonial e assente em supremacias civilizacionais, caracterizada pelo estudo atempado da realidade e pelo respeito por quem é fotografado. No fundo, a aceitação precoce de um interesse na verdade multicultural da humanidade. Galassi fala desta sensibilidade específica do fotógrafo: "O mais extraordinário no trabalho de Cartier-Bresson é toda a sua amplitude geográfica e histórica. É o único fotógrafo em que isso é verdade: vemos o mundo tal como era antes da revolução industrial, e que ele adorava tanto". O comissário evoca, como exemplo, as fotografias tiradas em Portugal (na Nazaré, em 1955): "A fotografia dos pescadores portugueses com as redes de pesca poderia ter sido feita há centenas de anos atrás. Esse mundo não tinha realmente desaparecido, apesar de o trabalho dele também entrar pelo nosso mundo da tecnologia e do mercado. É essa a amplitude extraordinária do seu trabalho."
.
O interesse de Cartier-Bresson pelas diferentes civilizações, assim como o desejo de assimilação dos seus diferentes modos de vida, resultam num retrato honesto dos povos, despojado de dramatização ou de artifícios. Tal como os seus primeiros trabalhos, as imagens do pós-guerra são marcadas por um respeito igualitário pelos seus intervenientes. Para Cartier-Bresson, nenhum assunto e nenhuma pessoa estava abaixo do seu interesse. "Temos aqui um europeu branco de uma classe confortável que vai dar uma volta ao mundo. Podemos dizer que isso é a personificação de uma atitude colonial, mas podemos também dizer que é o desafio de ver o mundo como um conjunto de culturas muito diferentes, e de as apreciar, assimilar e respeitar", nota o comissário.
.
O instinto do fotógrafo levou-o ainda a estar presente em vários momentos decisivos desses outros mundos, nomeadamente no funeral de Gandhi na Índia, cujas imagens foram as únicas que o Ocidente recebeu. Nesses anos, Cartier-Bresson explorou ainda vários países da Ásia: o Paquistão, o Sri Lanka, a Indonésia, a Singapura e a China (a sua estadia de quatros meses em 1958 resultou no trabalho "The Great Leap Forward", o retrato da industrialização chinesa de Mao, presente na exposição). Tornou-se igualmente no primeiro ocidental a fazer um retrato fotográfico do povo da União Soviética após a morte de Estaline em 1953, abrindo o olhar da Europa para um mundo que chegava apenas como mito aos ouvidos do resto do continente. Um retrato que não se diferenciava, afinal, assim tanto da imagem daqueles que o viam do outro lado. Cartier-Bresson iria contrapor essas imagens com várias outras de muitas viagens aos Estados Unidos, o país estrangeiro que mais visitou, estabelecendo, assim, um verdadeiro retrato comparativo do empenho físico e laboral do mundo comunista e da ordem corporativa do Ocidente capitalista: o mundo enquanto ele acontecia.
.
O elogio da diferença
.
Mas se Cartier-Bresson funcionou como os olhos do Ocidente para tantas partes inacessíveis do planeta, o que dizer hoje da sua relevância numa época em que as distâncias deixam de existir?
.
"Claro que, agora, tudo mudou", diz Paul Galassi. "Não apenas a maneira de viajar, mas aquilo que ele sentia que era a força da modernidade, a tecnologia e o mundo do consumismo. Nesse sentido, o mundo está muito diferente, mais nivelado, e, se Henri Cartier-Bresson tivesse surgido no mundo actual, talvez seguisse outro caminho". O fotógrafo mantinha uma preocupação de tolerância nas suas imagens - a própria luz das fotografias dá igual relevância aos seus elementos, mantendo uma coesão e uma harmonia que respeitam uma superfície uniforme.
.
Por outro lado, o estudo cultural que o seu trabalho oferece sobressai ainda mais nos dias de hoje. Galassi continua: "Quanto mais as superfícies de duas culturas se parecem uma com a outra, maiores são as diferenças culturais que as caracterizam por baixo delas. Henri Cartier-Bresson estava interessado em explorar essas diferenças, em conhecê-las e inscrevê-las no seu trabalho. A oportunidade que a fotografia tem de se inscrever e apreender um mundo diferente ainda existe. Consegue imaginar o quão divertido seria para ele fotografar-nos com todos os nossos pequenos aparelhos? Podia-se fazer um livro só sobre isso."
.
Se a distância entre culturas não se extingue, Cartier-Bresson ter-nos-á ajudado a vê-la melhor. No entanto, é necessário um tempo de assimilação intrínseco ao método de captação do momento fotográfico. Algo que também hoje é relevante, numa época em que se pede uma imagem urgente e imediata, sem pensamento. "O desafio ainda existe", diz Galassi. "É verdade que estamos enterrados em imagens. Mas ainda temos o controlo sobre o que fazemos com elas. As fotografias podem ser parte de uma maneira de apreender e perceber o mundo."
.
A gestão de uma herança
.
"Henri Cartier-Bresson: The Modern Century" questiona ainda o excesso de controlo editorial que as imagens fotográficas sofrem desde a segunda metade do século XX, indo ao encontro da dificuldade que o fotógrafo sentiu em relação às várias intervenções que as suas fotografias sofreram, algumas das quais não sabemos sequer se correspondem, de facto, à visão original que o autor tinha delas. A turbulência desses processos, assim como o desejo impulsivo de captar o próximo momento de vida, levaram-no a criar um sentimento de indiferença em relação ao modo como eram expostas as suas imagens nas plataformas de comunicação da altura e a concluir que o essencial da fotografia estava antes e no exacto momento em que a captava, sem artifícios posteriores.
.
Galassi nota que Cartier-Bresson se encontrava "num extremo" do modo como os fotógrafos tentavam gerir a recepção do seu trabalho. A herança que instituições como o MoMa têm de gerir torna-se, deste modo, na verdadeira pós-produção das suas imagens. "Ele deu-nos a responsabilidade de montar o seu trabalho. As suas imagens são tão ricas que irão surgir ao longo do tempo através de maneiras de ver diferentes." Diferenças que Cartier-Bresson nos mostrou através de um olhar respeitoso da cultura e da vida em todas as suas formas e feitios, e de valores universais como o tempo, a tolerância e a compreensão da matéria humana. De todas as épocas, esta é aquela em que podemos escolher devolver a ética desses valores às imagens.
.
.,
_____
.
 VER NESTE BLOG:
.

HENRI CARTIER BRESSON EL FOTOGRAFO

Henri Cartier Bresson

Fotos de Henri Cartier-Bresson

Brasil - Exposição traz obra do fotógrafo Cartier-Bresson

.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Milionário compra arquivo da Magnum

Fotografia

Milionário compra arquivo da Magnum

por MARIA JOÃO CAETANO  - Diário de Notícias - 2010.02.04
.
Milionário compra arquivo da Magnum
.
Michael S. Dell comprou 185 mil fotografias que constituíam o arquivo da mais famosa agência de fotojornalismo.
.
O multimilionário Michael S. Dell (fabricante dos computadores Dell) comprou todo o arquivo impresso da agência de fotografias Magnum: 185 mil imagens, entre as quais as fotografias tiradas por Robert Capa no desembarque da Normandia e os retratos que Cartier-Bresson fez ao pintor Pablo Picasso. O valor do negócio não foi revelado, mas os analistas do mercado estimam que o acervo estará avaliado em cerca de 71,3 milhões de euros.
.
Dell não comprou os negativos mas as impressões originais, que a agência mantinha no seu arquivo e que eram mostradas aos vários meios de comunicação para serem vendidas. Nas costas das fotografias estão carimbos, selos e as indicações sobre a venda da imagem e onde foi publicada. Isto significa que Magnum mantém os direitos sobre as imagem e continuará responsável pela sua gestão comercial.
.
Este é um dos mais importantes arquivos fotográficos do século XX. A agência Magnum foi criada em 1947 pelos fotógrafos Henri Cartier-Bresson, Robert Capa, David Seymour "Chim", George Rodger e William Vandivert como uma cooperativa, de modo a gerirem directamente o seu trabalho, rompendo assim com o monopólio das grandes agências. Desde a sua fundação, a agência manteve as impressões originais na sua sede, em Manhattan. No entanto, como todas as outras agências, a Magnum passou a digitalizar o seu arquivo em 1998 e começou a considerar a hipótese de vender as impressões.
.
Apesar de só agora ser conhecida, a venda concretizou-se, discretamente, no ano passado. A MSD Capital, empresa de Michael S. Dell, fez um acordo com o Harry Ranson Center, na Universidade do Texas, em Austin, para o arquivo, estudo e exposição das fotografias por um período mínimo de cinco anos. Em meados de Dezembro, dois camiões viajaram de Nova Iorque até Austin carregados com a preciosa colecção, segundo conta o The New York Times. "Os camiões tinham GPS e eu estava tão nervoso que acompanhei todos os segundos da viagem", contou o director da Magnum, Mark Lubell.
.
"Ter esta incrível colecção em Austin é especialmente excitante para mim", afirmou, em comunicado, Michael S. Dell, cuja fortuna pessoal está calculada em mais de oito milhões de euros, de acordo com a revista Forbes.
.
Para a Magnum, esta venda é também uma oportunidade para se reinventar e resistir à crise que afecta o mercado.
.
.
=============
.

Multimilionário Michael Dell compra arquivo impresso da agência Magnum

por Marta Cerqueira, Publicado em 03 de Fevereiro de 2010   - Jornal i

A Magnum, a mítica agência de fotografia criada em 1947 em forma de cooperativa de gestão directa das fotografias, vendeu a sua colecção de 185 mil imagens impressas à empresa de investimentos, pertencente a Michael S. Dell, proprietário do fabricante de computadores Dell.
.
Não é conhecido o valor da venda, no entanto, transacções recentes apontavam para que a colecção pudesse alcançar o valor de 100 milhões de dólares.
.
Entre as fotografias vendidas estão a do desembarque de Normandia de Robert Capa, retratos de Picasso por Cartier-Bresson, fotografias de Che Guevara tiradas por Rene Burri. A colecção passará a ser gerida, pelo menos durante os primeiros cinco anos, pelo centro Harry Ransom da Universidade de Texas, Austin.
.
MSD Capital é o sócio ideal”, assegura Mark Lubell, director geral da agência. “Através de um acordo, estamos em condições de conhecer, celebrar e preservar o passado histórico da Magnum, além de continuar sempre a inovar desenvolvendo novas plataformas para o futuro”, podia ler-se num comunicado.
.
A MSD Capital adquiriu apenas o arquivo impresso da agência, mas não os direitos de exploração das imagens.
.
O fotógrafo Robert Capa foi um dos fundadores da Magnum

domingo, 31 de janeiro de 2010

Dennis Stock - O fotógrafo de Hollywood e dos universos marginais

Óbito

.

O fotógrafo de Hollywood e dos universos marginais

por JOANA EMÍDIO MARQUES - Diário de Notícias - 16 Janeiro 2010
.
O fotógrafo de Hollywood e dos universos marginais
.
A objectiva de Dennis Stock ajudou a imortalizar alguns dos ícones do século XX americano, como James Dean ou Audrey Hepburn 
"Sempre fotografei apenas para mim mesmo e aquilo que me interessava, por isso o meu trabalho é feliz", disse um dia Dennis Stock numa conferência.
.
O fotógrafo, de 81 anos, com uma carreira feita na conceituada agência Magnum, morreu esta quinta-feira, depois de décadas a captar alguns dos momentos e das figuras mais emblemáticas do século XX americano.
.
De James Dean a Marlon Brando, do universo do jazz ao Woodstock, Dennis Stock contribuiu, ao longo de mais de 50 anos, com imagens fundamentais para a cultura pop contemporânea.
.
Sem revelar as causas da morte do fotógrafo, a Magnum já veio a público declarar "a profunda tristeza pelo desaparecimento de Stock".
.
Nascido em Nova Iorque, em 1928, passou pela revista Life antes de se juntar à Magnum em 1951, onde iniciou uma carreira fulgurante da qual se destaca a fotografia que fez de James Dean a caminhar à chuva pela Times Square.
.
O trabalho de Stock movia-se entre o brilho das estrelas de Hollywood e os universos mais marginais, como foram os movimentos de contestação que varreram a América nos anos 60.
.
Para além dos vários álbuns de fotografia que publicou , Dennis Stock viu a sua obra exposta em museus como o Centro Internacional de Fotografia de Nova Iorque ou o museu de Arte Moderna em Paris.
.
Admirador confesso do fotografo francês Cartier Bresson, Stock dizia que com ele tinha aprendido a importância de "capturar o momento decisivo" .
.
============
.
Diário IOL PT - 15-01-2010 - 10:52h

Morreu o fotógrafo Dennis Stock


O fotógrafo norte-americano Dennis Stock, conhecido principalmente pelo seu trabalho com as fotos das estrelas de Hollywood e músicos de jazz, morreu esta segunda-feira à noite, aos 81 anos.
.
Segundo a AFP o anúncio do óbito foi feito esta quinta-feira pela agência Magnum, para a qual trabalhava há cerca de cinquenta anos.
.
«É com grande tristeza que anunciamos a morte de Dennis Stock», informou a agência sem esclarecer as causas e o local do óbito.
.
Entre os trabalhos mais famosos conta-se a série de fotos de James Dean em 1955, pouco tempo antes da morte acidental do actor. A imagem do actor a caminhar na chuva com o gola do casaco subida, mãos nos bolsos e cigarro no canto da boca publicada na Times Square (em Nova Iorque) chegou a ocupar as paredes dos quatros de várias gerações de adolescentes. A assinatura dessa imagem é só uma: Dennis Stock.
.
O livro «Jazz Street» reúne algumas das imagens mais belas sobre o mundo do jazz com a assinatura de Stock. Este fotógrafo captava com mestria o ambiente dos clubes e a solidão dos músicos nos anos 50. Sidney Bechet, Louis Armstrong e Miles Davis são alguns dos protagonistas do livro.
.
Em 1960 Stock apaixonou-se pelos movimentos de contestação, antes de interessar-se pelas cores e natureza.
.
Ao todo publicou 27 livros e as suas fotografias foram exibidas em vários museus internacionais, como o Internation Center of Photography, de Nova York ou o Museu de Arte da Cidade de Paris.
.
Dennis Stock nasceu em Nova York em 1928. Aos 17 anos alistou-se na Marinha. Após um estágio na revista «Life», entrou para a agência Magnum em 1951 para a qual trabalhou quase em permanência durante toda a vida.
.
Sobre o trabalho criativo que desenvolvia Dennis Stock chegou a afirmar:
.
«Tive o privilégio de ver grande parte de minha vida através de minha objectiva, fazendo dessa viagem uma experiência esclarecedora», cita o comunicado da Magnum.

.
=====


.
Aos 81 anos

Morreu o fotojornalista Dennis Stock

Público - 13.01.2010 - 19:21 Por Ana Machado
.
Disse uma vez que preferia que lhe chamassem ensaísta. Mas nunca se livrará do facto de lhe chamarem “o fotojornalista”, tendo assim ficado eternizado por uma fotografia tirada por Andreas Feininger, filho de Lionel Feininger, mestre da Bauhaus. Na foto, tirada para a capa da revista Life, um homem espreitava pela lente de uma máquna Leica. O homem por trás da lente era Stock.
.
Dennis Stock morreu na passada segunda-feira, dia 11. Mas só hoje a notícia começou a circular nos sites e blogues da especialidade. A Magnum emitiu também o comunicado sobre a morte do homem da casa hoje, na sua página do Facebook.
.
Dennis, que sofria de cancro e tinha várias complicações, tinha 81 anos. Mas a obra que deixa sobrevive-lhe. Há um coro de vozes a aclamá-lo como um dos maiores fotógrafos da segunda metade do século XX. E as imagens que deixa, muitas delas icónicas, justificam essa aclamação. Conhecido por fotografar preferencialmente estrelas de Hollywood, Stock fotografou Marylin Monroe, Marlon Brando. E fez uma grande sessão fotográfica com James Dean, em 1955, cujo resultado acabou por ser publicado na Life pouco após a morte prematura do actor.
.
“Stock conseguiu evocar o espírito da América através dos retratos memoráveis e icónicos de estrelas de Hollywood”, defende a Magnum, agência a que pertencia desde 1951.
.
Fora dos retratos de Hollywood, Stock gostava do mundo da música. Louis Armstrong, Billie Holiday, Sidney Bechet, Gene Krupa, Duke Ellington, são alguns dos exemplos de celebridades nesta área que fotografou.Sobre uma vida dedicada à fotografia, Stock disse um dia: “Tive o privilégio de ver a maior parte da vida através da lente das minhas máquinas, o que tornou esta viagem uma experiência alucinante”.
.
======
.

Dennis Stock, fotografo da Magnum, morreu aos 81 anos de idade



“Stock conseguiu evocar o espírito da América através dos retratos memoráveis e icónicos de estrelas de Hollywood”.
.
Dennis Stock, mestre do fotojornalismo e membro da agencia Magnum Photos, morreu ontem a noite, aos 81 anos.
.
Dennis largou a escola aos 17 anos para “cair no mundo” e poder retratar da melhor forma possível a história do seu país. Em 1947 tornou-se aprendiz de Gjon Mili, fotógrafo da Life, ganhando o primeiro prémio no concurso Life´s Young Photographers [Jovens Fotógrafos da Life]. Juntou-se à agencia Magnum em 1951.
.
Stock ficou conhecido por seu trabalho retratando estrelas de Hollywood e músicos famosos de jazz. Durante os anos de 1960, fotografou a geração Woodstock e grande parte da Califórnia. Nos anos de 1970 e 80 trabalhou com cores, retratando a beleza da natureza e detalhes de paisagens. Nos anos 1990 voltou às suas origens urbanas e começou a explorar a arquitectura moderna das grandes cidades. O seu trabalho mais recente explora a abstracção das flores e seu último endereço foi Woodstock, em Nova Iorque.
.
A sua obra evoca o “espírito da América” [the spirit of America], um feito importante para o legado da fotografia norte-americana. Viagens de carro [road trips], acampamentos, imersão cultural, ensaios de longo termo para a Life e outras publicações foram a base do seu trabalho. Stock sempre se aventurou e foi muito observador, algumas vezes até mesmo rebelde, e esse é o seu maior ensinamento. Ao longo da sua vida fez inúmeros workshops e expôs em países como França, Alemanha, Itália, Japão e os próprios Estados Unidos. Além da fotografia, trabalhou como escritor, realizador e produtor para televisão e cinema.
.
.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

MAGNUM MAGNUM

alt
MAGNUM MAGNUM




Título: MAGNUM MAGNUM    
Autor: VVAA
Traducción: Gema Salvá
Editorial: Lunwerg Editores
Edición: Barcelona, 2008
Páginas: 568  Páginas
Imágenes: 413 fotografías en color y blanco y negro   
Precio: 59,50 Euros
.
Tal y como señala en el prefacio Stuart Franklin -presidente de Magnum Photos-, sesenta años después de la creación de la legendaria agencia, se planteaba una iniciativa que ponía de relieve la especial relación, casi de índole familiar, existente entre los diferentes miembros del colectivo. El proyecto editorial, impulsado por Martin Parr, consistía en que cada fotógrafo debía seleccionar una muestra representativa de las obras clave de uno de sus compañeros e introducirla con un breve texto que justificara  esa elección.

El resultado, MAGNUM MAGNUM, que a cargo de Brigitte Lardinois, la que fuera durante 10 años directora cultural de Magnum Photos London,  reúne  más de 400 imágenes en color y blanco y negro; paradigmas todas ellas del estilo, brillantez y agudeza de estos fotógrafos.
.
A través de seis instantáneas  de cada uno de los 69 componentes de la agencia-colectivo, el libro constituye todo un archivo de la memoria humana de los últimos 60 años, con profesionales de diferentes generaciones, de la talla de Robert Capa o Susan Meiselas,  Henry Cartier Bresson o Jonas Bendiksen. Así,  el presente libro  es toda una celebración del espíritu que desde los inicios y a través de los años ha constituido al grupo: una visión comprometida con la historia y su transmisión.
.
Publicado inicialmente con motivo del 60 aniversario de la prestigiosa agencia (2007), Lunwerg Editores reedita un año después MAGNUM MAGNUM en un formato más manejable y asequible que en la edición española viene prologada por el historiador Publio López Mondéjar.
.
.

sábado, 19 de setembro de 2009

Eve Arnold - fotógrafa

Marilyn Monroe Art Print
view in roo

26/6/2009

Marilyn gostava mesmo dela


Glauco Frizzera


“Se o fotógrafo se importa com a pessoa na frente de sua lente e tem sentimento, mais vai obter. Pois o instrumento é o fotógrafo, não a câmera" - Eve Arnold

.

Pioneira é a palavra que melhor pode ser usada para descrever a fotógrafa Eve Arnold. Aos 87 anos vivendo na Inglaterra, Eve Arnold pode ser considera uma fotógrafa que abriu caminho para uma geração de mulheres documentaristas, quando em 1951,tornou-se a primeira mulher membro da prestigiada Agência Magnun, numa época em que o universo fotográfico era basicamente dominado por homens.

.

Determinada e ousada, sabia como poucos fotógrafos como se aproximar das pessoas para capturar o melhor momento. Essa qualidade rendeu-lhe a confiança e uma grande amizade com a atriz e mito Marilyn Moroe. Arnold a fotografou por mais de dez anos, até sua morte em 1962. Essa relação resultou no belíssimo livro intitulado “Marilyn Monroe An Appreciation” (US$ 19,96 no Amazon.com).

.

Em uma das fotos do livro, tirada em Long Island, na Califórnia, em 1955, Marilyn aparece, natural e relaxada, lendo Ulysses, de James Joyce, usando um maiô, como se não soubesse da presença da fotógrafa.

.

Em outra célebre foto, ela aparece penteado seus pêlos pubianos. São momentos que só foram possíveis graças à relação estabelecida entre as duas, quando ambas iniciavam suas carreiras.

.

Porém, somente em 1980, Eve Arnold realizou sua primeira exposição individual no museu do Brooklyn, com um trabalho realizado na China. Documentário que lhe rendeu vários prêmios e outro livro, “In China”, (Alfred A. Knopf, USA; Hutchinson, UK.US$ 30,00, na Amazon.com).

.

As dicas da coluna para saber mais do trabalho de Eve Arnold, são: Agencia Magnum, www.magnumphotos.com e também uma entrevista dela, em inglês, para o canal Ovation TV ( http://www.ovationtv.com/programs/35 ).
.
.


.

Resultados de imagens para "Eve Arnold"Marilyn Monroe"


http://viniciussanfelice.wordpress.com/2009/02/11/leituras-leitores/http://www.allposters.com/-sp/Marilyn-Monroe-Posters_i2114410_.htmhttp://escritaseleituraseafins.blogspot.com/2009/08/os-silencios-de-marilyn-monroe.htmlhttp://wwwjhp.blogspot.com/2009_06_21_archive.htmlhttp://pt.famozz.com/photographers/eve-arnoldhttp://escritaseleituraseafins.blogspot.com/2009/08/os-silencios-de-marilyn-monroe.html

.
,