Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Deambulando em Setúbal pelo Bairro da Bela Vista

* Victor Nogueira

Em tarde cinzentonha, abafada, prenunciadora de chuva e trovoada que não aconteceram, a deambulação foi inicialmente para fotografar um conjunto de esculturas espalhadas pelo bairro. Contudo o projecto alargou-se para a "arte urbana". O Bairro da Bela Vista foi projectado para alojar o operariado das zonas industriais de Setúbal e de Sines, O seu objectivo foi contudo alterado na sequência da crise petrolífera de 1973 e do abandono da transformação de Sines num importante Polo Industrial, passando deste modo a albergar populações provenientes das ex-colónias e para realojamento dos habitantes de bairros de lata gradualmente demolidos para benefício da especulação imobiliária e urbanística Num caldo de culturas díspares e desintegradas os bairros entraram em degradação e numa espiral de violência. Para resolverem o problema e sobretudo e novamente para favorecerem a especulação imobiliária e urbanística. sucessivas Vereações da Câmara, começando pela do PS/Mata Cáceres, conhecido como o Manuel do Alcatrão, intentaram demolir os bairros, deslocando  os habitantes para realojamento noutro local, o que teria enormes custos e terá levado ao abandono da intenção. Para certas consciências sociais e políticas, individuais ou partidárias, pobres e socialmente marginalizados não têm direito a belas vistas ou horizontes.
Os executivos da CDU que entretanto sucederam aos do PS resolveram proceder à reabilitação dos bairros, num lento processo que tem envolvido os seus habitantes e foi uma agradável surpresa aquilo com que me deparei neste meu passeio. Existe um grande e aprazível espaço verde, o Parque Verde da Bela Vista, que já foi tema dum anterior post meuUma superfície da cadeia comercial Lidl ocupa presentemente o terreno onde esreve instalada a unidade industrial das afamadas Águas da Bela Vista, entretanto inquinadas, e equipamento social, cultural e desportivo de apoio e para usufruto dos habitantes. Florescentes, as buganvilias dão também côr à zona. Os murais nas Ruas do Moinho (jumto à ACM) e Padre José Maria Nunes da Silva tèm uma função pedagógica.

As esculturas acima referidas constituem  o Núcleo Museológico Urbano da Bela Vista denominado “O Museu está na Rua”, de concretização em três fases com inaugurações em 2014 e 2015. sendo a maioria das 15 das peças instaladas da autoria de João Limpinho. a partir das ofertas de equipamentos industriais desactivados. A terceira fase do projecto é à criação de um Centro de Interpretação do Núcleo Museológico. Estas obras de arte que integram a Bela Vista pretendem reflectir a multiculturalidade e a memória operária, com nomes como “Asas”, “Radar”, “Tampas de Caixas de Visita”, “5 Continentes”, “Despertar” e “Plano-Sequência” “Labirinto”, “Cadmo”, “Estendal”, “Válvulas”, “Metamorfose”, “Casal Cigano”, “África”, “Abraço”, “Sol e Lua”.

Bairro da Bela Vista ou Bairro Amarelo foi construído na década de 1970, no âmbito do Plano Integrado de Setúbal, promovido pelo ex-Fundo de Fomento da Habitação e coordenado pelo arquitecto José Charters Monteiro. É constituído por 45 edifícios (19 pátios) com um total de 840 fogos. Destes, 454 são habitados por inquilinos da Câmara Municipal de Setúbal, enquanto 386 (46 por cento) já pertencem a proprietários privados.

É seu vizinho o “Bairro Cor-de-Rosa” ou Alameda das Palmeiras, da Bela Vista, edificado durante a década de 90, cuja edificação ocorreu em duas fases, a primeira em 1992, com a criação de 216 fogos, e a segunda, a partir de 1993, com mais 36 habitações, estas no âmbito do Programa Especial de Realojamento.

O denominado “Bairro Azul”, com vista deslumbrante sobre o Estuário do Sado e a Serra da Arrábida, situa-se no Forte da Belavista, onde creio existiu  uma Bateria Anti-Aérea. é composto por um conjunto de duas dezenas de edifícios, com um total de 167 fogos, dos quais 37 (22 por cento) são propriedade privada.



(Fonte parcial -  http://www.mun-setubal.pt/pt/dossier/area-de-intervencao-do-programa/96 e http://www.mun-setubal.pt/pt/pagina/nucleo-museologico-urbano-da-bela-vista/415 )



Abraço, de João Limpinho




Veículo com escada magyrus, pertencente à Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal



As fotos acima são  junto da sede da Associação da Velha Guarda dos Bombeiros Sapadores de Setúbal, na Junção das Avenidas da Bela Vista e Belo Horizonte




5 Continentes, de João Limpinho




Bairro Amarelo



 “Plano-Sequência”, de João Limpinho, no Bairro Azul  (Avenida Belo Horizonte)


Bairro Côr-de-rosa











Avenida Belo Horizonte



















“Cadmo”, da autoria de João Limpinho










Labirinto, de João Limpinho

















As fotos acima são na Rua Padre José Maria Nunes da Silva

As fotos abaixo são junto à sede da Associação Cristã da Mocidade, na Rua do Moinho




























fotos em 2017.05.16






Abraço, escultura de João Limpinho



Estação elevatória em obras

fotos em ....


Plantas de localização


Bairro da Belavista



Bairro Côr de Rosa


Bairro Azul


Ver também

setúbal - parque verde da belavista in https://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/07/setubal-parque-verde-da-belavista.html

o bairro da belavista, em setúbal  in  



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