Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

quarta-feira, 1 de julho de 2020

No Mercado do Livramento, em 2019

* Victor Nogueira

Há muito que não ia ao Mercado do Livramento, em Setúbal, tendo feito por estes dias um ano que lá voltei, a um sítio onde estive outrora e também muitas vezes integrado  como dirigente sindical nos piquetes de greve ou para tentar a adesão dos seus comerciantes, nem sempre conseguida, em dias de greves geral ou sectorial dos trabalhadores. Eis senão quando o inFaceLocked me lembra que estive lá o ano passado e verifico que então não cheguei a publicar a photo-reportagem.


O primeiro edifício do Mercado do Livramento foi inaugurado em 1876, sendo substituído por outra construção, em 1930, esta no estilo Art Déco, parcialmente implantado no antigo Baluarte do Livramento (1), das fortificações setecentistas. Sofreu há uns anos profundas obras de requalificação, incluindo a manutenção do painel de azulejos na sua parede a sul destruídos pela sua derrocada durante as obras. Para lá deste "mural", retratando a cidade ou cenas da agricultura e pescas, possui outros painéis de azulejos, designadamente nos átrios de acesso, merecedores duma visita, tal como as bancas e lojas de produtos alimentares e outros. As pescas e a agricultura estão também retratadas em estátuas de Augusto Cid. São peixeiras, vendedoras de flores e de galinhas e ovos e outras figuras como o descarregador de peixe e o homem do talho. em dimensão natural Estão lá desde a reabertura do Mercado em 2011, mas delas não me apercebi na altura. Os painéis de azulejos, datados de 1929, são de autoria de Pedro Pinto.

Noutra ocasião à noite visitara também o Mercado, mas dessa deambulação se dará conhecimento uma outra publicação neste Kant_O_Photomatico.




As bancas no interior do mercado










Os painéis de azulejos


Vista parcial do painel de azulejos na parede meridional


Transporte dos peixes


Transporte do sal


Reparação das redes


Escolha do sal


Descarga da sardinha


Salga do peixe



Vista geral da cidade de Setúbal e pormenor


Pedro Pinto, autor


Colheita da azeitona


Lavre e sementeira


A ceifa do arroz



A vindima


O antigo mercado


Rega do Pomar


Vista geral do painel na parede interior meridional

Os painéis do átrio de acesso setentrional são emoldurasdos por laranjas. Estas, as de Setúbal, eram famosas tal como o doce delas fabrivado, mas a o crescimento desenfreadon e desordenado da cidade a partir dos anos '60 do século XX levou à ocupação da fértil vàrzea de Setúbal e à extinção dos pomares e laranjais. Várzea que na medida do possível a gestão CDU desde 2001 tem tentado recuperar, designadamente coom o Parque Urbano da Várzea, que tem também como finalidade regularizar e impedir as cheias que outrora transformavam a Baixa citadina numa prejudicial e  mini-Veneza.





Torre de menagem do Castelo de Palmela




Convento de Jesus






O antigo mercado, nas paredes do vizinho Pingo Doce.



Para além da reprodução de azulejos de Pedro Pinto, datados de 1929, esta parede reproduz duas das criações de Augusto Cid neste caso a vendedora de flores e o descarregador de peixe, este com o típico chapéu que lhe permitia ficar com o que nele ficasse retido. 

fotos do interior do Mercado em 2019.06.29

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