Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

sábado, 4 de julho de 2020

Mosteiro de Santa Maria de Cós (Alcobaça)

* Victor Nogueira               

Foi esta uma importante povoação, possivelmente de origem fenícia, hoje conhecida por nela restar a sumptuosa igreja do antigo convento das monjas bernardas, ligadas à ordem de Cister, toda forrada de azulejos do Juncal, do século XVII, e dividida a meio por uma grade de clausura em talha dourada, como o belo altar‑mor; contrastante a penumbra convidando ao recolhimento com a exuberância do policromismo dos azulejos que revestem as paredes de alto a baixo e o dourado do altar-mor. O coro está ladeado por cadeirões, havendo um portal manuelino ao fundo e defronte do altar‑mor. Na sacristia, que não visitámos, em painéis de azulejos conta‑se a história de Bernardo de Claraval. A visita foi possível porque numa venda defronte nos foi facultada a chave da igreja. No adro da igreja, onde sobressaem palmeiras, uma lápide regista o nome dos filhos da terra mortos na Guerra de 1914/18. A pintora Josefa de Óbidos havia pintado alguns quadros para o Convento, dispersos após a extinção das Ordens Religiosas na sequência das Revoluções Liberais do século XIX.

Perto passa um riacho - era nesta povoação que as lavadeiras tratavam da roupa dos frades de Alcobaça - e para o centro da povoação numa antiga adega preservada está neste dia patente uma exposição de quadros variados, alguns deles interessantes. A povoação, outrora importante devido à riqueza dos campos, possui uma igreja de  Santa Eufémia, outrora ligada à Misericórdia. Do pelourinho não restam vestígios.

Da toponímia retenho apenas as ruas das Monjas de Cister, da Escola  e do Celeiro.  

Da povoação, situada num vale, avista‑se a capela de Santa Rita, no cimo duma colina, com as armas dos Abades de Alcobaça e do Rei na frontaria. Trata‑se dum sítio aprazível, arborizado, com ampla vista sobre o vale e as montanhas em redor, perdendo‑se no horizonte.  (Notas de Viagem, 1998.02.22)


Adega do Mosteiro de Santa Maria de Cós



vista geral da Igreja do Convento de Cós







Imagem de S. Bernardo



Imagem de S. Bento







memorial aos filhos da terra mortos na I Guerra Mundial



ruínas do dormitório e claustro







Adega do Mosteiro de Santa Maria de Cós




Nesta antiga adega preservada funcionava na altura e creio que ainda funciona a Galeria A Dega, então com pinturas de vários autores, algumas interessantes. Desta Galeria se fala em  «Tinta Fresca», de que se transcreve o seguinte excerto:

"José Martins Barata, nasceu em Castelo Branco, em 1944. Tal como a sua esposa, Helena Barros, sempre se recusou a largar a sua primeira paixão: a pintura. Recuperou uma antiga adega, propriedade da família, em Cós, Alcobaça. Manteve a traça original e até os utensílios para o fabrico do vinho. A ideia era expor os seus trabalhos aos amigos mas o inesperado sucesso faz com que, actualmente, mantenha uma intensa actividade, artística e empresarial. (...)

Esta adega fazia parte do património do convento de Cós que foi vendido em hasta pública no tempo do liberalismo. Este edifício é do século XVII, a própria igreja é do século XVI mas as grandes obras foram feitas no século XVII. Foi o avô da minha mulher que comprou esta adega, conhecido como "o professor de Cós". A rua da galeria tem o seu nome José Santos Teodoro. A minha mulher ainda se lembra de ver fazer vinho aqui mas quando casei em 1971 já não se fazia. A agricultura do vinho já tinha sido substituída por pomares. Quando iniciei as obras a adega servia para arrumações, tinha muito lixo mas tinha tudo para funcionar. Ainda hoje tem tudo para funcionar como adega. Limitei-me a substituir o que estava velho e podre por novo e deixei tudo o resto. (...) " - Jornal Tinta Fresca 2006.03.01 .  José Barata, da Galeria A Dega, "Toda a pintura funciona bem com as paredes em pedra da adega"







Capela de Santa Rita


 Pórtico



Cós vista da Capela de Santa Rita

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