* Victor Nogueira / Gemini
Este mural em Orgosolo (Sardenha) é uma composição comemorativa e política que recorda dois jovens militantes antifascistas mortos em Milão em dias consecutivos, em abril de 1975, durante os conturbados "Anos de Chumbo" italianos.
O que está escrito no mural?
O mural é dividido em dois blocos com cruzes e campas encimadas por flores:
1. Lado Esquerdo:
"CLAUDIO VARALLI"
"16 APRILE 1975"
"UCCISO A COLPI DI PISTOLA DAI FASCISTI A MILANO"
Tradução: "Claudio Varalli – 16 de abril de 1975 – Morto a tiros por fascistas em Milão."
2. Lado Direito:
"GIANNI ZIBECCHI"
"17 APRILE 1975"
"UCCISO DURANTE UNA MANIFESTAZIONE ANTIFASCISTA DA UN GIPPONE DEI CARABINIERI"
Tradução: "Gianni Zibecchi – 17 de abril de 1975 – Morto durante uma manifestação antifascista por um jipe dos Carabinieri."
O que representa este mural?
1. O Homicídio de Claudio Varalli (16 de abril)
Claudio Varalli, um estudante de 17 anos e membro do movimento de esquerda Lotta Continua, regressava de uma manifestação em Milão quando se cruzou com um grupo de neo-fascistas do MSI. Na sequência de uma discussão verbal, foi baleado mortalmente por um militante de extrema-direita (Antonio Braggion).
2. A Morte de Gianni Zibecchi e os Protestos (17 de abril)
No dia seguinte, 17 de abril, milhares de estudantes e trabalhadores saíram às ruas de Milão para protestar contra o assassinato de Varalli. Durante o confronto entre manifestantes e as forças de segurança na Piazza Cavour, um jipe dos Carabinieri subiu o passeio e abalroou Gianni Zibecchi, um professor e ativista de 26 anos, provocando a sua morte instantânea.
3. A Denúncia da Repressão e da Imputabilidade do Estado
O mural em Orgosolo liga deliberadamente as duas mortes para ilustrar a dupla face da ameaça que os movimentos de esquerda denunciavam na época: por um lado, a violência neo-fascista nas ruas; por outro, a repressão violenta do próprio Estado através das forças policiais.
As cruzes decoradas com flores coloridas transformam a parede num memorial perene que apela à memória histórica, à solidariedade da comunidade de Orgosolo com as lutas estudantis e operárias do continente, e ao lema permanente do muralismo sardo: para que não se esqueça.
Este mural em Orgosolo, pintado no estilo inconfundível de Francesco Del Casino, emoldura a entrada de um estabelecimento local (no número 82, um tradicional Caffè & Bar) e reúne três elementos simbólicos fundamentais da cultura e da filosofia do povoado:
1. Lado Esquerdo: A Paz e a Esperança
A Mulher com a Pomba e o Ramo de Oliveira: Uma figura feminina desenhada em estilo cubista/picassiano acolhe com delicadeza uma pomba branca da paz, que carrega um pequeno ramo na boca.
Os Girassóis: Ao seu lado, erguem-se dois grandes girassóis com as suas raízes bem presas à terra. O girassol simboliza a busca pela luz, a esperança, a vitalidade e a ligação profunda à terra e à natureza.
2. Lado Direito: A Vida Rural e a Identidade Sarda
A Cabra e a Flora Local: Do lado direito da porta, vê-se uma cabra e plantas em flor.
O Significado: A cabra/ovelha é o verdadeiro símbolo da vida pastoril da Barbagia e de Orgosolo. Representa o sustento diário, o trabalho árduo do campo e a ligação visceral dos habitantes ao seu território e às suas tradições ancestrais.
Resumo do Significado
Ao contrário de outros murais de Orgosolo dedicados a protestos políticos ou efemérides históricas, esta composição celebra a vida quotidiana, a fraternidade e a harmonia: alinha a mensagem universal do pacifismo (pomba e girassóis) com o orgulho da identidade pastoril local (a cabra e a terra sarda).
Este mural, localizado em Orgosolo (Sardenha) e criado pelo artista Francesco Del Casino, é uma homenagem à mulher sarda e ao seu papel fundamental na vida comunitária, doméstica e de trabalho da Barbagia.
Significado e Elementos da Obra
O Trabalho e a Vida Quotidiana: As figuras femininas são retratadas a carregar recipientes e cestos à cabeça (su canisteddu / su cisteddu), uma prática tradicional e ancestral das mulheres da região para transportar pão (pane carasau), água, grãos ou lenha.
A Maternidade e a Família: Ao centro, uma das mulheres carrega uma criança ao colo, destacando o papel central da mulher como pilar da família, transmissora da cultura e cuidadora na sociedade matriarcal/matrifocal sarda.
Linguagem Artística (Estilo Picassiano): Fiel ao estilo inconfundível de Francesco Del Casino, as figuras são pintadas com contornos negros espessos, formas anatómicas exageradas, volumosas e levemente cubistas (muito inspiradas na fase expressiva de Pablo Picasso). As tonalidades terra e amarelas integram-se diretamente na própria textura da parede de pedra natural da casa.
Sem Carga Política Direta (Celebrativo e Cultural): Ao contrário dos murais de protesto social, ideológico ou geopolítico de Orgosolo, este pertence ao grupo de obras focado na memória histórica, nas tradições e no orgulho da identidade local, valorizando a força e a resiliência das mulheres da Sardenha ao longo das gerações.
Este mural foca-se na amizade, na infância e no poder do diálogo e da imaginação.
Diferente do estilo de xilogravura preto e branco de tom histórico/político que vimos em murais anteriores, esta obra combina a arte de stencil (plantilla) em monocromo para as figuras humanas com um fundo colorido, psicodélico e dinâmico.
Principais Elementos e Significado
A Conexão e a Cumplicidade: Duas crianças (ou jovens) estão sentadas lado a lado, voltadas uma para a outra num momento de conversa intimista e partilha. As suas figuras a preto e branco dão uma sensação de realismo, nostalgia ou memória congelada no tempo.
A Imaginação e o Diálogo Ganham Vida: As formas fluídas, vibrantes e coloridas (em tons de amarelo, vermelho, azul e verde) que saem ao redor e por trás das figuras simbolizam a energia da conversa, as ideias a fluir, os sonhos e a imaginação transbordante da infância. A cor dá vida ao mundo interior das duas personagens.
Elementos Lúdicos do Enquadramento:
À esquerda, vê-se a ilustração estilizada de um corrimão/escada e pequenas flores no chão, sugerindo um espaço urbano de brincadeira e convivência na rua.
O contraste entre os blocos de cimento cru e as cores vivas transmite uma mensagem de revitalização urbana, onde a arte comunitária transforma um muro cinzento num ponto de luz, afeto e criatividade.
Este mural, localizado também em Orgosolo, representa o encontro cultural e a geminação artística entre a região de Friuli (Udine) e a Sardenha.
Assinado no canto inferior direito com a data 22-4-93 e a inscrição «IST. ST. D'ARTE UDINE» (Istituto Statale d'Arte di Udine), a pintura foi realizada por estudantes e professores dessa escola de arte do norte de Itália em colaboração com a comunidade local.
Principais Elementos e Simbologia
As Máscaras Tradicionais Sardas (Canto Superior Esquerdo): Vem-se claramente as figuras grotescas e ancestrais do carnaval sardo da Barbagia — com destaque para os Mamuthones (com as suas máscaras de madeira escura e traços marcantes) e Issohadores. Representam a força do rito, a terra e o património arcaico da ilha.
A Vida Quotidiana e o Mar (Canto Inferior Direito): No lado oposto, surgem figuras de mulheres camponesas, peixes, redes e elementos estilizados que evocam o trabalho manual, a água e as tradições de vida ligadas tanto à Sardenha como às origens dos artistas visitantes.
A Ligação em Diagonal (O Encontro): Uma grande faixa luminosa e geometrizada atravessa a composição na diagonal, unindo os dois universos visuais. Esta ponte estética simboliza o intercâmbio cultural, a amizade entre povos e a continuidade da tradição muralista de Orgosolo, abrindo espaço para que artistas e estudantes de fora da ilha também deixassem a sua marca nas paredes da vila.
Este mural em Orgosolo aborda a sabedoria da velhice, o passar do tempo e o contraste entre as gerações.
1. O que está escrito no mural?
No topo, em caligrafia cursiva, está inscrita a famosa máxima proverbia francesa traduzida para italiano:
«Se gioventù sapesse, se vecchiaia potesse»
Tradução: "Se a juventude soubesse, se a velhice pudesse" (provérbio atribuído a Henri Estienne no século XVI).
2. Elementos Visuais e Significado
O Idoso em Primeiro Plano: Um ancião sardo está sentado num banco de madeira, de bengala na mão, vestindo o fato tradicional completo (colete, jaqueta, botas de couro até ao joelho e a clássica boina berritta). A sua postura relaxada e o olhar sereno encarnam a sabedoria acumulada e a memória viva da comunidade.
A Silhueta Feminina ao Fundo: Em segundo plano, desenhada como uma silhueta negra quase mística, vê-se uma mulher sarda de costas, vestindo o véu/lenço e transportando o cesto tradicional (su canisteddu) à cabeça. Representa a rotina, o trabalho árduo e a presença contínua das tradições que se vão afastando no tempo.
A Filosofia do Provérbio: A obra reflete sobre a condição humana na cultura rural sarda: os jovens têm a força e a capacidade física, mas carecem da experiência; os idosos possuem a sabedoria e o conhecimento da vida, mas já não têm a força física do passado. É uma exaltação do respeito devido aos mais velhos como pilares da memória coletiva.
Trata-se de um mural de protesto e solidariedade com a causa palestiniana.
1. O que está escrito no mural?
Em Português (lado direito):
«DO RIO AO MAR, PALESTINA SERÁ LIVRE!»
(Tradução da frase em inglês "From the river to the sea, Palestine will be free", uma das frases de ordem mais conhecidas dos movimentos pró-Palestina).
Em Árabe (ao centro, em rosa):
«إنتفاضة» (Intifada)
(Significa "levante" ou "revolta", termo associado aos movimentos de resistência palestiniana).
2. O que representa e os seus elementos visuais?
A Bandeira da Palestina: Destacada à direita, erguida por uma pessoa com o rosto coberto por uma Keffiyeh (lenço tradicional palestiniano) e a fazer o sinal de vitória.
A Mulher de Keffiyeh: No centro, o retrato de uma mulher com olhar firme cobrindo a cabeça com o lenço tradicional, simbolizando a força e a resistência das mulheres palestinianas (remetendo para figuras como Leila Khaled).
O Padrão da Keffiyeh: O fundo da parede central reproduz a malha característica em formato de rede do lenço Keffiyeh.
As Oliveiras: Nas extremidades do mural estão pintadas oliveiras, um dos símbolos mais marcantes da Palestina, representando a ligação ancestral à terra, a paz e a resiliência.




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