Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

sábado, 6 de setembro de 2014

entre os rios Ave e Cávado: Terroso, S. Pedro de Rates e Rio Mau

Cividade de Terroso

+E nesta freguesia que se encontra o início do aqueduto do Convento de Santa Clara, em Vila do Conde. A Igreja paroquial tem a data de 1718 dela se originando o culto de Nossa Senhora da Purificação ou das Candeias, cuja devoção se estendeu até às Terras da Maia. No seu interior merece destaque a imagem da Padroeira, Nossa Senhora das Candeias, escultura em pedra policromada do séc. XVI, cuja confecção é atribuída à Escola de Coimbra.

Perto encontra--se o caminho para a Cividade de Terroso, importante povoado da Idade do Bronze, entre os anos 800 a 900 AC, que deveu a sua importância à proximidade do mar, à exploração mineira A povoação foi destruída durante a ocupação romana, sendo por estes reconstruída. O Centro interpretativo da cividade encontra-se já encerrado mas um aviso esclarece que se pode entrar no recinto resguardado.  



A característica mais típica dos castros é a sua fortificação. Neste caso os habitantes da região terão escolhido passar a viver no monte de Terroso, situado à altitude de 152 m, como meio de protecção contra os saques e pilhagens levados a cabo por tribos rivais. A Cividade de Terroso é um dos castros mais fortemente fortificados, dado que a acrópole estava circundada por três cinturas de muralhas, que terão sido construídas em momentos diferentes, devido ao crescimento do próprio povoado. Uma série de painéis ao longo dos percursos fornece informação detalhada e contextualizada. A análise fóssil permitiu a reconstituição da flora da altura. Mais informação em http://pt.wikipedia.org/wiki/Cividade_de_Terroso

S. Pedro de Rates

O topónimo e a localidade de Rates (do termo Ratis) parece ser anterior à romanização. Era um ponto de passagem de uma via romana, e aí começa um dos trilhos dos caminho de Santiago em Portugal.


É à volta do mosteiro românico de S. Pedro de Rates  que se desenvolveu na Idade Média a vida das populações de Rates. O mosteiro foi restaurado pelo Conde D. Henrique, anteriormente à fundação da nacionalidade tendo sido extinto nos princípios do século XVI, embora pela mesma altura o rei D. Manuel I tenha concedido foral à vila. Com as revoluções liberais do século XIX o concelho de Rates foi extinto e a Vila integrada no concelho da Póvoa de Varzim. 


Testemunho e memória da grandeza de outrora são a Igreja Românica (século XI-XIII),  o Pelourinho, a antiga Câmara (século XVIII), um conjunto de quatro capelas, construídas ao longo dos séculos XVII e XVIII, sendo de salientar, pela sua imponente arquitectura barroca, a do Senhor da Praça, sita no centro cívico da povoação e parte principal dum bem conservado centro histórico que se prolonga por toda a Rua Direita, onde tinham residência a fidalguia e a burguesia locais.

A igreja românica de S. Pedro de Rates, imponente, dos séculos XII e XIII (Ordem de Cluny) de três naves, destaca-se no meio do campo. Em vez da torre sineira possui um campanário que se encontra nas traseiras do templo e junto dela em campo aberto encontram-se arcas tumulares, sem qualquer ornamentação. Os póticos e as colunas são trabalhados, antropomórficos, com a rudeza do granito e sem a plasticidade do calcário.

Até 1552, guardava o Corpo de São Pedro de Rates antes de ter sido transferido para a Sé de Braga. São Pedro de Rates teria sido um bispo ordenado por Santiago Mata-Mouros e decapitado quando celebrava uma missa. Um eremita chamado Félix deu sepultura ao corpo mutilado e decomposto do bispo

Rio Mau

Igreja de S. Cristóvão do Rio Mau, no caminho para Beiriz, célebre pela indústria de artesanato e gastronomia, é um modesto templo românico da Ordem Regrante  de Santo Agostinho, do século XII, com cruz dos templários, de uma nave, perto do cemitério. Em 1143 o mosteiro foi extinto e os seus bens passaram ao Mosteiro de S. Simão da Junqueira, existente nas proximidades, mas com o correr dos tempos as dependências conventuais foram demolidas.A figura central sobre a porta principal, com báculo na mão esquerda, rodeado por três personagens mais pequenos e uma ave, representa talvez Santo Agostinho. É um baixo-relevo com "desenho" algo de infantil, naïf. No tímpano do portal Norte existe a "única cena de luta representada num tímpano" românico português, um grifo e um dragão, numa provável alusão a Cristo contra Satanás  

Beiriz

Já de regresso,  deparo ao longo da estrada, aqui e ali, com troços do Aqueduto de Vila do Conde,  A paragem ao vermelho no semáforo permite fotografar os arcos.


TERROSO

a


igreja paroquial  de  N. Sra das Candeias















pormenor dum  arruamento



Os núcleos familiares, compostos de quatro a cinco divisões circulares, envolviam um pátio lajeado para onde convergiam as portas das diferentes divisões. Estes pátios centrais tinham papel importante na vida familiar e eram onde se desenrolavam as actividades diárias 






nas duas fotos ruínas dum edifício romano



edifício ainda não intervencionado arqueologicamente



Planta da Cividade no decurso das escavações de 1906, feita pelo arquitecto Arthur Cruz da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim.

S. PEDRO DE RATES


São Pedro de Rates em 1669 por Pier Maria Baldi, desenhado quando acompanhava o Príncipe Cosme de Médicis (futuro Cosme III, Grão-Duque da Toscana) na sua peregrinação a Santiago de Compostela













CASA DA CÂMARA E PELOURINHO






casa da câmara


pelourinho





casa da câmara - pormenores

IGREJA DO SENHOR DA PRAÇA





Se em S. Martinho do Porto me surpreendera ver no altar-mor representado um cavalo branco ao lado do Santo, aqui em Rates pela 1ª vez vejo um serafim ou qerubim barbado. tal como num painel de azulejos no interior duma igreja alentejana, em Alvito, está representada o  que suponho ser uma sereia com os seios ao léu.





pormenores da porta e dos altares da igreja do Senhor da Praça


IGREJA DE S. PEDRO DE RATES


portico setentrional


interior




pórtico principal
No tímpano, Cristo Pantacrator e nas aduelas das arquivoltas os apóstolos e anjos


vista geral



 pórtico meridional
No tímpano, Agnus Dei


campanário


 arcas tumulares





casa solarenga

S. CRISTÓVÃO DE RIO MAU




arcas tumulares



pórtico principal, com a representação de Santo Agostinho e dois diáconos






pórtico lateral





musgo


vista geral



cemitério

BEIRIZ


aqueduto de Santa Clara, cuja origem se encontra na vizinha freguesia de Terroso

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