Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

terça-feira, 16 de setembro de 2014

na foz do rio Ave

* Victor Nogueira (texto e fotos)

Na foz do Rio Ave situam-se em Azurara a Reserva Ornitológica do Mindelo e os estaleiros navais, enquanto na margem direita, de Vila do Conde, encontramos a Capela de N. Sra da Guia ou Forte de S. João Baptista, a praia  da Guia e um memorial aos  Bravos do Mindelo. Do cimo das muralhas o nosso olhar vagueia do Convento de Santa Clara em Vila do Conde ao Mosteiro Franciscano de  S. Donato, em Azurara.

Desde a Idade Média que a protecção da foz e da barra do rio Ave face aos ataques dos piratas era uma preocupação para os governantes de Vila do Conde, que nos meados do século XIII, face à importância da povoação como porto de pesca e estaleiro naval, decidiram constrir uma torre junto à Ermida de Nossa Senhora da Guia, Contudo e com os tempos a defesa da barra exigia edifícios mais adequados.

Aproveitando os rochedos, o Forte de Nossa Senhora da Assunção, também conhecido como Forte de São João Baptista data do século XVI e apresenta planta pentagonal com baluartes também pentagonais nos vértices, em estilo Vauban adaptado às novas técnicas pirobalísticas. O forte quase se poderia chamar mais apropriadamente de Santa Engrácia, pois apenas foi concluído em ... 1793. Desactivado em 1834, passou a ter como funções o registo de entrada e saída de embarcações da barra do Ave.Praticamente abandonado no século XX, foi recuperado na década de 90 do século XX e transformado em unidade hoteleira.

Nas cercanias encontra-se o Padrão da Memória da tentativa de desembarque das tropas liberais em 1832 intento que o governador da Praça não permitiu e veio a verificar-se calmamente e com êxito numa praia mais a sul, durante horas, sem qualquer interferência das forças fiéis ao Senhor D. Miguel. Foi obra pois eram 60 naus transportando um exército de 7 500 militares que ficaram conhecidos como o Bravos do Mindelo.

A Capela da Senhora da Guia, protectora dos mareantes, é uma ermida que remontará ao ano de 953, sendo então designada como ermida de S. Julião. Para além da utilização de índole religiosa, o templo funcionou, inicialmente, como ponto de apoio para defesa da barra. (1) 

Aqui se situa a praia com o mesmo nome, rochosa e de areia grossa, com vegetação dunar e poiso de gaivotas. Nas traseiras da Capela uma escadaria conduz a uma plataforma que serviria de posto de vigia e de farol para a entrada na barra. Esta praia, abrigada das nortadas, é essencialmente frequentada pelos vilacondenses e situa-se na Zona Balnear da Frente Urbana Sul.

Foi neste ano de 2014 a primeira vez que visitei os referidos forte e capela, estando o tempo nublado no 1º dia e mais límpido no subseqente.

 (1) sobre a capela ver  Vila do Conde Quasi Diário (6º e último acto) in 
http://viladoconde4.blogs.sapo.pt/112168.html
















Capela da Senhora da Guia


foz do Rio Ave



a praia e a capela e praia vistas da plataforma e posto de vigia de que se fala no texto
















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