Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

domingo, 3 de julho de 2016

andarilhando pelos coretos

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Por esse país fora em muitas cidades e vilas encontramos coretos, na praça principal ou num passeio público, onde aos domingos passeava a população ao som das bandas filarmónicas, especialmente no século XIX e 1ª metade do século XX. Muitos deles exemplares da arquitectura do ferro, embora se encontrem alguns de betão armado, menos trabalhados e por vezes sem coberto.

E, do meu Livros de Viagens, na Marinha Grande, um excerto: "Da praça Stephens, cuidada, partem ruas, algumas pedonais, com floreiras, uma delas lembrando o protector Marquês de Pombal. A fanfarra dos Bombeiros atroa os ares, ensaiando horas a fio no quartel, monotonamente, sempre na mesma toada, preparando talvez os dias de desfile pelas ruas com a garotada e os cães na peugada, como sucedia em Luanda." (Notas de Viagem, 1997.11.01)

fotos victor nogueira - andarilhando pelas digitalizações - CORETOS - da esquerda para a direita e de cima para baixo



1. - Lisboa (Olivais Velho), Braga, Porto Salvo (Oeiras), Serra do Bouro (Óbidos), Sobral de Monte Agraço, Tui (Galiza), Vila Verde











2. - Pinhal Novo (azulejo), Manteigas (Serra da Estrela), Évora, Pinhal Novo, Setúbal

Quem não ouviu a "Banda" a passar, de Chico Buarque ?







Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

O homem sério que contava dinheiro parou
O faroleiro que contava vantagem parou
A namorada que contava as estrelas
Parou para ver, ouvir e dar passagem

A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela

A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar cantando coisas de amor

Mas para meu desencanto
O que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar
Depois que a banda passou

E cada qual no seu canto
Em cada canto uma dor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor

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