Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

quinta-feira, 21 de julho de 2016

de novo no palácio da comenda

* Victor Nogueira

Volto ao Palácio da Comenda, em manhã de canícula, o corpo coberto de miríades de gotículas que afloram à superfície da pele e peganhentamente aí permanecem, sem se evaporarem, como se tropical fosse o dia. Um dos objectivos é filmá-lo, o outro descobrir e visitar as ruínas da Igreja de N. Sra da Ajuda, de que se dá notícia em Ruínas da Igreja de N. Sra da Ajuda, na Herdade da Comenda

Parece-me que o Palácio se degradou ainda mais desde a última minha visita, descrita em Palácio da Comenda e Ribeira da Ajuda. As buganvílias em flor sobressaem no verde do arvoredo, embora a pérgola esteja despida e as palmeiras reduzidas a um tronco enegrecido e morto, sem coroa de palmas. Nas varandas o sol esplendoroso faz desenhos de luz e sombra. Não consigo confirmar nas minhas pesquisas se o primitivo edifício teria sido uma estância real vendida em em 1848 ao diplomata francês Abel Henri Armand.

Conforme notícia no "Público" "a história da construção neste local começou no período romano, com um complexo industrial de salga de peixe, [1] passou por uma torre de vigia medieval, que, no século XVII, dá origem à plataforma de S. João da Ajuda. É precisamente sobre esta plataforma abaluartada que, no século XIX, é construída uma primeira casa de habitação, que existia no local quando Abel Henri Armand, ministro de França em Lisboa, compra a propriedade, no dia 9 de Março de 1872, por cinco contos de reis. Uma vez que a construção existente não possuía as condições necessárias para uma adequada estância de veraneio, Armand decide construir o actual palácio. (...) [Existe no Palácio um registo de azulejos] "na fachada norte, de Nossa Senhora da Ajuda, em memória à Igreja que ali existia em local muito próximo, pintados por Jorge Pinto, e os painéis policromáticos que revestem a parede da galeria ou varanda do piso térreo, virada a sul, “sem confirmação de autoria, mas muito provavelmente do mesmo autor”Na varanda do piso superior o silhar azulejar é significativamente distinto, a azul e branco, com motivos naturalistas. Na escadaria de acesso pelo fachada norte, um “magnífico” painel representava a própria Casa da Comenda, mas “encontra-se profundamente vandalizado”. No interior, à entrada, duas figuras de convite e silhar de azulejo de padrão." De acordo com a mesma notícia "a maior parte destes painéis já foi destruída, tendo sido roubados ou vandalizados, ao ponto de não haver um único quadro intacto. Mas existem registos fotográficos que [...] permitem a reprodução na quase totalidade."      

 https://www.publico.pt/local/noticia/setubal-inicia-classificacao-do-palacio-da-comenda-1724711?page=-1






os silhares de azulejos arrancados e destruídos na escadaria principal



figuras de convite, no átrio




































dois dos raros silhares de azulejos ainda não vandalizados





cais da cimenteira e Forte do Outão, para ocidente



foz da Ribeira da Ajuda











alguém no areal



ruínas da Igreja de N. Sra da Ajuda, para nascnte



Praia da Esguelha



mansarda em derrocada



mansarda







escadaria principal, para o andar nobre







marca dos silhares de azulhejos











monta-cargas



escadaria de serviço





pano da plataforma setecentista de S. João da Ajuda











caminho de acesso às ruínas da Igreja de N. Sra da Ajuda



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