Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

terça-feira, 21 de abril de 2026

Murais de Solidariedade Internacionallsta (10)


2026 04 19 Mural em Caracas (Venezuela) de homenagem a Simón Rodríguez, Comandante Chávez e Nicolás Maduro

🎨🚩 MURAL PELA LUTA POPULAR! (2026) 📢 A pátria não se vende, a pátria se defende!

Na Escola Nacional Robinsoniana da Frente Francisco de Miranda foi inaugurado um grande mural em homenagem a Simón Rodríguez, Comandante Chávez e Nicolás Maduro, referências que seguem guiando o caminho revolucionário.

✊🏽A ação contou com a participação de militantes do MST, com a contribuição dos artistas populares Tarcisio Leopoldo (@tarcisio.lepoldo) e Miguel Guerra (@soymiguev), além da comunidade local e dos Lutadores Sociais Bolivarianos. (https://www.instagram.com/p/DOWjJGOAWdu/)


2026 04 20 - Mural em Orgosolo, Sardenha

«Este mural em Orgosolo, na Sardenha, é uma peça poderosa de arte política e social, típica desta "vila-museu". Ele captura a essência da resistência sarda e a luta por direitos fundamentais.

O que está escrito?
O texto no canto inferior esquerdo é uma citação de Emilio Lussu (escritor, político e herói sardo), datada de 24 de maio de 1921. O texto em italiano diz: "Non per un palmo di lontana frontiera abbiamo gettato al vento la nostra giovinezza ma per un più alto ideale di libertà e di giustizia." Tradução para o português: "Não foi por um palmo de uma fronteira distante que lançamos ao vento a nossa juventude, mas por um ideal mais alto de liberdade e de justiça."

O que o mural representa?
A obra é uma homenagem à resistência agrária e à identidade sarda. Aqui estão os elementos principais: A Luta por Terra: No centro-esquerda, um homem aparece debruçado sobre um papel que diz "La terra ai contadini" (A terra aos camponeses). Isso remete às lutas históricas contra o latifúndio e pela reforma agrária. Identidade Regional: À direita, vemos a bandeira dos Quatro Mouros (bandeira oficial da Sardenha), reforçando o sentimento de autonomia e orgulho regional. A Comunidade: As figuras humanas — homens, mulheres e crianças com rostos expressivos e angulares (estilo influenciado pelo cubismo e pelo expressionismo social) — representam o povo trabalhador e a continuidade das gerações na luta. Contexto Histórico: A frase de Lussu refere-se originalmente aos soldados sardos da Brigada Sassari na Primeira Guerra Mundial. Ele argumentava que o sacrifício daqueles jovens não deveria ser apenas para defender fronteiras nacionais abstratas, mas para conquistar dignidade e justiça social para o seu próprio povo na ilha.

O mural funciona como um lembrete visual de que a verdadeira "pátria" é aquela que garante justiça e liberdade para quem nela vive e trabalha.» (Google Gemini)  


2026 04 21 - Mural em Orgosolo

«Este mural em Orgosolo é uma obra de profunda carga emocional e política, servindo como um memorial às vítimas do Holocausto e um manifesto contra a guerra.

O que está escrito?

O texto reproduz o famoso poema "Scarpette Rosse" (Sapatinhos Vermelhos), escrito por Joyce Lussu (poeta, tradutora e militante antifascista italiana). Ela escreveu estes versos após visitar o campo de concentração de Buchenwald.

Texto no mural (italiano):  "C'è un paio di scarpette rosse / numero ventiquattro / quasi nuove: / sulla suola interna si vede ancora la marca di fabbrica / 'Schulze Monaco' / c’è un paio di scarpette rosse / in cima a un mucchio di scarpette infantili / a Buchenwald"

Tradução para o português: "Há um par de sapatinhos vermelhos / número vinte e quatro / quase novos: / na sola interna ainda se vê a marca de fábrica / 'Schulze Munique' / há um par de sapatinhos vermelhos / no topo de um monte de sapatinhos infantis / em Buchenwald"

O que o mural representa?

O mural utiliza a poesia e a imagem para denunciar a atrocidade do extermínio nazista, focando na perda da inocência: O Contraste da Infância: Ao citar o número do sapato (24) e o fato de estarem "quase novos", o mural humaniza a estatística. Não estamos falando de números abstratos, mas de uma criança específica que mal teve tempo de usar seus sapatos antes de ser enviada para Buchenwald. Estética Cubista: As figuras à esquerda, com formas geométricas e fragmentadas, lembram o estilo de Picasso em Guernica. A imagem mostra uma figura materna que parece carregar ou proteger uma criança, simbolizando a dor e a resistência. A Marca da Banalidade: A menção à marca de fábrica ("Schulze Monaco") ressalta a "banalidade do mal" — como objetos cotidianos e o comércio industrial continuaram existindo enquanto vidas eram destruídas.  Pacifismo: O símbolo da paz (☮) no canto superior esquerdo reforça o compromisso de Orgosolo com a memória histórica para que tais horrores não se repitam.

À esquerda da figura, na parte inferior (em um bloco vermelho), está escrita uma dedicatória à autora do poema.

O que se lê ali é: "A Joyce Lussu" 82-2002

O que isso significa?

A Joyce Lussu: É uma homenagem direta à autora do poema, Joyce Lussu (1912–1998). Ela foi uma figura fundamental na resistência italiana, escritora e uma grande defensora da cultura sarda. 8-2-2002: Esta data refere-se ao momento em que o mural foi realizado ou dedicado. É comum em Orgosolo que murais sejam pintados ou restaurados em datas que marcam aniversários de eventos importantes ou homenagens póstumas.

Curiosamente, Joyce Lussu era a esposa de Emilio Lussu (o autor da frase no primeiro mural que você enviou), formando um casal que é símbolo máximo da luta pela liberdade e justiça na Sardenha e em toda a Itália.

Este mural é um exemplo perfeito de como Orgosolo transformou suas paredes em um "livro de história" a céu aberto, mantendo viva a memória de Joyce Lussu e sua luta pelos direitos humanos.» (Google Gemini)~

VER   Joyce Lussu - Scarpette Rosse

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