Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Angola: Mostra de fotografia permite redescobrir povo herero

 


Duas exposições do fotógrafo brasileiro Sérgio Guerra, em Luanda e em Lisboa, vão permitir redescobrir os hereros, povo banto que vive no sul de Angola e que atravessou décadas de conflito mantendo os seus traços culturais.
As duas exposições resultam das mais de 10 mil imagens e mais de uma centena de depoimentos que Sérgio Guerra, 50 anos, registou em julho e agosto de 2009 quando viveu com os Hereros.
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As exposições decorrerão, em Luanda, entre o dia 27 deste mês e 26 de agosto, no Museu de História Natural e, e Lisboa, de 19 de agosto a 18 de setembro, na Galeria Perve.
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Diário Digital / Lusa
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Fotógrafo Sérgio Guerra lança livro sobre os Hereros

Povo seminômade que habita regiões de Angola, Namíbia, Zimbábue e Botsuana



Mulheres muhimbas da aldeia do senhor Tchimbari Kezumo Bingue, Biquifemo, Namibe, em Angola

O belo e o estranho se emaranham no recém-lançado livro Hereros – Angola (Edições Maianga), do fotógrafo e publicitário pernambucano Sérgio Guerra. Há 12 anos vivendo entre Brasil e Angola, já lançou quatro livros que registram em imagens populações diversas do país africano e desta vez voltou seu olhar especificamente para sete etnias do povo herero que vivem em quatro áreas ao sul do território. Em comum, elas têm o modo de vida seminômade, baseado no pastoreio (tudo gira em torno do gado) e perpetuado por meio da poligamia.
Veja fotos do livro Hereros

Atualmente os hereros totalizam 240 mil pessoas, parte vivendo também nos países vizinhos Namíbia, Zimbábue e Botsuana. Os traços principais da cultura desse povo remontam a 3 mil anos e seus ancestrais teriam chegado a Angola há pelo menos três séculos – lá se instalaram nas províncias do Cunene, Namibe e Huíla. Com histórico caracterizado pela resistência (e sangue, consequentemente), se opuseram à escravidão e outras formas de dominação. Num dos capítulos mais tristes dessa história, em 1904, 80% dos hereros foram mortos durante confronto com tropas alemãs na Namíbia.

Em Angola eles também se negaram a baixar a cabeça perante o colonizador português. Porém, é errado dizer que chegaram ao século 21 absolutamente à parte das populações urbanas que se desenvolveram no país africano a partir da instalação dos europeus. Ou seja, os hereros de hoje fazem comércio, frequentam escolas, consomem bebidas alcoólicas e alguns trocam seus bois por carros. No entanto, é inegável que, mesmo não tão isolados do que se habituou a chamar de “civilização”, preservam parte significativa de sua cultura.

O gado é fundamental para entender boa parte do modo de vida dos hereros. “O boi é tudo para eles, é a sobreviência. Do boi, tiram tudo. Tutano, leite, o óleo com o qual se banham, o excremento que usam para construir as casas onde moram. É o banco deles. E é muito interessante como descentralizam o patrimônio. Têm uma dimensão muito precisa do que necessitam para sobreviver e de como devem ser estruturadas as coisas”, explica Sérgio. O primeiro contato dele com os hereros foi em 1999, durante a realização de um programa para a televisão pública de Angola.

João Guerra/Divulgação
Sergio Guerra entre os muhimbas, durante produção de Hereros
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ESTRANHEZA E SEDUÇÃO

Na época, registrou imagens da etnia mukubal e demorou sete anos até que retornasse ao local, com o intuito de fazer uma exposição. Foi quando tomou conhecimento das outras etnias também incluídas no novo livro: muhimba, mutimba, muhakaona, mutua, mudimba e muchavicua. As 10 mil fotos que deram origem ao trabalho foram feitas entre junho e agosto do ano passado, quando ele e equipe formada por mais 17 pessoas viveram com grupos de hereros para documentar seus costumes.

Entremeadas exclusivamente com depoimentos de membros das diversas etnias visitadas, as imagens são resultado de preocupação mais documental do que estética. É por isso que são encontradas, por exemplo, imagens em sequência registrando rituais como o da circuncisão. O que não significa que o leitor não encontrará fotos de tirar o fôlego, seja pela qualidade técnica e artística, seja pela estranheza do personagem ou situação.

“Dizer que são primitivos é um comentário muito comum. É muito difícil olhar para outra cultura fora da nossa lógica. A reprodução desse raciocínio não permite que se enxergue o valor e a capacidade que esse povo tem de autogestão”, analisa. Nesse sentido, Sérgio se impressionou ao verificar o alto grau de solidariedade dos hereros: “Se você está num grupo e oferece alguma coisa a uma pessoa com quem tem empatia maior, automaticamente ela pega isso, seja lá o que for, e leva para ser dividido. Vi isso entre crianças e adultos. Eles são muito solidários entre si, apesar de terem uma relação afetuosa muito independente. As crianças começam nisso muito cedo, vão para o pasto, dormir fora. Sem essa relação de possessividade”.

LÍNGUA E FUTURO

Autor dos livros Álbum de família, Duas ou três coisas que vi em Angola, Nação coragem e Parangolá – todos sobre povos angolanos –, Sérgio está produzindo ainda uma série de TV e um documentário sobre as etnias que aparecem em Hereros. “Sempre acabo estabelecendo relações nesse trabalhos e elas sempre têm continuidade. Até hoje mantenho relações com as pessoas que foram fotografadas para minhas exposições Salvador negroamor e Lá e cá”, conta ele, integrante de ONG em Salvador (onde também mora) que desenvolve trabalhos em comunidades locais.

Em Angola, está em negociação para montar uma escola para os hereros, mas baseada na língua deles. “Esse é problema, pois, quando entra o Estado e a escola é feita em português, o que ocorre frequentemente é que o professor chega lá e mal sabe falar a língua”, conta. Trata-se de desejo manifestado por eles, acrescenta: “O próprio soba Mutili, guia deles, já havia tentado várias vezes construir uma escola e sempre que o administrador chegava lá, dizia que o espaço não era adequado e os professores nunca vinham”.

Mais do que levar a imagem desse povo para o mundo, o livro, acredita Sérgio Guerra, poderá ajudar na consolidação de outra imagem do país no exterior: “Dessa Angola étnica não temos muita informação. A imagem é a da guerra, mais urbana. O país ainda não despertou para todo o potencial turístico que tem. Isso pode ser bom para os hereros, como é para o povo masai, no Quênia. No fundo, eles querem um pouco mais de água e de escola para poder estabelecer relação mais de igual para igual com a sociedade moderna”, conclui.

HEREROS – ANGOLA
De Sérgio Guerra
Edições Maianga, 260 páginas, R$ 190

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.http://www.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_7/2010/04/21/ficha_agitos/id_sessao=7&id_noticia=23248/ficha_agitos.shtml
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quarta-feira, 21 de Julho de 2010


Mulheres Muhimbas da aldeia do senhor Tchimbari Kezumo Bingue, Biquifemo, Namibe, em Angola.
Imagem: Sérgio Guerra/Divulgação

Duas exposições do fotógrafo brasileiro Sérgio Guerra, em Luanda e em Lisboa, vão permitir redescobrir os Hereros, povo Banto que vive no sul de Angola e que atravessou décadas de conflito mantendo os seus traços culturais. 
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As duas exposições resultam das mais de 10 mil imagens e mais de uma centena de depoimentos que Sérgio Guerra, 50 anos, registou em Julho e Agosto de 2009 quando viveu com os Hereros. “Pouquíssima gente em Angola os conhece de perto, os conseguiria identificar ou simplesmente nomear os subgrupos que formam os Hereros”, diz Guerra.
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Um dos aspectos mais reveladores é, sem dúvida, a poligamia da mulher e numa sociedade patriarcal. Enquanto os maridos viajam, transportando gado, elas podem ter relações sexuais fora do casamento. E, caso engravidem, é comum que os maridos assumam os filhos.
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As exposições decorrerão, em Luanda, entre o dia 27 deste mês e 26 de Agosto, no Museu de História Natural e, em Lisboa, de 19 de Agosto a 18 de Setembro, na Galeria Perve.
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Fotógrafo brasileiro lança livro sobre a etnia herero

A primeira vez que Sérgio Guerra teve contato com a etnia foi em 1999, durante a gravação de programa de TV

26 de abril de 2010 | 9h 38



AE - Agência Estado
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A etnia herero, que habita a região central de Angola, na África, é composta por pastores polígamos e seminômades. Ninguém conhece tão bem esse povo - nem mesmo os angolanos - quanto o pernambucano Sérgio Guerra, 49 anos. Fotógrafo e publicitário, há 12 anos Guerra vive e trabalha em Angola, na área de comunicação do governo. Fascinado pela cultura dos herero, ele lança amanhã na Livraria Cultura Villa Daslu, em São Paulo, o livro "Hereros - Angola", uma bela edição, com 242 imagens nas quais registrou cenas do cotidiano, cerimônias e costumes desse povo.
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Divulgação/Sérgio Guerra
Divulgação/Sérgio Guerra
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Fotógrafo pernambucano vive e trabalha há 12 anos em Angola, na África
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A primeira vez que Sérgio Guerra teve contato com a etnia foi em 1999, durante a gravação de um programa de TV para a emissora estatal de Angola. Desde então e até o ano passado, Guerra retornou ao local outras vezes, sempre fotografando o jeito de viver do povo herero. Até que decidiu lançar o livro. "Numa das viagens, passei dois meses ininterruptos na tribo, registrando os costumes deles. Fiz grandes amigos lá", diz.
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Mas não foi fácil para Guerra, que é vegetariano. Os herero possuem costumes completamente diferentes. O gado que eles criam é parte da dieta, com leite e carne. Eles desprezam o peixe e ocasionalmente caçam e coletam frutos. Apesar de ter acesso a água, o povo não toma banho e protege a pele com uma espécie de manteiga misturada com raspas de uma pedra rica em óxido de ferro. "É por isso que nas fotos eles têm uma coloração meio avermelhada. De fato, a mistura protege a pele. Não senti nenhum odor", conta Guerra.
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Mas não tomar banho é a faceta menos intrigante desse povo. Todas os bebês meninos devem ser circuncidados e as meninas, assim que menstruam, devem fazer sexo com um primo para prepará-la para o casamento. "Eventualmente, algumas engravidam. Se já estiverem prometidas a um marido, o filho será considerado como sendo dele. Caso contrário, será do primo que a engravidou", diz. Uma das marcas registradas dos herero é a falta dos três dentes incisivos inferiores (os da frente). Os dentes são arrancados num ritual de passagem da adolescência para a vida adulta. O procedimento é feito com um pedaço de pau e pedra. "Quando a dor passa, o jovem fica orgulhoso em mostrar a boca sem os três dentes."
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O povo herero também é bastante festivo. Sempre que um bebê nasce, ocorre uma grande celebração na aldeia. "Quando são gêmeos, a festa é maior ainda", diz Guerra. Quando um dos gêmeos morre, o irmão ganha uma tora de madeira, representando o que morreu e que ele deverá guardar pelo resto da vida. Momentos como esses, que mostram instantes bem particulares da tribo, foram registrados pelas lentes de Sérgio Guerra em belíssimas fotos, ampliadas nas 260 páginas do livro. As informações são do Jornal da Tarde. 
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