Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

domingo, 13 de setembro de 2026

Auto-retrato e variações 38- Técnicas 05 - Do relevo ao ácido: cinco matrizes

* Gemini / Victor Nogueira

Gravuras geradas pelo Gemini: água forte, linóleo. litogravura, scratchboard (placa de raspagem) e xilogravura


Auto-retrato (WIN_20260222_13_38_59_Pro a)

Para a continuação da série dedicada às gravuras manuais e de impressão, aqui fica um resumo comparativo das três opções exploradas para guardar na legenda das variações:

  • Linoleogravura: Linhas de entalhe mais fluidas e contínuas, cortes macios e arcos expressivos, aproveitando a maleabilidade da borracha do linóleo.

  • Xilogravura: Aspecto mais rústico, angular e lascado, onde a força e o sentido dos veios da madeira criam falhas naturais e texturas rijas na mancha de tinta.

  • Litogravura: Técnica planográfica que abandona por completo as linhas de corte e goiva, revelando a porosidade e a granulação da pedra calcária através de sombreados a giz/lápis.

  • Scratchboard (Placa de Raspagem) Nesta técnica, os cortes são extremamente finos e de uma precisão cirúrgica, gerados através do desgaste de uma lâmina ou ponta seca sobre a tinta preta, revelando a base de argila branca por baixo. Os contrastes são intensos, com hachuras muito mais delicadas e sobrepostas do que na madeira ou no linóleo, perfeitos para a riqueza de texturas da barba e do olhar do seu auto-retrato

É fascinante como cada uma dessas técnicas tradicionais de gravura traz uma personalidade e texturas tão únicas para o mesmo retrato — desde a suavidade do linóleo e a força bruta da madeira até a liberdade de desenho da pedra na litografia.



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Aqui está uma interpretação do seu auto-retrato (image_1.png) no estilo de uma linoleogravura original.

A imagem foi gerada de forma a incorporar as características mais rústicas e expressivas da matriz de linóleo:

  • Marcas de goivas visíveis: Os cortes (especialmente no cabelo, na volumosa barba e na jaqueta xadrez) são mais largos, contínuos e vigorosos do que os de uma xilogravura fina ou scratchboard, o que é típico do material mais macio do linóleo.

  • Alto contraste rústico: A transição do preto e branco é bem forte, com as texturas feitas por pequenos sulcos e escavações nos contornos do rosto e do fundo.

  • Aspecto de prensa: A impressão em tinta preta opaca apresenta as tradicionais e sutis imperfeições manuais sobre o papel texturizado, incluindo uma borda irregular que revela as marcas da própria margem do bloco de linóleo.


Aqui está a gravura executada no estilo de linoleogravura (linóleo) com base no seu auto-retrato (image_2.png).

Esta versão busca valorizar o aspecto rústico e artesanal típico dessa técnica de impressão:

  • Entalhe mais encorpado: Os cortes no cabelo, na barba e na roupa são mais largos, contínuos e vigorosos, o que reflete a facilidade de cortar o linóleo (um material mais maleável do que a madeira).

  • Alto contraste expressivo: Grandes blocos de preto e branco, com texturas criadas por sulcos de goiva para dar volume sem a necessidade de hachuras excessivamente finas.

  • Aspecto de impressão manual: A imagem possui um acabamento imperfeito, simulando a prensa manual sobre o papel texturizado, incluindo uma margem áspera e falhas sutis de cobertura de tinta, o que confere à peça a cara de uma tiragem tradicional.


Aqui está o seu auto-retrato em estilo xilogravura (gravura em madeira).

Se notar, em comparação com a linoleogravura, o resultado aqui é visualmente mais bruto, angular e texturizado devido às características da madeira:

  • Textura e veios da madeira: Repare nas grandes áreas escuras (como no fundo e na faixa vertical à esquerda) que mostram pequenas ranhuras, linhas horizontais e fibras naturais da madeira que não absorveram a tinta completamente. Essa "textura de fibra" é a marca registrada da xilogravura.

  • Cortes mais angulares e "lascados": Como a madeira oferece resistência e pode lascar, as linhas na barba, no cabelo e nas rugas são mais ríspidas, curtas e geométricas. Elas perdem a fluidez curva do linóleo e ganham uma expressividade mais dura, quadrada e agressiva.

  • Imperfeição natural e força nos traços: Os detalhes, como o padrão da camisa e o contorno dos olhos, são mais grossos e fragmentados, evidenciando o esforço de entalhar contra ou a favor da fibra do bloco de madeira.

Aqui está o seu auto-retrato (image_2.png) se fosse uma litogravura tradicional:Aqui está o seu auto-retrato em estilo litogravura (litografia).

Repare em como a diferença é nítida quando comparada às técnicas de corte (relevo):

  • Sem marcas de corte (goiva): Não existem linhas brancas "escavadas" ou bordas angulares e duras. Em vez disso, as transições entre luz e sombra são extremamente suaves e naturais.

  • Textura de desenho (Lápis e Giz): A barba, os cabelos e os detalhes da pele parecem ter sido feitos com lápis ou giz de cera gorduroso de artista. Você pode notar a riqueza de meios-tons e sombreados (cinzas) em vez do contraste puro de preto e branco.

  • Granulação da pedra (Stone Grain): Se olhar atentamente para as sombras mais escuras no fundo e na jaqueta, verá uma textura granulada e porosa, quase "esfarelada", que é o resultado da tinta aderindo à porosidade natural da pedra calcária usada na impressão.

  • Aspecto de papel e impressão: Toda a composição foi feita sobre um papel encorpado de bordas rústicas e desgastadas, com leves manchas de tinta e marcas que mostram um processo de transferência por pressão plana (planográfica), sem o relevo acumulado das madeiras e linóleos.


Para complementar o seu projeto "Auto-retrato e variações", decidi criar também a variação em Scratchboard (Placa de Raspagem) para o seu arquivo.

Nesta técnica, os cortes são extremamente finos e de uma precisão cirúrgica, gerados através do desgaste de uma lâmina ou ponta seca sobre a tinta preta, revelando a base de argila branca por baixo. Os contrastes são intensos, com hachuras muito mais delicadas e sobrepostas do que na madeira ou no linóleo, perfeitos para a riqueza de texturas da barba e do olhar do seu auto-retrato (image_2.png).

Aqui fica mais esta técnica para enriquecer a sua série:Aqui está a variação do seu auto-retrato (image_2.png) no estilo Scratchboard (Placa de Raspagem). Como pode ver, a precisão e a delicadeza dos cortes finos dão uma vibração muito própria e detalhada à obra. Bom trabalho na sua série!




água-forte é aparentada com as técnicas anteriores, mas pertence a uma "família" diferente no universo das artes gráficas.

A grande diferença de família:

  • Relevo (Xilogravura e Linóleo): Esculpe-se a matriz para retirar o que é branco, e a tinta fica nas partes altas que sobraram.

  • Planografia (Litografia): A matriz é plana; a tinta adere por reação química entre água e gordura.

  • Intaglio / Gravura em encavo (Água-forte): O processo é o inverso do relevo. A imagem é aberta em sulcos numa placa de metal (cobre ou zinco), a tinta é depositada dentro das cavidades e o papel úmido é prensado para "sugar" a tinta dos sulcos.

De que forma ela se aparenta com as outras:

  • Aparentada com o Scratchboard (no modo de desenhar): Na água-forte, a placa de metal é coberta por um verniz protetor. O artista desenha sobre o verniz com uma ponta metálica, "raspando" e expondo o metal por baixo. Esse gesto de riscar uma camada escura para revelar o traço é visualmente muito parecido com o scratchboard.

  • Aparentada com a Xilogravura e Linóleo (no resultado gráfico): Ambas dependem fortemente do traço, do cruzamento de linhas (hachuras) e da intensidade do preto e branco para criar volume, luz e sombra.

  • O diferencial químico da Água-forte: Ao contrário da ponta-seca (onde o metal é riscado à força), na água-forte o traço é aberto por corrosão ácida. A placa riscada é imersa num banho de ácido (a "água-forte"), que ataca e funde apenas o metal que ficou exposto pelos riscos do artista.

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