Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

sábado, 1 de agosto de 2020

santiago do cacém e capela de s. pedro


* Victor Nogueira

foto victor nogueira - muralhas de santiago do cacém e capela de s. pedro.

SANTIAGO DO CACÉM - Ruas íngremes até ao Castelo, dos Templários, de origem moura, com cemitério no seu interior e vista magnífica até ao mar azul em Sines.

Ao lado a imponente Igreja Matriz, do século XIII, parcialmente destruída pelo terramoto de 1755, cuja brancura de barras amarelas contrasta com o castanho escuro das muralhas do castelo, emoldurado pelo verde do arvoredo em redor. A vila foi crescendo pela encosta abaixo. Na parte baixa jardim, a Câmara e a antiga cadeia (onde se conserva uma cela de então e uma típica cozinha alentejana), agora museu. Casas com certa imponência, dos agrários.

A invocação de Santiago, o Maior, que não foi companheiro coevo de Cristo, parece um contra-senso: um santo de espada e cruz em punho degolando quantos mouros e maometanos lhe aparecem pela frente integrado em hostes saqueadoras não liga muito bem com a imagem de doçura, tolerância e respeito pelas diferenças que alguns pretendem seja a do cristianismo católico. Enfim, contradições da natureza humana! Mas é esta imagem que na igreja matriz regista uma peça escultórica do século XIV. Santiago é no entanto, também, um mártir, mas da fé cristã: mandado degolar por Herodes Agripa, o seu corpo foi transportado pelos discípulos por mar, desde a Palestina até à costa noroeste da península Ibérica, onde a sua sepultura é reencontrada oito séculos mais tarde, originando um novo culto e grandiosas peregrinações à povoação de Santiago de Compostela. Mas isto é um desvio e matéria doutras histórias.

Perto situam-se as ruínas de Miróbriga, povoação romana, com termas, acrópole e circo.

Aldeia de S. Francisco da Serra, [de Grândola], com as casas dispersas pelo arvoredo e uma excelente panorâmica sobre os arredores. De visitar a Igreja e a Ermida de N.Sra do Livramento, esta nos arredores. (Memórias de Viagem, 1997)


SOBRE A FOTOGRAFIA - A construção do castelo remonta à ocupação muçulmana desta zona do Alentejo, situação sob a qual permanece até 1158, quando D. Afonso Henriques o conquista e o entrega à Ordem dos Templários. A partir de inícios do século XVI, o castelo começa a perder a antiga função defensiva para que fora dotado, facto que acelerou a sua degradação.

O templo no exterior foi construído no século XVI,  baseado num modelo caracterizado pela justaposição de dois módulos arquitectónicos diferenciados: a galilé ou nartex e a capela.

A galilé ou nartex – galeria com arcadas adossadas à fachada principal – serviu em outros tempos para dar apoio aos romeiros e peregrinos das procissões e festas em honra de São Pedro. A capela apresenta linhas muito simples, com portal em cantaria e óculo no frontão.

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