Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

segunda-feira, 1 de março de 2010

Legado da fotografia operária


quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

Legado da fotografia operária

capa da revista Der Arbeiter Fotograf
nº 8, August 1931
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Em Março de 1926 a revista Arbeiter Illustrierte Zeitung (Jornal Ilustrado dos Trabalhadores]) publicou uma convocatória para os seus leitores - a classe operária mobilizada - para que se convertesse num fornecedor de imagens da vida quotidiana proletária, das condições objectivas do trabalho industrial e das organizações e actividade política dos trabalhadores
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Esta convocatória constitui o arranque de todo um movimento fotográfico que se expande pelo centro e norte de Europa e chega à América do Norte.
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Diferentes núcleos de documentalismo e fotografia social vinculados aos movimentos comunistas nascem no final dos anos 20 do século passado, na Hungría, Austria, Checoslováquia, Polónia, Holanda, Inglaterra, França, Estados Unidos e México.
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Esses núcleos promovem em cidades como Praga, Bratislava, Budapest, Zurique e Amsterdão, exposições e publicações de fotografía social e operária entre 1932 e 1936. 
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Um número significativo de fotógrafos participantes no movimento são obrigados a sucessivas migrações ou a exílios políticos em virtude da expansão dos regimes fascistas na Europa Central, sobretudo a partir de 1933. A própria revista AIZ muda-se nesse ano para Praga e pouco depois para París, até que deixa de ser publicada em e 1938.
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A principal missão do movimento era a representação da crise económica e dos seus efeitos sociais, particularmente entre as classes desfavorecidas. A pobreza, a exploração e o desespero eram algumas das condições estruturais da vida proletária que deviam ser mostradas. 
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Nesse sentido, o crítico alemão Edwin Hoernle definia um olho proletário específico, antagónico ao humanismo burguês, em que a compaixão é a expressão de superioridade de classe. Hoernle escrevia: “Devemos proclamar a realidade proletária em toda a sua repugnante fealdade, com a sua denúncia à sociedade (…) Devemos apresentar as coisas como são, com uma luz dura, sem compaixão”.

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