Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Ainda Saramago

Se quiserem, escrevam


Eu sei que os arquivos dos jornais, sejam digitais sejam em papel nas hemerotecas, vão durar muito mais para além da presença online deste blogue. E, no entanto, faço questão de estampar aqui esta belíssima foto de Nuno Ferreira Santos ou Rui Gaudêncio que está hoje na página 2 do Público. Podem-me dizer que é uma imagem previsível, podem dizer-me que todos nós já tivémos expressões assim à beira de urnas de entes queridos, podem dizer-me o que quisere. Acontece que olho esta foto e o meu território não é do racionalidade ou da razão, é outro território. E, se lhes lher para aí, os leitores que tiverem gosto em escrever bem podem alinhar para si próprios ou para a caixa de comentários umas linhas suscitadas por esta imagem.

P.S.: reafirmando o óbvio, os leitores terão porventura reparado que não escrevi uma linha sequer sobre uma certa ausência no funeral de Saramago e nem sequer senti um centésimo da exaltação de Louçã com o assunto: primeiro, porque, como diz certeiramente Teresa Villaverde Cabral no Público de hoje não senti a mínima falta do sujeito no Alto de S. João; e segundo, porque resolvi ser fiel à minha velha máxima de que, quando a ventania sopra espontanea e desabridamente para um lado, não adianta ajudar com um fole.
 
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