Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

o Rio Cuanza, em Angola

* Victor Nogueira




Foto JLNS    










(foto MENS)           


Passeio à Barra do Cuanza - O Morro da Cruz desiludiu-me ( 1 ). O que eu supunha ser uma elevação não é senão um monte de pedras com uma casa no cimo e uma capela, pelo menos assim o suponho.

Disputava se uma prova de ciclistas na estrada. Foi a 1ª vez que vi isso. 
Um maluquinho de motorizada cruzou por nós. Ia completamente deitado no selim. Depois não sabem porque morrem.  


(...) FOZ do Cuanza - margens cheias de verdura. Atravessámos o rio de canoa. Estava frio. Montámos a barraca [tenda]. Passámos lá o dia. Além de nós foram o dr. Antunes e dr. Armindo Gonçalves e respectivas famílias. O sr. Martins e esposa também foram, mas não levaram os cães. (s/data (1964 ?) - Diário V pags 16/17)


Rio Cuanza O seu caudal esta muito reduzido e o leito em grande parte está seco. Ao pé da ponte há diversos rápidos. O Cuanza nasce no planalto do Bié, desaguando ao sul de Luanda. Tem um percurso de 1000 km, 258 dos quais navegáveis, incluindo o seu afluente Lucala.

O Rio Cuanza tem um grande valor económico. No Cuanza médio encontra‑se a barragem de Cambambe. No rio Lucala encontram‑se as célebres Quedas do Duque de Bragança (100 m de altura) (Diário III, 1962.09.14)
(1) Criado em 1977 pelo Instituto Nacional do Património Cultural com o objectivo de dar a conhecer a história da escravatura em Angola, o Museu Nacional da Escravatura tem a sua sede na Capela da Casa Grande, templo do século XVII onde os escravos eram baptizados antes de embarcarem nos navios negreiros que os levavam para o continente americano. 
O museu, que reúne e expõe centenas de peças utilizadas no tráfico dos escravos, está instalado na antiga propriedade do Capitão de Granadeiros D. Álvaro de Carvalho Matoso, Cavaleiro da Ordem de Cristo. Era filho de D. Pedro Matoso de Andrade, capitão-mor dos presídios de Ambaca, Muxima e Massangano, em Angola, e um dos maiores comerciantes de escravos da costa africana na primeira metade do século XVIII. Falecido Álvaro em 1798, os seus familiares e herdeiros continuaram a exercer o tráfico de escravos no mesmo local até 1836, quando um decreto de D. Maria II de Portugal passou a proibir as colónias portuguesas de exportarem escravos (Wikipedia)
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O Cuanza, com 959 km de extensão, é navegável nos seus últimos 258 km, de Dondo/Cambambe até à foz, a Sul de Luanda. Foi durante séculos uma via comercial e de penetraçã para o interior de Angola, ao longo dele se situando povoações como o Dondo e com fortalezas / presídios militares como os de Cambambe, Massangano e Muxima, esta última com o Santuário de N. Sra da Conceição de Muxima. Nestes dois últimos fortes se acantonaram os portugueses que resistiram à ocupação de Luanda pelos Holandeses (1640 / 1648). Ao longo do seu curso, no século XVIII e por iniciativa do Marquês de Pombal foi fundada a povoação de Nova Oeiras, com uma fábrica de fundição de ferro.

É no maior afluente do Cuanza, o rio Lucala, que se encontram as grandes Quedas de Calandula (anteriormente do Duque de Bragança). Junto da foz do rio fica o Parque Nacional da Quissama. (2020.01.24)

Fotos Victor Nogueira - o Rio Cuanza em Cambambe (1962.09.14)



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