Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

entre os rios ave e cávado

* Victor Nogueira

Ao longo da EN 13 e paralelo às praias circula o veículo. Em Vila do Conde e Póvoa de Varzim uma larga avenida separa as duas cidades do areal, nesta época do ano cheio de toldos e banhistas, avenida plena  de automóveis  estacionados  de ambos os lados. Na fronteira entre as duas povoações, Caxinas, bairro de população pobre e sofrida com mortes e naufrágios, viúvas e órfãos, dividida entre a pesca e as indústrias conserveira e de congelados. Já nada nada resta do tempo das dunas em que abundavam os casebres e a pequena agricultura de subsistência.

Entre a dimensão humana e tranquila de Vila do Conde e os arranha-céus, o movimento, o "cosmopolitismo" e azáfama de Póvoa de Varzim, Caxinas faz hoje figura de parente "pobre", onde sobressai arquitectonicamente a Igreja Paroquial de Nosso Senhor dos Navegantes ou Igreja do Barco, por fazer lembrar a quilha duma embarcação de pesca.


Póvoa de Varzim à actividade piscatória ligou-se o ser colónia balnear burguesa a partir do século XIX, muito concorrida no Verão. Sucessivamente, ao longo da Avenida dos Banhos, vão surgindo a Fortaleza de N. Sra. da Conceição, Casino, o enorme painel de azulejos (com cenas de Póvoa antiga e de heróis locais) e muitas esplanadas e cafés. No termo da avenida, inflectindo para o interior, a caminho de Apúlia, deparamos com uma avenida arborizada, com a Praça de Touros e o Monumento às Gentes da Póvoa de Varzim.

Retomando a antiga estrada Porto / Viana do Castelo, rumo a Esposende, a paisagem vai-se ruralizando, troços de casas térreas alternando com zonas dunares e campos agrícolas, á beira da estrada vendendo-se batatas e cebolas. Passamos do Douro Litoral à Região do Minho e ao longo da estrada costeira abundam restaurantes que anunciam como especialidade não ementas à base de peixe mas frango e leitão assados.

Não consigo identificar a povoação onde nos surge pela frente outra Igreja em forma de quilha de embarcação (Estela, Navais ?).

Finalmente Apúlia, com os seus pinhais no meio dos quais mal se vislumbram vivendas de gente endinheirada, preservadas de olhares indiscretos dos passeantes. Nesta zona situa-se o Parque Natural do Litoral Norte, confinando com a enseada e foz do Rio Cávado, de águas azuis e tranquila, onde para jusante se vislumbra uma ponte destacando-se pela sua alvura. Na outra margem, na margem direita, a cidade de Esposende, mas essa não visitamos.

Pela costa da praia da Apúlia, moinhos de vento, transformados em habitações, alguns conservando os mecanismos e as velas, para além dos cordões dunares  e de "arranha-céus" por cima deles construídos e em risco de desabamento devido à  acção erosiva das ondas e marés. No areal também se colhia o sargaço, para adubagem dos campos agrícolas, sargaço que nestas praias iodadas do Norte dá um característico cheiro a maresia.

É hora de regresso ao Mindelo, onde lanchamos na simpática Pastelaria de Santa Clara, à "sombra" da Igreja de S. Pedro dos Navegantes. Onde, fotografo uma arara, cujo olhar desconfiado me vai seguindo  de través, enquanto busco  o melhor  ângulo para o “clique”.


O almoço, esse fora em Vila do Conde, no Paço do Conde, carne para uns, com rojões, bacalhau para outros, em doses bem servidas e apetitosas.

Póvoa de Varzim













a caminho de Apúlia



Apúlia





Mindelo



Igreja de S. Pedro dos Navegantes


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