Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

O álbum (incompleto) de fotografias de Auschwitz

Lilly Jacob, sobrevivente de Auschwitz, reconheceu os seus familiares em algumas das fotografias de um álbum que encontrou. Sempre que alguém reconhecia um familiar Lilly oferecia-lhe essa imagem.

PÚBLICO 
27 de Janeiro de 2017, 22:16


Os judeus à espera da selecção: uns eram logo sentenciados à morte, outros eram obrigados a trabalhos forçados DR
É um álbum de fotografias que retrata o dia-a-dia de um dos mais conhecidos e aterradores campos de concentração alemães: Auschwitz. Segundo avança o El País, as 193 fotografias foram recuperadas por uma sobrevivente destes campos de concentração, Lilly Jacob-Zelmanovic Meier, que acabou por doar o álbum ao museu Yad Vashem, em Jerusalém, corria o ano de 1980. Nesta sexta-feira, são lembrados os mais de seis milhões de judeus que perderam a vida no Holocausto – a data é precisamente a da libertação de Auschwitz pelas tropas soviéticas, a 27 de Janeiro de 1945.

As fotografias estão disponíveis para consulta no site do museu e são uma das poucas provas documentais que existem sobre o processo de selecção a que eram submetidos os judeus que chegavam ao campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. A razão que levou dois militares do SS, Ernst Hofmann e Bernhard Walter, a tirar estas fotografias, em Maio e Junho de 1944, é incerta.

Quando tinha 18 anos, Lilly Jacob foi deportada juntamente com a sua família – e grande parte dos judeus que moravam na Hungria – na Primavera de 1944. Segundo o site do museu, Lilly foi separada dos seus pais e dos seus irmãos mais novos logo depois de chegar a Auschwitz – e nunca mais os viu. Foi a única que sobreviveu da sua família.

Quando foi libertada, no campo de concentração de Mittelbau-Dora, encontrou um álbum de fotografias nos quartéis da SS, que estavam desertos. Foi nesse álbum que encontrou fotografias dos seus familiares e amigos, no dia em que tinham chegado ao campo de concentração de Auschwitz. Lilly Zelmanovic morreu a 17 de Dezembro de 1999.

A chegada de judeus a Auschwitz
O álbum não está completo. Lilly casou-se, teve um filho e mudou-se para os Estados Unidos, levando consigo o álbum. Ao saberem da sua existência, alguns sobreviventes procuravam Lilly para ver se encontravam alguma recordação dos familiares e amigos que não tinham conseguido sobreviver ao duro quotidiano de Auschwitz. Das poucas vezes em que alguém identificava um membro da sua família numa das fotografias, Lilly oferecia-a. Uma dessas fotografias oferecidas foi recentemente doada ao museu Yad Vashem.

O álbum tem fotografias desde o momento de chegada de alguns judeus até à selecção e momentos que precediam a entrada nas câmaras de gás. Nas fotografias vê-se um pouco de tudo: a separação dos pertences; mulheres de cabelo rapado vestidas com uniformes da prisão; o registo de pessoas para trabalhos forçados; e prisioneiros, sentados ao sol, sem saber o destino que os esperava.

Os judeus eram separados dos seus bens materiais, que eram recolhidos e triados num sítio chamado "Kanada"


Antes de serem enviados para as câmaras de gás

https://www.publico.pt/2017/01/27/culturaipsilon/noticia/o-album-incompleto-de-fotografias-de-auschwitz-1759964

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