Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

sábado, 30 de dezembro de 2017

Setúbal e a Igreja de S. Sebastião

* Victor Nogueira

No perímetro e área de protecção do antigo baluarte de S. Domingos encontram-se actualmente parte do cemitério de Nossa Senhora da Piedade (edificado na segunda metade sec. XIX)  e a Igreja de São Sebastião (igreja do antigo Convento de São Domingos, do sec. XVI (1566/68).

Seguindo a rota pedonal Bocage - 30 Poemas na Rua entro novamente no edifício do antigo Convento de S. Domingos,  por  uma porta lateral, sendo desta feita interpelado pela menina da Secretaria Paroquial, que me esclarece que posso visitar o templo, por uma porta à esquerda e ao fundo do corredor, mas não os claustros, que não estão adstritos à Igreja de S. Sebastião.

A antiga Ermida de S. Sebastião havia sido erguida cerca de 1490, com o contributo dos pescadores e outros devotos da Vila de Setúbal. Essa construção religiosa situava-se ao centro do actual Largo do Miradouro mas, com o terramoto de 1755, ficou bastante danificada, acabando por ser demolida pelo Município entre 1849 e 1857.

Na antiga Ermida havia sido instituída a freguesia de S. Sebastião, criada em 1553 e aí se manteve até 1821, altura em que por causa da degradação do templo foi transferi para a Igreja dos Grilos e, posteriormente, para a igreja do extinto Convento de S. Domingos, actualmente matriz da freguesia. O convento foi fundado por volta de 1563, seguindo o modelo maneirista, sendo a traça do templo atribuída a Afonso Álvares, arquitecto régio que executou as igrejas de São Roque, em Lisboa, e do Espírito Santo, em Évora, quer pelas semelhanças estruturais entre os três templos, quer pela contemporaneidade das obras (SILVA, José Custódio Viera da, 1990). 

A obra da igreja de São Sebastião de Setúbal destaca-se pela concepção militar da sua estrutura, derivada certamente da formação de Afonso Álvares como engenheiro militar. Embora não seja um templo jesuíta, a sua concepção enquadra-se numa tipologia arquitectónica divulgada pela Companhia de Jesus na segunda metade do século XVI, originando um edifício de grandes proporções, com um espaço interior amplo e iluminado, precedido por uma fachada imponente e austera. Embora tenha sofrido algumas alterações estruturais, a igreja de São Sebastião pode ser definida como "um edifício marcante na evolução da arquitectura portuguesa da segunda metade do século XVI" (Idem, p.50).

Com o terramoto de 1755, o Convento e a Igreja ficaram muito danificados, sendo reconstruídos por um período de tempo que se estendeu até 1818. Contudo a igreja de São Sebastião manteve a estrutura original. Exteriormente, apresenta fachada composta por três corpos de altura igual, separados entre si por pilastras toscanas, e rematados por entablamento. O conjunto é coroado por frontão triangular. As janelas que ornamentam o registo superior, bem como o portal principal, foram transformados após o terramoto.

O interior, de nave única, possui capelas laterais intercomunicantes, e era originalmente coberto por abóbada de berço, destruída com o terramoto e substituída por cobertura de madeira. As duas capelas mais próximas da capela-mor, de cércea mais elevada e mais profundas, constituem um falso transepto.

A capela-mor, ladeada por duas capelas, apresenta sinais de ter sido ampliada, possivelmente no período pós-terramoto, sendo decorada por retábulo de talha policroma pombalina, com pinturas dedicadas a Nossa Senhora do Rosário, que se assemelham muito ao retábulo da Igreja de São Julião de Setúbal, executado no final do século XVIII (Idem, p. 50). Os restantes altares de talha, bem como o frontão do arco triunfal, são também de tipologia pombalina, policromos, executadas na mesma época em que as capelas laterais foram fechadas com altares à face. Exceptua-se a Capela do Santíssimo, que manteve a profundidade original. O espaço interior da igreja é iluminado por várias janelas de sacada, abertas sobre as capelas laterais.

Da fase quinhentista resta grande parte das abóbadas de cruzaria do piso térreo e uma interessante chaminé da cozinha. A cerca foi convertida em cemitério público. Na igreja destaca-se a decoração do interior, ao gosto neo-clássico.

O edifício serviu outrora de Hospital Militar e como alojamento para militares (Messe dos Oficiais). 

FONTE PRINCIPAL - Catarina Oliveira in http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/73994/




Vista do Pátio da Casa onde teria nascido o poeta Bocage



Vistas do Baluarte de S. Domingos (Cemitério Velho ou de N. Sra da Piedade)


Adro da Igreja




Monumento comemorativo do 75º aniversário da fundação do actual Agrupamento 59 do Corpo Nacional de Escuteiros














Claustros 



























Vista da Avenida Jaime Cortesão


Adro da Igreja



Vistas do Cemitério Velho


fotos em 2014 e 2017.12





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