Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Entre as Senhoras da Lapa e da Guia em Vila do Conde

* Victor Nogueira
(texto e fotos)

Afinal já tinha passado pela Igreja da Senhora da Lapa em tempos, já noite avançada, num dos meus regressos das passeatas pelo interior do Distrito do Porto. O nome é Igreja da Senhora da Lapa e de S. Bartolomeu, pois anteriormente existia neste local uma Ermida de S. Bartolomeu. O actual edifício segundo a tradição não documentada teria sido projectado por Nasoni, o arquitecto do Porto barroco, cuja principal obra é a Igreja dos Clérigos e sua Torre. Situa-se a Igreja da Lapa num local elevado, e ao lado duma estreita estrada outrora rural; "resistem" junto dela uma casa rural e e outra do século XVIII.

O destino seguinte foi o Forte de S. João Baptista, na foz do Rio Ave, aproveitando para revisitar a vizinha Capela de N. Senhora da Guia ou das Candeias, cujo orago primitivo foi S. Julião. O templo desta vez estava aberta ao público.No caminho para lá uma jovem fazia flexões apoiada no murete e no terreiro um casal idoso dava voltas em redor do templo, em cumprimento duma qualquer promessa ou orando silenciosamente.

A maré estava  cheia, as ondas batiam com fragor nos rochedos e no paredão do farol, desfazendo-se em rendilhados de espuma branca, enquanto alguns homens, indiferentes ao perigo, pescavam à linha. Exteriormente o templo é desgracioso, com uma pequena cúpula debaixo da qual está o altar-mor. O interior é minúsculo,parece uma casa de bonecas,  com talha dourada nos vários altares e tecto de caixotões. No altar-mor as paredes estão revestidas de azulejos historiados. À entrada vendem-se velas e desengraçadas pequenas lembranças, de que adquiri a reprodução de três das esculturas no templo que reprodzo no final deste post: N. Sra da Guia (com oração no verso), N. Sra da  Bonança e S. Julião (dos pescadores).

Da Capela fala José Régio no seu poema  "Romance de Vila do Conde":


Até Senhora da Guia
Me deixava ir devagar,
Até Senhora da Guia,
Que entra já dentro do mar,
Como uma pomba que as ondas
Receassem de levar;
Talvez como uma gaivota
Colhida num vendaval…
Ou rosa branca, trazida
Quem sabe de que lugar,
Que embaraçando nas pedras,
Ficasse ali, sem murchar,
O pé metido no rio,

A flor já n’água do mar.

Servia esta capela para indicar a entrada da barra e protegê-la das incursões de piratas, para isso dispondo então de peças de artilharia numa plataforma erguida para o efeito. Também a Capela de N. Sra do Socorro, a montante, tinha a mesma função e peças de artilharia. E até à construção do Forte de S. João Baptista no séc. XVII eram estas as únicas defesas militares de Vila do Conde, porquanto o castelo medieval  no Monte de S. João, onde existira um castro, fora demolido por ordem de D. Afonso Sanches, filho bastardo e querido do rei D. Dinis, para nele ser construído o Mosteiro de Santa Clara, de monjas fidalgas, em emulação com o de Coimbra mandado erguer  pela madrasta em Coimbra, a denominada Rainha Santa Isabel.

Foi o Governador do Forte de S. João Baptista que em 1832 impediu o desembarque dos liberais em Vila do Conde.


Igreja da Lapa





A caminho da foz do Rio Ave


Rua 5 de Outubro


Solar de S. Sebastião (Centro de Memória)


Rua 5 de Outubro


Capela de Santo Amaro e torre-mirante dos armadores proprietários do Solar de S. Sebastião



Avenida Dr. Artur da Cunha Araújo - antigo Casino


Na foz do Rio Ave




Forte de S. João Baptista



Memorial ao desembarque das tropas liberais em 1832


Capela de N. Sra da Guia
































á direita vê-se o que seria uma canhoneira ou troineira, para defesa da barra



ao fundo vê-se o que seria uma canhoneira ou troineira, para defesa da barra



De regresso ao Mindelo




Capela de N. Sra do Socorro


Praça D. João II




Nau quinhentista, marina fluvial e Convento de Santa Clara


Casa-Museu de José Régio

Esculturas na Capela de N. Sra da Guia


Era à «Senhora da Terra» que os navegantes encomendavam as suas almas quando partiam para o mar e faziam promessas de uma vela ofertar se não tivessem a água como a sua sepultura. Quando regressavam, cumpriam a sua promessa. Este tipo de culto esteve na origem da construção de capelas junto da mesma água que os trouxe (na costa, ou a alguns escassos quilómetros desta). Aí veneram a Imagem d'Aquela que suas vidas conservou.

Feitas padroeiras dos viajantes, muitas destas Senhoras passaram a ser chamadas de Senhora da Guia, por associação ao astro Vénus (herança romana), facilmente identificado pelo seu grande brilho. Popularmente, é também conhecido como Estrela da Manhã, já que o seu brilho anuncia o Sol, e da Tarde, altura em que deixa de se poder observar por se encontrar demasiado próximo do Sol, passando então a ser visto como estrela anunciadora da noite.

(http://viladoconde4.blogs.sapo.pt/112168.html)





Vila do Conde e a limpeza




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