Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

terça-feira, 1 de novembro de 2016

em torno da Igreja (românica) de Cedofeita, no Porto

* Victor Nogueira
(texto e fotos)

Na última reforma administrativa a Freguesia de Cedofeita foi extinta. De acordo com a Wikipedia, "tudo aponta para que as origens da freguesia estejam associadas ao primitivo povoado que nasceu, se desenvolveu e prosperou à sombra tutelar da antiga igreja românica, que ainda hoje existe no Largo do Priorado e que pertenceu a um convento de Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. A construção da igreja é anterior à da própria Sé Catedral, sendo provavelmente a mais antiga igreja do Porto, construída quando Portugal ainda nem sequer existia politicamente."

Construída no tempo dos Suevos num ermo situado então longe do Porto, ermo que ainda permanecia no século XVI, conheceu a ocupação muçulmana que no entanto permitiu aos habitantes a continuação das suas práticas cristãs, de acordo com a «Carta de Jusgo»: 

"Abdelassis Abhrem Mahomet, por illah illalah senhor da cidade do Porto, e da gente da Nazareth, pela qual ordeno que os Presbíteros e Christâos do Mosteiro de Cedofeita que morão junto à dita cidade do Porto, e seu mosteiro possuão os seus bens em paz e quietação sem opressão, vexame. ou força dos Sarracenos; com a condição que não digão Missas senão com as portas fechadas e não toquem as suas campainhas; e paguem pelo consentimento 50 pesantes de boa prata anualmente e pos-são sair e vir à cidade com liberdade e quando quizerem, e não vão fora das terras do meu mando sem meu consentimento e vontade; assim o mando; e faço esta carta de salvo conduto, e a dou ao dito Mosteiro para que a possua para seu sossego…".

A antiga Igreja românica de S. Martinho de Cedofeita (a)parece-me maior que a memória que dela tinha, situando-se num largo ajardinado, o do Priorado, vizinho da Praça Pedro Nunes onde se encontram o imponente edifício da antiga  Junta de Freguesia de Cedofeita e o Liceu D. Manuel II (anterior Rodrigues de Freitas, projecto do arquitecto Marques da Silva), ambos obras da "Ditadura Nacional" como em relação a este atesta uma lápide na parede da fachada principal do estabelecimento de ensino.

O que hoje persiste da Igreja que teve um claustro adjacente, é um restauro dos anos 40 do século XX, depois de sucessivas alterações que havia sofrido ao longo dos séculos e conforme os gostos arquitectónicos dominantes em cada época. (ver http://monumentosdesaparecidos.blogspot.pt/2009/11/igreja-de-cedofeita-cidade-do-porto.html).


Claustros demolidos da Igreja de Cedofeita

A actual Igreja paroquial durante muitos anos esteve inacabada (era nesta ou na Capela dos Anjos  - na Rua dos Bragas  que em adolescente assistia à Missa), tendo sido concluída já nos finais do século XX.

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desenho do meu tio  JJ Castro Ferreira (1948)



torre sineira da actual igreja paroquial



















(Rua de S. Martinho)
























(Ao fundo e à esquerda a Rua Augusto Luso)















Em 1962 / 63 estive matriculado no Grande Colégio Universal, na Rua da Belavista, e, neste Liceu, como aluno externo, reprovei  no exame do antigo 5 ano, secção de Ciências




Liceu D. Manuel II e sede da extinta Junta de Freguesia de Cedofeita






(quiosque)















fotos em 2016.10.30

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