Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

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«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

No porto fluvial do moinho de maré da Mourisca (Setúbal)

Quarta-feira, Maio 23, 2007


I

Uma manhã de Dezembro

* Rui Pedro Gato

Sou um fracasso, sou fraco, estéril de acções, fértil de pensamentos que disso não passam, sou maternidade e cemitério. Sou inútil, incerto, sou deserto, mas tão cheio de nada. Sou frio, mais frio que esta manhã de Dezembro que desabrocha lá fora, lá, fora de mim, onde não existo.
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Bebo mais um gole. Preto e quente este café, amargo como eu. Não gosto de café. Não gosto do Inverno. Não gosto de acordar de manhã...não gosto de acordar.
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Aproximo-me da janela como quem liga a televisão. Por entre a neblina matinal vislumbro na paragem os vultos que já adivinhava, os do costume. Há 13 anos que os vejo. Há 13 anos que com eles me transporto às 7:15 para a fábrica, onde não existo. E há 13 anos que às 17:20 regresso a esta paragem. A verdade é que aos domingos não vou, nem nas ocasionais mas obvias folgas que me dou por dívidas para com o sono. Mas mesmo assim, 13 anos são 13 anos.
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continua em Kant_O_XimPi


Conto - Rui Gato
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Fotografia de Victor Nogueira (Rui Pedro)

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Colocado por Victor Nogueira @ Quarta-feira, Maio 23, 2007
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