Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Roland Barthes

.

«Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.»

Victor Nogueira

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

duas fotos e dois poemas de pedro barroso


foto victor nogueira - oeiras - ilha dos amores no parque dos poetas - escultura de Francisco Simões

Pedro Barroso - Bonita


Primeiro foram as mãos que me disseram 
que ali havia gente de verdade
depois fugi-te pelo corpo acima
medi-te na boca a intensidade
senti que ali dentro havia um tigre
naquele repouso havia movimento
olhei-te e no sol havia pedras
parámos ambos como se parasse o tempo

é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas

atrevi-me a mergulhar nos teus cabelos
respirando o espanto que me deras
ali havia força havia fogo
havia a memória que aprenderas
senti no corpo todo um arrepio
senti nas veias um fogo esquecido
percebemos num minuto a vida toda
sem nada te dizer ficaste ali comigo

é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas

falavas de projectos e futuro
de coisas banais frivolidades
mas quando me sorriste parou tudo
problemas do mundo enormidades
senti que um rio parava e o nevoeiro
vestia nos teus dedos capa e espada
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse no fundo preciso
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse preciso dizer nada

é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas 

Poema interpretado por Pedro Barroso em



~~~~~~~~~~~~


foto victor nogueira - oeiras - parque dos poetas - ilha dos amores - escultura de francisco simões

COMPANHEIRA - pedro barroso

Deixei pousar minha boca em tua fronte 
toquei-te a pele como se fosses harpa 

escorreguei em teu ventre como o vento 

e atravessei-te em mim como se fosse farpa

Deixei crescer uma vontade devagar 
deixei crescer no peito um infinito 
morri da morte lenta do desejo 
e em cada beijo abafei um grito

Quando desfolho o livro velho da memória 
sinto que o tempo passado à tua beira 
é um espaço bom que há na minha história 
e foi bonito ter dito companheira

Inventei mil paisagens no teu peito 
rebentei de loucura e fantasia 
quando me olhavas devagar com esse jeito 
e eu descobri tanta coisa que não via

Havia em ti uma forma grande de incerteza 
que conseguias converter em alegria 
havia em ti um mar salgado de beleza 
que me faz sentir saudades em cada dia

Quando desfolho o livro velho da memória 
sinto que o tempo passado à tua beira 
é um espaço bom que há na minha história 
e foi bonito ter dito companheira


interpretado por pedro barroso em


Sem comentários: