Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

terça-feira, 30 de maio de 2017

Muralhas de Setúbal - Fortes da Estrela, do Moinho de Pau e da Bela Vista

* Victor Nogueira

Situados em pontos elevados para defesa da Vila de Setúbal estavam o Forte Velho ou de S. Luís Gonzaga, na freguesia de N. Sra da Anunciada, que controlava os acessos a Palmela e a Azeitão, e o Forte da Estrela, na de S. Sebastião. Embora amputado, o 1º ainda existe, enquanto deste último resta apenas a memória na Ladeira que tomou o seu nome. Fronteiro ficaria o Forte do Moinho de Pau, que seria de material mais precário, ambos na zona onde se situa o Estádio de Futebol do Comércio e Indústria. Um moinho de vento no topo da Quinta do Aranguez foi demolido nos anos 80 / 90 do século XX para dar origem a uma nova urbanização.



Fotte da Estrela (planta do sec XVII) (pormenor) - à direita o Convento de S. João


Planta da Fortificação de Setúbal, de João Rodrigues Mouro, mas redesenhada por João Tomás Correia (BNP.Reservados . In CORREIA , 1699-1743 (pormenor)


Planta da Fortificação de Setúbal, de João Tomás Correia (BNP.
Reservados . In CORREIA, 1699-1743  (pormenor)


planta das muralhas 1834 (pormenor)


O Forte da Estrela na planta de Ambrósio Borsalino, 1661 (pormenor)



Lugar onde se situariam os Fortes da Estrela e do Moinho de Pau


Sobre o Forte da Bela Vista que se situaria onde actualmente estão o Bairro Azul ou do Forte da Bela Vista e o Depósito de água e estação elevatória nada encontrei embota tenha a ideia de ali  ter havido uma Bateria DCA (Defesa contra aviões). Não se trataria duma fortificação seiscentista inserida na defesa da Independência a partir de 1640 porquanto nessa altura e até meados do século XX aquele era um lugar ermo, a cidade terminando em S. Domingos / Palhais. Era em meados desta data zona extra-muros, zona de quintas agrícolas e de bairros de lata do operariado, como os da Monarquina, Dias ou Mal Talhado ou da chamada "aristocracia" operária (Santos Nicolau) de habitação social  para a pequena burguesia (N. Sra da Conceição) ou para o operariado (Bairro Carmona ou Afonso Costa), este demolido pela gestão do PS-PSD / Mata Cáceres de betonização pata a especulação urbanistica. Aliás e a talhe de foice esta mesma filosofia fes com que a gestão PS-PSD / Mata Cáceres equacionasse a demolição dos bairros da Bela Vista, das Palmeiras e Azul, que terá abandonado devido aos elevados custos do realojamento dos seus habitantes.


"Despertar", escultura de João Limpinho


Bairro Azul ou do Forte da Bela Vista e estação elevatória e depósito de água da Bela Vista

Na planta de Ambrosio Borsalino (1661) de que abaixo se apresentam pormenores surge uma fortificação que poderá ser a do Forte do Moinho de Pau mas que admito seja a do Forte da Bela Vista e, assim sendo, as minhas considerações anteriores não seriam correctas.


Forte da Bela Vista (?)


Fortes da Estrela e da Bela Vista (?)

Muralhas de Setúbal - 8ª Bataria de Albarquel – Regimento de Artilharia de Costa (RAC)

* Victor Nogueira

Segundo Rafael Oliveira o Regimento de Artilharia de Costa (RAC) foi criada pelas Forças Armadas Portuguesas, após a 2ª Guerra Mundial, através do Plano luso-britânico – o Plano Barron (1939) -, onde o objectivo era criar uma força especializada em impedir o desembarque de uma força convencional apoiadas por unidades navais, nas imediações dos estuários do Tejo e do Sado. As construções decorreram entre 1944 e 1958, estando operacionais corria o ano 1958. Estiveram ao serviço sensivelmente, cinquenta anos. Era constituído por um posto de comando, 8 Batarias com 36 peças de artilharia (Krupp e Vickers) de diversos calibres (152 mm e 234 mm) com alcance considerável para a época.  A 7ª e a  8ª Batarias, respectivamente do Outão e de Albarquel) do Regimento de Artilharia de Costa (RAC)  tinham como objectivo defender a entrada da foz do Porto de Setúbal, em conjunto com os outros redutos. 

Até recentemente estava integrado no Regimento de Artilharia de Costa, entretanto extinto, do Exército português, com a designação de 8ª Bataria.

Na primeira metade do século XX foi erguida, no morro por detrás do forte, uma fortificação subterrânea, artilhada por três canhões Krupp de 150 mm, e guarnecida por cerca de 30 homens. As novas instalações compreendiam dependências como casernas, refeitório e armazéns.

Em virtude, das mudanças tecnológicas introduzidas na forma de fazer a guerra nos finais do Século XX – misseis ar-terra, aviões a jacto e artilharia portátil-, a existência do RAC tornou-se obsoleta (alvo estático e vulnerável) e, como consequência, foi desactivado em 1998 e, finalmente, extinto corria o ano de 2001. Chegava, assim, o projecto delineado pelo General Barrow durante a IIª Guerra Mundial e, também, o fim da História da Artilharia de Costa em Portugal iniciada no final do Século XIV.

Ruínas da 7ª Bataria de Outão – Regimento de Artilharia de Costa (RAC) in https://oliraf.wordpress.com/2015/01/01/ruinas-da-7abataria-de-outao-regimento-de-artilharia-de-costa-rac/


Forte de Albarquel e 8ª Bataria do RAC -  ou a evolução da artilharia na defesa da costa marítima




8ª Bataria de Albarquel – Regimento de Artilharia de Costa (RAC)

Google Earth


Amarelo - 8ª Batería costera do Outão
Laranja7ª Batería costera de Albarquel


Muralhas de Setúbal - 7ª Bataria de Outão – Regimento de Artilharia de Costa (RAC)

* Victor Nogueira

O Regimento de Artilharia de Costa (RAC) era uma unidade do Exército Português com a missão de assegurar a defesa costeira dos acessos aos portos de Lisboa e de Setúbal. O regimento baseava-se em baterias fixas fortificadas instaladas ao longo das costas da Península de Setúbal e da Linha do Estoril, equipadas com peças pesadas de artilharia naval, montadas em torres couraçadas. O RAC foi desativado em 1998.

Segundo Rafael Oliveira (OLIRAF) a  7ª Bataria de Outão, situada na Serra da Arrábida, Outão Setúbal, pertencia ao Grupo Sul ( 5ª Bataria da Raposeira, 6ª da Bataria Fonte da Telha e 8ªBataria de Albarquel) do Regimento de Artilharia de Costa (RAC) cujo objectivo era defender a entrada da foz do Porto de Setúbal, em conjunto com os outros redutos.  

A construção desta unidade militar de defesa da costa sadina iniciou-se entre 1944 e ficou operacional em 1954. Era composta por 3 baterias de Vickers 152mm, de fabrico inglês, de médio alcance (10 – 20 km), pelo antigo forte Velho de Outão e os aquartelamentos. Importa salientar que as mesmas nunca participaram em situações de conflito, sendo utilizadas, apenas, para exercícios de fogo real.

A artilharia de costa em Portugal remonta, pelo menos, a 1381 - durante o reinado de D. Fernando I - altura em que foram usadas bocas de fogo para defender Lisboa contra o ataque de uma esquadra naval castelhana. Durante os séculos seguintes, foram instaladas bocas de fogo de defesa costeira em inúmeras fortificações ao longo da costa portuguesa, inclusive nas ilhas e no ultramar, espcialmente a partir do séc. XVII e na sequência da Restauração da Indeprndência em 1640.




Vista exterior do complexo militar 

Vista exterior do complexo militar com as 3 peças Vickers de 152 mm



A RAC de Outão estava equipada com três canhões Vickers, de 152 mm, de médio alcance, ou seja, entre 10 a 20 quilómetros de precisão





Bateria Vickers 152mm – 7ª Bataria do Regimento de Artilharia de Costa (Outão)

Ruínas da 7ª Bataria de Outão – Regimento de Artilharia de Costa (RAC) in https://oliraf.wordpress.com/2015/01/01/ruinas-da-7abataria-de-outao-regimento-de-artilharia-de-costa-rac/

A vista e o abandono da 7ª Bataria

 in http://p3.publico.pt/vicios/em-transito/15199/vista-e-o-abandono-da-7-bataria

7ª Bataria do Outão




7ª. Bateria - Outão_Regimento de Artilharia de Costa_Serra da Arrábida_Setúbal_2012



Torre medieval e Forte seiscentista de Santiago do Outão e  7ª Bataria de Costa do RAC -  ou a evolução da artilharia na defesa da costa marítima







 Google Earth



Amarelo - 8ª Batería costera do Outão

Laranja - 7ª Batería costera de Albarquel

Muralhas de Setúbal - Forte de Santa Maria da Arrábida no Google Earth

* Victor Nogueira

O “Forte de Nossa Senhora da Arrábida”, também referido como “Forte de Santa Maria da Arrábida”, “Forte da Arrábida” e “Forte do Portinho da Arrábida”, localiza-se no sopé da encosta sul da serra, a sudoeste do Portinho da  Arrábida, na barra norte do rio Sado.

A pedido dos frades que viviam no Convento é construído o Forte de Santa Maria da Arrábida, pois eram frequentemente perturbados por corsários mouros que se escondiam nas enseadas do Portinho da Arrábida, para aí pilharem as navegações que entravam e saiam da barra do rio Sado.

A função defensiva do Forte de Santa Maria da Arrábida foi desactivada a partir de 1889, devido ao desenvolvimento dos mecanismos bélicos e ao abandono das instalações do Convento da Arrábida pelos frades franciscanos.

O Forte de Santa Maria da Arrábida assumiu dimensões de culto religioso a partir de 1250, o que segundo narra a história Hildebrando (mercador das ilhas britânicas), ergueu uma pequena ermida devotada a Nossa Senhora pelo milagre que ali o salvou de um naufrágio.

Faz parte do conjunto de fortificações setecentistas que no contexto da guerra de Restauração da independência de Portugal, se estendiam pelo litoral desde Setúbal até ao Forte de São Domingos da Baralha, perto do cabo Espichel.

No início do século XX foi arrendado a um particular. A partir de 1932 foi adaptado às funções de pousada pelos pais de Sebastião da Gama, as quais exerceu até 1976.

A partir de 1978, o imóvel passou integrar o Parque Natural da Arrábida, classificado como Imóvel de Interesse Público. Desde então, foram efectuadas extensas obras de consolidação e restauro, adaptando-se o monumento à função de Museu Oceanográfico (1991), que mantém, no local, um centro de biologia marinha. Uma pequena loja comercializa itens relacionados à área protegida do parque e oferece café aos visitantes.

Na sua capela pode se observar uma expressiva imagem de Nossa Senhora, em pedra de lioz, de feição seiscentista.

fontes: Wikipedia







Google Earth


Platta forma De Nossa Senhora Da Arrabida Portugal Desenho aguarelado CORREIA João Tomás (c. 1667-175_) Livro de varias plantas deste Reino e de Castela (entre 1699 e 1743) in http://fortalezas.org/index.php?ct=fortaleza&id_fortaleza=1522


Muralhas de Setúbal - Forte de S. Filipe 03 no Google Earth

* Victor Nogueira










FORT OF SÃO FILIPE DE SETÚBAL  in http://fortalezas.org/index.php?ct=fortaleza&id_fortaleza=670



Forte de S. Filipe


"Satubal", Portugal. Desenho a bico de pena, Pier Maria Baldi (c. 1630-1686). In: MAGALOTTI, Lorenzo (1637-1712). Viaje de Cosme de Médicis por España y Portugal (1668-1669) / edicion y notas por Angel Sánchez Rivero y Angela Mariutti de Sánchez Rivero. Madrid: Sucesores de Rivadeneyra, [1933]. - XXVI, 347 p. + 1 pasta (3 f., 71 estampas) ; 25 cm, 51x67 cm Disponível em: http://purl.pt/12926c. Nesta vista panorâmica de Setúbal a partir do rio Sado podem ser apreciadas as suas fortificações. É o único desenho conhecido da cidade anterior ao terramoto de 1 de novembro de 1755.

Estatuária de Setúbal 05

* Victor Nogueira





Avenida Jaime Rebelo  - Este guindaste do Porto de Setúbal esteve anteriormente no Jardim da Beira-Mar



"Sardinhas", na Rotunda das Fontaínhas, na zona dos restaurantes, da autoria da escultora Setubalense Luísa Perienes, que assim  presta homenagem àquela foi a principal indústria sadina desde os finais do século XIX e ao longo de boa parte do século XX.





Monumento à operária conserveira Mariana Torres, no Largo da Fonre Nova, escultura de Jorge Pé-Curto



Casa onde nasceu Luísa Todi, na Rua da Brasileira


"Abraço", no Bairro da Bela Vista, escultura de João Limpinho



Pelourinho, na Praça Marquês de Pombal





Pe Nunes, na Rua Gregório de Freitas




Memorial aos Mortos da Grande Guerra e da Guerra Colonial - Cemitério de N. Sra da Piedade


Memorial aos Bombeiros - Cemitério de N. Sra da Piedade



Memorial ao Pecador Setubalense Desaparecido, inaugurado em 31 de Maio de 2008


Escultura no adro da Igreja de S. Sebastião

fotos em 2017.05