Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

sábado, 23 de maio de 2026

Murais de Solidariedade Internacionallsta (12) - em Orgosolo

* Victor Nogueira


2026 05 17 - Mural em Orgosolo, Sardenha, Itália - 'Vu Cumprá Quattro Mori'

«Este mural de Orgosolo (datado de 2015, como indica a assinatura no canto inferior direito) traz uma forte dose de ironia política, cruzando a história da Sardenha com o fenómeno moderno da imigração e do turismo.

O que está escrito?
"Vu Cumprá Quattro Mori???"

A expressão "Vu cumprá": É uma corruptela fonética italiana da frase "Vuoi comprare?" ("Queres comprar?"). Em Itália, esta expressão tornou-se uma gíria (muitas vezes com tom paternalista ou pejorativo) para designar os vendedores ambulantes africanos que percorrem as praias a vender mercadorias aos turistas.

"Quattro Mori" (Os Quatro Mouros): É o nome oficial da histórica bandeira da Sardenha, que apresenta uma cruz vermelha e quatro cabeças de mouros com faixas na testa.

Tradução literal: "Queres comprar quatro mouros???"

O que representa?
Este mural é uma brilhante sátira social baseada num duplo sentido histórico e visual. Ele representa:

1. A Ironia Histórica dos "Mouros"
A bandeira da Sardenha (I Quattro Mori) tem as suas origens ligadas às batalhas medievais contra os invasores sarracenos (mouros). O mural cria um paralelismo genial e irónico: o homem retratado é um imigrante africano moderno (um "mouro" real) que, em vez de invadir a ilha, está na praia a tentar sobreviver, vendendo souvenires com a própria bandeira que celebra a derrota dos seus antepassados.

2. A Crítica ao Turismo de Massa e à Comercialização da Identidade
O vendedor ambulante está carregado de mercadorias típicas de praia, mas todas elas foram "sardizadas":

Ele acena com duas bandeiras da Sardenha.

Veste uma camisola e calções com o padrão dos Quatro Mouros.

Vende malas, óculos de sol, chapéus de sol e relógios, todos estampados com o símbolo sardo.

O artista critica a forma como a identidade, a cultura e os símbolos históricos da Sardenha foram transformados em mercadoria barata para consumo do turismo de massa de verão.

3. Solidariedade e Inclusão Social
Ao pintar o vendedor ambulante com os símbolos da ilha, o mural também humaniza e integra a figura do imigrante na realidade sarda. Ele corre na areia da praia, sob o sol, esforçando-se por trabalhar, tornando-se — de uma forma caricata mas digna — parte do ecossistema moderno da Sardenha.» (Google Gemini)


2026 05 18 - Murais em Orgosolo, Sardenha, Itália - 1. Ecologia 2. Guerra Civil Espanhola

«Este impressionante edifício em Orgosolo está dividido em dois grandes murais com temáticas e mensagens totalmente distintas: a secção superior aborda o ecologismo, enquanto a secção inferior é uma homenagem histórica de cariz antifascista.

1. A Secção Superior: Ecologismo e Consciência
O que está escrito?
"Solo quando l'ultimo albero sarà stato abbattuto l'ultimo fiume avvelenato l'ultimo pesce pescato vi accorgerete che non si può mangiare il denaro"

Tradução: "Apenas quando a última árvore tiver sido derrubada, o último rio envenenado, o último peixe pescado, é que se vão dar conta de que não se pode comer o dinheiro."

Origem: Esta é a famosa profecia atribuída à sabedoria ancestral dos povos nativos norte-americanos (frequentemente atribuída à tribo Cree) e imortalizada em discursos como o do ambientalista e escritor Ailton Krenak, a reflexão central destaca a dependência absoluta da humanidade face à natureza:

O que representa?
Representa uma crítica severa ao capitalismo voraz, à industrialização sem limites e à destruição do meio ambiente em nome do lucro financeiro. A pintura ilustra árvores cortadas, terra seca, poluição e uma figura humana desolada e nua no centro, simbolizando a pobreza espiritual e física a que a humanidade chegará se destruir a natureza.

2. A Secção Inferior: Homenagem à Guernica e à Resistência Espanhola
A parte de baixo é uma reinterpretação artística direta da famosa obra Guernica, de Pablo Picasso, adaptada para comemorar os 50 anos do início da Guerra Civil Espanhola.

O que está escrito?
À esquerda:

"18 Luglio 1936 - 18 Luglio 1986 Spagna" (18 de Julho de 1936 - 18 de Julho de 1986 Espanha) — Marca a data do golpe militar de Francisco Franco que deu início à guerra.

No centro (em cima da porta):

"cantando aspetto la morte / già cantano gli usignoli / sulla cima dei fucili / e in mezzo alla battaglia"

Tradução: "cantando espero a morte / já cantam os rouxinóis / no topo dos fusis / e no meio da batalha".

À direita (perto do cavalo):

"Travolti senza rimedio / gridiamo amaramente..." e "Ahi Spagna della mia vita / Ahi Spagna della mia morte - Miguel Hernández"

Tradução: "Arrebatados sem remédio / gritamos amargamente..." e "Ai Espanha da minha vida / Ai Espanha da minha morte".

Contexto: Estes versos pertencem ao poeta espanhol Miguel Hernández, um fervoroso defensor da República que foi preso pelo regime franquista e morreu na prisão em 1942.

O que representa?
Esta secção representa o antifascismo, o horror da guerra e a dor do povo espanhol sob a ditadura de Franco. Ao utilizar a iconografia de Guernica (o touro, a mãe a chorar com o filho morto nos braços, o cavalo agonizante), os pintores de Orgosolo ligaram a sua própria veia de protesto político à memória histórica internacional, celebrando a resistência cultural e a poesia que sobreviveu mesmo perante as armas. » (Google Gemini) 

2026 05 19 - Mural em Orgosolo, Sardenha, Itália - Intervenções humanitárias - 'Restore Hope' Somália 1990's

«O mural contém duas inscrições em línguas diferentes:

A frase em inglês (no topo, junto às figuras superiores):

"restore hope"

Tradução: "restaurar a esperança". É uma referência direta à Operação Restore Hope, uma intervenção internacional liderada pelos Estados Unidos na Somália no início dos anos 1990 para tentar conter a fome e a crise humanitária decorrentes da guerra civil.

O texto em italiano (no centro, em redor da janela):

"Sono ipocrisia e impostura tutti i piani per attenuare la povertà delle masse con l'elemosina dei ricchi" — Lev Tolstoj

Tradução: "São hipocrisia e impostura todos os planos para atenuar a pobreza das massas com a esmola dos ricos."

Autor: A frase é uma citação do célebre escritor e pensador russo Liev Tolstói (com as suas datas de nascimento e morte indicadas abaixo: 1828 - 1910).

O que representa?
O mural é uma crítica geopolítica e social ao sistema humanitário internacional e à forma como a riqueza global está distribuída.

Crítica à "Esmola" Institucional: Através da frase de Tolstói, o mural argumenta que a caridade corporativa ou a ajuda humanitária pontual das nações ricas não resolvem os problemas estruturais da pobreza. Pelo contrário, são vistas como paliativos "hipócritas" que aliviam a culpa dos mais abastados sem alterar as dinâmicas de exploração que causam a miséria.

A Dualidade do Sofrimento: Visualmente, a obra divide-se em representações comoventes da vulnerabilidade humana face à subnutrição. No topo, uma figura maternal ampara uma criança debilitada pela fome extrema, evocando as terríveis imagens mediáticas das crises humanitárias da década de 1990. Na parte inferior esquerda, outra figura segura uma criança ao colo, reforçando o impacto geracional da pobreza.

Denúncia de Intervenções Militares/Humanitárias: Ao incluir a expressão "restore hope", o artista questiona a eficácia e as verdadeiras intenções por detrás das missões internacionais da ONU e de grandes potências, sugerindo que muitas vezes falham em trazer uma dignidade duradoura e emancipação real às populações afetadas.» (Google Gemini


2026 05 20 - Mural em Ortosolo, Sardenha, Itália - ofícios artesaais e tradicionais

«Este mural foca-se na história local e no reconhecimento dos antigos ofícios artesanais da comunidade, prestando uma homenagem muito pessoal e afetuosa.

O texto está escrito em dialeto sardo, no canto inferior direito:

"a ziu Bertu Calaresu mastru e..."

Tradução: "Ao tio [Zio/Ziu é um termo de respeito tradicional para os idosos na Sardenha] Alberto Calaresu, mestre de..."

Contexto: A palavra "mastru" refere-se a um mestre de obras, pedreiro ou mestre artesão, e o texto indica que a pintura é uma dedicatória direta a esta figura marcante da comunidade de Orgosolo.

Ao contrário dos murais de grande escala política ou internacional, esta obra representa a memória e a valorização do trabalho manual, da construção civil e dos construtores locais que ergueram a própria vila.

O Retrato do Mestre: À esquerda, destaca-se a figura expressiva e realista de Ziu Bertu (Tio Alberto), com um olhar cansado mas focado, segurando um metro de carpinteiro articulado (metro de madeira) nas mãos. As suas roupas humildes e feições marcadas simbolizam uma vida inteira dedicada ao trabalho digno.

Os Ofícios da Construção: À direita, o mural divide-se em ilustrações mais simples e estilizadas que mostram as diferentes vertentes do trabalho de pedreiro:

Um homem a transportar materiais numa carriola (carrinho de mão) verde.

No topo, um operário numa estrutura de andaime a assentar tijolos ou a rebocar uma parede com uma colher de pedreiro.

O mural representa um monumento à classe trabalhadora local, imortalizando os rostos e as profissões tradicionais que, embora discretas, são a fundação e a verdadeira força identitária de Orgosolo.» (Google Gemini)

2026 05 21 - Mural em Orgosolo, Sardenha, Itália - D. Quixote, de Cervantes

«Este mural foca-se na literatura clássica universal, trazendo uma representação estilizada e abstrata de Dom Quixote de la Mancha e o seu fiel escudeiro, Sancho Pança, personagens imortalizadas pelo escritor espanhol Miguel de Cervantes.

Aqui estão o texto e o significado desta obra:

O texto está escrito num bloco quadrado amarelo à esquerda das personagens, imitando a página de um livro em caligrafia cursiva italiana:

"Il cavaliere dell'eterna gioventù
ormai verso la cinquantina
la legge che batteva
nel suo cuore
partì un bel mattino
di luglio
per conquistare il bene,
il vero il giusto..."

Tradução livre para o português:
"O cavaleiro da eterna juventude / já perto dos cinquenta anos / [seguindo] a lei que batia / no seu coração / partiu numa bela manhã / de julho / para conquistar o bem, / o verdadeiro, o justo..."

(Nota: Na parte inferior do texto há uma assinatura ilegível e, ao lado da montaria, a data 6-10-2016).

O que representa este mural?
Este mural é uma celebração do idealismo, da justiça e da busca utópica por um mundo melhor, usando a figura mitológica do "Cavaleiro da Triste Figura".

1. Elementos Visuais e Estilo
Dom Quixote: Aparece ao centro com a sua armadura cinzenta, montado no seu cavalo (Rocinante) e segurando uma longa lança que corta uma composição geométrica no topo.

Sancho Pança: Está logo abaixo, de forma mais compacta, montado no seu burro.

Abstração Colorida: No topo da lança, há uma explosão de formas abstratas e coloridas (que lembram o estilo do pintor Wassily Kandinsky), simbolizando o mundo de fantasia, os moinhos de vento transformados em gigantes e os delírios idealistas de Quixote.

2. O Significado Profundo em Orgosolo
Embora não seja um mural de protesto político direto como os de Pratobello, a escolha de Dom Quixote em Orgosolo não é por acaso. O poema descreve-o como o "cavaliere dell'eterna gioventù" que luta pelo bem, pela verdade e pela justiça.

Para uma vila com um histórico tão forte de resistência comunitária e lutas sociais, a figura de alguém que desafia o "status quo" e luta por causas consideradas impossíveis ou perdidas ressoa perfeitamente com a alma e a identidade utópica dos habitantes locais.

O poema transcrito neste mural do Dom Quixote é do famoso poeta turco Nâzım Hikmet (1902–1963).

O poema intitula-se originalmente Don Chisciotte (Dom Quixote) e faz parte da sua célebre obra poética mundialmente traduzida. Como curiosidade, a tradução mais famosa deste poema para a língua italiana foi feita justamente por Joyce Lussu, a ativista e escritora que também foi homenageada no mural anterior (o do poema sobre as sapatilhas de Buchenwald).

Aqui está o texto integral do poema "Dom Quixote" (1947), do poeta turco Nazım Hikmet, traduzido para o português: (Google Gemini)

 


2026 05 22 . Mural em Orgosolo, Sardenha, Itália - Saúde pública e prevenção

«Este terceiro mural incluído no seu ficheiro (Mural em Orgosolo-Autunno-in-Barbagia-murales14.jpg) data de março de 1979 e aborda uma temática de saúde pública e crise humanitária através de uma alegoria dramática.

O que está escrito?
O mural usa palavras-chave escritas diretamente sobre as roupas e objetos das personagens para identificar o que cada uma simboliza:

Na lâmina da espada: "VIRUS"

Na túnica da figura agressora: "FAME" (Fome) e "EPIDEMIA" (Epidemia)

Na camisola da mulher que protege a criança: "MEDICINA PREVENTIVA"

No canto esquerdo: A data "7-3-'79" (7 de março de 1979).

No canto inferior direito (sobre a montanha de corpos): As assinaturas dos autores do mural (Fistrale A.F., Carta P., Bassu M., Giobbo G.M., Goddi A.M.).

O que representa?
Este mural é uma alegoria sobre a luta da ciência e da saúde pública contra a mortalidade provocada por doenças e pela subnutrição. O estilo visual angular e dramático volta a beber muito da influência de Guernica de Picasso para transmitir urgência e sofrimento.

A Ameaça Transmissível: A grande figura escura e monstruosa no centro personifica as maiores ameaças à sobrevivência humana na época: a Fome e a Epidemia. Ela ergue uma espada (o Vírus) pronta para golpear, representando como as doenças infecciosas e a falta de recursos atacam as populações de forma devastadora.

A Defesa pela Ciência (Medicina Preventiva): A figura feminina central, rotulada como "Medicina Preventiva", coloca-se corajosamente como um escudo entre o agressor e os mais vulneráveis. Ela carrega uma criança saudável nas costas, simbolizando que a prevenção (como a vacinação, o saneamento e a nutrição adequada) é a única barreira eficaz para salvar as futuras gerações.

O Custo da Inação: À direita, a trágica montanha de corpos empilhados ilustra o resultado fatal de quando a fome e as epidemias vencem a batalha. À esquerda, outra imagem comovente mostra uma mãe a chorar enquanto abraça fortemente o seu filho, personificando a dor familiar provocada pelas crises sanitárias.

O mural funciona como um manifesto em defesa do investimento na medicina social e preventiva, lembrando que a saúde pública é um direito fundamental e a principal arma para proteger a vida contra as forças da natureza e da negligência socioeconómica.» (Google Gemini)


2026 05 23 - Mural em Orgosolo, Sardenha, Itália - 'Outono Alemão' de 1977

«Este mural, pintado na fachada do histórico "Bar Ziu Mesina" em Orgosolo, é uma das obras mais complexas e politicamente carregadas da vila. Ele aborda os trágicos acontecimentos do "Outono Alemão" de 1977, ligando o terrorismo de Estado, a luta armada e o perigo latente do fascismo através das palavras do dramaturgo Bertolt Brecht.

O que está escrito?
O mural está repleto de textos e nomes que exigem uma leitura atenta:

1. O Bloco Central (A lápide/monumento)
Abaixo do busto de um homem a fumar cachimbo, lê-se uma inscrição fortemente irónica:

"Helmut Schmidt (capo del governo tedesco) difensore della democrazia e della civiltà occidentale esperto in suicidi di Stato. L'imperialismo pose 19-10-1977"

Tradução: "Helmut Schmidt (chefe do governo alemão) defensor da democracia e da civilização ocidental, especialista em suicídios de Estado. O imperialismo colocou [esta inscrição] 19-10-1977."

2. Nomes ao redor da base (Os mortos)
Abaixo do monumento, encontram-se os nomes dos principais membros do grupo guerrilheiro de extrema-esquerda alemão RAF (Fração do Exército Vermelho), encontrados mortos na prisão de alta segurança de Stammheim precisamente em meados de outubro de 1977:

"Andreas Baader" (escrito junto à árvore seca, à esquerda)

"Gudrun Ensslin" (no centro-esquerda)

"Ulrike Meinhof" (no centro-direita, cuja morte ocorreu antes, em 1976, mas que iniciou o ciclo de mistério)

3. O Texto à Direita (Citação de Bertolt Brecht)
Na parede branca do lado direito, encontra-se uma das mais célebres advertências antifascistas da literatura:

"E voi imparate che occorre vedere, non guardare in aria occorre agire, non parlare. Questo mostro stava una volta per governare il mondo. I popoli lo spensero. Però non cantiamo vittoria troppo presto: il grembo da cui nacque é ancora fecondo." — Bertolt Brecht

Tradução: "E vós aprendei que é preciso ver, não olhar para o ar; é preciso agir, não falar. Este monstro esteve uma vez prestes a governar o mundo. Os povos o extinguiram. Porém, não cantemos vitória demasiado cedo: o ventre de onde nasceu ainda é fecundo."

O que representa?
Este mural representa a desconfiança radical perante o poder do Estado e um alerta contra o ressurgimento do fascismo institucional.

A Crítica ao "Outono Alemão": A obra foca-se na chamada "Stammheimer Todesnacht" (A Noite da Morte de Stammheim), na qual os líderes do grupo Baader-Meinhof apareceram mortos nas suas celas de isolamento. A versão oficial do governo de Helmut Schmidt foi a de suicídio coletivo coordenado. No entanto, os movimentos de esquerda da época (incluindo os muralistas de Orgosolo) acusaram o Estado alemão de execução política camuflada. A expressão "especialista em suicídios de Estado" é uma denúncia direta a essa narrativa oficial.

A Estética do Luto: Do lado esquerdo, a árvore seca, desfolhada e com um corvo pousado, junto a uma figura prostrada, evoca um ambiente de morte, censura e perda de liberdade.

O Alerta de Brecht: A inclusão da epígrafe de Bertolt Brecht (retirada da sua peça A Resistível Ascensão de Arturo Ui, que satiriza a subida de Hitler ao poder) eleva a mensagem do mural a um plano universal. O artista utiliza a tragédia alemã dos anos 70 para lembrar que as estruturas autoritárias não desapareceram com a Segunda Guerra Mundial. O "ventre fecundo" serve de aviso: as democracias liberais podem facilmente adotar métodos totalitários ou dar espaço ao neofascismo se a população permanecer passiva ("olhar para o ar").» (Google Gemini)


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