Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Paços do Concelho de Setúbal e Casa do Corpo da Guarda

* Victor Nogueira

O edifício original remontaria ao século XVI, sendo  a vizinha Casa do Corpo da Guarda nele inspirado A Casa do Corpo da Guarda datava de 1650 e foi profundamente danificado pelo terramoto  de 1755, sendo necessária a sua reconstrução nesse mesmo século
.

Casa do Corpo da Guarda

O edifício dos Paços o Concelho de Setúbal, foi destruído por um incêndio na noite de 4 de Outubro de 1910. Nesse dia e sem esperar por Lisboa a República fora proclamada não só em Setúbal como também na Moita e em Loures. 

(foto de Américo Ribeiro)

O novo edifício, em projecto do arquitecto Raúl Lino, ficou concluído em 1938. Nele se destacam para além da imponente escadaria as Sala das Sessões e o Salão Nobre. Neste figura o Tríptico dos Setubalenses Ilustres (1952), obra da autoria do pintor setubalense, Luciano dos Santos (1911 - 2006), Nele figuram os então considerados "notáveis" em sete séculos de história setubalense, desde os tempos medievais; cavaleiros da Ordem Militar de Santiago e outras personalidades sadinas como os pintores João Vaz e Morgado de Setúbal, a cantora lírica Luísa Todi, os poetas Bocage e Vasco Mouzinho de Quevedo, , o compositor musical Silvestre Serrão, entre outros.








Tríptico dos Setubalenses Ilustres, por Luciano dos Santos

in http://www.mun-setubal.pt/pt/pagina/triptico-dos-setubalenses-ilustres/236

Do Blog Pérola do Sado reproduzo um post sobre a Casa do Corpo de Guarda

Pérola do Sado
Este é um blog que tem por objectivo dar a conhecer um pouco da história e estórias da cidade de Setúbal.

QUARTA-FEIRA, 30 DE JANEIRO DE 2008
Casa do Corpo da Guarda


Mandado construír por João Nunes da Cunha nos de 1650, foi remodelado ao mesmo tempo que o edifício camarário, no reinado de D. João V (devido ás danificações causadas pelo terramoto de 1755).

Albergou soldados, funcionando como Posto Militar e dependência do Distrito de Recrutamento Militar até 1993.Em termos estéticos: é um edifício de dois pisos comportando arcos de volta perfeita, sendo que o ritmo e a escala das aberturas do seu pórtico e das janelas do primeiro andar revelam equilíbrio harmonioso que o tornam, apesar das suas modestas dimensões, um dos edifícios mais nobres da Praça do Bocage.

Contíguo a esta construção encontra-se desde 1738, um dos muitos Passos da Procissão da Paixão dispersos pela cidade. Esta construção sucedeu a uma capela anexa ao edifício, que tinha como orago Nossa Senhora da Conceição.

Quanto á sua autoria, suspeita-se de um Arquitecto da época pertencente á Ordem de Santiago: João Baptista Barré.

http://elmanosadino.blogspot.pt/2008/01/casa-do-corpo-da-guarda.html

segunda-feira, 25 de abril de 2016

do Cabo Espichel ao Castelo de Sesimbra

* Victor Nogueira


Ultrapassados os aglomerados urbanos, uma rectilínea tira de estrada ladeada de vegetação rasteira desemboca num campo de terra batida pejado de automóveis, junto ao vasto terreiro ladeado das casas dos peregrinos com a Igreja ao fundo. Eis o Santuário do Cabo Espichel, dum encanto para mim sempre renovado. que já foi objecto duma outra minha photo-reportagem intitulada 

entre o castelo de sesimbra e o cabo espichel


As hospedarias, caiadas de branco, têm as janelas e portas emparedadas e a reconstrução dos telhados não respeitou a traça inicial, em tesoura. A Casa da Ópera continua em ruínas e nas construções adjacentes persistem apenas alguns panos de parede. Os "registos" (azulejares) da Ermida da Memória praticamente desapareceram, fruto de vandalismo. No terreno de terra batida estacionam muitos automóveis e um pequeno café com esplanada serve os visitantes, enquanto "recuerdos" se vendem numa tenda ao ar livre. As falésias estão agora protegidas por vedações, para prevenção de acidentes; a tarde está límpida e soalheira e a ventania característica da zona varre desagradavelmente o cabo desabrigado. Testemunhando a primavera, mantos de flores brancas ou amarelas colorizam  o verde da erva.

Daqui o destino é o Castelo de Sesimbra, altaneiro como sentinela do mar e dos campos em redor. No recinto amuralhado da abandonada vila de outrora, no adro da Igreja de N. Sra. do Castelo,  algumas estátuas em mármore são novidade: uma sereia, um bote, golfinhos, um cardume de peixes.


foto Victor Nogueira - ermida da memória


foto Victor Nogueira - farol




Foto Victor Nogueira - Cabo Espichel (enseada a norte conhecida como praia dos lagosteiros)



Foto Victor Nogueira - Igreja  de N Sra do Cabo Espichel




Foto Victor Nogueira - Grafitti contra a "loja de chineses"


foto victor nogueira - terreiro dos peregrinos com a mãe de água ao fundo


foto victor nogueira - castelo de sesimbra


foto victor nogueira - sesimbra vista duma das seteiras do castelo


foto victor nogueira - pano de muralha e caminho da ronda da antiga  vila medieval


foto victor nogueira - igreja de n. sra. do castelo


foto victor nogueira - torre de menagem

25 de Abril de 2016




foto victor nogueira - lisboa - rua antónio maria cardoso - mural (entretanto destruído) homenageando as ´ultimas vítimas assassinadas pela PIDE/DGS antes da sua rendição em 25 de Abril de 1974. A sede nacional da Pide, cujo edifício era propriedade da Casa dos Duques de Bragança,é hoje um Hotel de luxo.



"NESTA RUA, ANTES DE SE RENDER, A PIDE MATOU E QUATRO COMPANHEIROS TOMBARAM PELA LIBERDADE NO DIA DA LIBERTAÇÃO"


Ficam CINCO canções emblemáticas.

De José Afonso, que tal como Adriano Correia de Oliveira, não é "Herói" no Panteão Nacional, 

GRÂNDOLA VILA MORENA



e OS VAMPIROS


e de Ermelinda Duarte 

SOMOS LIVRES




e com José Mário Branco EU VIM DE LONGE 




culminando com Sérgio Godinho em LIBERDADE



6 comentários
Comentários
Milu Vizinho Victor. Obrigada pela partilha Emoji heart
Maria Rodrigues Obrigado amigo pela partilha, adurei, uma boa noite beijinhos da muito amiga Emoji heart Emoji heart Emoji heart Emoji like
Cecília Barata . Obrigada pela partilha . Emoji heart
Maria João De Sousa Abraço, Victor Barroso Nogueira! Que viva Abril!!!
Filipe Chinita obrigado querido homem. por teres memória!

quinta-feira, 14 de abril de 2016

entre a serra, o mar e o rio

* Victor Nogueira
(texto e fotos)

O tempo tornou-se escasso e do projecto inicial ficaram para outra feita o castelo de Sesimbra e o santuário do Cabo Espichel, lugares de encanto nas minhas deambulações.  Para visitar a Serra o melhor trajecto é de Ocidente para Oriente, com Setubal e o Estuário do Sado no horizonte.

Assim, o trajecto na ida faz-se por Vila Nogueira de Azetão, entrevendo a Quinta da Bacalhoa e passando em desvio pelo centro de Vila Fresca, Oleiros e Aldeia de Irmãos, Não há fotos e a tarde está soalheira embora o vento seja agreste na serrania.  Para trás ficaram a doçaria de Azeitão e a Biblioteca-Museu de Sebastião da Gama, um  dos poetas da serra da Arrábida, conjuntamente com Frei Agostinho da Cruz. Deste último é o poema seginte:

DA SERRA DA ARRÁBIDA

Do meio desta Serra derramando
A saudosa vista nas salgadas
Águas humildes, quando e quando inchadas
Conforme a qual o tempo vai soprando,

Estou comigo só considerando,
Donde foram parar cousas passadas,
E donde irão presentes mal fundadas,
Que pelos mesmos passos vão passando.

Oh! qual se representa nesta parte
Aquela derradeira hora da vida
Tão devida, tão certa, e tão incerta!

Em quantas tristes partes se reparte,
Dentro nesta alma minha, entristecida,
A dor, que em tais extremos me desperta!

Alta Serra deserta, donde vejo
As águas do Oceano duma banda,
E doutra já salgadas as do Tejo:

Aquela saüdade que me manda
Lágrimas derramar em toda a parte,
Que fará nesta saüdosa, e branda?

Daqui mais saüdoso o sol se parte;
Daqui muito mais claro, mais dourado,
Pelos montes, nascendo, se reparte.

Aqui sob-lo mar dependurado
Um penedo sobre outro me ameaça
Das importunas ondas solapado.

Duvido poder ser que se desfaça
Com água clara, e branda a pedra dura
Com quem assim se beija, assim se abraça.

Mas ouço queixar dentro a Lapa escura,
Roídas as entranhas aparecem
Daquela rouca voz, que lá murmura.

Eis por cima da rocha áspera descem
Os troncos meio secos encurvados,
Eis sobem os que neles enverdecem.

Os olhos meus dali dependurados,
Pergunto ao mar, às plantas, aos penedos
Como, quando, por quem foram criados?

poema completo em 
http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/fcruz.htm


Pedra da Anixa


Convento Novo


a serra, o mar e o rio



Convento Velho


Pedra da Anixa no Portinho da Arrábida


o Oceano



Núvens


Setúbal vista da Serra da Arrábida