À esquerda do mural, está desenhado o símbolo comunista da foice e do martelo com uma estrela de cinco pontas, acompanhado pela sigla PCPR — Partido Comunista Português (Reconstruído), uma organização de tendência marxista-leninista/maoísta ativa em Portugal no período pós-revolucionário. Ao centro, destaca-se um retrato pintado de Estaline (Ióssif Stálin).
O que está escrito no mural divide-se em duas partes principais:
Ao centro (por cima e por baixo do retrato):
"Viva o Centenário do Nascimento de STÁLINE! Grande Guia do Proletariado Mundial!" (Nota: O centenário do nascimento de Estaline celebrou-se em dezembro de 1979, o que ajuda a enquadrar a data da fotografia).
À direita (o anúncio do evento):
"COMÍCIO de ENCERRAMENTO do 3º CONGRESSO do PCP(R) dia 1 de JULHO DOMINGO AS 15 HORAS no Campo Pequeno com a Presença de delegações Estrangeiras"
O que representa: O mural representa a atividade de propaganda política da extrema-esquerda portuguesa no final da década de 1970. Especificamente, serve para convocar os apoiantes e a classe trabalhadora para o grande comício que encerrava o Terceiro Congresso do PCP(R), realizado na praça de touros do Campo Pequeno, em Lisboa, e simultaneamente homenagear a figura histórica de Estaline no ano do seu centenário.» (Google Gemini)
O que está escrito?
Na faixa superior lê-se uma citação atribuída a Aleksandr Solzhenitsyn:
"Sullo stesso nastro d'asfalto su cui di notte circolano i carri per trasportare i prigionieri, di giorno camminano i giovani con le bandiere e i fiori cantando canzoni allegre e spensierate."
Tradução aproximada:
"Sobre a mesma faixa de asfalto por onde, durante a noite, circulam os veículos que transportam os prisioneiros, durante o dia caminham os jovens com bandeiras e flores, cantando canções alegres e despreocupadas."
É uma reflexão sobre a coexistência entre a vida quotidiana e a repressão política.
À direita aparece uma frase atribuída a Joseph Stalin:
"Una singola morte è una tragedia, un milione di morti è una statistica."
Tradução:
"Uma única morte é uma tragédia; um milhão de mortes é uma estatística."
Embora a frase seja popularmente atribuída a Stalin, os historiadores discutem se ele a pronunciou realmente.
O que representa o mural?
O mural é uma crítica ao sistema repressivo da antiga União Soviética, especialmente ao período de Stalin.
À esquerda
Vê-se um agente da polícia política soviética (NKVD), empunhando um chicote.
No texto italiano ao lado lê-se, em resumo, que:
- a denúncia anónima tornou-se um instrumento comum;
- incentivava-se a denunciar familiares e vizinhos;
- criou-se um clima de medo e suspeita.
Ao centro
Há um contraste muito evidente:
- uma criança pioneira soviética com bandeira;
- trabalhadores e camponeses sorridentes;
- símbolos do comunismo (foice e martelo);
- slogans em russo como:
МИР – ТРУД – МАЙ
que significa:
"Paz – Trabalho – Maio"
(slogan tradicional das celebrações do 1.º de Maio soviético).
Esta parte representa a propaganda oficial do regime.
À direita
Aparecem prisioneiros numerados, carregando pedras e puxando vagonetas.
São uma referência aos:
Gulag
os campos de trabalho forçado onde milhões de pessoas foram presas durante o período estalinista.
Os textos vermelhos enumeram números de vítimas, execuções, deportações e mortes associadas às repressões soviéticas.
Mensagem global do mural
A composição opõe duas realidades:
- A imagem idealizada da União Soviética
- paz;
- trabalho;
- progresso;
- juventude feliz.
- A realidade da repressão
- polícia política;
- denúncias;
- prisões;
- campos de trabalho;
- milhões de vítimas.
O "buraco" pintado na parede funciona como uma metáfora visual: por trás da fachada colorida da propaganda, o artista mostra aquilo que considera ter sido a realidade oculta do regime.
Trata-se, portanto, de um mural fortemente antitotalitário, centrado na denúncia dos crimes do estalinismo e dos Gulags, tema muito associado às obras de Solzhenitsyn, especialmente o livro Arquipélago Gulag.
Pela estética, pelo tema e pela localização, é muito provável que este mural tenha sido realizado por artistas ligados ao movimento muralista de Orgosolo nas décadas finais do século XX.» (chatGPT)
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Este é mais um mural marcante localizado em Orgosolo, na Sardenha. Ao contrário do anterior, este foca-se numa perspetiva histórica e altamente crítica em relação ao regime soviético, ao Stalinismo e ao sistema do Gulag.
A composição estabelece um forte contraste entre a propaganda oficial idealizada pelo regime e a realidade violenta de repressão, trabalho forçado e censura.
O que está escrito (Tradução e Transcrição)
1. A citação principal (no topo):
"Sullo stesso nastro d'asfalto su cui di notte circolano i carri per trasportare i prigionieri - di giorno camminano i giovani con le bandiere e i fiori cantando canzoni allegre e spensierate." — Aleksander Solzenicyn
Tradução: "Na mesma faixa de asfalto onde de noite circulam as carruagens para transportar os prisioneiros - de dia caminham os jovens com bandeiras e flores cantando canções alegres e despreocupadas."
Significado: Esta frase do famoso dissidente e escritor soviético Aleksandr Solzhenitsyn sintetiza a dualidade do regime totalitário: a fachada festiva diurna versus o terror e os sequestros políticos noturnos.
2. Os títulos à direita:
"Una singola morte è una tragedia" / "Un milione di morti è una statistica" — Stalin
Tradução: "Uma única morte é uma tragédia; um milhão de mortes é uma estatística" (frase historicamente atribuída a Josef Stalin, ilustrando o cinismo e a desumanização do regime perante a perda de vidas em massa).
3. Os blocos de texto explicativos (históricos):
À esquerda: Explica o clima de paranoia e denúncia do regime, onde bastava uma denúncia anónima para que alguém fosse considerado "inimigo do povo" e enviado para morrer no Gulag. Refere que, para o nascimento do comunismo, se eliminou a inteligência, a propriedade privada, as tradições, a história e a religião, classificando-o como uma "verdadeira catástrofe demográfica e da cultura russa".
À direita: Lista os números estimados de vítimas em diferentes períodos do regime soviético (Guerra Civil, coletivização forçada de 1929-1933, fuzilamentos políticos do Grande Terror de 1937-1938, as mortes nos campos do Gulag entre 1935-1956, e as fomes). Os números a vermelho destacam marcas como 1.000.000, 3.000.000 e 1.200.000 de mortos.
O que representa (Elementos Visuais)
O mural divide-se visualmente em três cenários interligados:
A. A figura do opressor (Esquerda)
Representa Lavrentiy Beria (identificado pelo texto vertical junto à sua perna: "Lavrentij Berija capo del NKVD / Organizzatore delle repressioni di massa"). Beria foi o temido chefe da polícia secreta de Stalin (NKVD). Ele surge retratado com óculos, farda militar, pisando papéis (que simbolizam direitos, leis ou vidas descartadas) e empunhando um chicote, personificando o terror do Estado.
B. A ilusão da Propaganda (Centro)
Dentro de uma moldura que simula uma rutura na parede cinzenta, irrompe uma imagem colorida que replica os cartazes de propaganda idealizados pelo Realismo Socialista:
Camponeses e operários sorridentes, fortes e orgulhosos, carregando trigo sob a bandeira vermelha da URSS com a foice e o martelo, com o Kremlin de Moscovo ao fundo.
Está escrito "МИР, ТРУД, МАЙ" (Paz, Trabalho, Maio), o famoso slogan soviético do Dia do Trabalhador.
C. A realidade do Gulag (Direita)
Imediatamente ao lado da imagem colorida e idílica, a pintura regressa ao tom cinzento e sombrio para mostrar a realidade oculta:
Prisioneiros numerados (como se vê o número nas costas de um deles: 20361) em trabalhos forçados, acorrentados e a empurrar um carrinho de mão cheio de pedras pesadas.
Resumo da Obra
Este mural funciona como um memorial histórico e uma denúncia explícita dos crimes de Estado da União Soviética sob o comando de Stalin e Beria, usando as próprias palavras de Solzhenitsyn para expor como a propaganda festiva servia para encobrir um sistema brutal de repressão e morte. (Google Gemini)
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