Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

sábado, 6 de junho de 2026

Murais de solidariedade internacionalista (17) - Estaline



Mural na Baixa da Banheira 1980 -0001 #  PCP (R) Viva o centenário do nascimento de Estaline (Foto Victor Nogueira)

«A imagem mostra um mural político pintado numa parede exterior na Baixa da Banheira, no período após o 25 de Abril de 1974), que serve como cartaz de propaganda e convocatória para um evento partidário.

À esquerda do mural, está desenhado o símbolo comunista da foice e do martelo com uma estrela de cinco pontas, acompanhado pela sigla PCPRPartido Comunista Português (Reconstruído), uma organização de tendência marxista-leninista/maoísta ativa em Portugal no período pós-revolucionário. Ao centro, destaca-se um retrato pintado de Estaline (Ióssif Stálin).

O que está escrito no mural divide-se em duas partes principais:

Ao centro (por cima e por baixo do retrato):

"Viva o Centenário do Nascimento de STÁLINE! Grande Guia do Proletariado Mundial!" (Nota: O centenário do nascimento de Estaline celebrou-se em dezembro de 1979, o que ajuda a enquadrar a data da fotografia).

À direita (o anúncio do evento):

"COMÍCIO de ENCERRAMENTO do 3º CONGRESSO do PCP(R) dia 1 de JULHO DOMINGO AS 15 HORAS no Campo Pequeno com a Presença de delegações Estrangeiras"

O que representa: O mural representa a atividade de propaganda política da extrema-esquerda portuguesa no final da década de 1970. Especificamente, serve para convocar os apoiantes e a classe trabalhadora para o grande comício que encerrava o Terceiro Congresso do PCP(R), realizado na praça de touros do Campo Pequeno, em Lisboa, e simultaneamente homenagear a figura histórica de Estaline no ano do seu centenário.» (Google Gemini)


«Este mural parece ser um dos famosos murais políticos de Orgosolo, aldeia conhecida pelas centenas de pinturas murais com temas históricos, sociais e ideológicos.

O que está escrito?

Na faixa superior lê-se uma citação atribuída a Aleksandr Solzhenitsyn:

"Sullo stesso nastro d'asfalto su cui di notte circolano i carri per trasportare i prigionieri, di giorno camminano i giovani con le bandiere e i fiori cantando canzoni allegre e spensierate."

Tradução aproximada:

"Sobre a mesma faixa de asfalto por onde, durante a noite, circulam os veículos que transportam os prisioneiros, durante o dia caminham os jovens com bandeiras e flores, cantando canções alegres e despreocupadas."

É uma reflexão sobre a coexistência entre a vida quotidiana e a repressão política.

À direita aparece uma frase atribuída a Joseph Stalin:

"Una singola morte è una tragedia, un milione di morti è una statistica."

Tradução:

"Uma única morte é uma tragédia; um milhão de mortes é uma estatística."

Embora a frase seja popularmente atribuída a Stalin, os historiadores discutem se ele a pronunciou realmente.


O que representa o mural?

O mural é uma crítica ao sistema repressivo da antiga União Soviética, especialmente ao período de Stalin.

À esquerda

Vê-se um agente da polícia política soviética (NKVD), empunhando um chicote.

No texto italiano ao lado lê-se, em resumo, que:

  • a denúncia anónima tornou-se um instrumento comum;
  • incentivava-se a denunciar familiares e vizinhos;
  • criou-se um clima de medo e suspeita.

Ao centro

Há um contraste muito evidente:

  • uma criança pioneira soviética com bandeira;
  • trabalhadores e camponeses sorridentes;
  • símbolos do comunismo (foice e martelo);
  • slogans em russo como:

МИР – ТРУД – МАЙ

que significa:

"Paz – Trabalho – Maio"

(slogan tradicional das celebrações do 1.º de Maio soviético).

Esta parte representa a propaganda oficial do regime.

À direita

Aparecem prisioneiros numerados, carregando pedras e puxando vagonetas.

São uma referência aos:

Gulag

os campos de trabalho forçado onde milhões de pessoas foram presas durante o período estalinista.

Os textos vermelhos enumeram números de vítimas, execuções, deportações e mortes associadas às repressões soviéticas.


Mensagem global do mural

A composição opõe duas realidades:

  1. A imagem idealizada da União Soviética
    • paz;
    • trabalho;
    • progresso;
    • juventude feliz.
  2. A realidade da repressão
    • polícia política;
    • denúncias;
    • prisões;
    • campos de trabalho;
    • milhões de vítimas.

O "buraco" pintado na parede funciona como uma metáfora visual: por trás da fachada colorida da propaganda, o artista mostra aquilo que considera ter sido a realidade oculta do regime.

Trata-se, portanto, de um mural fortemente antitotalitário, centrado na denúncia dos crimes do estalinismo e dos Gulags, tema muito associado às obras de Solzhenitsyn, especialmente o livro Arquipélago Gulag.

Pela estética, pelo tema e pela localização, é muito provável que este mural tenha sido realizado por artistas ligados ao movimento muralista de Orgosolo nas décadas finais do século XX.» (chatGPT)

~~~~~~ooo0ooo~~~~~~

Este é mais um mural marcante localizado em Orgosolo, na Sardenha. Ao contrário do anterior, este foca-se numa perspetiva histórica e altamente crítica em relação ao regime soviético, ao Stalinismo e ao sistema do Gulag.

A composição estabelece um forte contraste entre a propaganda oficial idealizada pelo regime e a realidade violenta de repressão, trabalho forçado e censura.

O que está escrito (Tradução e Transcrição)

1. A citação principal (no topo):

"Sullo stesso nastro d'asfalto su cui di notte circolano i carri per trasportare i prigionieri - di giorno camminano i giovani con le bandiere e i fiori cantando canzoni allegre e spensierate."Aleksander Solzenicyn

  • Tradução: "Na mesma faixa de asfalto onde de noite circulam as carruagens para transportar os prisioneiros - de dia caminham os jovens com bandeiras e flores cantando canções alegres e despreocupadas."

  • Significado: Esta frase do famoso dissidente e escritor soviético Aleksandr Solzhenitsyn sintetiza a dualidade do regime totalitário: a fachada festiva diurna versus o terror e os sequestros políticos noturnos.

2. Os títulos à direita:

  • "Una singola morte è una tragedia" / "Un milione di morti è una statistica"Stalin

    • Tradução: "Uma única morte é uma tragédia; um milhão de mortes é uma estatística" (frase historicamente atribuída a Josef Stalin, ilustrando o cinismo e a desumanização do regime perante a perda de vidas em massa).

3. Os blocos de texto explicativos (históricos):

  • À esquerda: Explica o clima de paranoia e denúncia do regime, onde bastava uma denúncia anónima para que alguém fosse considerado "inimigo do povo" e enviado para morrer no Gulag. Refere que, para o nascimento do comunismo, se eliminou a inteligência, a propriedade privada, as tradições, a história e a religião, classificando-o como uma "verdadeira catástrofe demográfica e da cultura russa".

  • À direita: Lista os números estimados de vítimas em diferentes períodos do regime soviético (Guerra Civil, coletivização forçada de 1929-1933, fuzilamentos políticos do Grande Terror de 1937-1938, as mortes nos campos do Gulag entre 1935-1956, e as fomes). Os números a vermelho destacam marcas como 1.000.000, 3.000.000 e 1.200.000 de mortos.

O que representa (Elementos Visuais)

O mural divide-se visualmente em três cenários interligados:

A. A figura do opressor (Esquerda)

Representa Lavrentiy Beria (identificado pelo texto vertical junto à sua perna: "Lavrentij Berija capo del NKVD / Organizzatore delle repressioni di massa"). Beria foi o temido chefe da polícia secreta de Stalin (NKVD). Ele surge retratado com óculos, farda militar, pisando papéis (que simbolizam direitos, leis ou vidas descartadas) e empunhando um chicote, personificando o terror do Estado.

B. A ilusão da Propaganda (Centro)

Dentro de uma moldura que simula uma rutura na parede cinzenta, irrompe uma imagem colorida que replica os cartazes de propaganda idealizados pelo Realismo Socialista:

  • Camponeses e operários sorridentes, fortes e orgulhosos, carregando trigo sob a bandeira vermelha da URSS com a foice e o martelo, com o Kremlin de Moscovo ao fundo.

  • Está escrito "МИР, ТРУД, МАЙ" (Paz, Trabalho, Maio), o famoso slogan soviético do Dia do Trabalhador.

C. A realidade do Gulag (Direita)

Imediatamente ao lado da imagem colorida e idílica, a pintura regressa ao tom cinzento e sombrio para mostrar a realidade oculta:

  • Prisioneiros numerados (como se vê o número nas costas de um deles: 20361) em trabalhos forçados, acorrentados e a empurrar um carrinho de mão cheio de pedras pesadas.

Resumo da Obra

Este mural funciona como um memorial histórico e uma denúncia explícita dos crimes de Estado da União Soviética sob o comando de Stalin e Beria, usando as próprias palavras de Solzhenitsyn para expor como a propaganda festiva servia para encobrir um sistema brutal de repressão e morte. (Google Gemini)

Sem comentários: