Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

terça-feira, 26 de maio de 2020

coretos 19 - Lugar de Baril (Mafra)


foto victor nogueira - coreto no lugar de Baril, freguesia da Encarnação - Mafra)


No lugar do Baril, Igreja matriz e coreto (1938). A Sociedade Filarmónica 1º de Dezembro da Encarnação, fundada em 1840, situa-se no Largo Central da Igreja. (1998.12.19)

segunda-feira, 25 de maio de 2020

coretos 18 - Tui (Galiza)

* Victor Nogueira

Por uma ponte de ferro, com trânsito alternado devido à sua pouca largura, já sem posto fronteiriço, passamos para Espanha, para a cidade de Tui, uma povoação de pedra, escura e pesada como são as do húmido Norte, com ruas estreitas e tortuosas, aqui e além um arco atravessando uma ruela. 


Sobressai na lembrança uma imponente e pesada igreja com rosáceas, defronte a um terreiro, e as casas ao longo das ruas, com a elegância dada por varandas salientes, de ferro, envidraçadas, novidade para mim. A igreja é uma catedral fortaleza românico gótica, símbolo da ligação entre os poderes espiritual e temporal, da confusão entre senhorios da Igreja e terratenentes medievais, de que as ordens religiosas e militares são também testemunho. No Paseo de la Corredera, uma das praças da cidade na avenida principal,  encontro um coreto, que fotografo já de noite  (1997.08.21 e 1998.06.07)

foto victor nogueira - Tui (Galiza) - coreto - rolo 349 - (1998.06.07)

domingo, 24 de maio de 2020

coretos 17 - Vila do Conde - Jardim Júlio Graça


Foto victor nogueira - Vila do Conde - coreto no Jardim Júlio Graça, antigo passeio público, com o edifício do antigo casino (2016 10 19)





Coreto velho (demolido) - postal ilustrado

sábado, 23 de maio de 2020

coretos 16 - Serra do Bouro (Caldas da Rainha)

* Victor Nogueira


Foto victor nogueira - Serra do Bouro (Caldas da Rainha) coreto no Largo do Arraial, Granja - rolo 359 (1998.06.15)

Serra do Bouro (Caldas da Rainha)
- Numa povoação que um velho mal-humorado me diz ser a da Serra do Bouro. Noutra ocasião, vagueando de noite pela serra, deparamos com o que resta da estação do caminho de ferro, perdida num ermo, um barracão de madeira longe da povoação. Da estação resta apenas este fantasmagórico armazém, e no chão a marcação do edifício demolido e roseiras do jardim que outrora alindavam o local. Nesta existe uma pequena igreja branca, adjacente ao cemitério e a um coreto de betão armado, com coberto. (1998.02.09 e 24)


sexta-feira, 22 de maio de 2020

coretos 15 - Pinhal Novo

* Victor Nogueira



fotosvictor nogueira - Pinhal Novo - coreto - rolo 215 (1998.01.09)


Datado de 1927 para uso da Sociedade Filarmónica União Agrícola (fundada em 1896) foi edificado em mármore, pedra lioz e ferro, com uma decoração típica da época, no Largo José Maria dos Santos








Painel de Azulejos em fontenário. de 1952

o(s) coreto(s) 14 - Bragança -

Foto victor nogueira (1999) - Bragança - coreto, exemplar da arquitectura do ferro, no Largo da Sé (painel de azulejos). Este coreto foi demolido em 1931, sendo nessa década edificado outro, no Jardim António José de Almeida, de betão armado.











Bragança  - coreto no Jardim António José de Almeida - Foto Daniel Vilar, maio de 2012

foto in https://reanimar-coretos-portugal.blogspot.com/2012/05/coreto-de-braganca.html?m=0

«Arquitectura recreativa, do séc. 20. Coreto em revivalismo neoclássico, constituído por base, de planta hexagonal, com paramentos rebocados e pintados, decorados por painéis com pontas de diamante, apresentando guarda em alvenaria vazada e plintos nos ângulos, sobre os quais se dispõem colunas, também de alvenaria, sustentando arquitrave ornada de acantos e harpa, e cobertura em terraço, protegido por platibanda com motivos semelhantes em ponta de diamante. O acesso é feito por escada adossada na face principal, com guarda igual à da base.»





quinta-feira, 21 de maio de 2020

gaivotas em terra


foto victor nogueira - setúbal 2018.01 - gaivotas em terra


GAIVOTA, por  Alexandre O'Neill

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.