Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

sexta-feira, 16 de abril de 2010

José de Souza Martins, Sociologia da fotografia e da imagem.

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Tempo Social

Print version ISSN 0103-2070

Tempo soc. vol.21 no.1 São Paulo  2009

doi: 10.1590/S0103-20702009000100014 

RESENHAS

Luiz Armando BagolinI; Magali dos ReisII
IProfessor doutor do IEB - USP
IIProfessora doutora da PUC-MG

José de Souza Martins, Sociologia da fotografia e da imagem. São Paulo, Contexto, 2008, 208 pp.
José de Souza Martins, José de Souza Martins. São Paulo, Edusp (coleção Artistas da USP), 2008, 184 pp.

As fotografias de José de Souza Martins, recentemente publicadas em livro da Edusp (2008), colimam o seu discurso sobre sociologia da imagem apresentado em Sociologia da fotografia e da imagem (2008), fazendo da fotografia assim chamada "estética", e não a documental, objeto de representação de imaginários socialmente partilhados. Distante da sociologia e da antropologia que tem na fotografia um amparo ou suporte metodológico para a investigação de caráter cientificista, tão somente, Martins, fotógrafo, amplifica a busca do sociólogo, a exemplo de Gisèle Freund e outros, que a entendem como encenação de mitologias cotidianas. O "ato fotográfico" envolve múltiplas relações e a muitos: o fotógrafo, o fotografado, um terceiro, o observador eventual da imagem revelada, sem que possa comunicar um único sentido ou um que ao menos prevaleça sobre todos os outros. Por meio daquele, o homem comum pode ficcionalizar-se a si mesmo como recurso à autoidentificação ou para a manutenção de ritos supérstites, pré-modernos, à sociedade industrializada, moderna. 
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Para Martins, seguindo Durkheim, o homem comum é incapaz de interpretar conscientemente as relações sociais, assim como a situação de que participa. A "anomia", conceito durkheimiano, atesta o momento de abstração, de desencontro entre a consciência social desse homem e as realidades sociais nas quais se insere. Por isso, para Martins, a fotografia, muito mais do que a palavra (ou a palavra positivada), e contra a ideia de verossimilhança em que normalmente vem embalada, é instrumento capaz de tornar visíveis esses desencontros, de pôr em evidência os descompassos ou os momentos de separação da referida consciência. 
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Em Sociologia da fotografia e da imagem, Martins pensa a fotografia indicial e subjetiva, na medida em que esta permite compartilhar os resíduos de uma humanidade, já extinta muitas vezes, convidando-nos a pensar sobre o que foi a sociedade a qual pertencera. As suas fotos sobre o Carandiru não ilustram, antes demonstram esse sentimento de dupla pertença que comparece a todo ato fotográfico. De um lado, as imagens permitem que adentremos num lugar abandonado, cheio de escombros, lixo e rastros de seus antigos ocupantes. De outro, faz-nos indagar sobre quem foram aqueles homens, como viveram, como e por que sofreram e, além de tudo, como nos comportaríamos naquela situação, se ali estivéssemos ou se ali tivéssemos vivido como companheiros ou inimigos. Além ou aquém das ruínas, os vestígios, invisíveis, daquela humanidade sondam o imaginário do fotógrafo assim como de qualquer outro espectador. Não se trata, porém, de subjetividade piegas ou de uma leitura psicológica daquilo que na imagem ofereça-se possivelmente à introjeção. A fotografia não nos dá a ver senão aquilo que já não é, ou "o isso foi", segundo Roland Barthes, revelando pelas ausências, segundo Martins, aquilo que se oculta no trato, ou no travo social. A fotografia como "representação social" só o é na medida em que contempla a "memória do fragmentário", como propõe o autor, ou no momento em que o fotógrafo se conscientiza da impossibilidade de retratar ou "congelar" a realidade, "aquilo que lá está" ou que "ali esteve". Talvez, por isso, em francês, a expressão "revelar uma fotografia" seja mais adequada do que em português, pois se escreve développer une photo, quer dizer, literalmente, "desenvolver uma foto", como acusou Castañon Guimarães, tradutor de Barthes para a língua portuguesa. Desnecessário pensá-la, entretanto, tão somente como imagem "codificada", subordinada aos procedimentos inerentes à ciência sobre o funcionamento da câmera escura, segundo Barthes, uma vez que genericamente se propõe como imago lucis opera expressa (imagem expressa por ação da luz); além de sua natureza como código visual, a fotografia revela, desenvolve a suposição de personagens por parte das pessoas que comparecem diante de uma objetiva, que se deixam, ou não, capturar pela abertura do diafragma. Tal abertura se dá simultaneamente para uma espécie de "dramaturgia social" ou para a "sociabilidade como dramaturgia", segundo Martins, uma vez que as pessoas "representam-se" e "representam para a sociedade" quando posam para uma fotografia. 
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Inútil como documento ou vestígio constitutivo da história do fotografado, a fotografia como representação interdita à biografia o biografado, pois se desenvolve, por contingência, em torno do biografável. Contingente, a fotografia só pode ser afeita à memória como estranhamento das perdas, das oposições, das rupturas e do abandono, como construto do momento irreconciliável do presente com o passado. Não estranha, portanto, que o autor chame a atenção para o conceito de "momento decisivo", de Henri Cartier-Bresson, interpretando-o como censura à fotografia casual, tirada a esmo e tão somente documental, em prol de uma outra que, a partir da imagem devindo, permanece como síntese imagética graças à sua razão compositiva e ao apuro da estesia e do olhar. Para Martins, a fotografia aliada ao conceito "momento decisivo" opõe-se à fotografia, antissociológica, do flagrante e da técnica documentarista a serviço do congelamento da banalidade. Coincide, assim, o seu discurso ainda com o de Barthes quando este censura a imagem fotográfica "unária", ou seja, aquela que elogia a busca de unidade a fim de reportar "de uma só vez" aquilo que simplesmente se propõe a reportar. Martins, no entanto, interpreta como verdadeira, ou especialmente mais significativa, a fotografia de caráter "estético", ou a que é feita conforme as premissas bressonianas, uma vez que a entende portadora de sentido remissivo à situação cotidiana que representa. Ao aceitá-la como uma "ideia sociologicamente mais densa", o autor também a assume como atitude para as suas próprias operações como fotógrafo, não casuais ou documentaristas, fazendo da elaboração e da construção representativa, assim como da reflexão, que acompanham o ato fotográfico, instrumentos que, recursivamente, operam a sua reflexão como sociólogo sobre a imagem e a cotidianidade do homem comum. 
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No livro da Edusp, já referido, Martins expõe ensaios fotográficos de sua autoria acompanhados de anotações em poemas, de três situações álibis para se pensar as emanações, ficcionais, das lidas com o cotidiano: "Paranapiacaba", "Fábrica de Linhas Pavão", "Cerâmica São Caetano" remetem à ruína como evidência das transformações por que passaram aquelas comunidades que testemunharam a transformação de seu modo simples de existência pela industrialização, aparentemente consubstanciadora da modernidade. Há nesses ensaios um jogo de aparências que se move, a par do real, pelo imaginário do fotógrafo, porquanto nas tramas de luzes e sombras, de grades e portões, máquinas, escombros e silhuetas humanas, se entrevê o entretecimento de relações humanas passadas ou daquelas que ainda persistem nostálgicas, graças aos afetos. Pois o olhar que o mantém interessado nesses escombros industriais, sobretudo, é de natureza afetiva, buscando na figuração de seu passado, enquanto menino, critérios para a escolha do "momento decisivo" na recolha das referidas imagens. 
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Realistas, essas fotografias o são tão somente como experiência ficcional fortemente identificada com os princípios compositivos da fotografia produzida entre o final do século XIX e a primeira metade do XX, e particularmente com as obras de Doisneau, Kertész, Henri Cartier-Bresson, Gisèle Freund e outros. O modo como Martins opera a seleção de seus motivos, quase sempre baixos, riparográficos, ou comuns, o enquadramento, o tratamento conferido à captação da luz, enevoada, a escolha pela granulação fina que na imagem em preto e branco gera contrastes com contornos menos duros, além de outros detalhes de natureza técnica, faz dessas imagens análogos remissivos à história recente da fotografia, sobretudo a da primeira metade do século XX. De algum modo, na obra de Martins, essas imagens não apenas iconizam, pela representação das ruínas, a modernidade e o seu declínio, simultaneamente ao aparecimento "de uma nova humanidade, juridicamente livre", mas a comentam pela manutenção de uma forma específica de discurso quanto à singularidade do olhar e do fotografar. 
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Tal relação ainda é evidente nas fotografias coloridas, que, ao final do livro, saturam de cores intensivamente artificiais as superfícies de objetos e máquinas arruinadas, de aspecto ferruginoso. A composição de algumas dessas fotos, assim como de seus títulos, alude às diversas tendências da arte abstrata, que, no Brasil, estiveram em voga na década de 1950. Plenamente operante na fotografia do período, os princípios construtivos de uma arte não representativa grassaram por aqui, na esteira de Rodchenko ou Lázló Moholy-Nagy, por exemplo, na obra, entre outros, de Geraldo de Barros, que Martins parece emular pela cor. A cor ajuda a desfazer completamente qualquer possibilidade de uso dessas imagens como registros documentais, pois até mesmo a pátina desses objetos é alterada de modo a não permitir qualquer outro comentário ou impressão que não aquele que os remeta à sua estranha aparição na página branca do papel. Enaltecendo pela cor a pigmentação das superfícies em corrosão, as últimas imagens presentes no livro de Souza Martins nomeiam-se "pós-modernidades", menos talvez porque testemunharam o ocaso da modernidade, mas porque tomam por empréstimo, como apropriação ou arte combinatória, procedimentos de experimentação da imagem análogos aos de outros artistas que, outrora, agiram sob a égide daquela categoria.
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“Histórias de Israel” em exposição

A Guarda
“Histórias de Israel” em exposição

Está patente ao público até ao dia 18 de Abril, no edifício dos Paços do Concelho da Guarda, uma exposição fotográfica intitulada “Histórias de Israel”.
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A mostra que foi inaugurada na segunda-feira, dia 12 de Abril, na presença do Embaixador de Israel em Portugal, Ehud Gol, que naquele dia visitou a cidade da Guarda e foi recebido pelo presidente da Câmara Municipal, Joaquim Valente, proporciona aos visitantes “uma viagem fotográfica ao interior e à alma da nação de Israel”.
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“Qualquer pessoa que tente compreender o mosaico que é a sociedade israelita verificará que os seus elementos são surpreendentemente diferentes. Esta exposição dá-nos a oportunidade de explorar alguns desses elementos, capturados pelas lentes dos melhores fotógrafos do fotojornalismo e do documentário de Israel. E, nada melhor para o expor, do que estes homens e mulheres que, pela natureza da sua profissão, estão completamente sintonizados com o pulsar e com a essência de Israel”, lê-se no folheto alusivo à mostra.
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Acrescenta que as imagens expostas “não seriam captadas pelos seus olhos numa visita casual ao país” e assinala que “a maior parte delas pode ser considerada atípica”. “Este projecto é uma tentativa de apresentar a única forma que os fotógrafos têm de construir uma história, escolhendo um ângulo extremo – por vezes bizarro – que depois clarifica a fotografia maior, usando as linhas laterais para realçar uma ideia que está nas entrelinhas. Este é o tipo de contador de histórias que a exposição pretende mostrar. Opostos, conflitos, contradições – tudo converge numa complexa e intrigante entidade: Israel”, refere o documento.
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As imagens que integram a mostra “Histórias de Israel” são todas parte do “Testemunho Local” de exposições de fotojornalismo de anos recentes. Desde que foi lançada em 2003, a exposição anual evoluiu, tornando-se num dos eventos culturais mais relevantes de Israel. Todos os anos, a equipa editorial e o júri examinam cerca de 10.000 imagens apresentadas a concurso e executadas pelos melhores fotógrafos de jornais e revistas.
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As 300 imagens vencedoras são compiladas numa retrospectiva fotográfica dos 12 meses precedentes e documentam diferentes mundos que vão das notícias, aos desportos e às artes. São essas fotografias que os habitantes da Guarda têm agora oportunidade de apreciar.
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HISTÓRIAS DE ISRAEL

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As imagens de “Histórias de Israel” são todas parte do “Testemunho. Local” de exposições de fotojornalismo de anos recentes. Desde que foi lançada em 2003, ...
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Fotografia - “Fragmentário” da autoria do beneditense A. M. Catarino.

Fotógrafo da Benedita edita livro

Abril 14th, 2010 in Jornal das Caldas. Edição On-line 

  
fotografo
No dia 22 de Abril, pelas 18h30, será lançado na Feira do Livro do Externato Cooperativo da Benedita o livro “Fragmentário” da autoria do beneditense A. M. Catarino.
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Ex-aluno do Externato, o autor é licenciado em Sociologia e desenvolve a sua actividade profissional nas áreas do Ensino e da Fotografia, colaborando com centros de formação na região Oeste.
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Desde 2004 que partilha na Internet algumas das suas fotografias, acompanhadas de textos também da sua autoria.
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O livro “Fragmentário” é uma consequência natural do seu gosto em entrelaçar a fotografia e a escrita.
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Após a feira do livro será também possível adquirir a obra através do sítio do autor na Internet em www.amcatarino.com.

Amcatarino.com

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segunda-feira, 12 de abril de 2010

Pedro Abrunhosa - Pontes Entre Nós


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PONTES ENTRE NÓS

(Pedro Abrunhosa | Pedro Abrunhosa)

Eu tenho o tempo,
Tu tens o chão,
Tens as palavras
Entre a luz e a escuridão.
Eu tenho a noite,
E tu tens a dor,
Tens o silêncio
Que por dentro sei de cor.

E eu, e tu,
Perdidos e sós,
Amantes distantes,
Que nunca caiam as pontes entre nós.

Eu tenho o medo,
Tu tens a paz,
Tens a loucura que a manhã ainda te traz.
Eu tenho a terra,
Tu tens as mãos,
Tens o desejo que bata em nós um coração.

E eu, e tu,
Perdidos e sós,
Amantes distantes,
Que nunca caiam as pontes entre nós.


Publicado por Universal Music Portugal às 00:00 - Sexta-feira, 22 de Junho de 2007
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http://pedro_abrunhosa.blogs.sapo.pt/4772.html
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domingo, 11 de abril de 2010

'As Ilhas dos Açores' - Madredeus


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adhardehadres



Album: 'Antología'-
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All pictures are from SPAIN,
from Fotonatura
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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Todas as cores e nuances de Luiz Braga em oficina


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Diário de Pará - Quinta-feira, 08/04/2010, 08h29

Todas as cores e nuances de Luiz Braga em oficina


Luiz Braga ministra oficina na programação do Prêmio Diário de Fotografia 
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Foi na conturbada e frenética Estrada Nova onde tudo começou. Em meados da década de 1970, o fotógrafo Luiz Braga percorria o itinerário comum para ir à Universidade Federal do Pará, quando cursava Arquitetura e Urbanismo. Via naquele cenário o que certamente poucos conseguiam enxergar. O olhar aguçado daquela paisagem suburbana se tornou o que considera o seu primeiro ensaio, “No Olho da Rua”, de 1984. “A visão que eu tinha quando ia para a UFPA foi o que me encantou. As cores, as pessoas, a forma cabocla de ser, seja na forma de pintar as casas, de vestir”, diz.

Procurando sempre fotografar aquele cenário desordenado de maneira sutil, o fotógrafo percebeu que poderia aproveitar as fontes de luz daquelas casas espremidas e dos bares coloridos. Surgia o desejo de descobrir e experimentar as possibilidades de usar a cor como elemento artístico em suas imagens. O período era complicado. Na década de 1980, a composição em preto e branco dominava e era difícil mostrar que poderia ser diferente. “Nos anos 80, quando fiz minha primeira exposição em cores, lembro que tinha que ficar defendendo que não era apenas a foto em P&B que tinha possibilidades artísticas”, recorda.

E ainda bem que Luiz não desistiu. É incrível a maneira como ele descreve o processo de aproveitamento das luzes para compor as matizes de suas fotografias. Ele fala de algumas fotografias feitas em Mosqueiro, como “Vendedor de Balões”, de 1990, revelando que é como “olhar para as nuvens e saber que elas se transmutarão para um cinza violeta no resultado final”. Ou mesmo que “os capim-marinhos da praia do Farol explodirão em verde banhados pela luz de vapor de mercúrio que aguardei acender”, referindo-se à fotografia “Babá Patchouli“, de 1986.

Por conta das pesquisas técnicas na linguagem fotográfica, explorando principalmente as fontes de luz, Luiz Braga é considerado hoje um dos principais coloristas da fotografia brasileira. Ele ministra a oficina “Margem da Cor”, de hoje até o dia 10, como parte da programação do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. As inscrições estão encerradas. Durante a oficina, ele vai realizar atividades que mostram o uso da cor como forma de expressão artística na linguagem fotográfica, fazendo um breve percurso pelo próprio trabalho. Além disso, Luiz mostrará como é possível realizar diferentes efeitos obtidos por meio da utilização e do conhecimento de diferentes fontes de luz, naturais ou artificiais, e suas temperaturas em situações do cotidiano. “Vou exibir exemplos dessas situações onde a cor foi usada com precisão e vai haver um dia para tomadas no ambiente livre da cidade”, antecipa o fotógrafo. Além disso, ele aconselha: “a cor é parte integrante da linguagem e por isso não deve ser usada de forma gratuita ou abusiva”.

NIGHT-VISION

Inquieto, Luiz Braga começou também a sondar novas perspectivas poéticas na linguagem fotográfica com o uso de tecnologia digital. Há pelo menos cinco anos ele pesquisa técnicas para criação com o modo “night-vision”, dispositivo para fotografias em ambiente escuro. Atualmente ele desenvolve o projeto “Verde-Noite, 11 raios na estrada nova, fotografia, night vision”, por meio do prêmio Marcantônio Vilaça, da Fundação Nacional de Artes (Funarte). São 11 imagens na já conhecida Estrada Nova, endereço que ele já conhece bem, em um percurso que abrange desde a Universidade Federal do Pará até o Mangal das Garças. “É onde se concentra o modo de vida ribeirinho e resolvi fazer uma revisita, usando a técnica que o Paulo Herkenhoff definiu como ‘night vision’, que são imagens de visão noturna adaptadas para a câmera fotográfica e que produzem um efeito que subverte a realidade”, diz. “A proposta do prêmio, cujas imagens realizei há três semanas, foi de retornar a esse lugar de descobertas e de encantamento. O que me deixou muito triste foi perceber que muito daquele encanto foi soterrado pela violência que cada vez mais domina um lugar onde antes eu caminhava despreocupado em busca de luzes e gestos”, lamenta.

As obras produzidas dentro do projeto ‘Verde-Noite’ farão parte do acervo do Museu das Onze Janelas e vão compor a primeira coleção de fotografias de Luiz Braga no Estado.

FOTOGRAFIA, LUZ E COR

Para conseguir a cor ideal em uma fotografia, deve-se observar com muito cuidado as fontes de luz disponíveis. O sol e as demais fontes artificiais de iluminação interferem diretamente no padrão da tonalidade da foto. Certamente você já notou diferenças quando saiu para fotografar em diferentes horários do dia. No início da manhã ou final de tarde, matizes avermelhadas tendem a aparecer; se a fonte for uma lâmpada doméstica, o efeito é um alaranjado, e com lâmpada fluorescente, azulado ou ainda esverdeado. O sol, ao entardecer, apresenta uma dominante vermelha, enquanto que o mesmo sol, ao meio-dia, terá aos olhos do filme colorido, uma intensidade maior de azul. As nuances diferenciadas aparecem justamente por conta das diferentes fontes de luz, que emitem gradações de cores dominantes, que podem variar do violeta ao vermelho, dependendo das suas características.

SALÃO

A Mostra Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, com as obras dos 25 artistas selecionados, segue em cartaz até o dia 30 deste mês no Museu da UFPA. O salão presta ainda uma homenagem aos fotógrafos Dirceu Maués e Cláudia Leão, que participam do projeto como artistas convidados e expõem trabalhos inéditos em Belém. A entrada é franca.

PARA SABER MAIS

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Fotografia é um saber empírico .



Quotidiano
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Para este jovem, a fotografia é encarada primeiro do que tudo como um passatempo, uma forma de estar, um modo de vida e de encarar o mundo. 
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Fotografia é um saber empírico
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António Lopes é um jovem açoriano que nutre uma enorme paixão pela fotografia. Um gosto que surgiu de forma natural na infância e que, entretanto, foi sendo aperfeiçoado.
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Com apenas 21 anos, António Lopes, é uma jovem promessa açoriana na área fotográfica. Apaixonado, desde tenra idade, por essa arte, este micaelense considera que a fotografia é um saber empírico, para o qual não necessitou de professores ou de livros.
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À reportagem do expressodasnove.pt, António Lopes conta que começou a fotografar ainda em criança. "Pegava na máquina de meu pai, sem ele saber, e ia fotografar", considerando por isso que a fotografia surgiu na sua vida de uma forma muito simples e natural, do mesmo modo "como acendo uma lâmpada no quarto carregando apenas no botão".
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Apesar da sua juventude, Lopes acredita que terá um futuro risonho pela frente, sem deixar, contudo, de ter consciência das limitações que advém do facto de viver numa ilha.
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Sobre os entraves próprios da insularidade, o fotógrafo refere que "apesar de encontrarmos na nossa paisagem cenários idílicos e únicos, a verdade é que o horizonte é um obstáculo difícil de transpor", algo que também se verifica a nível técnico. "Não é fácil ter o equipamento fotográfico nos Açores sempre a 100%. Temos de enviar o material para Lisboa e, por vezes, esperar meses, para o termos de volta com a manutenção que é exigida. Isso aconteceu-me há pouco tempo", adianta.
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Para este jovem, a fotografia é encarada primeiro do que tudo como um passatempo, uma forma de estar, um modo de vida e de encarar o mundo, sendo essa a sua principal prioridade. "A carreira vai surgindo. Embora não faça muita pressão para isso, gostava de seguir um percurso profissional como repórter fotográfico", diz.
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Com formação na área das Artes Visuais, António Lopes refere, todavia, que "a experiência ensina muito" pelo que, de momento, faz foto/notícia e foto/reportagem como freelancer para o "Correio dos Açores".
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"Procuro a estabilidade a este nível. Agora, a fotografia que gosto mesmo de fazer é a do instante: aquela em que, passado o momento, nunca mais será captada. E também gosto de fazer imagens da nossa paisagem, indo para locais onde outros ainda não foram", conta.
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Certo de que a sua formação se encontra longe de estar concluída, António Lopes pretende ingressar ainda em diversos cursos nesta área para aperfeiçoar técnicas e aprender mais acerca desta arte. Sem nenhuma mostra realizada até ao momento, o fotógrafo não esconde o desejo de o fazer, adiantando mesmo que "de momento estou a preparar uma exposição". No entanto, "ela só surgirá quando entender que chegou o momento". Porém, quem ainda não conhece o seu trabalho, e o quiser fazer, poderá ver algumas das suas fotos e trabalhos digitais em http://skolad.deviantart.com/  .

Açores são uma fonte de inspiração

As paisagens açorianas são a principal fonte de inspiração de António Lopes.
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O jovem procura capturar as cores e as formas das ilhas num breve instante que pretende que seja eterno. Nas fotografias de António Lopes as paisagens de pastos, do pôr do sol, das praias e até de algum urbanismo de Ponta Delgada são transformadas em momentos fantásticos com realces de cores e luzes que nos transportam para aquele mundo quase de fantasia que são os Açores pela lente deste fotógrafo.

RITA RIBEIRO
ritinha.azores@hotmail.com

9 de Abril de 2010
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