Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Andarilhando pelo Troino e Anunciada 01

* Victor Nogueira


O Troino visto do Outeiro da Saúde




O Troino visto do logradouro da Rua D. Pedro Denis




(fotos Américo Ribeiro ?)


Esta fonte remonta ao século XVI, era abastecida por uma nascente situada no Outeiro da Saúde que abastecia, por sua vez o Recolhimento de Nossa Senhora da Soledade. Sofreu as primeiras obras no século XVI por ordem do rei D. Sebastião, com fundos provenientes da população. As formas atuais e o gosto neoclássico que hoje podemos admirar neste fontanário devem-se ao desenho de recuperação efetuado em finais do século XVIII .(http://www.aguasdosado.pt/backoffice/files/file_41_1_1318437799.pdf)







Monumento à operária conserveira Mariana Torres, no Largo da Fonre Nova, escultura de Jorge Pé-Curto


registo de azulejos




Rua Vasco da Gama (ao fundo a Igreja de N. Sra da Anunciada)


Palácio Feu Guião, em obras de "recuperação"








Pelo bairro, quadras populares nos muros que o tempo vai desvanecendo


Largo da Bela Vista com a Igreja de N. Sra da Saúde ao fundo





Baluarte de N. Sra da Saúde (muralha seiscentista) (mais em https://kantophotomatico.blogspot.pt/2017/05/muralhas-de-setubal-baluarte-de-n-sra.html)






Travessa da Bela Vista com o Palácio Botelho Moniz ao cimo e à esquerda



Casa onde teria nascido Luísa Todi, na Rua da Brasileira nº 49




escadaria de acesso à Rua da Batalha do Viso


Vista a partir da Rua da Batalha do Viso





















Praça Marquês de Pombal



Pelourinho de Setúbal. A sua construção deu-se numa data muito tardia, certamente para substituir o antigo símbolo de autoridade municipal com que as vilas e cidades do reino vinham materializando o seu estatuto, desde o século XV. Data do reinado de D. Maria I, numa cronologia já bem avançada no século XVIII e instituiu-se como um dos principais símbolos do governo do Duque de Aveiro, que então detinha os direitos sobre a cidade. Anteriormente estivera colocado no Largo da Ribeira Velha (mais em http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/69877/
)

Travessa do Marquês de Pombal


Pelourinho de Setúbal



Largo da Fonte Nova



fotos em 2017.05

VER TAMBÉM

Andarilhando pelo Troino e Anunciada 02

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Troino - duas casas com história

* Victor Nogueira

No Bairro do Troino, de pescadores e de gente do mar, entre outros distinguem-se dois edifícios, ambos muito degradados: o Palácio Feu Guião, armoriado, no antigo Largo da Fonte Nova, com obras de recuperação que muito provavelmente aproveitarão apenas a casca exterior, e a casa onde teria nascido a cantora lírica Luísa Todi, na Rua da Brasileira, com a fachada pintalgada onde uma lápide e um baixo relevo evocam o facto.

O palacete, construído em meados do séc. XVIII, tem grande simplicidade arquitectónica, ostentando na fachada o brasão da família, contrastando num largo relativamente desafogado face às estreitas e por vezes tortuosas ruas desta zona que foi arrabalde medieval, com as suas modestas habitações. O "Palácio da Adeantado", outro nome pelo qual é conhecido, deve-se ao papel interventivo do desembargador José da Rosa, que em ascensão social exercia as funções de adiantado (adelantado) do reino quando mandou edificar o imóvel e deste modo marcava e afirmava a sua  posição.

Se o terramoto de 1755 e subsequente tsunâmi arrasaram a então Vila de Setúbal incluindo o Troino, o de 1969 arruinou e tornou inabitável o Palacete que tomara o nome da família que o mandou construir

Nesta zona e também neste Palácio se desenvolve o enredo do romance histórico  «As Mulheres da Fonte Nova» de Alice Brito, no século XX e numa cidade operária cercada/oprimida pela repressão do patronato e das forças policiais, como testemunha o vizinho monumento à operária conserveira  Mariana Torres.

Diferente foi a história de Luísa Todi, meio-soprano que ao contrário do libertino poeta Bocage não foi perseguida pela Inquisição e pela Real Mesa Censória, mas que também morreu na miséria depois de brilhar no fausto das cortes e teatros da Europa. 











Os taipais por detrás dos quais se realizam as obras de recuperação do Palácio Feu Guião







O Palácio Feu Guião cerca de 2012 / 2013






Casa onde nasceu Luísa Todi, na Rua da Brasileira nº 49


O mesmo edifício cerca de 2012 / 2013



Rua da Brasileira, vista da Rua da Batalha do Viso



Ruínas do Palácio  Feu Guião  (Google Earth)


Palácio  Feu Guião no Largo da Fonte Nova  (Google Earth)


Largo da Fonte Nova e Rua da Brasileira (Google Earth)


 Luísa Todi (1753 / 1833), cantora lírica setubalense, na avenida homónima. O monumento inaugurado em 1933 foi desenhado por Abel Pascoal, esculpido por Leopoldo de Almeida e construído por Abílio Salreu


Monumento à operária conserveira Mariana Torres, no Largo da Fonre Nova, escultura de Jorge Pé-Curto

fotos em 2017.05