Castro Barroso Gato Nogueira - Blog Photographico - lembrança da moça do Alentejo
Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui
“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)
«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973
O périplo foi percorrer vários lugares de Goios e freguesias limítrofes onde estão em construção treze presépios que entretanto deverão estar concluídos para a Caminhada nocturna que se realizará no sábado (17 Dezembro), Estavam completamente concluídos alguns deles, enquanto outros nem começados estavam. Mais ou menos elaborados, mais ou menos originais, dois deles despertaram-me a atenção, um com imagens em tamanho "natural", outro com imagens propositadamente confeccionadas pelos "festeiros". Em cada lugar um número maior ou menor de moradores é responsável pela armação dos presépios, terminando a ronda nocturna com um convívio dos caminheiros no último presépio, ou ao ar livre ou adega dos Machados no lugar do Outeiro.
Comum a todos eles é a presença de José, de Maria e de Jesus, para além da vaca e do burro. Uns tinham pescadores e água a correr movendo nalguns a roda duma azenha graças a um pequeno motor eléctrico, outros o coreto ou uma taberna com a garrafita de vinho, outros ainda uma árvores de Natal ao lado do presépio.
O 1º presépio visitado encontra-se junto á Capela de Santa Cruz, construída no século XIX, época em que mais se difundiu por esta parte no concelho o milagre do aparecimento duma cruz negra em veio desenhado no solo. O desenvolvimento do culto levou à construção dum templo maior, a sul da primitiva Capela, projecto que ficou incompleto e dele restam as paredes de um edifício em parte concluídas e que seria majestoso. Com efeito o novo culto não teve nem aprovação nem encorajamento das autoridades eclesiásticas, pela concorrência que faria ao Senhor da Cruz, em Barcelos
Capela de Santa Cruz
(2003)
Gandra
Este edifício que será adaptado a casa de habitação tinha um alambique e serva também de acesso ao tanque para lavagem da roupa e de coberto para secá-la
Carcavelos
antigo espigueiro em Carcavelos
Ribeiro
Os vinhedos e as estruturas em que se apoiavam - latadas - praticamente desapareceram do Minho, substituídos pelo cultivo de milho, para racção industrial do gado
azenha junto ao ribeiro do Souto que vai desaguar noutra ribeira que por seu turno vai confluir no Rio Este, afluente do Rio Ave
Soleimas
Lugar do Monte
Quintão
Lugar [9] - presépio da catequese
lavadouro público
cruzeiro junto à Escola Primária
brasão de armas da freguesia de Goios
Igreja Matriz de Goios e Casa dos Serra
Outeiro
Visita e informações proporcionadas por Paulo Lobarinhas
Pedra Furada e Goios são duas freguesias rurais nos arredores de Barcelos onde tenho muitos familiares por parte do meu avô materno - António dos Santos Barroso - . que nasceu e viveu em Goios até rumar para o Porto, onde casou com quem viria a ser a minha avó, Francisca da Conceição Nogueira Barroso, de Chaves. Família que, por diligência do Paulo L voltei a re-encontrar há dois anos e me acolheu com simpatia apesar duma ausência minha de décadas.Há dias voltei àquelas freguesias a convite do Paulo, para fazer o périplo dos presépios na via pública nos vários lugares e que é objecto doutro post. Novamente almoçámos cozido à portuguesa no acolhedor e agradável restaurante da Pedra Furada, nesse dia sem enchentes de peregrinos a caminho de Santiago de Compostela.
O estabelecimento foi fundado em 1946 como taberna e em 1974 sofreu uma profunda remodelação, que lhe deu o aspecto actual. Um livro de viagens que já preenche vários volumes regista os tertemunhos e apreciações de peregrinos de todo o mundo. Vários livros expostos em diversos idiomas falam da rota e das viagens a Santiago de Compostela. Para além dos livros, há outros testemunhos dos peregrinos numa das paredes do restaurante: a vieira, a cruz e o cajado de São Tiago, pequenas bandeiras-galhardetes de países distantes como o Chile, a Nova Zelândia ou a Austrália. Com gastronomia minhota uma das especialidades é o "galo recheado no forno à moda de Barcelos" Uma reportagem mais desenvolvida encontra-se em "Pedra Furada e o livro dos caminhos cruzados " (http://fugas.publico.pt/Viagens/280280_pedra-furada-e-o-livro-dos-caminhos-cruzados?pagina=-1)
parede do jazz
recordações dos peregrinos
um dos volumes do livro de viagens com ostestemunhos dos peregrinos e vistantes
parede dedicada ao jazz
um dos proprietários, sr António Herculano
Igreja Matriz
(2003)
A pedra furada que deu o nome à freguesia, seria a cobertura do túmulo de uma mártir - Santa Leocádia, morta em Toledo que, segundo a lenda, teria sido ali enterrada viva no século IV dC. Para sobreviver – e aqui é que residirá o milagre – a Santa em causa tanto forçou, tanto forçou que acabou por fazer o buraco na pedra com a cabeça.
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Goios vista da Igreja Matriz
Três irmãs casaram com três senhores abastados da região e cada uma das casas tinha o seu mirante a partir dos quais e com monóculo se viam umas às outras. Uma residia nesta Casa dos Faria, outra na Casa dos Serras, em Goios, e a terceira em Casa da Torre de Moldes, em Remelhe, como é referido em Goios, Pedra Furada e Remelhe (edição revista) (http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/09/goios-pedra-furada-e-remelhe-edicao.html)
antiga Escola Primária
"A Capela da Senhora das Brotas é também um dos monumentos patrimoniais mais importantes da freguesia. Ainda que não se conheça a data precisa da sua edificação, os séculos XV e XVI são apontados, por vários historiadores, como os mais prováveis. O local de culto vale, sobretudo, pelo altar-mor, trabalhado em talha Renascença dourada, e pelas histórias que a ele estão associadas. Era local de paragem obrigatória para os peregrinos que percorriam os caminhos de Santiago. Curiosamente, a Senhora das Brotas, por ser a protectora dos animais, em tempos tinha honras no Domingo Gordo, altura em que se efectuava um leilão de gado no final da missa. Os animais eram postos à venda, revertendo os fundos para a manutenção da capela e para a realização da festa em homenagem à Senhora. Hoje, essa tradição perdeu-se, mas ainda se realiza a festa dedicada à Santa, no dia 22 de Agosto." (http://www.pedrafurada.maisbarcelos.pt/?vpath=/inicio/patrimonio/)