Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

segunda-feira, 5 de março de 2018

Cinco fotogalerias para não esquecer a memória

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Lista

Cinco fotogalerias para não esquecer a memória

A propósito da edição especial do 28.º aniversário do PÚBLICO, dedicada à memória, o P3 recupera cinco projectos fotográficos que focam este pilar essencial da identidade individual e colectiva
Texto de Ana Marques Maia • 05/03/2018 - 15:44

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Eles invadiram as cidades-fantasmas de Fukushima
Após o acidente nuclear de Fukushima, algumas zonas em torno da central foram declaradas interditas, por motivos de segurança e saúde públicas. O japonês Keow Wee Loong arriscou a vida para fotografar uma “inquietante” cidade vazia, congelada no momento em que milhares de cidadãos escaparam à radiação. As imagens das acções quotidianas interrompidas, ainda congeladas no dia 11 de Março de 2011, fundem a memória da tragédia com o presente.


Foram assim os últimos meses de vida da minha avó
A avó da italiana Gaia Squarci descobriu, aos 85 anos, que sofria de uma “incurável doença do fígado”. Nos meses que antecederam a sua morte, que aconteceu a 11 de Outubro de 2015, a fotógrafa registou todos os estágios por que a sua nonna passou. “Ela fez as pazes com a ideia de morrer”, disse à Reuters. “Dizia senti-la chegar, lentamente.” A retrospectiva da sua vida fez parte do seu processo de preparação para a morte e o registo fotográfico de Gaia permite-nos ter um vislumbre dos momentos-chave.


"Ir a salto": o contrabando no tempo da ditadura
Em Trás-os-Montes, nos anos 60, o contrabando era uma realidade quotidiana. Portugal vivia sob a ditadura de Salazar e as fronteiras estavam encerradas: qualquer “salto” era ilegal, envolvia perigo. O projecto fotográfico de Hugo Santos,Memória Clandestina, recupera a memória do contrabando trasmontano através de imagens e testemunhos na primeira pessoa.


Imagens inéditas do Algarve nos anos 60 e 70
O Algarve, entre 1962 e 1975, era uma região bem diferente da que é hoje. O fotógrafo inglês Tim Motion, que durante esse período foi residente na vila de Carvoeiro, fotografou, então, copiosamente; guardou as imagens até ao ano de 2016, momento em que, a convite do festival Encontros de Fotografia de Lagos, as revelou ao grande público. Vale a pena voltar a ver estas imagens, que ilustram a região sob o jugo da ditadura e em pleno despontar para a democracia.


Alzheimer: retratos de vidas esquecidas
Quem seríamos hoje sem a memória de quem fomos no passado? O que acontece à identidade quando a memória se “esvai”? O fotógrafo holandês Alex Tem Nape retratou quarenta idosos com Alzheimer em busca do reflexo dessa perda. O trabalho pode ser revisto aqui.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Setúbal by night, entre a Luísa Todi e o Quebedo

* Victor Nogueira

Passei por estas ruas muitas vezes  e nunca notara ser ali a loja da Maria Pó, a dos Pasmadinhos de Setúbal (1), ali na esquina da Rua Arronches Junqueiro com a Rua Dr. António Joaquim Granjo. E reparei porque já noite e de passagem resolvi fotografar o edifício que é o primeiro nesta galeria, que presentemente alberga o Day Off Hostel. Depois e ao vogar do olhar fui fotografando aqui e ali, no percurso até ao Quebedo, onde ficara o Fiesta.

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Day Off Hostel




Montras da loja da Maria Pó


Porta manuelina, "ensombrada" pelo guarda-sóis do café


Igreja de Santa Maria da Gtaça




Casa da Confraria do Corpo Santo, Museu do Barroco



Igreja de Santa Maria da Graça


Casa do Corpo Santo e troço da muralha medieval




"Vistas" na Rua Manuel Livério
Ao vislumbrar de longe o mural supus estar relacionado com a implantação da República, em 1910, mas não, pois ali funciona um instituto de beleza. Creio que o painel de azulejos, numa casa de habitação, representa um "apanhador" de sal


Portal da gafaria, na Avenida António Maria Portela


fotos em 2018.02.23

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Perambulando pela Avenida Luísa Todi ....

* Victor Nogueira

.... antiga Rua da Praia, de poente para nascente e retorno à Quinta da Saboaria, com incursões pelas antigas Praça da Ribeira Velha (Largo Dr. Francisco Soveral) e Praça do Sapal (ou das Couves, actual Praça de Bocage). Três dos conjuntos escultóricos abaixo referidos são complementados com poemas, que no devido local se reproduzem, de autoria de poetas setubalenses: Laureano Rocha, Sebastião da Gama e Bocage.

A Rua da Praia, construída em aterros e terrenos conquistados ao rio no século XIX, era o Passeio Público da Burguesia, com o coreto, o Teatro D. Amélia, o elitista Club Setubalense, o Grande Salão Recreio do Povo, e vários palacetes e casas imponentes, como a Casa do Leão, um dos exemplares sadinos de arte nova, estendendo-se do Baluarte da Conceição até ao Passeio do Lago, onde começava o território dos pescadores do Troino e da sua faina, até à Quinta da Saboaria, em cuja vizinhança se situavam fábricas de conservas de peixe.


Avenida Luísa Todi





Igreja e Convento da Anunciada





Setúbal, eu tenho pena
de não te poder cantar.
Tu és mote de um poema
que ninguem pode ensinar

Se há beleza em qualquer lado
se valesse algum dinheiro
com a princesa do Sado
comprava-se o mundo inteiro

Onde é que existe um rio azul igual ao meu
que em certos dias tem mesmo a cor do céu,
minha cidade é um presépio é um jardim
queria guardá-la inteirinha só para mim.

Setúbal terra morena
onde tudo fica bem,
tens a beleza serena
no rosto de minha mãe.

Ó rio Sado de águas mansas
que pró mar vais a correr,
não leves minhas esperanças
sem esperanças não sei viver.

(Rio Azul, poema de Laureano Rocha)




Monumento ao Roaz-Corvineiro (Tursiops truncatus)









O agoiro do bufo, nos penhascos, 
foi o sinal da Paz. 
O Silêncio baixou do Céu, 
mesclou as cores todas o negrume, 
o folhado calou o seu perfume, 
e a Serra adormeceu. 

Depois, apenas uma linha escura 
e a nódoa branca de uma fonte amiga; 
a fazer-me sedento, de a ouvir, 
a água, num murmúrio de cantiga, 
ajuda a Serra a dormir. 

O murmúrio é a alma de um Poeta que se finou 
e anda agora à procura, pela Serra, 
da verdade dos sonhos que na Terra 
nunca alcançou. 

E outros murmúrios de água escuto, mais além: 
os Poetas embalam sua Mãe, 
que um dia os embalou. 

 (Sebastião da Gama - Serra Mãe - excerto)











Largo e Auditório Municipal José Afonso
O vendedor de pássaros, por Américo Ribeiro e Odeith









Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado,
Mansa corrente deleitos, amena,
Em cuja praia o nome de Filena
Mil vezes tenho escrito, e mil beijado:

Nunca mais me verás entre o meu gado
Soprando a namorada e branda avena,
A cujo som descias mais serena,
Mais vagarosa para o mar salgado:

Devo enfim manejar por lei da sorte
Cajados não, mortíferos alfanges
Nos campos do colérico Mavorte;

E talvez entre impávidas falanges
Testemunhas farei da minha morte
Remotas margens, que humedece o Ganjes.

Bocage, in ‘Rimas’








Monumento à Resistência Antifascista, à Liberdade e à Democracia, do escultor José Aurélio







Praça Teófilo Braga (antigo Largo da Anunciada) e Fonte do Sapal





Largo João Vaz, pintor setubalense (antigo Largo do Carmo) e ruínas do Casino Setubalense (cinema)


Grande Salão Recreio do Povo, actualmente agência duma instituição bancária




Fonte Luminosa ou do Centenário da elevação de Setúbal a cidade, em 1861. . As três estátuas femininas, em mármore branco de Estremoz representam “A Terra”, “O Mar” e “A Poesia”  são da autoria do escultor portuense Arlindo Rocha


Mercado Municipal do Lvramento
  




Edifício do Banco de Portugal, actualmente Galeria Municipal


Na placa central as caixas da EDP estão decoradas, com temática variada, de animais à Natureza (Rio Sado e Serra da Arrábida), sem esquecer actividades económicas (viniviticultura, embarcações de pesca e indústria conserveira). Junto a estas duas encontra-se um dos painéis alusivos a Elmano Sadino, do percurso "Bocage na rua", com reprodução de sonetos de sua autoria. Aqui se encontram pois dois dos seus sonetos, um do quais, "Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado", mais acima já transcrito, sendo o outro

Um governo sem mando, um bispo tal; 
     De freiras virtuosas um covil, 
    Três conventos de frades, cinco mil 
    Nhons e chinas Cristãos, que obram mui mal; 
    
    Uma sé que hoje existe tal e qual; 
    Catorze prebendados sem ceitil, 
    Muita pobreza, muita mulher vil; 
    Cem portugueses, tudo num curral; 
    
    Seis fortes, cem soldados, um tambor; 
    Três freguesias cujo ornato é pau; 
    Um Vigário-Geral, sem promotor; 
    
    Dois colégios, e um deles muito mau; 
    Um senado que a tudo é superior; 
    É quanto Portugal tem em Macau




Coreto da Sociedade Musical Capricho Setubalense



Forum Municipal Luísa Todi





Edifício da antiga Alfândega Régia, actual Biblioteca Municipal



Homenagem ao actor setubalense Carlos Rodrigues (Manuel Bola), do escultor Jorge Pé Curto



Postigo de João Galo, na Rua dos Mareantes


Edifício do Clube Setubalense



"A menina da mala" da autoria do escultor João Duarte


Arco da Ribeira Velha, antigo Postigo da Ribeira


Largo da Ribeira Velha




 “ Menina c/ cadeira”, da autoria do escultor João Duarte







(Rua Serpa Pinto)

Praça de Bocage




Paços do Concelho de Setúbal, projecto do Arquitecto Raúl Lino



Pórtico lateral da Igreja de S. Juião


Estátua de Bocage, poeta setubalense, da autoria do escultor Pedro Carlos dos Reis, da oficina de Germano José Salles, de Lisboa


Fachada principal da Igreja de S. Julião


Avenida Luísa Todi



Glorieta a Luísa Todi. cantora lírica setubalense, desenhada por Abel Pascoal, esculpida por Leopoldo de Almeida e construídoa por Abílio Salreu. 


Palácio dos Duques de Aveiro onde D. João II assassinou o cunhado, Duque de Beja, que se opunha à centralização do poder real.







Antigo Recolhimento da Soledade (conventual), actual Casa da Baía


fotos em 2018.02.18



Monumento à Resistência Antifascista, à Liberdade e à Democracia, do escultor José Aurélio
"Aos resistentes que com a sua acção lutaram e lutam contra o fascismo, pela Liberdade, pela Democracia e pela Paz. 25 de Abril sempre!". 

fotos em 2018.02.17

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