Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Fotógrafos acidentais

24 Agosto 2010
 
 
Fotógrafos acidentais
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Se lhe dessem uma máquina fotográfica descartável para a mão que fotografias tirava? A nm fez essa pergunta a cinco personalidades nacionais e elas responderam. Conheça as fotos de Manuel Pinho, Alexandra Pinho, Rui Moreira, Beatriz Pacheco Pereira e Bruno Dias.




O desafio era simples: dar uma máquina descartável a figuras públicas de várias áreas e convidá-las a tirar as fotos que quisessem. O objectivo era assinalar o Dia Mundial da Fotografia, que se celebrou na quinta-feira. Encontrar quem estivesse disposto a expor as suas fotos ao mundo também não foi muito complicado, apesar de algumas recusas.
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Manuel Pinho, antigo ministro da Economia e actual presidente da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, foi o primeiro a aceitar. «Eu gosto imenso de fotografia, nem sei bem explicar porquê. Mas, mesmo assim, é raríssimo tirar fotografias. Este foi mesmo um desafio, por causa disso. Foi especial para vocês [risos]», disse.
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Como não queria participar sozinho, Manuel Pinho ofereceu como «voluntária» a sua mulher, dizendo que ela «tem muito mais jeito do que eu para estas coisas das fotografias. Percebe muito mais do assunto». E tem razão... em parte. «Só trabalho com fotografia. O que me apaixona mais na fotografia não é o tirar, mas sim o ver. Detesto tirar fotografias [risos]. Acho que sou péssima comparado com aquilo que vejo. E detesto que me tirem fotografias», explicou à nm Alexandra Pinho, directora do BESArt. O casal, como entrou de férias, acabou por tirar as suas fotos no Algarve.
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Bruno Dias, deputado do PCP, foi a «vítima» seguinte. E também não se fez rogado, mas deixou um aviso. «Para mim a fotografia é para brincar, para fazer às vezes um boneco ou outro.» Por outro lado, a ideia de usar uma máquina descartável foi aliciante. «É sem rede. É o regresso às origens, não temos lá o ecrã para olharmos para as fotos que tiramos».
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Como representantes da cidade do Porto convidámos Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto, e Beatriz Pacheco Pereira, directora do Fantasporto. Ambos grandes amantes da fotografia. «Tenho muitos livros de fotografia e tenho algumas boas fotografias», explicou Rui Moreira, revelando que gosta de «fotografar pessoas, o que é algo de muito difícil, porque as pessoas não gostam de ser fotografadas.»
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A directora do Fantasporto disse que gosta «de fotografar o todo e o pormenor. Desde uma casa a uma paisagem, de grupos familiares a caras de amigos, de jardins completos a uma flor. Tenho um conjunto de fotos de rosas que cultivei, da evolução do meu jardim desde que o plantei, fotos de nuvens sobre o Porto, da minha árvore de Natal ao longo dos anos, imagens do Porto de agora. Trivialidades e coisas muito sérias mas sempre com o prazer da forma e da luz». Esse seu gosto pela fotografia já a levou a tirar um curso. «Fiquei a conhecer melhor a minha própria máquina e a não ter medo do grande plano. Hoje em dia é fácil tirar uma boa foto. Mas ainda tiro algumas simplesmente vergonhosas.» A.M., N.C. e S.R.

UMA PAIXÃO OBJECTIVA
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Três fotógrafos amadores, três testemunhos de quem precisa de um clique para ser verdadeiramente feliz.

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No dicionário parece simples, rudimentar até. Fotografia é a «arte de fixar a imagem de qualquer objecto numa chapa ou película com o auxílio da luz». Uma definição arcaica e que peca por escassa. A fotografia não se vê apenas. Sente-se. É pessoal mas transmissível. Ser fotógrafo vai muito para lá da arte de lidar com aparelhos e técnicas cada vez mais sofisticados. E ser fotógrafo amador é, para muitos, bastante mais do que uma paixão. Falámos com três homens que, não vivendo da fotografia, também não conseguem viver sem ela. O que é para eles esta coisa de olhar o mundo através de uma lente?
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«Isto é um estilo de vida, uma coisa difícil de explicar. Não sei o que é a toxicodependência, jamais passei por essa experiência, mas ser fotógrafo amador é capaz de ser viciante como uma droga.» Francisco Calado, 46 anos, técnico administrativo na Galp, define com estas palavras a sua relação com o mundo da fotografia amadora. Apaixonado pela natureza e pela vida selvagem ? como faz questão de precisar no seu blogue ?, dedica à fotografia todo o tempo que tem disponível. E muitas vezes todo o dinheiro. «Se eu fizer um apanhado do material fotográfico que já adquiri ao longo dos tempos sou capaz de ter gasto perto de cinquenta mil euros...»
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Não é um homem rico, porém. Garante que nunca teve de contrair um empréstimo no banco para comprar esta lente ou o último grito daquele artigo. Tudo passa por tomar opções. «Não sou casado, não tenho filhos...» Não fosse assim e provavelmente seria difícil dar a este hobby tudo aquilo que dá. E dá tanto, que hoje começa até a questionar-se se não dá em demasia.
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«Já comentei com um amigo que tenho de abrandar um pouco. Não descanso, levanto-me durante a noite para fotografar, deito-me tarde... É muito cansativo.» Francisco Calado está cansado mas fala desta paixão com uma intensidade imensa. É mestre de si mesmo. «Sou um autodidacta. Fui fazendo muita burrice ao longo dos tempos, estragando mil rolos de filme... Hoje, com o digital, é mais fácil e mais barato também.» Uma vez, conta à nm, trouxe de uma viagem 72 filmes. «Estive meses para os revelar.» Apesar de possuir material de laboratório, nunca fez em casa a magia de passar as imagens da película para o papel. «Dá gozo, mas no final de contas não justifica. E é preciso espaço.»
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Francisco precisa de espaço em tudo. É no contacto directo com o mundo selvagem que se sente pleno. Muitas vezes, é a vida animal que lhe marca os ritmos. «Em vez de ter dois períodos de férias por ano tenho sete ou oito mais pequenos para fazer as minhas viagens, inteiramente dedicadas à fotografia.» Gosta de fotografar animais. Gosta da cor. Gosta do preto e branco também. Gosta sobretudo de fotografia. «Valorizo mais o aspecto artístico do que o registo em si mesmo. Uma boa foto tem de ir para lá do registo.» É, obviamente, muito artística a fotografia que nos enviou, escolhida entre milhares e captada em 2008 no rio Sabor, em Montesinho. Chamou-lhe Reflexos no Gelo. E traz-lhe grandes memórias de «momentos passados com um grupo de amigos que têm em comum as paixões da fotografia e da natureza». Paixões a que se dedica «a sério desde 1985», ainda que esta arte o cative «desde sempre», desde que se conhece.
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Aquela onda...
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Carlos Matos, de 63 anos, também é fotógrafo amador. Ao contrário de Francisco Calado, tem todo o tempo do mundo para esta arte. Está reformado desde 2006: «O último emprego que tive foi na condição de proprietário de um pequeno restaurante.» Paradoxalmente, precisa apenas de «cinco minutos por dia» para se sentir saciado, ainda que o apetite pela fotografia seja o mesmo que sentia quando era mais jovem.
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«Amo isto, a palavra é mesmo essa. Este hobby ajuda-me a sentir como se tivesse 23 anos...» Gosta de fotografia há tanto tempo que dava para viver uma vida. «Fiz muitas imagens em filme, há coisa de trinta anos, com a ajuda de um pequeno laboratório caseiro.» Tudo muito amador, mas não menos intenso, não menos apaixonado. Diz que não guarda muitas fotografias daqueles tempos: «Não tinha material a sério.» Só se lançou na fotografia amadora «há cerca de sete anos», sobretudo por influência da mulher, que tinha uma colega que era «excelente fotógrafa» e a incentivou a comprar uma máquina: «E eu fui atrás. Também comprei uma, de boa qualidade, acabada de sair no mercado.»
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Passado pouco tempo juntou um grupo de amigos e foi em curta viagem. «Demos um salto ao Magoito, era Janeiro, estava um frio de rachar. Veio uma onda que me atirou ao chão, vestido e tudo. Foi a morte da máquina, que me tinha custado uns oitocentos euros na altura.» Morreu a máquina, refinou-se o gosto pela actividade amadora.
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Carlos Matos gosta de dar um salto ao coração de Lisboa durante os finais de tarde. «As pessoas sobem o Chiado e fazem expressões engraçadas, com o sol a bater-lhes nos rostos...» Uma simples lente de 50 ou 105 milímetros «é mais do que suficiente». Não gasta muito dinheiro com o hobby, apenas o necessário. «Tenho material que deve ascender a três mil euros.» E anda sempre com a tralha às costas ou na mala do carro. «Tripé, botas, essas porcarias todas.» É assim em Portugal e no estrangeiro. Em tempos, à conta desta paixão, fez uma das suas maiores extravagâncias. Pegou em dois bilhetes de avião e deu um salto a Paris com a mulher. Um salto é mesmo a expressão correcta. «Fomos de manhã e voltámos de noite, só mesmo com o objectivo de tirar fotografias. Mas não sou um tipo rico...»
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Gosta de dizer que o seu género de fotografias «não tem que ver com o normal». O retrato de rua, de pessoas, de expressões, é aquilo que o atrai. Sobretudo de noite. Porque «é no silêncio e no escuro da noite que mais brilham as nossas almas». E é através da objectiva de uma das suas máquinas que se revelam os pormenores que tanto aprecia, o sorriso misterioso, a cara tonta, a garrafa deixada abandonada no banco de jardim. «São essas coisas, percebe? Pode ter sido alguém com pouco civismo, pode ter sido um casal de namorados que esteve a divertir-se e a beber.»
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São as histórias por detrás de uma imagem. São elas, afinal, que definem o que para Carlos Matos é verdadeiramente a fotografia, seja ela capturada por um amador ou um profissional. «Uma boa fotografia é aquela que capta o que não está explícito.» Poesia em imagem, definição de um «amador e autodidacta que se fez fotógrafo com a experiência» e que elege o preto e branco como o que mais aprecia.
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Como se fosse Camões
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Basta dar um salto ao site de Francisco Pereira Coutinho para perceber que o preto e branco também marca o seu trabalho como amador da fotografia. As suas imagens são evoluídas, emocionantes, incrivelmente adultas para quem acaba de completar 18 anos e se dedica a esta paixão apenas há três.
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«Embora saiba que há ainda um enorme caminho pela frente, espero fazer da fotografia uma amiga para o fim da vida», diz. Mas não vai fazer dela a sua profissão. Prestes a iniciar a licenciatura em Economia, leva aquela actividade como um passatempo: «Tenho as minhas fases.»
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É durante as viagens que faz com o pai ou nos passeios por Lisboa que se dedica mais à fotografia: «Não é algo que faça diariamente.» Mas quando o faz entrega-se por inteiro. E tem, apesar da curta experiência, alguns episódios para contar. Escolheu um: «Quis ir para umas rochas na praia, onde sabia que podia recolher boas imagens. Para lá chegar foi relativamente fácil, mas o pior foi sair do local. Com tanta água eu parecia Camões a nadar com Os Lusíadas na mão. Só que em vez d?Os Lusíadas tinha a máquina fotográfica.»
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Foi através da influência de um professor de Inglês que se interessou mais pela fotografia, fascínio próprio de quem sempre teve «particular atracção pelo mundo das artes», como faz questão de referir. «Fiquei impressionado. O meu professor tinha já um excelente nível e motivou-me a aprender.» Faltava-lhe uma máquina «como deve ser». Recebeu-a dos pais no dia em que completou 16 anos. E depois veio outra e mais outra.
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«Hoje é totalmente diferente dos primeiros dias. Fui adquirindo o material com dinheiro meu. Por vezes os meus familiares ajudavam. Mas já gastei uns milhares de euros nisto, não muitos...» Revela que aqui e ali já ganhou dinheiro com as fotografias que tirou. «Mas este será sempre um hobby e não um modo de vida», reafirma.
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Francisco Pereira Coutinho sabe bem o que quer, apesar de ter atingido a maioridade há pouco tempo. E sabe bem o que é a fotografia, a ponto de defini-la em poucas palavras: «É a arte de atribuir a um rectângulo um sentimento, seja ele referente a um sítio, a uma pessoa ou a um objecto.» Para Francisco, «fotografia sem emoção não é fotografia.» E é a emoção que marca a barreira entre «uma foto gira e uma foto boa». Se calhar essa é mesmo a melhor de todas as definições. D.B.

O TAXISTA FOTÓGRAFO
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Sidónio Félix, um taxista de 45 anos da ilha de São Miguel, percebeu que a vida não é só trabalhar e decidiu fazer da fotografia amadora, mais do que uma paixão, o seu modo de vida.
Um objectivo a que Sidónio se dedica com mais afinco desde finais de 2008, quando se juntou à Associação de Fotógrafos Amadores dos Açores e obteve classificações honrosas em duas iniciativas promovidas por esta associação: a exposição Forte de São Brás ? Diferentes Olhares e o concurso Desafios Globais, Soluções Europeias: Uma Visão Açoriana. Foram momentos de «clique» no gosto a sério pela fotografia, acima da vida de taxista. «O gosto existe desde criança, no entanto devido à minha profissão e à vida difícil da época, a fotografia infelizmente ficou para terceiro plano.»
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Hoje a sua concepção sobre o mundo da imagem mudou bastante. De tal maneira que tenta «fazer da fotografia a minha vida». «É uma forma de me exprimir e de representar tudo o que eu vejo», diz. P.F.

MOMENTOS DA ETERNIDADE
Imaginar a vida actual sem a fotografia é, hoje, com poucas excepções, uma quase impossibilidade. Valida os momentos importantes das nossas vidas. Expõe o que se passa perto e longe de nós, por vezes até dentro de nós. Transporta realidades e acontecimentos que a distância esconde. Mostra pormenores que definem grandes eventos. Confirma a nossa identidade. Imaginar a vida sem fotografia é quase tentar imaginar a cegueira.
Quando a fotografia foi descoberta e apresentada, em 1839, de imediato foi a sua patente disponibilizada ao público, tal o potencial que lhe foi reconhecido. Em França e no Reino Unido, discutivelmente em simultâneo, Louis Daguerre e Henry Fox Talbot, sem conhecerem os esforços um do outro, por duas vias diferentes, descobriam a solução para «fixar a sombra», abrindo possibilidades a quantos, com  imagens precisas e definidas que o novo invento permitia, fossem à descoberta de um novo mundo ou procurassem preservar numa imagem aquele que conheciam.
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O processo fotográfico conhece de imediato uma adesão maciça e, apesar da sua difícil portabilidade, o mundo é esquadrinhado por quantos se aventuram, carregados de máquina e laboratório, a registar o que é belo, único e diferente, cruzando-se com os que no novo processo vêem uma oportunidade de negócio na democratização do retrato, até então um exclusivo de quem detinha poder económico.
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A necessidade de registar eventos era cerceada pelas limitações técnicas, mas não deixava de ser tentada. Das batalhas ficavam os registos da chuva de balas de canhão ou os mortos que jaziam. Dos que batalhavam ficavam retratos garbosos, feitos em acampamentos das tropas, precavendo o eventual e prematuro encontro com a eternidade. Dos conspiradores ficaram retratos, olhares fortes em frágeis placas de vidro. Dos que partiam ficava um semblante gravado numa placa espelhada. Dos que emigravam vinha a imagem da nova casa e das novas caras para familiarizar. Havia um novo mundo a ser descoberto, havia que preservar a memória do que desaparecia, havia que marcar o agora, e a fotografia afirmou o seu papel vital da máquina do tempo.
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As lentes observavam o pitoresco, como a marca do tempo nos homens e no que por eles fora construído, o importante, como grandes feitos ou pessoas, e aquilo que era considerado belo. Mais tarde, quando a fotografia já havia entrado no quotidiano, lançado a imagem em movimento e encontrado eco em novas formas de impressão, as objectivas começaram a ter causas como filtros, a criar novos simbolismos, a mostrar momentos altos da História, em contraponto com atrocidades que não podem ser escondidas.
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Enquanto milhões de imagens são disparadas por amadores que não querem esquecer os marcos do quotidiano ou visões pessoais, outras são criadas para nos seduzir sobre temas ou produtos, em produções que rivalizam com o cinema. Ao mesmo tempo, jornalistas, munidos com máquinas fotográficas progressivamente mais capazes, guiados por uma motivação de dar voz junto de outras audiências a quem o isolamento cala, prescindem do conforto e arriscam a vida, para que possam mostrar excertos de sofrimento e injustiça, muitas vezes publicados adjacentes a faustosos anúncios.
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Os milhões de imagens feitas e por fazer geram rios de palavras, ensinando técnica fotográfica e reflectindo o efeito das imagens. Roland Barthes, John Berger, Susan Sontag, Robert Adams, entre outros, enriquecem os olhares sobre um espólio que o tempo torna mais nosso e valioso. A cada disparo, de centésimos de segundo, vamos fixando o presente que a fotografia nos ofereceu: uns minutos da eternidade. R.C.
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segunda-feira, 23 de agosto de 2010


República
 
 

"Disparando" a revolução

Por Emília Tavares
Política, fotografia e imprensa cruzam-se no início do século XX. Há que mostrar uma sociedade em mudança e essa não escapa ao instantâneo do fotojornalista. Por Emília Tavares

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Visualizemos uma multidão, citadina, explosiva, envolvida, exultante, sequiosa de sair à rua. Visualizemos Lisboa - a eterna capital -, não do reino apodrecido, mas duma nova res publica que exibia o moderno conceito de cidadão como o seu símbolo e motivação.

Por entre esta multidão de cidadãos circula também um novo habitante citadino, o foto-repórter. A fotografia encontra-se com a política, em plena Revolução Republicana, numa fase de crescimento e afirmação da imprensa ilustrada, num momento em que a imagem toma grande importância no significado da notícia, diálogo sem palavras, que vai submetendo a palavra escrita ao seu primado, à sua força comunicacional. Etapa muito importante no desenvolvimento do fotojornalismo nacional moderno, em que a banalidade noticiosa de hoje representa novidade no passado.

A construção dos mitos a que toda a história obriga há muito que entronizou um destes foto-repórteres - Joshua Benoliel (1873-1932) - como o expoente máximo dos primórdios do fotojornalismo em Portugal e um dos principais fotógrafos da República. Benoliel, que tinha sido um dos "fotógrafos da Casa Real", nomeação atribuída só àqueles que se destacavam na nova arte da fotografia e que apresentavam excelência ao retratar a nobreza, será também o principal foto-repórter dos tempos da República.

Sorte a sua e a nossa, que política, fotografia e imprensa se tenham encontrado de forma tão frutuosa no início do século XX, tecendo um imenso retrato da sociedade e da época. Os jornais, agora ilustrados (Illustração Portuguesa, O Ocidente ou Brasil-Portugal), tiveram uma grande expansão no início do século XX, mercê dos desenvolvimentos tipográficos que permitiram a impressão directa da fotografia na página do jornal, sem a mediação da gravura como acontecia até então. Este avanço tecnológico permitiu a inclusão da fotografia na notícia de forma cada vez mais realista e rigorosa, assumindo um papel editorial de relevo.

Mas nem só das fotografias de Benoliel se alimentaram as notícias ilustradas, também António Novais, Alberto Lima ou Arnaldo da Fonseca foram nomes de referência destes primeiros tempos do fotojornalismo moderno. Além de que a história da fotografia e das ideias faz-se para lá dos autores, integrando-os numa visão mais complexa e transversal do seu trabalho com todos os factores que nele influíram e dele são reflexo.

Assim, percorrer as páginas dos principais jornais ilustrados deixa-nos essa visão duma sociedade em mudança, em que a cidade é habitada em massa pelos migrantes rurais na demanda de melhores condições de vida na capital. São estes novos habitantes da cidade que os dirigentes republicanos querem ao seu lado na fotografia. Enormes manchas humanas rodeiam os novos oradores republicanos, os novos rostos dum regime que se foi anunciando, enquanto alguns dos espaços públicos da cidade se tornam referências de ocupação política, como o largo do Município, a Alameda ou a Avenida da Liberdade.

Caçador do instantâneo

É através das fotografias publicadas que se vislumbra o desenho de uma nova geografia política e social, transferindo-se das residências privadas monárquicas para os espaços públicos citadinos republicanos.

Se a Monarquia, até ao Regicídio, surgia retratada em retratos oficiais ou nos eventos sociais da sua classe, como as caçadas em Vila Viçosa, após este acontecimento, fracturante para a continuação do regime monárquico, ensaiará os passos da mediatização por via do fotojornalismo. A última família real, que tão entusiasticamente adoptara a fotografia como hobby, perante o crescendo das imagens republicanas de comícios repletos de povo, passará também a ser fotografada nas ruas, visitando instituições públicas e sociais, marcando presença nas calamidades. O regime monárquico, na sua estratégia de sobrevivência política, contemplou também uma nova imagem pública que o rei D. Manuel II e a rainha D. Amélia perseguiram, procurando retratar-se numa relação mais directa com os banhos de multidão, numa competição que será perdida para o movimento republicano.

A ideologia jamais deixará de conviver com a imagem, e o princípio da história da propaganda política visual do século XX encontra também neste período o seu início frutuoso e diversificado. Alguns dos principais rostos do ideário republicano, como Bernardino Machado, João Chagas, Afonso Costa, Alexandre Braga, José Relvas ou Augusto de Vasconcelos, povoaram as páginas dos jornais de então, sobretudo em comícios de propaganda das ideias republicanas. De pé, em modestas e improvisadas tribunas, no meio da rua, rodeados por uma enorme massa humana, os líderes republicanos foram retratados no momento dos seus discursos, gestos inflamados, poses decididas, arquitectando a revolta e construindo o seu protagonismo mediático, através da evidência fotográfica.

Os protagonistas políticos da República ensaiavam, desde os tempos da Monarquia, os passos da sua mediatização, e o cenário que escolheram tem quase sempre como pano de fundo a multidão, quer seja nos comícios propagandistas, quer na hora da consagração e da tomada efectiva do poder.

O "banho de multidão" tornar-se-á a imagem política de marca republicana, inaugurando aqui um novo modelo de representação e propaganda.

A catadupa dos acontecimentos do ano de 1910 exigia foto-repórteres rápidos, notícias em cima do acontecimento. Os desenvolvimentos técnicos da fotografia, no início do século XX, iriam permitir acompanhar de forma mais imediata a realidade. Contudo, a capacidade técnica dos equipamentos fotográficos não permitia efectuar mais do que meia dúzia de disparos de cada vez, sem que fosse necessário de novo mudar o chassis, regular a luz, carregar a máquina com novos clichés, as pesadas e frágeis placas em vidro 9x12 ou 13x18cm. A velocidade de "disparo" do foto-repórter não era de todo a que hoje conhecemos, as hipóteses da "boa foto" eram mais falíveis, exigindo um labor imenso.

Se o tempo histórico corria então veloz, o foto-repórter desdobrava-se em perícia técnica, desafiando as limitações da mesma, num afã de tudo fotografar, tornando-se o verdadeiro "caçador" do instantâneo, alguém que quase antecede o acontecimento. O foto-repórter faz também parte desse novo tempo da Modernidade, em que a percepção vai perdendo o seu recato e estilo contemplativo, a favor duma vida mais trepidante que acompanha uma nova época de progresso, traduzida em velocidade, a todos os níveis, desde a locomoção à comunicação.

Herói repórter

A revista Illustração Portuguesa, de inspiração republicana, dominava o novo panorama da imprensa ilustrada, e no dia da Revolução publicava as imagens que contavam toda a história dos acontecimentos nas ruas. Mais em jeito de pose do que de instantâneo, o povo e os militares (outra Revolução, mais tardia e tão desejada, se representaria assim) eram os protagonistas principais. Entre o ar circunspecto e a celebração, grupos de homens desfilaram perante a câmara de Benoliel, também ele o herói repórter da Revolução Republicana, cujas imagens atravessariam fronteiras noticiando a mudança de regime, por exemplo, na prestigiada revista ilustrada francesa L"Illustration.

Para além dessa imagem de proximidade física e simbólica do poder com quem lhe está submetido, os novos chefes políticos ensaiam a modéstia, retratando-se no meio do povo, querendo demarcar-se de toda a história passada de domínio hierárquico monárquico.

O líder republicano que melhor protagonizou este encontro singelo com o povo foi, sem dúvida, o escritor, filósofo e ensaísta Teófilo Braga, o primeiro chefe de governo provisório da República (1911) e o segundo Presidente (1915). É já célebre a famosa reportagem de Benoliel sobre um dia na vida deste chefe de governo retratado no seu quotidiano simples, deslocando-se de eléctrico, cruzando-se com a gente humilde; imagem política cuja proximidade se vê reforçada nesse tributo ao seu desempenho político, em 1912, perdido no meio duma multidão, em jeito de prenúncio dum fim de vida solitário.

O caos que tantas vezes impera nas imagens citadinas destes tempos, em plena Revolução ou mesmo antes dela, será um dos argumentos do Estado Novo para desferir o ataque político contra a Primeira República. As massas vistas pela objectiva do fascismo serão de novo um cenário, mas desta feita ordenado, obediente, sem mácula de insubmissão, em que a hierarquia e o seu incontestável chefe, Oliveira Salazar, voltam a ter uma escala que se agiganta perante o povo.

Uma fotografia especial parece afirmar-se como o símbolo do fim da quimera republicana e também o fim de uma primeira época de desenvolvimento do poder da imagem: aquela em que Benoliel se despede do Presidente Bernardino Machado, em 1917, aquando da sua destituição e exílio. Uma nova era de informação tinha sido inaugurada com o início da foto-reportagem, outra se desenhava, em contexto político bem diverso, com outros meios e outros protagonistas.

Hoje, felizmente, pode discutir-se a interpretação da história, hoje sabemos mais sobre o modo como a sociedade da informação, mais visual que nunca, condiciona a apreensão da realidade, manipulando a nossa capacidade de interpretação dos factos. Hoje estamos mais avisados, mais cultos visualmente, ou deveríamos estar. A história das imagens e dos foto-repórteres da República é também a história do mediatismo político, e é um excelente ponto de partida para continuarmos a reflectir sobre o ainda actual poder da imagem na sociedade contemporânea.

Curadora e historiadora de Fotografia?

Amanhã O republicanismo em Portugal, por Fernando Catroga

Esta série tem o apoio da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República

Joshua Benoliel, pioneiro do fotojornalismo, em trabalho no Rossio, inPortugal Século XX: Crónica em Imagens (1900-1910). Joaquim Vieira. Círculo de Leitores
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As fotografias de Frida Kahlo que nunca tínhamos visto



As seis mil fotografias que integram o arquivo de Frida Kahlo saíram finalmente do armário e estão agora num livro
Livro vai ser série

As fotografias de Frida Kahlo que nunca tínhamos visto

12.08.2010 - PÚBLICO


Seis mil imagens de Kahlo e Diego Rivera foram seleccionadas dos arquivos para se tornarem nas 400 que integram o projecto do historiador e fotógrafo Pablo Ortiz Monasterio.
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Frida Kahlo morreu em 1954, com 47 anos. O seu imenso arquivo fotográfico, que ela fundira com o do marido, Diego Rivera, ficou nas mãos deste. Quando Rivera morreu, três anos depois, milhares de fotografias foram confiadas à guarda da amiga e executora testamentária, Lola Olmedo. Mas Rivera fez-lhe um pedido: que só fossem tornadas públicas depois de passarem 15 anos sobre a sua morte.
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Lola guardou-os muito mais tempo. Só em 2006 é que as seis mil fotografias que integram o arquivo de Frida Kahlo saíram dos armários onde tinham permanecido guardadas. São, descreve o "El País", fotos "vibrantes, familiares, artísticas, dedicadas, pessoais, inspiradoras, turísticas, recortadas, e algumas, só algumas, feitas pela própria Kahlo". O fotógrafo e historiador Pablo Ortiz Monasterio escolheu 400 imagens, muitas das quais inéditas, e apresenta-as no livro "Frida Kahlo, sus fotos" (editado pela editora RM e pelo Museu Frida Kahlo, situado na Casa Azul do bairro de Coyoacán, onde a artista viveu; e no Brasil pela Cosac Naify).
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Há fotografias de nomes famosos como Man Ray, Brassaï ou Manuel Álvarez Bravo, e imagens de várias personalidades com as quais Frida conviveu, artistas como Marcel Duchamp ou a actriz Paulette Goddard, o surrealista francês André Breton ou o político russo León Trotski. E há também inúmeras fotografias da autoria do pai de Frida, Guillermo Kahlo, descendente de judeus húngaros e ele próprio fotógrafo. Terá sido por influência dele, um entusiasta do auto-retrato, que, depois do acidente que lhe deformou o corpo, Frida começou a pintar-se. "O tema é polémico", explica Monasterio citado pelo "El País", "porque, quando os estudiosos começaram a rever a obra dela, era habitual dizer que Diego lhe sugerira o que pintar e como. Agora, o grupo de auto-retratos do pai propõe outra perspectiva."
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O livro divide-se em sete temas, desde as origens de Frida à sua luta política, passando pelos pais, pela Casa Azul, o acidente e os amores. O autor admite que apenas quatro fotografias, de 1929 e 1930, possam ter sido tiradas pela própria artista. O capítulo sobre o corpo (que foi o grande tema da sua pintura) começa com uma radiografia do tronco feita três meses antes da sua morte, na qual se vê a coluna desfeita depois do acidente que sofrera em 1925 a bordo de um autocarro.
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"Fascinam-me essas fotos", confessa Ortiz Monasterio. "São muito eloquentes para perceber quem era Frida e como enfrentava a dor e a sensualidade". Como, por exemplo, a foto em que aparece deitada numa cama, nua e de cabeça na almofada, mas olhando para a câmara com um sorriso.
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Francisco

* Rui Pedro
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domingo, 22 de agosto de 2010

Projeto configura o cinema como atividade social

22/08/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 22/08/2010 às 00:23:17


Paula Melech
Divulgação
Meninos e meninas da Vila das Torres têm a oportunidade de adquirir na prática conhecimento cinematográfico.
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As últimas semanas têm sido bastante ocupadas para os alunos do Minha vila filmo eu. Willian Duarte Coutinho, 18, Ana Caroline Paulino, 14, Lúcia e Martha Pego dos Santos, 16 e 17 anos, se encontram diariamente na sede do Projeto Olho Vivo, no bairro Rebouças, concentrados em finalizar o filme Vila das Torres 2014. O esforço é daqueles agradáveis - para os adolescentes se trata da concretização de um trabalho colaborativo realizado ao longo do último ano. A intenção do Minha vila filmo eu é aproximar o cinema de meninos e meninas que habitam o bairro Vila das Torres, bem próximo ao centro de Curitiba. O contato com as técnicas e a narrativa audiovisual possibilita aos jovens a abertura de um olhar crítico: as impressões acerca da vida da comunidade inspiram histórias e imagens que são impressos na tela.

"A vontade é de despertar esse olhar para o local onde vivem. Queríamos sair da posição de quem vê de fora para revelar a comunidade a partir de quem mora nela", destaca Luciano Coelho, coordenador do Projeto Olho Vivo. Os encontros serviram também para conversar sobre o cotidiano. Assim, alguns aspectos passaram a ser identificados por eles com mais claridade, como problemas de infra-estrutura, poluição e violência.
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A menina aparentando uma idade próxima de oito anos, cabelos claros e sorriso largo percebe: "O rio Belém é bonito pro lado da PUC, mas pra cá é uma sujeira". A afirmação veio no meio de uma conversa em uma das aulas da primeira turma do projeto, em 2005. Outros falam da violência: "Sempre tem um monte de balas naquela rua", conta um menino, tão pequeno quanto ela, "lá é muito perigoso, não dá pra andar a noite", completa o outro garoto. Esses instantes foram capturados em um documentário que registrou o decorrer das atividades, enquanto elas ainda aconteciam na sede do Clube de Mães.
Depois de cinco anos de realização, muitas crianças e adolescentes já passaram pelos cursos, viabilizaram várias produções - algumas premiadas - e terminaram fazendo parte de um núcleo de produção e pesquisa. Os assuntos, sempre ligados à vida na comunidade, são retratados em documentários como Vila das Torres - O sonho e a realidade, que retrata o trabalho de entidades sociais, ou em filmes como o curta-metragem de ficção Um grito na vila, inteiramente rodado com a participação dos alunos do curso.

O grupo que toca o projeto agora é egresso de horas de dedicação a várias oficinas do projeto. Talvez no início eles não imaginassem como a experiência iria se desdobrar em tantas possibilidades, que iniciou com a descoberta de uma habilidade para revelar novos horizontes possíveis.

"Desde o início do projeto o plano era mesmo ter um grupo de trabalho, como este de agora. A nossa vontade é que eles tomem a iniciativa", o que Bruno Mancuso (coordenador do Minha vila) quer dizer é que os alunos foram responsáveis pela idealização do documentário que está para ficar pronto. Depois de longas conversas onde emergiram várias sugestões, a escolha do tema recaiu sobre a ideia sugerida por Willian, a de falar como a chegada da Copa 2014 influenciaria a vida da comunidade. O filme será exibido em canais comunitários e enviados para festivais de cinema.
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No documentário, a escolha foi contar sobre a comunidade por meio do ponto de vista das pessoas que moram lá. "Nas entrevistas a gente vê o que já aconteceu e as mudanças que a gente quer que aconteçam. A gente passou a conhecer melhor a história da comunidade", diz Willian. Os depoimentos traçam um histórico da vida na Vila das Torres, através de antigos moradores, times de futebol da comunidade e personagens curiosos.
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Willian é o aluno que está há mais tempo no projeto. Ele começou com 13 anos e, agora, com 18, já tem planos de continuar estudando cinema e ingressar em uma faculdade na área logo depois que terminar o terceiro ano do segundo grau. "Antes não tinha muita vontade porque não conhecia nada de cinema. Agora eu gosto de fazer quase tudo, principalmente a parte técnica, foi muito legal conhecer os equipamentos e saber como funcionam". A aptidão em fazer roteiros já rendeu um prêmio a Lúcia, de 16 anos. "A história é sobre uma menina que começa o dia com o pé esquerdo e tudo dá errado no dia dela". Com roteiro do curta nas mãos, ela ganhou uma oficina de dez dias em Vitória (no Espírito Santo) que incluiu aulas de roteiro, direção e fotografia. Para Lucia, tudo está no começo e os planos são muito claros: fazer faculdade de produção cênica na Faculdade de Artes do Paraná.
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Publicação com 400 fotos conta em detalhes a trajetória do Theatro Municipal


O Globo

Publicada em 22/08/2010 às 13h43m
Jacqueline Costa
RIO - Depois da minuciosa restauração a que foi submetido, o Theatro Municipal, que completou um século em 14 de julho de 2009, ganha agora o seu maior presente. Na última quarta-feira, foi lançado "Theatro Municipal do Rio de Janeiro - 100 anos", um livro que conta, com uma impressionante riqueza de detalhes e em 400 imagens, toda a sua história. Nada do que diz respeito ao lugar - que é, ao mesmo tempo, um monumento arquitetônico e uma espécie de templo cultural da cidade - ficou de fora. Com texto de George Ermakoff e ensaio fotográfico de Cristiano Mascaro, a publicação começa lembrando a trajetória dos teatros cariocas que precederam o Municipal. 
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Soprano libertou sete escravas no palco do Lírico
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E foi em um deles, o Imperial Teatro D. Pedro II - que, após a Proclamação da República, ganhou o nome de Teatro Lírico -, que aconteceu uma das mais deliciosas histórias contadas por Ermakoff. Como forma de agradecer à soprano russa Nadina Bulicioff pelo sucesso de sua temporada, um grupo de admiradores resolveu presenteá-la. Horrorizada com a escravidão, Nadina pediu que o valor do presente fosse destinado à libertação de escravas. Ela recebeu uma joia e teve a oportunidade de libertar, no palco, sete escravas, na presença do imperador, que as más línguas da época diziam ser seu amante. 
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A construção do prédio do Municipal em estilo eclético é o tema do segundo capítulo, com destaque para as imagens de Augusto Malta, que foi fotógrafo oficial da prefeitura do Rio por 33 anos. O alagoano registrou, a mando do então prefeito Francisco Pereira Passos, não só a progressão das obras do teatro, mas o surgimento da Avenida Central, atual Avenida Rio Branco. As imagens de Malta mostram a rapidez com que as paredes do teatro foram levantadas e ainda o antigo Convento da Ajuda. A obra foi levada a toque de caixa. 
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Esta parte da publicação - patrocinada pela Brasilcap - relata também a cruzada do dramaturgo Arthur Azevedo pela construção de uma casa teatral grandiosa e pela montagem de uma companhia pública de teatro. O capítulo fala ainda sobre o concurso arquitetônico realizado para dar forma ao Municipal (vencido por Oliveira Passos, filho do então prefeito), os projetos apresentados, os artistas convocados para participar da decoração - como Rodolfo Amoedo, os irmãos Henrique e Rodolfo Bernardelli e o pintor Eliseu Visconti - e a transformação do traçado urbanístico ao redor. Numa das muitas fotos da época da construção, aparece Oliveira Passos, de cartola e casaca, ao lado de outros homens vestidos da mesma maneira, em frente ao canteiro de obras. 
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Capítulo mostra bastidores e fatos pitorescos
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Todo o terceiro capítulo do livro é dedicado aos espetáculos e aos artistas que passaram pelo Municipal, com direito a fotos dos mais diversos personagens que se apresentaram lá. A maior parte dessas imagens, que inclui cartazes, caricaturas e programas, veio da coleção de Marcelo del Cima. Ano a ano, são listados e comentados os principais programas de teatro, dança e música que receberam os aplausos, os risos ou a até mesmo a desaprovação da plateia. Para dar ainda mais sabor à leitura, não faltam fatos pitorescos e notícias de bastidores, garimpados em jornais e revistas antigas. 
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- Há muitas histórias interessantes, como a da cantora lírica americana Marian Anderson, que se apresentou no Municipal em 1938. No seu país, ela sofreu discriminação racial no ano seguinte e foi proibida de cantar em Washington. Em 1955, 17 anos depois de vir ao Brasil, ela foi a primeira negra a apresentar no Metropolitan a Opera de Nova York - conta Ermakoff. 
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A história de três gerações de uma mesma família também é retratada no livro. Inglês nascido na África do Sul, o bailarino Desmond Doyle veio ao Rio a convite da ex-diretora Dalal Achcar. Acabou ficando por aqui e tornou-se bailarino e maître de balé da companhia do teatro. Desde 1979, seu filho, o trompista Philip Doyle, integra a Orquestra Sinfônica do teatro. Os filhos de Philip - William, Stephanie e Richard - também seguem o caminho da música: hoje são violinistas. 
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A relação entre o Rio e o Theatro Municipal é o assunto do quarto capítulo do livro. Ao seu redor, a centenária casa de espetáculos acompanhou a modificação dos costumes e do cotidiano carioca. Por meio de um conjunto de imagens, é interessante observar as mudanças, seja no jeito de vestir dos que passam em frente ao teatro, seja nos meios de transporte e no mobiliário urbano. Nas fotos antigas, os bondes ainda circulavam, desfiles carnavalescos aconteciam em carros de passeio e a mulheres na fila da bilheteria ainda usavam comportadas saias na altura do joelho. 
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Nos dois últimos capítulos, a restauração e a volta do esplendor do teatro são mostradas pelas imagens do fotógrafo e arquiteto Cristiano Mascaro. Ele conta que a parte que mais gostou de fotografar na construção foi o hall de entrada e as escadarias. 
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- Para mim, é a área mais bonita. Posso dizer que percorri o Municipal de cima a baixo. Subi no telhado e fiquei de tocaia em um prédio vizinho à espera da melhor luz para destacar ainda mais a beleza arquitetônica - conta Cristiano, que fez mais de duas mil fotos. 
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sábado, 21 de agosto de 2010

Adiemus


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CalgryFlame | 7 de março de 2007
I think this video can show how beautiful our nature is and how horrible it would be if it wasn't there...
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Just to make some things clear: This song is not sung by Enya. As far as I know the singer's name is Miriam Stockley. The Composer is Karl Jenkins.
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ColorfulSky | 7 de agosto de 2007
Karl Jenkins -  Rain Dance
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ColorfulSky | 15 de dezembro de 2007
Enjoy the music :) - Hymn to te Dance
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SheDreamer | 6 de outubro de 2008
Adiemus IV- The Eternal Knot - King of the Sacred Grove
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SheDreamer | 7 de outubro de 2008
Adiemus IV- The Eternal Knot - Isle of the Mystic Lake
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