Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

maria emília e manuel - Porto e Palácio de Cristal (1943)


* Victor Nogueira


maria emília e manuel - Porto e Palácio de Cristal (1943) - no tempo em que o futuro era esperançoso e primaveril - suponho que os meus pais se fotografaram um ao outro e que nas mãos do manuel está o livro dos finalistas de engenharia. A minha mãe só terminou o curso dela no ano seguinte, só depois embarcando para Luanda, onde o meu pai já se encontrava, onde se foi juntar aos meus avós e tios paternos, pois o meiu avô era quimico-analista nos laboratórios da Fazenda (açucareira) Tentativa (Caxito), nos arredores de Luanda.

coretos 36 - Lisboa - Jardim Zoológico

* Victor Nogueira

Este coreto situa-se no Jardim Zoológico de Lisboa, sendo as fotos de autoria de Elisa Fardilha. Situado num frondoso espaço, a sua base está decorada com gravuras de animais selvagens , em liberdade. 

Imagens doutros coretos encontram-se em «Coretos, por Elisa Fardilha».








Sobre Zoos visitar «As feras enjauladas e amestradas»

ADENDA
Os painéis do coreto foram executados pelo arista moçambicano José Pádua --  https://www.facebook.com/Jos%C3%A9-P%C3%A1dua-222880824424324

terça-feira, 4 de agosto de 2020

As feras enjauladas e amestradas

* Victor Nogueira


 Em Luanda não havia Jardim Zoológico e portanto a maioria dos animais do meu país Angola, só os conhecia não dos livros escolares, mas do cinema, do circo e das gravuras em livros da minha biblioteca de criança e adolescente.  Em boa verdade, não é bem assim, pois numas férias grandes que em 1962 passámos na Caala, em casa do Engº Boaventura, amigo da família, visitámos o jardim zoológico  de Nova Lisboa (Huambo), onde apanhei um valente susto quando ao anoitecer as feras começaram a rugir nas jaulas, fazendo-me desejar estar a milhas dali. 

Disto falo no meu Diário III e na minha correspondência: «A parte baixa da cidade não é nenhuma maravilha, mas a Alta possui residências de estilo moderno e bonitas. Felizmente para os neolisboetas vi a Alta, se não pensaria que Nova Lisboa era feia e triste. Nova Lisboa não tem prédios altos (o mais alto deve ter uns quatro andares). Possui um jardim zoológico, onde vi leões, leopardos, onças, hienas, porcos espinhos, etc. (Vimos) os tanques piscícolas, nos arrabaldes, e que podem produzir, anualmente, uma tonelada de peixe para consumo. Segundo o Sr. Boaventura na antiga África Equatorial Francesa há muitos tanques idênticos. 

(...) Ontem vimos a Exposição Feira, apesar de não estar em funcionamento. Há lá um Parque Infantil com um letreiro que diz "Proibida a entrada a menores de 14 anos sem estarem acompanhados dos pais"! Ontem fomos ao Jardim Zoológico. Há lá leões, onças, hienas, leopardos, um veado (ou coisa parecida), macacos, um bicho parecido com um bisonte, mas com dois chifres e muito mais pequeno. Quando as onças e os leões começaram a fazer um barulho aterrador [ao anoitecer] eu não me pus a andar para não ser alvo de chacota. (Diário III)

A cidade [de Nova Lisboa] é muito extensa. Possui um jardim zoológico onde pude apreciar pela 1ª vez - de coração aos pulos - leões, leopardos e onças a rugirem, além de hienas, porcos espinhos e outros animais desconhecidos. (...) Visitei o Zoo duas vezes. Da primeira fui ao anoitecer e quando os leões começaram a rugir desejei-me a milhas dali, não fossem eles saber que eu sou do Futebol Clube do Porto. (ASV - 1962.09.24)

Em 1962/63 estive a estudar no Porto e nessa altura, no Grande Colégio Universal, um dos meus colegas espantava-se quando lhe respondi que em Luanda não havia leões a passear pelas ruas enquanto outro admirava-se de eu não conhecer um certo familiar dele, como se Luanda fosse uma aldeola e não a 3ª cidade do que na altura se dizia ser Portugal do Minho a Timor, com cerca de 220 mil habitantes. Mas, adelante. Nessa altura terei ido pelo menos duas vezes ao Zoo de Lisboa, uma das quais com o meu avô Luís e família. Outro admirava-se se eu ser branco, pois para ele todos os que nasciam em África tinham de ser forçosamenrte ... negros.

No domingo, 17, fui à Igreja de N. Sra. de Fátima, perto de casa. Depois fui com a Maria Luísa visitar o Jardim Zoológico. (Diário III 1962.12.15)  No Jardim vi pela primeira vez os lindos animaizinhos da minha terra uma coisa que me chocou foi os animais terem aquecimento, quando há tanta gente que treme de frio no Inverno. (1964.06.01)

Depois, a partir de 1966, quando vim cursar Economia em Lisboa, visitei imensas vezes o zoo de Lisboa, uma das quais referida a propósito duma cigana. «Quinta-feira fui "pragueado" por uma cigana. Fui ao Zoo com o Zé, o filho mais velho da Maureen. A cigana seguiu-me durante muito tempo para ler a sina e não havia meio de largar-me. Tanto me aborreceu para mostrar-lhe a mão que assim o fiz, avisando-a de que lhe não daria um tostão. Blá, blá, blá e eu placidamente a comer um baleizão [sorvete]. "Agora deixe-me ver a sua mão esquerda" E eu deixei, com o meu sorriso céptico e trocista, enquanto mordiscava o sorvete. Blá, blá. "O Victor, deixa também ler a minha sina", diz o Zé. "Mas olhe que o menino paga", avisa a cigana. "Hein! isto é a pagar?". Responde a cigana: "Sim são vinte escudos, dez por cada mão!" (Se lhe pedisse uns cinco escudos, dava-lhe, agora vinte!?) "Não lhe dou. Eu disse-lhe ao princípio que não pagava" "Ah! mas o senhor deixou continuar e até deu a outra mão!" A discussão continuou, se é que discussão se podia chamar, até que ela descobriu: "Ah! o senhor não quer mesmo pagar!" "Pois não" "Olhe que eu rogo-lhe uma praga!" Não faz mal, eu sou céptico e aguento todas as pragas. " "Vai ficar ainda mais aleijado... " "Não se preocupe" "... e morrer atropelado!", disse ela. "Ninguém fica cá para semente", respondi-lhe. E lá se foi a resmonear. Ainda cá estou. (NSF - 1968.08.05)

Depois desta não encontro mais referências escritas a visitas a Zoos, embora tenha uma vaga ideia que nos jardins do Palácio de Cristal, no Porto, havia algumas jaulas com animais selvagens. Vou pesquisar e ..., sim, no meu Diário III há uma referência a isso. «No dia 3 [02.1963] fui com o avô Barroso ao Palácio de Cristal. Gostei bastante do jardim e das belas vistas para o rio [Douro], com bastante arvoredo. Vimos o leão e diversos animais. (Diário III - pag. 162)

Mas há fotos, designadamente com os meus tios e com os meus filhos, a long time ago. A última vez que lá fui estava tudo compartimentado, em secções, tendo de se pagar o acesso a cada uma delas, pelo que nunca mais voltei, nem para ver os golfinhos.

Embora os zoológicos nunca tenham tido para mim o encanto dos circos e das habilidades dos animais amestrados, hoje o entusiasmo para mim é nulo, pelo que uns e outros representam de violência sobre os animais enclausurados ou domesticados.

No zoo de Nova Lisboa








(fotos jj castro ferreira)


(foto mens)

Jardim Zoológico de Liaboa






(fotos jl cf e victor nogueira), em 1963



Este elefante era a alegria da petizada, mas não só, pois recolhia a moeda depositada na sua tromba para de seguida tocar uma sineta







(fotos jl ns e victor nogueira) - rolo 54 c. 1979


Esta "carteira" estava no espólio da minha tia Lili e dela não me lembrava, "instantâneo" tirada por um fotógrafo de rua em 1999

domingo, 2 de agosto de 2020

como se fossem desenhos

* Victor Nogueira

As imagens seguintes são fotos tratadas com software de imagem básico, sendo a maioria delas "retratos" de pessoas, de minha autoria





Setúbal - Taberna na Fonte Nova



foto victor nogueira - 1980 em Setúbal na exposição O Homem e o Trabalho, precursora do Museu do Trabalho Michel Giacometti

* Ricardo Jorge Mateus Pina - Certo. uma das tabernas da Fonte Nova. penso que é o Luciano. Foi o 1º Cantares José Afonso

coretos 35, por Elisa Fardilha

A presente publicação tem como base fotos de coretos, de autoria da minha "velha" amiga Elisa Fardilha, a quem agradeço a gentileza.

 

Bom Jesus de Braga

Nazaré (Sítio)

 

Oleiros (Castelo Branco)

Póvoa de Varzim

Santo Tirso

Tavira

Tomar

sábado, 1 de agosto de 2020

santiago do cacém e capela de s. pedro


* Victor Nogueira

foto victor nogueira - muralhas de santiago do cacém e capela de s. pedro.

SANTIAGO DO CACÉM - Ruas íngremes até ao Castelo, dos Templários, de origem moura, com cemitério no seu interior e vista magnífica até ao mar azul em Sines.

Ao lado a imponente Igreja Matriz, do século XIII, parcialmente destruída pelo terramoto de 1755, cuja brancura de barras amarelas contrasta com o castanho escuro das muralhas do castelo, emoldurado pelo verde do arvoredo em redor. A vila foi crescendo pela encosta abaixo. Na parte baixa jardim, a Câmara e a antiga cadeia (onde se conserva uma cela de então e uma típica cozinha alentejana), agora museu. Casas com certa imponência, dos agrários.

A invocação de Santiago, o Maior, que não foi companheiro coevo de Cristo, parece um contra-senso: um santo de espada e cruz em punho degolando quantos mouros e maometanos lhe aparecem pela frente integrado em hostes saqueadoras não liga muito bem com a imagem de doçura, tolerância e respeito pelas diferenças que alguns pretendem seja a do cristianismo católico. Enfim, contradições da natureza humana! Mas é esta imagem que na igreja matriz regista uma peça escultórica do século XIV. Santiago é no entanto, também, um mártir, mas da fé cristã: mandado degolar por Herodes Agripa, o seu corpo foi transportado pelos discípulos por mar, desde a Palestina até à costa noroeste da península Ibérica, onde a sua sepultura é reencontrada oito séculos mais tarde, originando um novo culto e grandiosas peregrinações à povoação de Santiago de Compostela. Mas isto é um desvio e matéria doutras histórias.

Perto situam-se as ruínas de Miróbriga, povoação romana, com termas, acrópole e circo.

Aldeia de S. Francisco da Serra, [de Grândola], com as casas dispersas pelo arvoredo e uma excelente panorâmica sobre os arredores. De visitar a Igreja e a Ermida de N.Sra do Livramento, esta nos arredores. (Memórias de Viagem, 1997)


SOBRE A FOTOGRAFIA - A construção do castelo remonta à ocupação muçulmana desta zona do Alentejo, situação sob a qual permanece até 1158, quando D. Afonso Henriques o conquista e o entrega à Ordem dos Templários. A partir de inícios do século XVI, o castelo começa a perder a antiga função defensiva para que fora dotado, facto que acelerou a sua degradação.

O templo no exterior foi construído no século XVI,  baseado num modelo caracterizado pela justaposição de dois módulos arquitectónicos diferenciados: a galilé ou nartex e a capela.

A galilé ou nartex – galeria com arcadas adossadas à fachada principal – serviu em outros tempos para dar apoio aos romeiros e peregrinos das procissões e festas em honra de São Pedro. A capela apresenta linhas muito simples, com portal em cantaria e óculo no frontão.