Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Atraente - Chiquinha Gonzaga


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julianacdc — 13 de Maio de 2008 — Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga, (Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1847 — Rio de Janeiro, 28 de fevereiro de 1935) foi uma compositora e pianista brasileira.

Foi a primeira chorona, primeira pianista de choro e também a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. No Passeio Público, há uma herma em sua homenagem, obra do escultor Honório Peçanha.

A necessidade de adaptar o som do piano ao gosto popular valeu a Chiquinha Gonzaga a glória de se tornar a primeira compositora popular do Brasil. O sucesso começou em 1877, com a polca Atraente, aqui tocada pelo grupo "As Choronas"
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Atraente

Chiquinha Gonzaga

Composição: Chiquinha Gonzaga
Atraente
Chiguinha Gonzaga
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Rebola bola e atraente vai
Esmigalhando os corações com o pé
E no seu passo apressadinho, tão miúdo, atrevidinho
Vai sujando o meu caminho, desfolhando o mau me quer
Se bem que quer, seja se quer ou não
Bem reticente, ela só faz calar
Ela é tão falsa e renitente, que até,
Atrai só o seu pensar
Como é danada
perigosa
vaidosa
desastrosa
escandalosa
rancorosa
e rancorosa
incestuosa
e tão nervosa
e bota tudo em polvorosa, quando chega belicosa
bota tudo pra perder
Amour, amour
Tu jure amour, trè bien
Mas joga fora esta conversa vã
Não vem jogar fa-flu no meu maracanã
não sou Juju balangandã
Meu coração, porém, diz que não vai
Suportar esta maldita, inenarrável solidão
Se assim for, ele vai se esbudegar
E te ver se despinguelar numa desilusão

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.http://letras.terra.com.br/chiquinha-gonzaga/1488692/
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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Fado Bailado - Rao Kiao



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LuisSzar — 18 de Janeiro de 2009 — Rão Kiao, a partir de 1982, decide dar uma viragem na sua música, prosseguindo o seu interesse pelo choque entre universos culturais distintos e interpreta ao saxofone fados clássicos acompanhado pelos guitarristas António Chaínho e José Maria Nóbrega. O álbum "Fado Bailado", resultado dessa união,foi um estrondoso e surpreendente sucesso atingindo o "Disco de Platina".
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quarta-feira, 5 de maio de 2010

“PortoGrafia” de Pedro Freire de Almeida

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“PortoGrafia” de Pedro Freire de Almeida
Até 2 Julho, Vivacidade
 
“PortoGrafia” é uma exposição composta por 20 ilustrações do Porto que, partindo da fotografia,  dão origem a um texto (que acompanha cada ilustração), levando o "espectador" pelas ruas da cidade antiga. Concebido originalmente para o blogue Imago Mundi, sua transcrição do mundo virtual para o real ganha em visibilidade e consistência,  mantendo a ambição original: um roteiro de percursos esquecidos para que o caminhante se perca e não volte. Ou, se regressar,  regresse diferente do que era à partida.
 
Pedro Freire de Almeida, licenciado em Filosofia pela F.L.U.P. e membro fundador da Associação Europeia de Acupunctura Ryodoraku, teve formação em Cinema e Vídeo na Coop.de Ensino Superior Artístico Árvore e de Novas Tecnologias da Informação e Comunicação aplicadas à Formação.
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É autor dos blogues, Imago Mundi (http://imagomundo.wordpress.com) e Novo Mundo http://novomundo3.wordpress.com).
A Exposição poderá ser visitada até 2 de Julho. 
  Vivacidade – Espaço Criativo
Rua Alves Redol, 364 - B - Porto
Telf: 220937093
www.vivacidade.pt
 

Centro Português de Fotografia evoca a Madeira



Mostra da criação de Henrique Silva no Porto

2010-05-01

ISABEL PEIXOTO
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O Centro Português de Fotografia, no Porto, inaugura amanhã uma exposição e uma instalação, às 16.30 horas. A primeira das iniciativas está relacionada com a ilha da Madeira, enquanto a outra, da autoria de Henrique Silva, "fala" sobre a sociedade moderna.
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Constituída por 32 imagens da colecção Alcídia e Luís Viegas Belchior e que pertencem à colecção nacional do Centro Português de Fotografia (CPF), a mostra "Recanto do oceano" estará patente até ao próximo dia 22. Nela, o visitante pode aperceber-se daquilo que a instituição considera serem as inabaláveis referências culturais, sociais, geográficas e paisagísticas da ilha que, em Fevereiro passado, foi fortemente atingida pela fúria da Natureza.
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Numa nota enviada à Imprensa, o CPF refere que, com esta exposição, composta por imagens a preto e branco, o que se pretende é "retratar a beleza da ilha do Atlântico", onde a recente tragédia não afectou "a memória de um romantismo idealizado e vivenciado entre o século XIX e o século XX". Acrescenta que se trata, ainda, da "possível e justa homenagem à ilha da Madeira e aos seus habitantes, que todos os dias conquistam as adversidades do relevo e do imprevisto"
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Entre as fotografias expostas, estão imagens que mostram a faceta turística da ilha. Há pelo menos duas em que se vêem carros de passeios: um puxado por uma junta de bois, cuja inscrição original é "Madeira/Bullock Carro"; outro gerido pela força de braços, daqueles que ainda hoje são uma das imagens de marca do turismo da Madeira. Um dado curioso podemos aqui acrescentar: há muitos casos em que se desconhece a autoria, sendo de admitir que certas fotografias tenham sido tiradas por turistas.
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Instalação até Julho
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Já "Sussurro", obra do artista plástico Henrique Silva, pode ser vista até ao dia 25 de Julho. Trata-se de uma instalação de 60 painéis de madeira que rodam sobre o próprio eixo e que têm imagens na frente e no verso. Técnica que acaba por ser dupla, uma vez que se trata de fotografias em que cada pessoa aparece de frente e de costas.
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"As sociedades organizadas satisfazem a necessidade social da espécie humana acumulando grupos que se identificam como entidades congénitas institucionais levadas ao paradigma da escala de poder onde uns são mais que outros", dizia o autor, em jeito de apresentação do seu trabalho, visto pela primeira vez em 2008. Nessa mesma nota, Henrique Silva lançava a questão: "Que espécie humana permite essa escala que pejora a relação saudável da sociedade onde está sujeita à necessidade de presença do semelhante, como um castigo, e onde a quietude não tem lugar...?".
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As pessoas aparecem em tamanho real, como se fossem personagens anónimas, podendo o visitante andar entre elas. Mas, para que circule, tem de empurrar os painéis. É como se se tratasse da hora de ponta numa grande cidade, pretendendo o autor destacar o anonimato acentuado pela falta de espaço vital a cada pessoa.
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Exposição “Recanto do Oceano”


Doce pedaço português de poesia, a ilha da Madeira imortaliza teimosamente a paisagem, a arquitectura, os costumes e tradições que perduram e persistem de uma forma imponente, afirmando com convicção uma identidade muito própria.
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Embora geograficamente pequeno, este recanto do oceano revela uma infinitude de paisagem natural com vegetação exuberante, majestosas escarpas e arribas de rocha basáltica de cor escura, cujos mistérios naturais nos transportam ao passado e nos ajudam a reflectir a construção do presente.  
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Nesta exposição, procuramos retratar a beleza de uma ilha do Atlântico que apesar das circunstâncias dramáticas dos últimos acontecimentos, não afecta a memória de um romantismo idealizado e vivenciado entre o século XIX e XX numa selecção de 32 imagens da colecção Alcídia e Luís Viegas Belchior, pertencentes à Colecção Nacional de Fotografia do Centro Português de Fotografia.
 
Madeira, Funchal – S.S. “Scot” | CNF 3450/Colecção Alcídia e Luís Viegas Belchior | © CPF-DGARQ/MC
 
Exposição patente na Sala Joshua Benoliel do CPF (2º piso) até 22 de Maio.
   
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Instalação “Sussurro” de Henrique Silva
 
As sociedades organizadas satisfazem a necessidade social da espécie humana acumulando grupos que se identificam como entidades congénitas institucionais levadas ao paradigma da escala de poder onde uns são mais que outros.
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Que espécie humana permite essa escala que pejora a relação saudável da sociedade onde está sujeita a necessidade de presença do semelhante, como um castigo, e onde a quietude não tem lugar...
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Essa é a razão da aglutinação nas grandes cidades, onde o espaço vital se deteriora, por um lado pela exiguidade da liberdade de movimentos, e por outro pelo número de regras indispensavelmente estabelecidas para salvaguardar o controle dos direitos do poder sob a capa da salvaguarda da igualdade de direitos...
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Quem o permite, esse poder, senão essa mesma sociedade que, faminta da presença das “massas” no seu círculo, consente subjugar-se a critérios ditados por alguns, em detrimento do próprio círculo onde se inscreve cada sociedade, perdendo assim características e identidades que são próprias a cada círculo.
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Não será essa a maior maldição da espécie humana?  Henrique Silva | Novembro 2008
© Henrique Silva 
 
Instalação apoiada pela Moldarte Póvoa, Museu  Bienal Cerveira e Projecto N.D.C. patente na Sala de Reuniões do CPF (2º piso) até 25 de Julho.
 
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Exposição “Resistência. Da Alternativa Republicana à Luta contra a Ditadura (1891-1974)”
 
A República que se instaurou há cem anos atrás está na origem da democracia em que vivemos. A construção da democracia teve um contributo essencial das lutas dos republicanos contra a Monarquia e, depois de 1910, em defesa da República. Em 1926, ela caiu às mãos dos militares autoritários. 
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Implantou-se em Portugal uma longa ditadura de 48 anos. Durante esse quase meio século, houve sempre quem resistisse: quem lutasse contra a opressão, e quem tivesse enfrentado corajosamente a repressão dos direitos e a negação das liberdades: republicanos, anarquistas, comunistas, socialistas, católicos progressistas, democratas de todas as cores, incluindo alguns monárquicos. Uns organizaram revoltas armadas, outros foram resistindo  no dia a dia. Nesta exposição, procuramos retratar rostos, gestos, momentos da vida desses portugueses cuja resistência e luta é, de forma decisiva, responsável pela nossa liberdade. Os ideais em nome dos quais estes homens e estas mulheres lutaram foram muito diversos e, muitas vezes, contraditórios.
 
Lisboa, Revolução Republicana de 5 de Outubro de 1910  |  Fundo Aurélio da Paz dos Reis, APR 1775 | © Centro Português de Fotografia/DGARQ/MC
 
Núcleos
I   Sant’Ana - A Caminho da República 1891-1910
II  Pátio – O 5 de Outubro
III  Senhor de Matosinhos - Implantar e defender a I República 1910-18
IV Santo António – Restauração e Fim da I República 1918-26
V  Santa Teresa - A Ditadura e o Reviralho 1927-31
VI Átrio das Colunas  - Uma Ditadura para durar 1932-34
VII Sala das Colunas – Resistir 1934-58
VIII Átrio do Tribunal – O Furacão Delgado 1958-62
IX Sala do Tribunal – Da Guerra Colonial ao 25 de Abril de 1974  
Esta exposição é organizada pela Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República (www.centenariorepublica.pt) e comissariada por Tereza Siza e Manuel Loff.
 
A exposição estará patente até 5 de Outubro.
 
Horário: 3ª a 6ª - 10h às 12h30 | 15h às 18h
Sábados, Domingos e Feriados - 15h às 19h
 
Entrada Livre 
 
Centro Português de Fotografia/ Direcção-Geral de Arquivos
Edifício da Cadeia da Relação do Porto
Campo Mártires da  Liberdade - Porto
Telf: 222 076 310   |   Fax 222 076 311
www.cpf.pt   
 

terça-feira, 4 de maio de 2010

"Ser-se fotojornalista hoje, não é o mesmo que era sê-lo há dez anos"

Entrevista com Ayperi Karabuda Ecer

Presidente do júri do World Press Photo 2010, e também da primeira edição do prémio Estação Imagem/Mora, a vice-presidente de fotografia da Agência Reuters diz-se "pouco nostálgica" sobre o estado da profissão e abre as portas ao futuro

Sílvia Souto Cunha - Visão
16:35 Sexta-feira, 30 de Abr de 2010

"Ser-se fotojornalista hoje, não é o mesmo que era sê-lo há 
dez anos"
DR




Fala português com um ligeiro sotaque e uma considerável velocidade. Uma primeira surpresa quando se conhece esta jornalista de ascendência sueca e turca. Ayperi Ecer começou a carreira como editora na Sipa Press, em 1984. Em 1991, juntou-se à Magnum, tendo aí trabalhado durante 12 anos. Hoje, vê diariamente milhares de fotografias de profissionais  a trabalhar nos quatro cantos do mundo. No âmbito do seu trabalho, já editou dois livros: The State of the World e Our World Now (ambos na Thames and Hudson) e está agora a desenvolver um projecto multimédia sobre a guerra no Iraque. A sua visão sobre a evolução do fotojornalismo, as influências tecnológicas e a globalização da informação, é lúcida - e sem lamúrias. Sentada num canapé acetinado e de estilo francês, plantado no Alentejo das brancuras, Ayperi faz o balanço das decisões polémicas da edição do World Press Photo 2010, do trabalho dos fotojornalistas portugueses presentes no prémio nacional Estação Imagem/Mora (de que foi presidente do júri composto pelo fotojornalista Francesco Zizola, co-fundador da Noor e premiado oito vezes no World Press Photo, por Daphne Anglès, coordenadora de fotografia do New York Times, e por Magdalena Herrera, editora de fotografia da Geo francesa) e das mudanças no fotojornalismo - um futuro de experiências a que já não se podem "fechar as portas".
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Foi a presidente do júri nesta primeira edição do Prémio Estação Imagem/Mora. O facto de premiarem histórias, em vez de imagens individuais, marcou a diferença?
O que achei interessante no Prémio Estação/Mora é que todos os prémios são dados para reportagens. Há poucos concursos internacionais que façam só isso, já que habitualmente têm as duas categorias. É um incentivo para os fotógrafos pensarem mais na narração. Isso é fundamental numa época em que a narração é um elemento-chave. Hoje, há várias maneiras de contar histórias no multimédia. Então, é uma coisa muito boa também para a criatividade.
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O que deve ter uma história contada por um fotojornalista? 
Há uma grande especificidade na imagem fixa, e numa história contada por imagens. Mas o desafio é que estamos num tempo em que podemos encontrar a importância singular da fotografia. Porque é que se faz fotografia e não vídeo, porquê usar imagens e em que situações, são questões que toda a gente terá de se perguntar a si própria. Vai haver muitas mudanças. Haverá certos assuntos que só poderão ser contados em imagens fixas, e outros que poderão ser contados em vídeo. Há uma relação entre fotógrafo e memória  que é muito diferente da existente entre vídeo e memória. Mas isso não quer dizer que a fotografia seja o único meio em que um fotojornalista se pode exprimir.  Pelo contrário: se misturar os meios, pode chegar a resultados interessantes.
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É fantástico quando se pode contar uma história em apenas oito imagens. Só a edição consegue alcançar tal na fotografia. Ficámos muito satisfeitos com a qualidade das histórias apresentadas em Mora. Eu tenho um interesse particular em Portugal, penso que é um país de literatura. As pessoas são muito literadas na forma de falar, nas referências. Portugal já tem uma boa fotografia, mas creio que possivelmente também terá um multimédia interessante no futuro. A Estação Imagem escolheu investir energia nas reportagens. É um grande trabalho. Ao falar com os fotógrafos presentes, todos disseram que é um grande desafio pois não fazem este trabalho profissionalmente: não há ninguém para os publicar. É uma vitória que eles digam: "Ainda vou continuar a fazer isto, vou puxar por mim e não vou ser apenas uma vitima das circunstâncias, dos modelos económicos, etc."
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Os prémios, incluindo o World Press Photo, tornaram-se numa montra para o verdadeiro fotojornalismo?
Antes, os prémios eram o lugar onde se via apenas o best off. Agora, são um showcase [montra] para a profissão. E é fascinante poder tomar parte nisso. Aqui em Mora, vimos mais de cinco mil imagens. No World Press, vimos mais de cem mil fotografias produzidas em todo o mundo. Para quem se interessa em saber qual é o estado da profissão, é uma oportunidade única para ver o que se produz. 
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E qual é o estado da profissão?
É frágil. Mas eu não sou uma pessoa nostálgica. Há uma diferença entre os modelos económicos vigentes então e agora, a informação está a mudar. Ser-se jornalista ou fotojornalista hoje, não é o mesmo que era sê-lo há dez ou 20 anos. Mas ser-se carteiro ou trabalhar para as companhias aéreas hoje, também não são a mesma coisa: já não se carregam cartas, já não há emissão de bilhetes... Mas os fotojornalistas parecem estar muito surpreendidos com a mudança. E isso é bastante contraditório, pois é suposto serem eles a compreender a mudança, a prevê-la e a descobrir formas de avançar. Em vez disso, parecem estar a ser apanhados por ela e a sentirem uma grande nostalgia pelos tempos passados. Eu não faço parte disso. Tenho mais de 50 anos. Conseguimos imaginar a sociedade dentro de 30 anos? É claro que será diferente, é muito tempo.
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O discurso actual dos fotojornalistas centra-se, então, nas limitações de espaço nos media, de diminuição de investimento económico. Quais são as vantagens dessas mudanças?
Há potencialidades fantásticas. Hoje, ser-se fotógrafo é ser-se automaticamente editor, porque se é o único que sabe efectivamente o que está dentro da câmara. O que nunca aconteceu antes. Há vinte e cinco anos, os fotógrafos iam trabalhar, enviavam o resultado sem o ver e outros editavam-no. Hoje, têm um acesso fenomenal à informação e são editores das suas imagens. Uma outra fraqueza da foto reportagem até agora, era a ausência de ligação à informação: o fotógrafo ia para algum lado, fotografava os refugiados no Congo ou algo assim, mas era sempre uma informação subjectiva. Francamente, quantas dessas histórias nos contavam realmente algo sobre a realidade desses países? Contavam-nos alguma coisa das emoções que o fotógrafo criava para nós e ficávamos abalados com as imagens. Mas nunca tínhamos dados na mão para fazer algo com essa informação. Agora, pode-se clicar numa fotografia e ir mais fundo. É um puzzle maior, mais complexo. Os modelos económicos ainda não estão a funcionar com esta realidade, mas não podemos deixar de ver que há também oportunidades incríveis. É claro que a imprensa online vai ser o grande media de amanhã, mas tenho a certeza que aí haverá maneiras de os fotojornalistas se expressarem. A fotografia terá o seu papel, e será muito interessante. Mas não será a mesma coisa que é hoje. Isso é uma certeza.
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É uma falsa questão pensar que, nesse cenário, a visão do fotógrafo será cada vez mais importante e mais 'política'?
Trabalho numa grande agência, a Reuters, onde todos os fotógrafos são jornalistas. Porque têm de o ser: são eles que providenciam as imagens sobre o que se está a passar, é um ambiente completamente diferente. As pessoas que não estão a trabalhar assim, têm de tornar-se verdadeiros jornalistas: têm de conseguir responder a questões, obter acesso, ter a certeza de que a informação é correcta pois ela estará na internet num segundo. Sim, acho que é verdade que o papel do jornalista na relação com a informação será mais forte. Fala-se em crise, mas teremos novas profissões ligadas ao fotojornalismo, ao nível da produção da imagem e do design. A pós-produção será muito importante, tal como a produção multimédia. O design gráfico online será fundamental, pois trabalha a forma como vemos. Teremos equipas a trabalharem juntas, incluindo obviamente os que trabalham o texto. Haverá muitos empregos relacionados com o fotojornalismo, mas diferentes dos que até agora funcionaram.
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Regressando ao caso português, recordo-me de, em anteriores prémios de fotojornalismo, o júri mencionar por vezes que os fotojornalistas portugueses precisavam de editar mais e melhor. Concorda?
Sim, absolutamente. Mas é um problema de todos os fotojornalistas em todo o lado. No fim, quando temos de escolher  a imagem vencedora, é o elemento da edição que decide. Fomos unânimes na atribuição do grande prémio Estação Imagem/Mora [a Paulo Pimenta, com a reportagem sobre a extinta linha de comboio do Sabor]. Foi uma reportagem de que todos gostávamos: evocativa, a preto e branco mas não sentimental, e que nos convidava ao futuro. Estava muito bem editada e comoveu-nos.
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Um outro comentário ouvido nas mesmas circunstâncias: o trabalho dos fotojornalistas portugueses era bom mas ainda muito local. Sentiu o mesmo?
Francamente, acho que isso é uma coisa positiva. E que dizemos também de outros países. O tempo do observador estrangeiro acabou. Não quer dizer que não se possa ir para lugares distantes fazer o trabalho. Mas o fotojornalista que viaja em trabalho para um pais durante pouco tempo, tendo a pretensão de conseguir dar um retrato completo dessa realidade, acabou. Por causa da informação em circulação,  e por causa de uma fantástica geração de profissionais que existem hoje em todos os países. Trabalho com fotógrafos extraordinários, que são do Bangladesh, da Indonésia... Têm um olhar, têm a tecnologia (porque muitas vezes a tecnologia vem dos seus próprios países), e têm coisas para dizer.
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Há, portanto, também uma emergência de novos valores do fotojornalismo?
Sim. É verdade que os grandes fotojornalistas famosos têm muito menos páginas para publicar as suas histórias maiores. Mas também é verdade que temos fotógrafos fantásticos em todo o mundo. Creio que existem cerca de onze mil jornais no mundo. Quando vemos a sua qualidade fotográfica, é extremamente alta em quase todos. Há uma geração de fotógrafos que se desenvolveu no mundo emergente, e uma qualidade geral maior da que existia há vinte anos. Ainda voltando à questão do local: fotografar no próprio país, e fazer uma grande diversidade de temas nacionais, é muito importante. Não se deveria ser forçado a fazê-lo. Como qualquer artista, o fotojornalista deve ter a hipótese de escolher. Mas deve trabalhar também essa realidade. Vimos no prémio Estação Imagem/Mora que havia muitos trabalhos sobre Portugal: alguns muito bem feitos, muitos não eram suficientemente bem feitos. Sentimos que os fotojornalistas passaram apenas um dia a fazer o trabalho, e que, se tivessem investido mais tempo, haveria tanto mais para fotografar. Portanto, não penso que ser um bom fotografo esteja relacionado com o trabalhar a nível local ou internacional.
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Detecta diferenças no olhar fotográfico e nos temas dessa nova geração de países emergentes?
É uma boa pergunta. Penso que demora tempo para se ter uma visão pessoal, no sentido de dominar a tecnologia e ter uma visão original. Mas há, claramente, um interesse diferente no tema quando se está a trabalhar no próprio país. Observo isso nos fotógrafos dos países emergentes: eles tratam o seu país como um todo. Não estão ali para documentar apenas o desastre, para serem testemunhas de uma acontecimento dramático. Estão ali para mostrar o seu próprio povo. O fotojornalismo tem de abordar estes temas: a economia, as classes médias, a tensão urbana... Actualmente, a economia é chave. Se, como fotojornalista, não se entende a economia, perde grande parte do quadro. E penso que os fotógrafos  dos países emergentes estão muito mais conscientes e interessados em pesquisar e compreender o desenvolvimento do que nós.
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Os prémios têm distinguido sobretudo as fotografias sobre os grandes conflitos. Essa valorização não influenciou também esse afunilamento de temas?
Mas porque eram as melhores fotografias. E porque as guerras são muito fotografadas. Quantos bons trabalhos se conhecem sobre pessoas ricas? Os fotojornalistas viram-se a si próprios como os profissionais que documentam a violência, a injustiça, a miséria. E isso é muito importante. Mas acho que, de alguma forma, limita o fotojornalismo. E em vez de serem vitimas, dizendo 'oh, andam a matar o fotojornalismo', é melhor fazerem perguntas a si próprios: "Como poderíamos ser mais próximos às realidades das nossas sociedades? O nosso trabalho terá sido suficiente? Teremos feito algo errado ao longo dos anos? Não terá sido pouco dar um retrato a preto e branco da miséria no mundo? Isso terá sido suficiente para fazer a fotografia sobreviver?" Penso que quando há fragilidades à nossa volta, devemos interrogar-nos. Tenho a certeza de que há respostas, que dão pistas sobre o que aconteceu ao fotojornalismo.
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São questões levantadas pela fotografia vencedora do World Press Photo 2010, Telhados de Teerão de Pietro Masturzo, onde não é imediatamente claro o que as mulheres fotografadas estão a fazer e como se estabelece a relação com a situação política iraniana...  
Primeiro que tudo, essa fotografia não foi uma escolha ideológica. Adorei logo estas imagens, mostravam o começo de algo. Eu não creio que a vida seja frontal, mas o fotojornalismo é. Há sempre uma vítima, fotografam-se campos de refugiados, ou um massacre... Mas é muito interessante captar o que as pessoas fazem e vivem além dessas circunstâncias. Sabia que todas as noites, desde os tempos do Xá, há 30 anos, que as mulheres sobem aos telhados a cantar pelo Irão? Gostei muito destas imagens: estas mulheres fotografadas não em espaços públicas, aquelas janelas onde podemos imaginar que vivem outros. Vemos pouco esse tipo de fotografias no fotojornalismo.
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A informação fotográfica tem sido dada de uma forma mais directa.
Quem decidiu que as notícias têm de ser dadas de determinada forma? A informação é muito importante para as nossas sociedades. Mas podemos contá-la de formas diferentes. Acredito que as pessoas ficam fascinadas pela informação quando esta é bem contada e lhes diz algo. Esta fotografia premiada tratou a informação de forma criativa. Mas tivemos o cuidado de premiar as fotografias em cada categoria que eram as melhores aí. Não é uma questão de dizer o que é melhor. O fotojornalismo está a mudar.  Mas isso é algo bom. Veja-se, por exemplo, o prémio  dado pela Estação Imagem à reportagem em S. João da Madeira [Crise em S. João da Madeira, de Ricardo Meireles]: é uma história muito narrativa sobre a crise, mas excelente. O que também quer dizer que, se calhar , são necessárias formas mais subtis de falar às pessoas.
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Atribuiram a Menção Especial do World Press Photo (o que apenas aconteceu em 1969, aquando da chegada do Homeme à lua) a um frame retirado do vídeo postado no You Tube, sobre a morte de Neda Agha-Soltan. É a aceitação do cidadão-jornalista? 
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O World Press Photo pediu-nos, antes de chegarmos para a avaliação em Amesterdão, para escolhermos o documento de cidadão-jornalista mais importante do ano. E todos escolhemos esta imagem, porque teve um impacto imenso. Esta imagem revelava uma face de uma situação que o fotojornalismo clássico não conseguiu cobrir por causa da censura. Mas também premiámos excelente trabalho fotojornalístico clássico sobre estes acontecimentos no Irão.
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Tem reservas sobre a figura do cidadão-jornalista e a utilização noticiosa de material produzido nesse contexto?
As coisas estão a mudar. Não se pode fechar as portas às experiências. As pessoas vão participar mais, a tecnologia foi feita para tal. E a informação vai para onde a tecnologia for. Mas desejaria que o cidadão-jornalista também fizesse coisas que  o fotojornalismo clássico não faz, em vez de apenas imitar o que este devia fazer.  É claro que, na história do fotojornalismo, sempre tivemos grandes scoops obtidos por cidadãos. Não é inédito mas, agora, é muito mais fácil. No entanto, a fotografia tornou-se algo tão democrático nas mãos das pessoas, que é entusiasmante pensar no que elas podem fazer e documentar da sua vida. Já imaginou que, daqui a 50 anos, teremos uma quantidade imensa de imagens a que nunca tivemos acesso antes? Além de que, se é necessário um acesso privilegiado a áreas como desportos, cenários militares, espectáculo, outras fontes de informação surgirão naturalmente. Mas eu sou uma forte crente na profissionalização. As pessoas tomam a boa informação como um dado adquirido - mas devem compreender que é um luxo, que exige muito esforço, muito investimento, muito dinheiro, a quem o produz.
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No futuro, os fotojornalistas serão tendencialmente freelancers ou haverá grupos associados por interesses comuns?
Acho que o tempo das agências de tamanho médio está acabado. Com o avanço da tecnologia, esse nível de intermediários está a findar.  As grandes agências de informação sobreviverão, apostadas na grande informação e no vídeo. Devido aos cortes orçamentais que estão a acontecer nos outros meios, mais a sua importância se destacará como fonte fiável.  Os colectivos de fotógrafos já não são como os de antigamente. Hoje, são grupos emocionais: cada fotojornalista está a fazer o seu trabalho mas tem ligações emocionais aos outros. Ou, então, são grupos orientados por objectivos. Decidem trabalhar em nichos, por exemplo escolhendo a saúde e sendo reconhecidos por essa especificidade. Mas há outras  entidades que estão a controlar a produção de imagens. Por exemplo, as ONGs estão a tornar-se grandes produtoras de fotojornalismo. Por um lado, é positivo. Por outro lado, pedem-te para produzir uma imagem do mundo que se adapta ao seu programa, que vai de encontro às suas necessidades. E é preciso questionar que necessidades são essas. Produz-se para quem paga, e isto levanta questões. Os fotojornalistas vão em busca de uma mensagem e não à descoberta.
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Que impacto sente ao entrar numa galeria e ver imagens produzidas por fotojornalistas em exibição?
Primeiro que tudo, não podemos generalizar. Nunca senti grande simpatia pelo uso de imagens de miséria humana nesse contexto, mas tudo depende de como o fotógrafo se posiciona. Mas não gosto desse oportunismo de transformar o fotojornalismo em arte. Acredito que há fotógrafos que são artistas,  e nós não os vemos nestes contextos. Muitas vezes, vemos nessas galerias fotojornalistas a tentar ser artistas - mas não o são. Existe uma enorme diferença entre ser um artista que usa a realidade e ser um fotojornalista a tentar transformar o fotojornalismo em arte. São dois mundos diferentes.
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Pensando na questão da criatividade de que o júri do Estação Imagem/Mora falou insistentemente, alguns fotojornalistas poderão sentir a tentação de cruzar essa linha.
E a criatividade pode ser muito interessante, mas é completamente diferente de pegar numa imagem e ampliá-la simplesmente.  Tem de se ter uma visão diferente. Mas esse cruzamento de fronteiras é interessante. Aliás, acho que passaremos a ter, no futuro, muito trabalho de vídeo produzido por fotojornalistas.
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Exibir uma imagem de fotojornalismo, nomeadamente de temas sensíveis, numa galeria, corre o risco de causar menos impacto? Isto é, o contexto pode empurrar para o efeito estético e criar um distanciamento emocional?
Bem... Será que esse facto alterou a percepção, por exemplo, na pintura? Pensemos historicamente nos quadros de Goya. Nós não impedimos as coisas de acontecerem. Todas estas questões levantadas pelo fotojornalismo é porque se estão a tentar coisas novas - o que é sempre melhor do que ficarmos quietos, sem fazer nada.
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Sentiu já essas mudanças e experimentações no World Press Photo?
Vimos algumas mudanças, não todas. Vimos muita repetição de temas, imagens que pareciam iguais. Mas sentiu-se já uma menor variedade nas reportagens - porque há menos trabalhos produzido e menos encomendas.  Os profissionais vão só para três ou quatro lugares: Iraque, Irão, Congo... Imagens sobre o Haiti, ver-se-ão seguramente na próxima edição do prémio. Isto é muito negativo, porque se vê muito menos do mundo. Mas, ao  mesmo tempo, surgiram mais histórias de quotidiano, o que quer dizer que os fotojornalistas estão a virar-se para os ambientes próximos. A necessidade cria oportunidades. Penso que em Portugal, a avaliar pelo prémio Estação Imagem/Mora, isso também será um factor interessante. Premiámos três histórias diferentes, que mostram formas de fotografar diversas: uma reportagem muito boa sobre a violência no Brasil, difícil de fotografar [Gangland, de João Carvalho Pina, já publicada na VISÃO]; uma história muito íntima sobre Alzheimer [Alzheimer, de Nacho Doce], e uma reportagem irónica e divertida sobre  o exército russo [Concurso de cozinheiros do exército russo, de Nelson d'Aires]. Uma produção que traz a fotografia para mais perto das pessoas - que é onde ela também deve estar.



segunda-feira, 3 de maio de 2010

"Dorogoi dlinnoyu" ("Дорогой длинною" (Those were the days)


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ilovetrains63 — 26 de Setembro de 2009 — My arrangement of "Those Were The Days." It was released on August 30, 1968. It was Mary Hopkin's debut single. It is credited to Gene Raskin, who put English lyrics to the Russian gypsy song "Dorogoi." 
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"Dorogoi dlinnoyu," ("Дорогой длинною"), written by Boris Fomin (1900-1948) with words by the poet Konstantin Podrevskii. It deals with reminiscence upon youth and romantic idealism. The first known recording of the song was by Alexander Vertinsky in the 1920's.
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I hope that you enjoy my arrangement of this song!!! Please feel free to comment, and to "PLEASE RATE" the video..."THANKS!"
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Photo source: The Internet. Some of the trolleys are from the early days of San Diego, Ca. (circa 1890's, and early 1900's) Some are from San Francisco, Ca., and Los Angeles, Ca. in the early days. Most of the color photos of the trolleys, (street cars), are from the "Orange Empire Railroad Museum" in Perris, California.
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domingo, 2 de maio de 2010

Lisboa Modernista e Moderna, 1930-40 a 2000 (José M. Fernandes)

Clicar na hiperligação para ver o slide show



LISBOA MODERNISTA:1930 - 1940
Com a afirmação do Estado Novo, regime autoritário iniciado em 1926 e institucionalizado desde 1930, inicia-se uma nova fase da cidade, com forte investimento das infra-estruturas modernas,
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nos equipamentos e no planeamento e urbanização estruturada da urbe. Só então Lisboa entra  decisivamente no Século XX. Na década de 1930 (e parte da de 40) pode falar-se de uma "Lisboa do Estado Novo", assente na chamada "Política de Obras Públicas" levada a cabo pelo ministro e presidente da câmara Duarte Pacheco – com os primeiros Planos de Conjunto, os Novos Bairros
e uma arquitectura Modernista e Art Deco, inovadora e internacionalista. 
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LISBOA DO PORTUGUÊS SUAVE:1940 - 1950
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Com o desenrolar da II Guerra Mundial, e o tempo seguinte da "Guerra Fria", o Regime político de Salazar resiste e persiste, mas em termos culturais e urbano-arquitectónicos vai progressivamente enquistar-se e fechar-se em métodos de planeamento e formas arquitectónicas do passado, tradicionalistas, retrógradas. 
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Lisboa exprime, mais do que qualquer cidade portuguesa, esta imagem de fechamento e "tristeza de fado" – e serve então, contraditoriamente "provinciana e imperial", de exemplo para muitas outras, de Norte a Sul, dos Açores e Madeira a Luanda e Macau. 
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Afirma-se uma "Lisboa Oficial", das fachadas neo-clássicas e neo-barrocas – servida por toda a panóplia da arquitectura neo-tradicionalista e reaccionária, desde os telhados em coruchéu, a imitar, nostálgicos, as igrejinhas da província rural, até à esfera armilar nos torreões, símbolo do Império quase perdido. 
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Mas em paralelo, e sobretudo a partir da segunda metade dos anos 1950, a par de um certo "espírito de desanuviamento" mundial, vai crescer a possibilidade de uma "Lisboa "inovadora",apoiada pela Câmara mais esclarecida, servida por um urbanismo e arquitectura de transição, entre o tradicional e o moderno, criando novos bairros e espaços de lazer em parques e jardins.
José Manuel Fernandes