Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Fotos de capa em fevereiro 26

 * Victor Nogueira



2022 02 26 Foto Rui Pedro - Mariana na praia de Albarquel (Serra da Arrábida) com a Península de Tróia no horizonte e o estuário do Sado a seus pés (2022)


2022 02 26 Foto MENS - Zé Luís no Rio Cuanza, em 1969. Em 1987, numa tarde deste mesmo dia 26 de fevereiro, em Paço de Arcos, faleceu o meu irmão caçula, nascido em Luanda (1951)


2021 02 26 foto victor nogueira - Vila do Conde (Jardim Júlio Graça) - Nesta porta a bandeira, estilo arte nova, ostenta duas letras, presumivelmente a "marca" do seu proprietário de então



2021 02 26 e 2018 02 26 Os 3 "manos" - Luanda - Rua Frederico Welwitsch - 1951

Naquele tempo, ao fim do dia, ia muitas vezes ao cinema. Naquele dia 26, à noite, em 1987, ao regressar a casa, o telefone tocou. Era o Jacinto, guarda da noite no Edifício Sado, onde eu trabalhava, no Planeamento Urbanístico.

"Onde é que se meteu, doutor, que andamos à sua procura há horas? Tenho uma notícia para lhe dar. Sente-se. O seu irmão morreu!” E foi assim, de chofre, que soube que o meu irmão se suicidara. Numa das outras vezes telefonara-me para a Câmara, para se despedir de mim. Disse-lhe que esperasse por mim, que não era pelo telefone que nos despedíamos para sempre, que iria ter com ele para lhe dar um último abraço. 

Meti-me no carro rumo a Paço de Arcos e dessa vez consegui chegar a tempo, adiar, sem ilusões, aquilo que para ele seria uma determinação e tentara  já por diversas vezes!

O MPLA tê-lo-ia convidado para ficar, teria querido ficar em Angola, a nossa terra, mas quando após a independência, em 1976, o MPLA mobilizara todos os angolanos face à guerra civil que se avizinhava, veio para Portugal, dizendo-me que lhe bastara o horror duma guerra, a que vivera, na frente de combate e com as vítimas do exército colonial, onde havia sido incorporado como enfermeiro. Morreu sem terminar o curso de Medicina.
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ECCE HOMO

Era o dia 26 de Fevereiro
O Pituca morreu!
Encerrado em si
hirto no seu pijama azul
as mãos bonitas e o rosto frio
um vergão em torno do pescoço
o rosto violáceo
o ar sereno.
Longe vai o tempo da minha alegria
das nossas brigas
da nossa amizade
…………………silenciosa
…………………tímida
…………………desajeitada.
Fica-me no pensamento
a lembrança de ti
nas coisas que me deste
……………….…,os livros os posters
……………..…...os bibelots as estatuetas
 ………………… africanas as tuas pinturas
…………………  a Marilyn e o Pato Donald
…………………  os discos e as cassetes.
Memória da infância perdida
nas palavras silenciadas
Meu irmão!

Setúbal 1987.12

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É TEMPO DE CHORAR

É tempo de chorar
silenciosamente
os nossos mortos
irmãos encerrados
…………….encurralados
É tempo de chorar
enquanto
para lá desta hora
a vida se renova
por entre
……………. os bosques e
……………. os regatos
…………….……………. ….sussurantes
…………….  do imaginar o son (h) o estilhaçado
É tempo de chorar o tempo que voa!
(IN MEMORIAM do meu irmão Zé Luis, morto de morte matada
…………….……………. por ele próprio e por muitos outros no tempo
…………….……………. que para ele terminou naquela tarde de
…………….……………. 26 de Fevereiro de 1987 ............................. )
Setúbal, 1989.02.03
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 (Zé Luís - Luanda, 1951 – Paço de Arcos 1987)



2020 02 26 e 2015 02 26 Foto de família - O Zé Luís (1951 - 1987) em Lisboa, com a bicicleta


2020 02 26 foto victor nogueira - Setúbal, Carnaval 1986 (?)

Naquele tempo, no local onde se construiu o Parque Verde da Lanchoa, no Pote de Água, era campo, onde pastavam rebanhos de ovelhas e de cabras, Aqui havia uma nora, que a Junta de Freguesia, terraplanado o terreno, arrasou, para dar lugar ao espaço verde., no qual se não conservaram as espécies arbóreas nele existentes: sobreiros, oliveiras e pinheiros mansos.


2019 02 26 Foto de família -  Zé Luís


2018 02 26 e 2016 02 26 O meu irmão caçula, o Zé Luís (1951.05.29 / 1987 02 26)  no Rio Quanza, em 1968

VER  

o Rio Cuanza, em Angola



2017 02 26 Foto de família  em Luanda - 1951 - Victor, Emília, Zé Luís (Luanda 1951.05.29 / Paço de Arcos 1987.02.26), Manuel -

IN MEMORIAM do meu irmão Zé Luís, Em 1987, a 26, ao fim do dia resolvi ir ao cinema e depois de chegar a casa à noite, o telefone tocou. Era o Jacinto, o guarda do edifício da Câmara onde eu trabalhava, no Planeamento Urbanístico, : "Doutor, Temos andado à sua procura. Sente-se, tenho uma notícia para lhe dar: O seu irmão morreu." Desta vez a tentativa de suicídio não falhara.. Vítima do stress da guerra os psiquiatras haviam dito que apenas eu o poderia salvar e não os pais, mas o meu poder era limitado. 


2016 02 26 XIII Congresso do PCP


2014 02 26 foto Victor Nogueira - Castro de Aire


2014 02 26 Marcha da CGTP (Cartaz)


2011 02 16 Com votos dum bom sim de semana e melhor semanada !


2011 02 16 Thank you

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