Escrevivendo e Photoandarilhando por ali e por aqui

“O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes)

«Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (Victor Nogueira - excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973

terça-feira, 24 de março de 2026

Auto-retrato e variações 06 . estilo Pablo Picasso

 Pablo Picasso teve uma das carreiras mais longas e produtivas da história da arte, atravessando quase 80 anos de criação constante. Para facilitar o entendimento, historiadores dividem sua obra em fases principais, marcadas por mudanças drásticas de estilo, cor e estado emocional.

Aqui estão os principais períodos do mestre espanhol:


1. Fase Azul (1901–1904)

Este período começou após o suicídio de seu amigo próximo, Carlos Casagemas. As obras são marcadas por tons de azul e azul-esverdeado, transmitindo uma atmosfera de melancolia, isolamento e tristeza.

  • Temas: Pobreza, cegueira, solidão e figuras marginalizadas (mendigos, prostitutas).

  • Obra icônica: O Velho Guitarrista Cego.

2. Fase Rosa (1904–1906)

Picasso apaixonou-se por Fernande Olivier e sua paleta mudou para tons mais quentes de rosa, laranja e bege. O clima das pinturas tornou-se mais leve e lírico.

  • Temas: O mundo do circo, arlequins, acrobatas e a maternidade.

  • Obra icônica: Família de Saltimbancos.

3. Período Africano / Protocubismo (1907–1909)

Influenciado por máscaras africanas e esculturas ibéricas, Picasso começou a simplificar formas e a usar linhas geométricas agressivas. Foi o prelúdio do que viria a ser o Cubismo.

  • Obra icônica: Les Demoiselles d'Avignon (obra que revolucionou a arte moderna).

4. Cubismo (1909–1919)

Dividido em duas grandes etapas, este período rompeu com a perspectiva tradicional:

  • Cubismo Analítico: Fragmentação extrema do objeto em tons monocromáticos. O foco era o volume e a forma, não a cor.

  • Cubismo Sintético: Introdução da técnica de colagem. As cores voltaram e as formas ficaram mais simples e reconhecíveis.

5. Classicismo e Surrealismo (1920–1930)

Após a Primeira Guerra Mundial, Picasso teve um "retorno à ordem", pintando figuras monumentais que lembravam a escultura grega (Fase Neoclássica). Mais tarde, sob influência do movimento surrealista, suas formas tornaram-se mais distorcidas e oníricas.

  • Obra icônica: Guernica (1937), que embora seja tecnicamente posterior, utiliza elementos cubistas e surrealistas para retratar o horror da guerra.

6. Últimos Anos (1940–1973)

Nesta fase, ele explorou diversos estilos, desde releituras de grandes mestres (como Velázquez e Manet) até um estilo mais livre e expressivo, quase infantil, que alguns chamam de pós-cubismo.

Resumo das fases em uma tabela rápida:

Período    Cores/Estilo Dominante    Sentimento/Foco
Azul    Azul e tons frios    Tristeza e melancolia
Rosa    Rosa, tons pastéis e terra    Alegria e cotidiano circense
Africano    Formas angulares e máscaras    Geometrização primitiva
Cubismo    Fragmentação e colagem    Perspectiva múltipla
Clássico    Figuras robustas e realistas    Ordem e tradição

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Imagem 1: Fase Azul (1901–1904)

Este retrato é imerso exclusivamente em tons profundos de ciano e azul cobalto. A sua expressão foi suavizada pela melancolia e tristeza características deste período. As pinceladas são carregadas e emotivas, focando numa profunda introspecção e solidez emocional. A barba e os olhos, embora reconhecíveis da sua foto original, são reinterpretações solenes através da paleta fria e expressiva de Picasso.



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Imagem 2: Fase Rosa (1904–1906)

Este retrato é imerso exclusivamente em tons quentes e suaves de terracota, laranjas pastel e rosa. A sua expressão foi suavizada por um lirismo sereno, e a textura da pintura é mais fluida e envolvente. Há uma leve e poética alusão ao ambiente do circo, talvez uma pequena textura de arlequim ao fundo, transmitindo doçura e uma atmosfera mais leve. A barba e os olhos, embora reconhecíveis da sua foto original, são reinterpretações suaves através da paleta quente e expressiva de Picasso.

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Imagem 3: Período Africano (1907–1909)

Este retrato é imerso exclusivamente em planos geométricos arrojados e formas angulares vigorosas, inspirado diretamente na estrutura das máscaras de madeira da África Ocidental. A sua expressão foi simplificada por uma agressividade primitiva e robusta, e a textura da pintura é densa e texturizada. Há uma força primitiva e bruta, com contornos robustos e uma paleta terrosa de vermelhos escuros, ocres e pretos. A barba e os olhos, embora reconhecíveis da sua foto original, são reinterpretações poderosas através da estética geometrizada e primitiva de Picasso. 


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Imagem 4: Cubismo Analítico (1909–1912)

Aqui, o retrato é completamente desconstruído. Não é visível um rosto reconhecível a olho nu; em vez disso, vemos uma sobreposição complexa de múltiplos planos geométricos e facetas sobrepostas que analisam a sua estrutura de várias perspectivas ao mesmo tempo. A paleta é monocromática (cinzas e ocres) para focar na forma pura e volume.






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Imagem 5: Classicismo (1920–1930s)

Uma reinterpretação poderosa e híbrida. O seu retrato é retratado com uma robustez escultural, quase como um busto de mármore romano, Nesta imagem, o seu rosto ganha uma tridimensionalidade monumental. As sombras são mais definidas para criar esse efeito de busto de mármore, com uma serenidade austera que remete à arte greco-romana, mas mantendo a alma e os traços que vimos nas fases anteriores.


Nesta interpretação, as formas cubistas dão lugar a volumes sólidos e escultóricos, com uma modelação suave que evoca a influência greco-romana. A expressão foi trabalhada para transmitir uma serenidade introspectiva e monumental, enquanto a paleta de cores foca-se em tons de ocre, terra e rosados suaves, característicos deste período do artista.


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Fase surrealista





Auto-retrato e variações 05

Retratos em estilos diversos gerados pelo Google Gemini a partir dum auto-retrato de minha autoria 
 

Auguste Renoir




Paul Gaughin




Georg Grosz



Toulouse-Lautrec






Alfred Muscha



sábado, 21 de março de 2026

Auto-retrato e variações 04

`* Victor Nogueira

Retratos em estilos diversos gerados pelo Google Gemini a partir dum auto-retrato de minha autoria



2026 03 15 - Auto-retrato e variações 20 - Pintura estilo Edward Hopper


2026 03 16 - Auto-retrato e variações 20 - Pintura estilo Eugène Delacroix


2026 03 17 - Auto-retrato e variações 21 - Pintura estilo Rembrandt


2026 03 18 - Auto-retrato e variações 22 - Pintura estilo Sandro Botteceli


2026 03 19 - Auto-retrato e variações 23 - Pintura estilo Pablo Picasso (período azul)


2026 03 20 - Auto-retrato e variações 24 - Pintura estilo Di Cavalcanti


2026 03 21 - Auto-retrato e variações 25 - Pintura estilo cubista (Fernand Léger)

quarta-feira, 18 de março de 2026

Murais de Solidariedade Internacionallsta (04)

 


2026 03 11 - Mural da Brigade Ramona Parra - 'Chile' executado no edifício Dante da Umiversidade de Tilburgo, Alemanha, em 1979

«As Brigadas Ramona Parra pintaram murais em diversos países como forma de protesto contra a ditadura de Pinochet e em solidariedade com as lutas sociais. Este estilo específico é muito comum em Santiago do Chile, mas após o golpe de 1973, muitos membros no exílio pintaram murais semelhantes na Europa (como em Portugal, após o 25 de Abril, na Holanda e na Itália).

O mural utiliza uma linguagem visual de cores vibrantes e contornos negros espessos para narrar a luta do povo. Os elementos principais são: A Repressão: No lado direito, vê-se um soldado armado e uma coluna de tropas, representando a força militar e a opressão. O Sofrimento e a Luta: Ao centro e à esquerda, figuras humanas com expressões de dor e resistência. A figura feminina (à esquerda) e os rostos agonizantes simbolizam as vítimas da violência política. Símbolos de Luto: No canto superior esquerdo, pequenas cruzes sugerem um cemitério ou a memória dos que partiram (os "desaparecidos" políticos). Esperança e Dinamismo: As formas fluidas e orgânicas que percorrem o mural sugerem movimento e a ideia de que, apesar da dor, a história e a luta continuam em constante transformação.» (Coogle Gemini)


2026 03 12 - Mural perto do aeroporto, retratando a guerra civil em Maputo, Moçambique, a autoria do pintor moçambicano Malangatana Valente Ngwenya


2026 03 13 - Chile - Mural da Brigada Ramona Parra em San Bernardo, finais dos anos oitenta. Archivo Harvard

'Conta la dictatura pintaremos hasta el cielo'


2026 03 14 - Cuba (Havana) - Mural 'Del rio a lo mar' -

«Havana, 29 de novembro de 2025 - No Dia Internacional de Solidariedade com a Palestina , em homenagem ao seu povo heróico, aos estudantes, mulheres e crianças, aos poetas, escritores e artistas visuais, aos avós que já partiram, de Cuba, mais uma vez, o grito se ergueu nos muros: " Palestina Livre do rio ao mar". Na parede do emblemático Instituto Cubano de Pesquisas "Juan Marinello ", localizado na central Avenida Independencia (Boyeros) entre Bruzón e Lugareño na Plaza de la Revolución, foi criado o belo mural Palestina Will Bloom .Esta é a segunda obra de arte criada ali, como expressão de solidariedade ao povo palestino contra a ocupação e o genocídio de Israel.» (https://cubaenresumen.org/2025/11/30/por-amor-a-palestina)


2026 03 15 - Mural em Almada (Laranjeiro - Feijó) promovido pela Frente Antirracista em 2025 10 04

'Palestina independente'


2026 03 16 - Mural em Caracas AFP PHOTO - autor 2015 03 11 FEDERICO PARRA

'Imperialismo'


2026 03 17 - Mural em Caracas, Venezuela Foto Bruno Carvalho JN em 2025 12 20

"Mural colectivo no bairro 23 de Enero, em Caracas, Venezuela. Esta zona é um dos baluartes históricos do "Chavismo" e da Revolução Bolivariana, sendo famosa pelos seus murais que decoram as fachadas dos grandes blocos de apartamentos. A frase "De estas luchas venimos" (Destas lutas viemos) estabelece uma linha de continuidade entre as revoltas populares do passado e o governo atual.

O Combatente Central: A figura com o rosto coberto (passamontanhas) simboliza a resistência urbana e a prontidão para a defesa armada do bairro e da ideologia. Conflito com a Autoridade: À esquerda, veem-se figuras que representam a PM (Polícia Metropolitana) e a GN (Guarda Nacional). A imagem evoca momentos de repressão policial histórica (como o Caracazo de 1989) para justificar a organização popular atual. Simbolismo Revolucionário: À direita, uma figura armada segura a bandeira venezuelana, usando um colete onde se lê "Patria o Muerte" (Pátria ou Morte), o lema revolucionário adotado por Hugo Chávez." (Google Gemini) 


2026 03 18 .- Mural "Escravos Acorrentados", uma obra de Malagantana dedicada à guerra civil, perto do Aeroporto de Maputo, Moçambique. (Foto de F. Rigaud)

Este mural é uma obra emblemática do artista moçambicano Malangatana Ngwenya (1936–2011), um dos pintores mais influentes de África.

Localização: Situa-se em Maputo, Moçambique, na fachada do Museu de História Natural (antigo Museu Dr. Álvaro de Castro).

Autor: Malangatana Valente Ngwenya, conhecido simplesmente como Malangatana.

O que representa: O mural retrata a resistência e a luta contra o colonialismo e a escravatura. As figuras centrais aparecem a quebrar correntes, simbolizando a libertação do jugo colonial. O uso de elementos como o machado e as chamas (fogo) evoca a violência do passado colonial, mas também a energia e a força da revolta popular. O estilo é o característico "horror vacui" de Malangatana, onde o espaço é preenchido com figuras expressivas, olhos arregalados e bocas abertas que transmitem uma sensação de sofrimento, mas também de uma vontade indomável de liberdade. Esta obra faz parte de um conjunto de murais que Malangatana pintou após a independência de Moçambique (1975) para celebrar a identidade nacional e a memória histórica do país.» (Google Gemini)

sábado, 14 de março de 2026

Auto-retrato e variações 03

`* Victor Nogueira

Retratos em estilos diversos gerados pelo Google Gemini a partir dum auto-retrato de minha autoria


2026 03 07 - Auto-retrato e variações 12 - Pintura naïf estilo Henri Rousseau


2026 03 08 - Auto-retrato e variações 13 - Pintura naïf estilo Chico da Silva (Brasil)


2026 03 09 - Auto-retrato e variações 14 - Pintura naïf estilo Stéphanie Louis (França)


2026 03 10 - Auto-retrato e variações 15 - Pintura naïf estilo Heitor dos Prazeres (Brasil)


2026 03 11 - Auto-retrato e variações 16 - Pintura estilo Toulouse-Lautrec


2026 03 12 - Auto-retrato e variações 17 - Pintura estilo Salvador Dali


2026 03 13 - Auto-retrato e variações 18 - Pintura estilo Alphonse Mucha


2026 03 14 - Auto-retrato e variações 19 - Pintura estilo Alphonse Mucha